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› Autor: ~sakurita
› Gênero: Drama (Tragédia) / Romance e Novela. / Shoujo (Romântico)
› Personagens: Kagome, Inuyasha
› Classificação: 14+
› Adicionado em: 11/12/07
› Comentários/Favoritos 4/2
› Caracteres: 12.308
› Exibições: 200
Kagome estava sentada, desenhando em seu caderno de Arte. A professora, uma mulher idosa de nome Kaede, tinha mandado que todos os alunos visualizassem o cenário ideal para um texto que ela lera e o desenhassem.
Olhando para os lados, a garota percebeu que era a única com os olhos abertos na classe.
Todos os outros se concentravam em tentar visualizar o tal lugar, para depois passá-lo para o papel. Ela, por não poder fechar os olhos, simplesmente desenhava o que vinha na mente. Fazia muito tempo que ela não fechava os olhos para imaginar alguma coisa. Nem precisava mais.
Ela lembrou do texto lido. Era um trecho de um livro ocidental, falando sobre uma garota que via e falava com mortos, e se apaixonava por um (N/A: série A Mediadora, de Meg Cabot. O livro em questão é o quinto, chamado Assombrado). Ela já lera aqueles livros. Afinal, se ela não podia fechar os olhos sem explodir tudo à sua volta, o que impedia outras pessoas de verem gente morta?
Largou o lápis e fechou o caderno de desenho. Já tinha terminado o tal desenho.
Ficou olhando para o nada até que um caderno de desenho que não era o seu foi posto em sua carteira.
Já terminou?
Ela olhou para o lado e viu InuYasha encarando-a, esperando pela resposta. Apesar de ele estar um ano a sua frente, as aulas de Arte eram opcionais, então os alunos de todos os anos estudavam juntos. Pegou o lápis e escreveu:
Já.
Hm... Eu também.
Ela virou a página e viu um desenho que retratava um cemitério, com duas pessoas de mãos dadas, acima de uma lápide.
O seu ficou melhor do que o meu!
Eu gosto de desenhar. Vira a página de novo.
Ela virou, e para sua surpresa, o desenho que achou retratava...
Meu rosto?
Ela encarou o hanyou, e o viu sorrindo. Ele pegou o caderno e escreveu novamente:
Gosto de desenhar coisas bonitas, sabe?
Obrigada pelo elogio. Você também é uma gracinha.
InuYasha sorriu. Ela tinha bom humor. Gostava daquilo em garotas. Voltou a escrever.
Que tal a gente ir ao café depois da aula?
Aquele do outro dia?
É.
Feito. Você paga.
Do outro lado da sala, outras pessoas trocavam bilhetes.
Eles estão se dando bem.
Eu sei. Isso é legal. O InuYasha não costuma se aproximar das pessoas com facilidade.
É. Será que vai rolar algo mais entre os dois?
Miroku, deixa de ser lesado. Eles se conhecem há menos de uma semana.
Você também a conhece há menos de uma semana, Sango. O que não te impediu de torná-la sua nova melhor amiga.
Ela é legal, e você também acha isso.
É... e tem um belo...
Se você terminar essa frase, eu amasso esse caderno e te faço engolir.
Rosto. Eu ia escrever rosto.
Sei...
Os dois voltaram os olhos para InuYasha. Ele dava risada de alguma coisa que Kagome pusera no papel. Talvez uma piada, ou um desenho.
-Todos, coloquem os cadernos sobre a mesa e podem ir. A aula terminou.
Ouvindo a voz da professora Kaede, todos eles puseram os cadernos sobre as carteiras, para que ela recolhesse. InuYasha e Sango, os donos dos cadernos usados para escrever, arrancaram as páginas escritas e as jogaram no lixo, na saída.
-Que aula teremos agora, Sango? –perguntou Kagome, vendo Sango se aproximar.
A garota abriu o caderno e viu os horários.
-Hoje é terça, certo? –perguntou, conferindo as aulas. –Hm... Matemática. Odeio matemática.
-Eu gosto. São apenas números. Não são um grande problema (N/A: É! Minha Kagome não viaja no tempo, então tem tempo pra estudar matemática e é boa nisso!).
-Ótimo. –falou Sango, fazendo uma careta. –Vou colar de você na prova da semana que vem.
-Tudo bem.
