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[Saint Seiya] Bem mais que amigos

Capítulo VIII


Autor: ~NinaNeviani

Categoria: Animes/Saint Seiya

Gênero: Comédia / Romance e Novela.

Personagens: Ikki, Minu, Pandora, Aiolos, Shiryu, Shunrei, Eire, Hyoga, Shun, June, Seiya, Saori

Classificação: Livre

Adicionado em: 10/12/07

Comentários/Favoritos 0/1

Caracteres: 25.212

Exibições: 158

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BEM MAIS QUE AMIGOS!

por Nina Neviani

beta-reader: Chiisana Hana


Capítulo VIII

- Pandora, por acaso eu me esqueci de mencionar que o casamento seria realizado numa igreja?

- Estou bem, não estou?

Pandora, para enfatizar a declaração, deu uma voltinha.

Sem dúvida, o vestido era lindo e o corpo da Pandora muito sexy. Eu nunca fui muito ligado a regras, e muito menos a regras religiosas, mas até mesmo para mim era óbvio que o curto, justo e inegavelmente vermelho vestido da Pand não era recomendado para ser usado numa igreja.

- É óbvio que você está bem. Eu não sei é se as outras mulheres vão ficar bem quando virem você dentro desse vestido. Ou seria o vestido quase dentro de você?

- Essa é a intenção. Porém, eu quero que apenas uma mulher não se sinta bem. Minu Setsuna.

- Não querendo te desapontar, mas eu posso apostar o que você quiser como ela vai estar linda.

- O conceito de beleza é algo relativo por isso eu não aposto com você. Falando em beleza, você está muito bem. Só o seu cabelo que tá estranho.

- Não está estranho. Está mais comprido do que o normal, porque eu me atrasei na construtora e não tive tempo de cortar.

- Ikki! Você deveria estar na sua melhor forma para botarmos em prática a nossa campanha "Separe o Aiolos da Minu"!
- Não deu, Pandora. E a campanha é "Separe a Minu do Aiolos".

- Dá na mesma! - Ela olhou para o meu cabelo por mais alguns instantes até que falou - Tive uma idéia!

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Minutos depois, eu estava com o meu cabelo preso em um rabo de cavalo.

- Tem certeza que isso não vai pegar mal?

- Não. Claro que não. Aquele jogador de futebol bonitão já usou o cabelo assim. O Beckham.

Sorri, sabendo que a Pandora mencionara o Beckham por saber que eu não teria argumentos contra.

Ela continuou:

- E eu quero que você esteja lindo, para a Minu cair aos seus pés, e deixar o Aiolos livre pra mim.

Olhei-me novamente no espelho. Realmente eu estava melhor do que antes.

- Está bem. Você já está pronta? Já está na hora de irmos.

Pandora ergueu a cabeça, respirou fundo - o que me fez notar novamente o quanto o vestido era justo - e disse:

- Vamos à luta, Ikki Amamiya!

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Pouco tempo depois chegávamos à igreja. O local estava muito bem decorado. E os outros casais de padrinhos já tinham chegado. A única madrinha que ainda não estava era a Minu.

- Eles ainda não chegaram, né?

Pandora perguntou depois de fazer uma rápida inspeção pela igreja.

- Não. Pontualidade e Minu são praticamente opostos.

Só então notei que a minha melhor amiga estava nervosa. E era a primeira vez que eu a via assim. Os outros homens que já estavam presentes não notavam no nervosismo dela, estavam mais preocupados com o decote.

- Eu vou ficar por aqui Ikki, enquanto você se junta aos outros, sim?

- Sim. Mas dê um jeito de interceptar o Aiolos quando ele passar por aí.

- Pode deixar.

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- Ikki! Você veio!

"Nem no dia do casamento dele, ele conseguia ser mais normal"

- Óbvio que eu viria, Seiya. Eu sou um dos padrinhos.

- Cadê a Minu?

"Nem no dia do casamento dele com outra, ele deixa de pensar na Minu"

- Não sei. Ela ia vir com o namorado dela.

