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Fanfics


[InuYasha] Nunca Feche os Olhos

As Marcas do Passado


Autor: ~sakurita

Categoria: Animes/InuYasha

Gênero: Drama (Tragédia) / Romance e Novela. / Shoujo (Romântico)

Personagens: Kagome, Inuyasha

Classificação: 14+

Adicionado em: 09/12/07

Comentários/Favoritos 3/3

Caracteres: 13.126

Exibições: 229

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-Odeio isso. –falou Sango, inclinando o corpo para frente, a partir da cintura. Depois, o levou para a direita, esquerda, e por último para trás. –Educação física é um saco.
-Concordo... –falou Kagome, fazendo os mesmos movimentos. –Mas alongamentos ainda são melhores que vôlei. Eu não curto muito ficar batendo uma bola de um lado pro outro, sabe?
As duas viraram os olhos para a outra quadra, onde os garotos jogavam em dois times. Havia apenas vinte e cinco alunos na nova classe de Kagome. Doze meninos e, com ela, treze garotas.
-Inuyasha joga bem. –comentou ela.
-É. Ele e Miroku fazem parte do time que representa a escola nas competições... mas os dois preferem esportes mais violentos. Inuyasha sabe usar uma espada muito bem, e Miroku maneja bastões e cajados como poucos.
-Nossa... –falou Kagome. Percebendo o tom de admiração na voz de Sango, ela continuou –E você... Faz algum esporte diferente?
-Bem... –fez Sango. –Mais ou menos. Eu meio que... faço um pouco de tudo. Você gosta de algum esporte em particular?
-Eu luto... com espadas e sais. Mas facas também quebram o galho.
-Nossa! –falou Sango. –E essa marca, é de alguma luta?
Kagome seguiu a direção que ela apontava. Seu olhar caiu sobre uma cicatriz no pulso.
... Ela baixou as garras, mas Kagome saiu correndo. As unhas afiadas da youkai lhe fizeram um arranhão profundo no pulso, mas ela não sentiu...
-É. –respondeu Kagome. –foi numa luta.
-Ei, vocês duas, querem sair depois da aula?
Sango se virou para ver quem chamava. Sorriu e respondeu:
-Claro, Miroku! –se virou para a colega. –Que tal?
Kagome sorriu. Ela não podia fechar os olhos. Não podia deixar de ver as coisas ruins que aconteciam ao seu redor. Virou o rosto para encarar Miroku, e viu InuYasha logo atrás dele, dando um corte perfeito, que fez a bola bater direto na quadra adversária. Ela tinha que olhar coisas ruins... Mas nada a impedia de ver coisas boas, também.
-Claro. –respondeu, ainda sorrindo.
InuYasha e Miroku a levaram, e a Sango, até um café perto dali. Era um lugar aconchegante, bonito e um pouco romântico.
-Então... –começou InuYasha. –De onde você vem? Onde você morava, antes de vir para Tókio?
-Morei em Nagoya, Toyama e Osaca nos últimos cinco anos, as antes disso passei a maior parte do tempo nos Estados Unidos. Desde os cinco anos, acho.
-Por quê? –perguntou Sango, enquanto Miroku pedia quatro sorvetes.
-Descobrindo mais sobre mim mesma. –respondeu ela, de jeito simples.
-Com cinco anos? –perguntou InuYasha. –o que uma criança de cinco anos poderia querer descobrir sobre si mesma?
-Muita coisa... –falou Kagome, num sussurro.
Sentindo uma enorme vontade de sair dali por algum tempo, para não responder àquelas perguntas, ela se levantou com tudo. A cadeira quase caiu, e InuYasha a segurou. Isso fez a garota voltar os olhos para as mãos dele.
-Você é... –balbuciou ela, vendo as garras dele. –Um... youkai...?
Sango se levantou na mesma hora, e a guiou até o banheiro feminino, dizendo:
-Calma, eu te explico.
-Não, não explique. Me desculpe, Sango... Eu tenho que ir embora. Não... Não dá mais pra ficar aqui.
-Por causa do InuYasha? –perguntou ela, a raiva aparecendo na voz. –Não sabia que você tinha preconceito, Kagome. Você parecia ser maior do que esse tipo de coisa.
-Não é preconceito! –gritou Kagome, sentindo aquela acusação apertar seu coração. Ela sabia que Sango e ela estavam criando uma amizade com a qual ela sonhara por anos. Mesmo tendo se conhecido há algumas horas, ela a tratava como se fossem velhas amigas. –É... medo.
-Medo? –perguntou Sango, a expressão irritada desaparecendo. –Pra que ter medo do InuYasha? Ele não te faria mal.
-Não é medo dele. –disse Kagome. –É medo do que ele é.
-Ele não é um youkai completo, se isso te faz se sentir melhor. –falou Sango, quase sussurrando. –Ele é só meio-youkai. Um hanyou.
-Eu não sei se isso me faz sentir melhor. Mas... eu acho que não foi muito justo sair correndo, não é? Queria pelo menos que vocês me entendesse... mas nos conhecemos há algumas horas, ainda não é hora para segredos.
-Pode confiar na gente, Kagome. –sorriu Sango, passando o braço pela cintura dela, de modo amigável. –Venha, o sorvete deve estar derretendo.
Kagome se deixou ser guiada de volta à mesa. Quando as duas se sentaram, ela percebeu imediatamente os olhares de InuYasha e Miroku se pregarem nela.
-InuYasha... me desculpe. –falou ela, sem jeito.
-Feh... –fez ele. –Não importa. Algumas pessoas não conseguem aceitar que eu sou diferente.
-Não é o fato de você ser diferente. –disse Kagome. –é o fato de você ser um youkai. Eu... tenho certos problemas com youkais.
-Tipo o que? –perguntou ele.
-Bem... Não são coisas sobre as quais eu goste de discutir.
Ele olhou os olhos incrivelmente azuis dela e percebeu que não queria forçá-la a falar sobre aquilo. Quando e se ela decidisse falar, seria por conta própria.
-Tudo bem. –falou ele, sorrindo.
Depois daquilo, ninguém mais fez perguntas sobre o passado de Kagome. Todos pareciam entender o que se passava, o que ela sentia. No fim do dia, parecia que todos já se conheciam havia anos.
-Bom –disse Sango, se levantando. –já está ficando tarde. Vou para casa.
Já passava das dez da noite. Kagome sorriu. Nem percebera o tempo passando.
InuYasha morava perto da casa dela. Resolveram ir juntos. Miroku insistiu que Sango deveria deixá-lo acompanhá-la.
-Você pode ser atacada por um tarado. –disse ele, sério.
-E é para evitar que isso aconteça que eu vou para casa sozinha, e não com você. –respondeu Sango, fazendo todos rirem.
Por fim, ela cedeu, deixando Miroku levá-la. Depois que os dois tinham virado a esquina, indo provavelmente para o carro dele, InuYasha sorriu e falou:
-Esses dois vão acabar juntos, escreva o que eu digo.
-Eu nem vou escrever. –falou Kagome. –sei que você está certo.
Os dois caminharam em silêncio por algum tempo. Como Miroku tinha dado carona aos dois até o café, estavam a pé.
Kagome se sentia feliz. Pela primeira vez em anos, sentia que talvez tivesse encontrado seu lugar. Um lugar onde poderia ficar, sem medo de fechar os olhos e descobrir, ao abri-los, que tinha destruído tudo o que amava.
-No que está pensando? –perguntou ele, percebendo que ela estava distraída.
-Em tudo. –respondeu ela, sorrindo. –Em vocês três, na minha vida até hoje, nos meus problemas.
-Certo. –disse ele.
Viraram uma esquina e entraram na rua da casa de Kagome. Ela se deu conta de que nunca antes permitira que ninguém a acompanhasse até sua casa. Sempre preferira ir embora sozinha, ou mesmo não sair.
Quando chegaram ao portão, ela se virou para ele e disse:
-Obrigada por me acompanhar.
-Nos vemos amanhã? –perguntou ele, sorridente.
-Claro. –ela sorriu de volta.
Depois que ele foi embora, ela trancou a porta e foi para seu quarto. Passou algum tempo debaixo do chuveiro, pensando em como sua vida parecia estar melhorando. E aquele tinha sido apenas o primeiro dia.
Saiu do banho e vestiu uma camisola preta, que ela tinha comprado ao chegar, numa loja simples no centro da cidade, algumas quadras depois da escola.
Dormiu assim que sua cabeça encostou no travesseiro.