Kagome fixou os olhos num cartaz da peça teatral que seria apresentada no auditório da escola na próxima semana.
A imagem mostrava um rapaz de cabelos negros trançados, com um ar divertido e perigoso. Muito bonito.
-Quem é aquele? –perguntou a Sango. Tinha que ter certeza.
Ela olhou o cartaz e sorriu.
-Bankotsu. Lindo, não?
Bankotsu!
A mente de Kagome começou a trabalhar rápido, enquanto elas caminhavam em direção à sala de aula.
Bankotsu. Há quanto tempo não se viam? Um ano? Dois? Ela estava para fazer dezesseis... é. Fazia dois anos.
***
-Ka-chan! –gritavam várias pessoas ao redor de uma enorme mesa. –Faça um pedido!
-É! –disse um garoto de olhos cinzentos e cabelos negros. –Não é todo o dia que se faz quatorze anos, Kagome.
-Koji, para de me apressar! –falou a garota, olhando as duas velas. Os números “1” e “4” derretiam lentamente, e ela adorava cada segundo.
Quatorze anos. Naquele dia ela fazia quatorze anos! Quanto tempo... quase cinco anos morando naquele templo, naquele lugar maravilhoso. Kami, como ela amava aquele lugar!
Kagome fez um pedido, tomando o cuidado de não fechar os olhos, e soprou as velas.
Todos bateram palmas. Começaram a partir o bolo. O primeiro pedaço, todos já esperavam, foi para Koji.
Ele recebeu o prato da mão de Kagome, e sorriu. O coração dela disparou, como em todas as vezes que ele sorria.
Passaram-se dez minutos. Vinte. Todos estavam felizes, não viam o tempo passar. Kagome também não reparava. Só olhou que horas eram quando sentiu seu braço ser puxado por Koji, que sorriu de novo e disse:
-Vamos da uma volta.
Ela foi. Era simples assim, ela confiava nele, ela gostava dele. Iria onde ele lhe pedisse para ir, sem pestanejar ou perguntar o porque.
Eles pararam em frente à uma árvore e se olharam nos olhos.
-Essa árvore é sagrada. –disse ele, se aproximando devagar.
O coração dela saltou. Ele ia beijá-la? Kami, se ele fizesse isso... O que aconteceria? Ela nem poderia fechar os olhos!
Naquela hora, ela percebeu que nunca poderia beijar um garoto. Nunca poderia fechar os olhos e sentir os lábios de um rapaz sobre os seus.
Ela deu um passo apara trás, deixando-o confuso.
-Ka-chan... você gosta de mim? –perguntou ele, corando.
-Gosto. –disse ela. Iria ser sincera. Diria a verdade. Não queria machucá-lo. –Mas há coisas sobre mim que eu queria que você soubesse, antes de decidir se também gosta de mim.
-Não há o que dizer. –falou ele, sorrindo. –Ka-chan... eu sei.
Ela o olhou, confusa.
-Como assim, “sabe”?
-Eu cheguei aqui há quanto tempo, Kagome? –perguntou ele, sorrindo, como sempre.
-Há... cinco anos, um pouco menos. Logo depois de mim.
-Isso mesmo. Foi sem pai quem me mandou, Ka-chan.
O mundo dela caiu.
Seu pai. O homem que nunca se preocupava em lhe telefonar, o homem que a afastara de seu meio-irmão por medo do que ela faria, a pessoa que não se dera ao trabalho de lhe ligar naquele dia, tão especial.
Seu pai.
Uma raiva cega se apossou dela, que saiu correndo sem dizer mais nada. Ela se trancou no dormitório que ocupava sozinha. Ela conversara com o mestre do templo, e ele concordara ser melhor ela ter um quarto só seu, para não correrem riscos.
Ela ouviu batidas na porta, ouviu a voz dele chamando-a, dizendo que gostava dela, de verdade.
Verdade.
-O que é verdade? –gritou ela, para a porta. –Que você veio aqui para me vigiar? Que você veio aqui com o objetivo claro de conquistar minha confiança para poder contar ao meu pai todos os meus passos?
-Não. Que eu te amo.
Aquelas palavras partiram o coração dela. A garganta secou, os olhos marejaram.
-Vá embora. Por favor, vá.
Ela não soube dizer, no dia seguinte, quanto tempo ele ficara em sua porta tentando convencê-la a abrir e conversar.