- Ah, é.

Mais meia hora e nada da Minu. Pelo jeito ela tinha arranjado um namorado mais irresponsável do que ela. "Ou será que aconteceu alguma coisa? Será que ela desistiu de ver o casamento do 'amante'?"

Uma moça da organização do casamento veio avisar que já estava na hora dos padrinhos saírem da igreja pra entrarem em alguns minutos, antes da noiva.

Todos olharam pra mim.

- Vão vocês. Quando a Minu chegar, eu a levo pra lá.

Eles concordaram e começaram a sair por uma porta lateral. Quando eu olhei novamente para a entrada da igreja, vi que o Aiolos estava entrando e eu quase não reconheci a Minu do lado dele. Se eu não fosse Ikki Amamiya talvez eu até tivesse ficado boquiaberto.

Sem pensar mais, fui até o casal. Só então reparei que além de linda naquele vestido roxo escuro ela estava muito alta. E não tinha nenhum traço de quem tinha chorado de desespero por ver o seu amado se casar com outro.

- Pensei que você fosse se atrasar hoje também. - Disse.

- Obviamente, pensou errado, Amamiya. E "oi" pra você também.

Fiz o esforço de cumprimentar educadamente o Aiolos. Notei que ele não estava sentando muito longe da Pandora. Menos mal, logo ela entraria em ação.

- Temos que ir, os padrinhos já foram chamados. - Eu expliquei.

- Até mais, Aiolos.

- Até mais.

O meloso do Aiolos deu um beijo na Minu. Idiota! Como se ele não fosse vê-la daqui a cinco minutos! Recusei-me a ver essa cena nojenta, por isso comecei a andar na direção que os outros padrinhos tinham tomado. Notei que a Minu estava andando muito devagar. Claro, com aqueles saltos enormes. O que deu na cabeça dela pra usar um sapato com um salto tão alto?

Entretanto, mal saímos da igreja e já tivemos que ir para a entrada principal, porque os padrinhos já estavam entrando.

Quando pisamos no tapete vermelho, a Minu se segurou mais forte em mim. Eu sabia que era por causa dos sapatos, mas não me controlei e provoquei:

- Minu, eu sei que sou irresistível, mas comporte-se. Seu namorado está a poucos metros de nós.

Tive que me controlar para não rir do esforço que a Minu fazia para não me dar uma resposta mal criada. Fomos os últimos padrinhos a entrar. Minu cumprimentou discretamente os nossos amigos e olhou para o único casal de padrinhos que ela não conhecia, que eram os tios da Saori. Eu podia sentir a curiosidade dela ao olhar para o casal. Conhecendo a Minu como eu conhecia, sabia que ela odiava ficar sem saber as coisas.

Novamente aquela vontade incontrolável de perturbar a Minu me fez dizer:

- Minu! Tudo bem que ele deva ter a idade dos homens que você está se relacionando atualmente, mas respeite um homem casado.

O tio da Saori devia ter seus cinqüenta anos, e como eu achava que o Aiolos na verdade devia ter uns quarenta, não era uma provocação muito forte... Mas mesmo assim a Minu se zangou.

- Não lhe darei a resposta que você merece, Ikki, porque estamos em um local sagrado.

- Você já foi mais criativa. Aposto como ia me mandar novamente pro inferno.

O padre me olhou feio por ter falado "inferno". Ora, não era por medo de ir para o inferno que as pessoas aderiam a uma religião? Não era pra ele se ofender. Contanto, como não estava com vontade de discutir com um religioso, fingi que estava arrependido por ter dito "inferno" dentro de uma "igreja" e me desculpei silenciosamente.

- Bem feito. - Ela disse.

Não disse mais nada porque a Saori entrava na igreja. Ela estava acompanhada do seu avô. E estava muito bonita, tinha um ar quase celestial. Perguntei-me se a Minu conseguiria ficar com aquela aparência etérea no casamento dela. Quase sem me dar conta, verbalizei a pergunta:

- Será que um dia você vai conseguir ser uma noiva tão doce quanto a Saori?