***
-Papai... –sussurrou ela –por que estão pondo esses fios em mim?
O homem olhava com pesar, enquanto várias pessoas colocavam fios pelo corpo de sua filha. Os fios eram ligados a computadores e medidores de pulsação, energia estática, radioativa e tudo mais que se pudesse imaginar.
-Para saber o que acontece quando você fecha os olhos. Queremos saber por que você não pode fechar os olhos, a não ser que seja para dormir.
-Ah... –fez ela. –Isso é por que eu fiz aquela youkai... morrer?
-Não, filha. –disse o pai. –é apenas para que entendermos e tentarmos te ajudar.
Os homens e mulheres vestidos de branco a fizeram se deitar, e pediram que ela fechasse os olhos.
Depois de alguns segundos, ela começou a ouvir um zumbido vindo de uma das máquinas, e abriu os olhos, assustada.
-Feche os olhos novamente. –pediu uma mulher.
Ela fechou.
A ansiedade dentro dela era enorme. Queria ir embora, queria passear com seu pai. Não precisava fechar os olhos. Quem precisava?
De repente, ela ouviu uma explosão.
Desta vez, se lhe pedissem, ela não teria fechado os olhos novamente. Mas ninguém pediu. Não depois de verem os aparelhos que mediam magnetismo, radioatividade, sinais vitais e eletricidade estática, ligados á ela, explodirem.
-Papai? –chamou ela, começando a chorar. –Eu fiz isso?
-Sim, filha... –disse ele, abraçando-a. –você fez.
-Me desculpe... –sussurrou ela.
Ao ver as pessoas a sua volta olhando-a com curiosidade e medo, ela repetiu, ainda mais baixo:
-Me desculpem...