Só sabia que chorara em silêncio o tempo todo. Deitara-se na cama de solteiro, que naquele momento ela percebeu que seria de solteiro para sempre, e chorara. Piscava constantemente, para retirar as lágrimas dos olhos, mas nunca os fechava.
Chorara, ouvindo-o bater e chamar, até sentir o sono vencer a dor.
No dia seguinte, ela saiu do quarto pronta para confrontar tudo e todos como se nada tivesse acontecido.
Ao abrir a porta, porém, ela sentiu o pescoço ser envolto por uma corrente.
Como fora treinada para fazer, ela retirou um dos sais que sempre carregava na cintura e o arremessou na direção de onde vinha a corrente.
A pessoa mascarada escondida nas folhagens da árvore sagrada caiu no chão já morta.
Kagome não tinha a intenção de matar ninguém. Mas fora necessário.
“Se for para viver, mate”. Fora sua primeira lição.
Ela começou a correr para os outros alojamentos. Em todos os quartos, encontrou seus colegas inconscientes, mas nenhum morto.
No último deles, o de Koji, ela ouviu ruídos.
-Quem te mandou? –perguntava ele, para o homem de rosto oculto cuja garganta estava envolta pela própria corrente.
Com quinze anos, Koji já matara antes, e todos ali sabiam disso. A maioria deles já o fizera, também.
-Nunca direi. –falou o homem que Kagome percebeu, naquele momento, ser um youkai.
-Então... –disse ele.
O youkai nunca saberia quais foram as palavras do garoto depois daquilo.
A corrente estraçalhara seu pescoço.
Koji se virou para a porta. Só então percebeu Kagome parada ali.
-Ka-chan, eu...
Ela o olhou, sorriu e disse:
-A máscara que ele usa. Tem uma aranha desenhada. Ele estava atrás de mim. –vendo a surpresa dele, ela continuou –Não conte ao meu pai. Vou embora daqui, para o bem de vocês.
Ela foi até ele e deu-lhe um selinho rápido, piscando ao invés de fechar os olhos.
-E mais uma coisa... –disse, ao começar o caminho de volta para o quarto, para pegar suas coisas. –Eu te perdôo.
Enquanto arrumava suas malas, ela viu um garoto sair de outro dormitório e ir para o seu.
-Está indo embora, ka-chan? –perguntou ele, cínico.
-Estou, Bankotsu. –respondeu ela, friamente.
-Bom. Só tenha cuidado, certo? Posso não gostar de você tanto quanto Koji, mas não quero que você morra.
“Ainda”, completou ele, em pensamento.
-Por quê? –perguntou ela, cerrando os olhos.
-Porque eu sei que aqueles homens vieram atrás de você. E sei que quem os mandou foi Naraku.
Ela arregalou os olhos, surpresa demais para expressar em palavras o que sentia.
Antes que formasse qualquer frase para responder Bankotsu, o garoto já se fora.
***
Kagome e Sango entraram na sala de aula, e, por azar, descobriram que a o horário estava errado.
-Odeio Inglês. –falou Kagome.
-Você morou nos Estados Unidos dos cinco aos nove anos. Deve ter aprendido bastante. Como pode odiar a língua? –perguntou Sango, confusa.
-Me lembra demais o meu passado. –Kagome suspirou e entrou na sala de aula.
-Good morning, class! –disse a professora, entrando na sala. –I hope you’re ready to learn English! That beautifull language that I’ll teach you. Hey, you, -ela apontou um aluno. –It’s very cold today, isn’t it?
-Ela falou muito rápido. –disse Sango. –Ka-chan, traduz pra mim?
-“Bom dia, classe! Eu espero que vocês estejam prontos para aprender Inglês, essa língua de merda que eu ensinarei para vocês. Ei, você, hoje está um puta frio, não está?”
Sango riu.
-Acho que não foi o que ela disse.
-Pode crer que foi. –disse Kagome, sorrindo. –Eu só traduzi pro nosso idioma.
Elas riram, por que não tinham nada melhor pra fazer.
Pelo menos até a professora se cansar das duas tagarelando e passar uma redação de quinhentas palavras para o fim da aula, com o tema “Silêncio”.
Continua...
Nota da Autora: Que bom que estão gostando!! *.*
Comentem se gostarem deste capitulo... ^^
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