- Desde que o noivo não seja você, Ikki, acho que conseguirei, sim.

Droga. Entretanto... tinha o lado bom. Eu pelo menos era uma das possibilidades.

Céus, ao que você se reduziu, Ikki! De escolha absoluta de 99 por cento das mulheres disponíveis da cidade à pior possibilidade de Minu Setsuna.

Sem me dar por vencido, continuei:

- Querendo casar comigo, Minu?

Ela revirou os olhos e eu decidi deixar o assunto de lado por enquanto.

O padre continuou falando todas aquelas frases chatas e sem sentido. Reprimi novamente o riso quando imaginei o quanto daquele sermão o Seiya estaria entendendo. Aproveitei para olhar como andavam as coisas entre a Pandora e o Aiolos.

A Pand estava progredindo! O professor estava sentado ao lado dela e parecia bem interessado no decote dela. Notei que a Minu também observava o casal e o aproveitei o momento para começar a minar a confiança da Minu no namorado perfeito dela.

- É parece que a Pandora está fazendo sucesso.

Minu fingiu fazer pouco caso e disse:

- Também com um vestido tão vulgar.

Comparado com o da Minu, o vestido vermelho e justo da Pandora parecia um pouco vulgar. Mas eu tinha que defender a minha amiga.

- O vestido não é vulgar.

- Talvez não... se fosse usado por alguém com, no mínimo, cinco quilos a menos.

Imaginei aquele vestido sendo usado pela Minu. Com as pernas à mostra, ela sem dúvida ficaria mais pecaminosa do que a Pandora. Afastando da minha mente a imagem da Minu se insinuando pra mim com um vestido justo e curto, novamente me vi na obrigação de defender a Pandora.

- A Pandora tem curvas. É diferente. - O que era verdade - E parece que o seu namorado pensa igual.

- Ele está apenas envergonhado, com ela se oferecendo desse jeito para ele.

Naquele exato momento, Aiolos riu de algo que a Pandora falou. Grande Pand!!! Pelo que parecia a nossa campanha "Separe a Minu do Aiolos" seria muito bem sucedida.

Sorrindo ante a perspectiva de ver a Minu livre daquele professor meloso, sorri e falei:

- É. Ele parece muito envergonhado.

A Minu bufou irritada e eu estava mais confiante do que nunca.

Voltei a prestar atenção nos noivos, que agora trocavam o seu primeiro beijo como marido e mulher. Esse casamento estava saindo bem melhor do que o planejado. O Ogawara preso nas garras do matrimônio e assim, longe da Minu, e o Priamos não resistindo aos encantos da Pandora. Sem dúvida, as coisas estavam saindo muito bem.

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E a noite, ao que parecia, ficaria ainda melhor. Olhei para o lado e vi a Minu no banco de passageiro do meu carro. Ela parecia um pouco tensa. Voltei a atenção para a estrada, não sem antes lembrar que nos últimos meses todas as vezes que eu e a Minu tínhamos dividido um mesmo carro, tínhamos acabado nos beijando. Será que era por isso que ela estava tensa? Ou será que imaginava o que o namorado perfeito estaria fazendo com a Pandora nesse exato momento em outro carro? Como os padrinhos tinham que chegar antes que os demais convidados até o local onde a recepção seria realizada, eu e a Minu viemos no meu carro, enquanto o Priamos e a Pand iriam no carro dele, um pouco mais tarde, já que esperariam para cumprimentar os noivos.

Não demorou muito e chegamos à mansão Kido. Assobiei baixinho quando vi o quão incrível era o local. Minu, ao que pareceu, também se impressionou porque disse:

- Uau!

Era meio difícil acreditar que com uma mansão daquelas a Saori poderia estar remotamente falida. Assim só restava a hipótese de ela estar ligeiramente insana quando decidiu que iria morar no apartamento do Seiya que era incomparavelmente menor do que aquela casa.