***
Kagome acordou no chão. Não sabia como tinha ido parar ali, mas achou melhor assim. Se não tivesse caído da cama durante o sono, teria caído ao acordar.
-Deus... –falou ela. –Eu já tinha quase me esquecido disso... Por que agora?
Ela se levantou com dificuldade, as pernas tremendo.
Entrou no chuveiro, e começou a pensar. Por que lembranças como aquelas estavam voltando agora?

***

-Toda vez que ela fecha os olhos –explicava um homem aparentemente jovem –os sentimentos dela se transformam e são expulsos do corpo em forma de energia.
Kagome, sentada ao lado de seu pai, entendeu o que ele dizia. Ela tinha oito anos, e faziam três que tentavam descobrir o que ela tinha. Uma semana depois da morte de sua mãe, seu pai tinha ido buscá-la num lar provisório onde a tinham deixado, e a levara para os Estados Unidos.
Lá, ela tinha sido analisada e estudada como se fosse um animal.
Detestava tudo aquilo. Queria que descobrissem de uma vez o que ela tinha, para poder ir embora. Nas horas vagas, lia e estudava os livros que deixava á sua disposição. Não a deixavam ir para a escola. Mas ela era incrivelmente inteligente.
-Isso –continuou o senhor –é o que causa as explosões, os ferimentos nas pessoas á volta dela e a destruição de tudo ao seu redor.
-Então... –falou Kagome, com um ar incrivelmente adulto. –Eu nunca mais poderei fechar os olhos?
-Provavelmente não. –disse o médico. –A única maneira remotamente possível seria se você descarregasse uma quantidade gigantesca de energia de uma só vez. Mas para isso seus sentimentos teriam que ser imensos, e estar ativos naquele momento. E, é claro, existiria o risco de morte.
-Isso quer dizer que eu devo fechar os olhos apenas na hora de dormir. –falou Kagome. –Mas e quanto ao tempo que eu fico deitada, esperando pegar no sono?
-Nestes momentos –explicou ele. –seu organismo já está preparado para descansar, portanto não há emoções grandes o suficiente para que você corra perigos enquanto dorme. Talvez a senhorita quebre um copo ou arranhe sua cabeceira, se tiver tido um dia duro. Mas é só.
-Certo. –disse Kagome, se levantando. Não olhou o homem sentado na cadeira ao seu lado. Já fazia algum tempo que pensava nele como seu provedor, e não como pai.
Desde que descobrira o significado da palavra provedor, o via daquela maneira. Porque nunca descobrira o que significava a palavra pai.

***

Ela saiu do banho e se trocou. Saiu de casa sem pressa, como no dia anterior. Não queria se lembrar do passado. Mas não podia esquecê-lo, assim como não podia fechar os olhos.
-Ei, Kagome!
Ela se virou, e avistou InuYasha.
Sorriu.
-Bom dia! –disse a ele.
-Bom dia. –respondeu o hanyou, sorrindo. –Se importa em ter companhia?
-Não, claro que não. –disse ela, esperando que ele a alcançasse para continuar caminhando. –Você sempre sai a essa hora? É meio cedo.
-Na verdade... –falou InuYasha, olhando-a divertido –Eu senti seu cheiro.
-Ah... –fez ela, sem demonstrar surpresa. –Foi proposital ou eu passei perfume demais?
-Não sei. –respondeu ele, com os olhos dourados brilhando –Só sei que senti seu cheiroi e resolvi vir até aqui, para te acompanhar.
De jeito nenhum ele contaria que ainda estava na cama quando sentira o cheiro dela, e de jeito nenhum diria que se levantara correndo e nem ao menos tomara o café da manhã, na tentativa de sair a tempo de acompanhá-la.
-Que bom! –disse ela. –Assim nós dois podemos tomar café da manhã juntos.
Ele a olhou, surpreso.
-Você lê pensamentos, Kagome?
-Não, -disse ela –mas estou com fome, e pelo visto você também está. Vamos?
Sem mais palavras, eles foram.

Continua...

Nota da Autora:
Comentem se estiverem gostando.... ^^


Capítulos de [InuYasha] Nunca Feche os Olhos

[09/12/07] O Fim do Começo

[09/12/07] As Marcas do Passado

[10/12/07] A Garota no Espelho

[11/12/07] Mais Lembranças, Menos Dor...

[12/12/07] Koji

[14/12/07] Reencontros

[15/12/07] Segredos

[15/12/07] Outras Vidas (Parte I)

[17/12/07] Outras Vidas (Parte II)

[19/12/07] A Névoa de Miasma

[20/12/07] Um Coração Yokai

[21/12/07] Pedaços de Vidas

[21/12/07] Apenas Amigos...

[22/12/07] A Aranha Negra

[25/12/07] Shikon no Tama

[27/12/07] A Guerra

[28/12/07] Sangue e Miasma


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