- O Shun e a June vão ficar pasmos quando virem essa casa. Sé é que se pode chamar um lugar tão grande assim de casa. - Expliquei.

- E você? Não está pasmo?

Admiti que estava pasmo e comecei a explicar o quanto era difícil encontrar uma obra da engenharia com aquelas características. Quando terminei de explicar, a Minu olhou para mim como se estivesse me vendo pela primeira vez e disse:

- Estou impressionada, eu pensei que você matasse muitas aulas na faculdade, mas vejo que não.

Então, a Minu estava mudando a maneira como me enxergava. Ótimo, era bom que ela percebesse que eu era tão competente na minha profissão quanto o Priamos era na dele. Entusiasmado com a oportunidade de fazer a Minu ver que eu era muito melhor do que o Aiolos, coloquei o braço em volta da cintura dela, ela me olhou confusa, mas mesmo assim continuou a andar comigo. Com a voz mais indiferente que consegui, disse:

- Pra você não fraturar algum osso caso caia com esses sapatos assassinos.

Claro que eu também não queria que a Minu caísse, mas eu unia o útil ao agradável. Ajudava a Minu e tocava novamente naquele corpo tentador.

- Eu não podia ficar muito mais baixa do que você.

Qualquer outra coisa que ela tivesse falado não teria me chocado tanto. Então ela pensou na diferença de altura entre eu e ela, e não entre ela e o namoradinho. Querendo ter certeza de que eu ouvira corretamente, perguntei:

- Quer dizer que você pensou em mim quando os comprou?

- Não comece, Ikki.

Ótimo. Hora de mudar de assunto.

- Certo. Já dei a minha opinião, como engenheiro, sobre a casa, agora é a sua vez.

- Como jornalista, acho que só me restaria investigar se o dinheiro utilizado na construção dessa mansão tem ou não origem duvidosa.

Eu ri, ao perceber que ela disse a mais pura verdade. A mente curiosa da Minu sempre procuraria algo errado.

E então ela gemeu. E eu me lembrei dos sapatos, mesmo tendo gostado de saber que ela tinha pensado em mim enquanto comprava, não me agradava nada saber que ela estava sentindo dor. Ela sabia ser irritante, chata, entre outras qualidades, mas não merecia sentir dor.

- Seus pés estão doendo muito?

- Um pouco.

Era óbvio que doía mais do "um pouco". Mas onde estava o idiota do Aiolos que não viu que os sapatos podiam machucar a Minu? Já tinha passado da hora da Minu se livrar daquele traste. Lembrando que provavelmente a Pandora estava cuidando disso, falei para a Minu.

- Logo você já vai poder sentar.

Aproveitei para segurá-la mais firme. Afinal, ainda que as más línguas dissessem o contrário, eu era um cavalheiro. E não tinha nenhuma outra intenção a não ser ajudar a Minu.

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Não demorou muito e os outros padrinhos, com exceção dos tios da Saori, se juntaram a nós. Percebi o discreto olhar do Hyoga para a minha mão que continuava na cintura da Minu, entretanto, fingi que não vi e não fiz a menor questão de tirá-la de onde estava. Comecei a conversar com Shun e June sobre a mansão Kido, enquanto Hyoga, Eire e Minu conversavam sobre outros detalhes da festa. Logo chegaram a Pand e o Priamos, o que fez a Minu sair do meu lado e ir para o lado do namoradinho dela.

Paciência.

Apresentei a Pandora.

- Essa é Pandora Heinstein, uma grande amiga. Pandora, esses são Shiryu e Shunrei Suiyama, Shun, meu irmão, e June, Hyoga e Eire, e a Minu. O Priamos, eu acho que você já teve oportunidade de conhecer.

E olhei para a Minu, quem sabe ela começasse a se perguntar até onde os dois teriam se conhecido. Pandora cumprimentava o pessoal, quando Aiolos disse:

- Nós já nos conhecíamos.

Quase ri da cara de espanto da Minu. Perfeito, ela estava começando a estranhar as "amizades" do namorado. O próximo passo era desconfiar da fidelidade dele. Aproveitei para instigar o Priamos a falar mais sobre a "amizade" dele e da Pandora.

- É mesmo?

Queria ouvir a confissão do Priamos, mas a Pand se adiantou e explicou:

- Eu participei de um Congresso há três semanas. E, por coincidência, Aiolos foi um dos palestrantes. Depois discutimos alguns pontos. - Ela fez uma pausa, para depois completar - Sobre a palestra, óbvio.

Grande Pand!!! Eu podia quase sentir a raiva da Minu.

Claro que eu me sentiria mais orgulhoso se a Minu estivesse sentindo ciúmes de mim.

Calma, Ikki. Agora é só uma questão de tempo.

- Ah, então você trabalha? Ou é só uma interessada em hom... História?

Assim, como a Eire, tive que me esforçar para esconder o sorriso. Eu adorava a Pandora, mas era interessante vê-la sendo enfrentada por outra mulher. E eu tinha que admitir que a língua da Minu sabia como ser ferina, eu mesmo tinha sido o objeto de muitas alfinetadas dela.

Pandora, porém, continuou inabalável e respondeu a pergunta como se não tivesse ouvido a insinuação da Minu.

- Eu trabalho, sim. Administro um antiquário. Interessei-me pelo Congresso porque ele era sobre História da Arte, justamente o meu ramo de trabalho.

A luta verbal das duas foi interrompida pela chegada de uma das moças da organização do casamento, que avisou que estava na hora dos padrinhos irem tirar fotos com os noivos. Antes de sair, discretamente fiz um sinal para a Pandora para que ela continuasse "executando" o plano. Ela assentiu. E eu e os demais padrinhos fomos ao encontro dos noivos.

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A sessão de fotos foi normal. Quer dizer, relativamente normal. Não suportava receber ordens, e aquele fotógrafo não parava de dizer o que nós tínhamos o que fazer. Mas como eu parecia o único incomodado com a situação, resolvi não expressar o meu descontentamento.

Quando a sessão terminou, me distrai conversando com o Shun e a June, e quando percebi a Minu não estava mais lá.

Droga! Será que ela já foi correndo atrás do namoradinho perfeito?

Fui até onde tinha deixado o Priamos e a Pandora, e ambos estavam ali sozinhos. Como o Aiolos parecia muito interessado em algo que a Pandora dizia, resolvi não interromper e continuei procurando a Minu. Encontrei-a sentada num dos bancos do jardim. Ia falar alguma coisa, quando a escutei dizer:

- Nada dá certo pra mim!

- Minu?

Ela se virou e eu vi que ela chorava.

- Você está chorando? Por quê?

- Tudo dá errado...

Fazia tempo que eu não sentia tanta raiva. A minha vontade era de quebrar o nariz daquele professor imbecil. Ele ficava se preocupando apenas com o decote da Pandora e se esquecia da Minu. Também me senti um pouco culpado por estar tão abertamente fazendo-a duvidar da fidelidade do namorado. Mas eu não tinha mais culpa do que ele! Ele era o namorado dela!

- Minu, ele não merece que você chore por ele!

- O quê?

Droga, ela ainda achava que era normal chorar por um idiota daqueles!

- Tudo bem que ele tem aquele jeito de Sr. Perfeição, porém mesmo com você por perto fica... - dando em cima, era a expressão correta, mas como ela já estava chorando resolvi tentar ser um pouco mais sutil - flertando com a Pandora.

- Ikki...

- Se não fosse o casamento do Seiya, eu o ensinaria a te respeitar.

Era frustante saber que quando eu tinha um motivo aparente para bater no Aiolos o dia era o dia errado.

- Ikki! Eu não estou... ou melhor... eu não estava chorando por causa do Aiolos!

- Não?

Como assim? Se não era pelo Aiolos, será... será que era pelo Seiya?

Ela então apontou para os pés dela, que estavam descalços.

- Minu! - Eu realmente não sabia o que dizer, pelo estado dos pés dela, ela devia estar sentindo muita dor. - Está doendo muito?

- Está. - Ela admitiu.

Por que ela não falou pra mim? Se não pra mim, pelo menos para o namoradinho dela. Oh, mas claro ele estava preocupado demais com o vestido da Pandora para se preocupar com os pés machucados da namorada!

Comecei a massagear os pés da Minu, para ver se conseguia pelo menos relaxar um pouco os músculos e diminuir um pouco a vermelhidão.

Como aquele imbecil deixou que a Minu saísse de casa com aqueles sapatos?

- De qualquer forma ele é um idiota. Se você fosse minha namorada eu jamais deixaria você sair com esses sapatos assassinos, Minu.

Eu já estava começando a pensar que talvez se eu explicasse a situação depois para o Seiya e para a Saori, eles poderiam não achar tão ruim o fato de ter tido uma briga na festa de casamento deles. Afinal, era uma festa, sempre tinha que ter uma briga.

Naquele exato momento, ele apareceu.

- O que está acontecendo aqui?

Ah! Ele ainda queria explicações! Ótimo, antes de quebrar a cara dele eu as daria.

- O que está acontecendo, Priamos, é que os sapatos da sua namorada machucaram os pés dela, mas ao que parece você está muito ocupado para perceber isso.

- Está tudo bem, Minu?

O cínico ainda fingia estar preocupado! Respondi pela Minu.

- Agora está tudo ótimo.

- Eu acho que perguntei pra minha namorada.

- Ah, agora você se lembrou que tem uma namorada?

Pandora se intrometeu.

- Calma, garotos. Aiolos porque você não termina de ajudar a Minu. E Ikki, você é um dos padrinhos, devem estar sentindo a sua falta na festa.

Não seria daquela vez que eu bateria nele, mas na próxima vez... Na próxima vez, ele não me escaparia.

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Voltei para o salão com a Pandora, peguei uma bebida do garçom, e a Pandora disse:

- Ikki, o que foi aquilo? Você quase bateu no Aiolos em plena festa de casamento do seu amigo.

- E você acha que ele não merecia? Aliás, eu só não bati nele em consideração a Minu. Ela já estava sofrendo demais, não precisava ver o idiota do namorado dela com o nariz quebrado.

- Ikki, não exagere. Foi só um machucadinho no pé, toda mulher já passou por isso alguma vez na vida.

- Um machucadinho? Você não viu como estava o pé dela. Estava vermelho e tinha bolhas!

- E você se aproveitou para fazer uma massagem.

- Claro, já que o professorzinho estava ocupado demais com você. Vá se preparando Pandora, esse é o tipinho que você vai arranjar pra ser seu namorado. Um cara que se esquece da própria namorada quando vê um decote mais generoso.

- Ikki, agora você está me ofendendo. Acho que é bom a gente mudar de assunto.

- Sim, e vamos esperar só mais um pouco e vamos embora. Essa festa já deu o que tinha que dar.

Menos de uma hora depois, eu deixava a Pandora em casa.

- Ikki, acho que a nossa amizade é muito importante. Não vamos deixar que o ocorrido hoje a prejudique.

- Você tem razão, Pandora. Mesmo eu achando que você merece alguém melhor do que o Priamos, eu respeito a sua decisão.

- A gente não escolhe quem ama, Ikki. E eu amo o Priamos, assim como você ama a Minu.

Ela me deu um beijo no rosto e desejou uma boa noite.

Quando ela já tinha entrado, eu admiti, até porque não tinha mais como e nem porquê negar.

Eu amava a Minu Setsuna.


Continua...

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Capítulos de [Saint Seiya] Bem mais que amigos

[21/09/07] Capítulo I

[11/10/07] Capítulo II

[17/10/07] Capítulo III

[06/11/07] Capítulo IV

[12/11/07] Capítulo V

[19/11/07] Capítulo VI

[29/11/07] Capítulo VII

[10/12/07] Capítulo VIII

[24/12/07] Capítulo IX

[13/02/08] Capítulo X


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