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› Autor: ~Harpia
› Categoria: Animes/Saint Seiya
› Gênero: Drama (Tragédia) / Romance e Novela.
› Classificação: 16+
› Adicionado em: 17/11/06
› Comentários/Favoritos 5/1
› Caracteres: 21.343
› Exibições: 3
Saint Seiya pertence a Masami Kurumada e às empresas licenciadas.
oOo
Chovia sem parar há dois dias. Deitada na cama, ela escutava a chuva que caía incessante. A lamparina acesa em um canto quebrava a tétrica escuridão que se abatera sobre aquele recinto, e a luz débil formava sombras curiosas nas paredes. Tinha em mãos uma velha edição inglesa de Fausto, um volume que cheirava a mofo, que Mu providenciara para que se distraísse. A leitura fez com que esquecesse um pouco a solidão.Sentia agora um leve mal-estar, que creditava em parte ao tédio que a consumia. Colocou a mão na testa, a febre havia sumido. Voltara febril do passeio, Mu ficara alarmado com a possibilidade de uma piora no seu estado de saúde e a metera na cama, apesar de seus protestos. Ele só aparecia para lhe trazer as refeições e ela aproveitava esses momentos para puxar conversa com ele.
Sentiu um pouco de fome, sua barriga fez o ronco característico. Veio à mente a lembrança do bife acebolado com purê de batatas que a mãe costumava fazer para ela e para o irmão mais velho quando crianças. Se continuasse a pensar em comida daquele jeito, ficaria maluca. Não sabia por quanto tempo ainda suportaria a monótona comida tibetana. Olhou para sua mochila, que jazia no chão. Talvez tivesse sobrado algum lanchinho, quem sabe um chocolate. A idéia de comer algo “decente” a animou, ela saiu da cama e foi remexer a mochila. Encontrou meio pacote de biscoitos, estavam meio amolecidos, mas ela os comeu assim mesmo. Desde quando o estômago reparava nesses detalhes? Restava também a água da garrafa, que bebeu de um gole só. Saciada, pegou várias peles e forrou o chão, sentou-se com as pernas flexionadas, encostando a cabeça nos joelhos. Sua mente trouxe de volta os bons momentos que passara ao lado dele naquela manhã fria, dias antes. Ficara furiosa com a tempestade. A maldita chuva desmanchara toda a magia daquele abraço. Tentava, inutilmente, convencer a si mesma que o que sentia era apenas gratidão. Mas como ficar indiferente diante daquele belo homem, enigmático e macio como um felino? Como ousar desviar daquele olhar penetrante, cuja cor lembrava os mares dos trópicos? Perturbou-se com a crua constatação: não era gratidão o que sentia por ele, mas paixão, uma paixão fulminante e arrasadora. Como aquilo pôde acontecer? Ela mal o conhecia.
Subitamente, ouviu um pequeno murmúrio. A chuva e os trovões faziam um barulho ensurdecedor, mas aquele som chegara aos seus ouvidos nitidamente. Olhou à sua volta. Nada havia ali, além dela e da escuridão úmida e gotejante. Fechou os olhos e apurou os ouvidos. Depois de algum tempo, ouviu novamente. Era um som melancólico e distante, como se fosse o eco de uma canção antiga, um eco de eras longínquas. Sentiu seu corpo aquecer de repente, um calorzinho gostoso. Curiosa, ela pegou a lamparina e saiu para o corredor, tentando localizar de onde viria aquela nênia. Quando pôs os pés fora do quarto, tochas na paredes acenderam como em um passe de mágica. Ela recuou um pouco, assombrada com o fenômeno. Respirou fundo e se controlou, afinal, depois dos Chitipati, já deveria esperar qualquer coisa daquele lugar. Observou o espaço em que se encontrava. Não havia reparado ainda nos detalhes. Um peitoril de alvenaria circundava o corredor, sendo interrompido pela escada em espiral, que despencava à sua frente. Reparou que havia mais três portas, além daquela do quarto onde dormia. Uma à sua frente, mas do outro lado do peitoril; havia outra à sua esquerda e outra à direita. Ficou ali um bom tempo, sem saber o que fazer exatamente. Olhou para cima e só viu escuridão. Debruçou-se sobre o peitoril, tentando localizar alguma coisa mais abaixo. Nenhum sinal de luz ou de gente, somente trevas. A estranha canção voltou a ecoar, se é que aquele som podia ser chamado de canção. Vinha de algum ponto mais abaixo, novamente ela sentiu-se atraída. Olhou para uma das paredes e teve uma idéia. Tomou uma daquelas tochas nas mãos e foi descendo cautelosamente. À medida que descia, novas tochas iam acendendo, iluminando o caminho, enquanto o negrume engolia tudo atrás de si.
Estava em um outro pavimento. Mesma disposição dos cômodos, tochas acesas, nada de extraordinário. Decidiu descer mais um pouco, até que chegou ao terceiro pavimento. Seria tudo igual aos dois anteriores não fosse o cômodo iluminado à sua esquerda. Sentiu uma leve pontada nas têmporas. Algo dentro de si pediu que fosse ao encontro da luz. Mesmo achando tudo muito esquisito, seguiu mecanicamente na direção do brilho alaranjado. Não pôde evitar uma exclamação de espanto ao olhar para o interior do recinto.
Havia um imenso altar, coroado por uma imagem que representava Avalokiteshvara, o Bodhisattva da Compaixão, padroeiro dos tibetanos. Um sem-número de velas de todos os tamanhos iluminava o local, emitindo um brilho bruxuleante. A fumaça e o odor doce do incenso de junípero completava a atmosfera onírica. De costas para ela, ajoelhado aos pés do altar, estava Mu. Rezava contrito, envolvido por uma aura sobrenatural. Ele pareceu perceber a presença de Anna, pois levantou a cabeça e lentamente a girou em sua direção. Seu rosto estava inexpressivo, mas seus olhos verdes tinham um brilho hipnótico. Ela sentiu vergonha por ter quebrado a concentração dele, como se tivesse profanado aquele local sagrado.
- Me perdoe...eu não quis... ou melhor... não tive a intenção de perturbá-lo...
Ela fitou o rosto dele e sentiu um pouco de medo. Resolveu sair dali imediatamente. Quando Anna fez menção de se retirar, ele levantou-se e sussurrou:
-Por favor, não vá embora...
Ela voltou-se. Ele continuava a olhar para ela de um jeito estranho e estendeu a mão em sua direção. Novamente a dor nas têmporas surgiu e ela gemeu. Centenas de vozes estranhas começaram a ecoar dentro de sua cabeça, fazendo um alarido. Ele continuou:
-Não tema... venha rezar comigo...
Ela fechou os olhos, tentando raciocinar. Aquela interferência mental a deixava zonza, mas não pôde resistir ao pedido dele. Ele a ajudou a ajoelhar-se diante do altar colorido. Segurava com a mão direita um belíssimo rosário com contas de jade.
- Suponho que não seja budista...Mas acredita em Deus, não?
Ela balançou a cabeça concordando. A estranha interferência desaparecera por completo.
- Pode rezar da maneira que desejar... – olhou para a imagem de Avalokiteshvara – Esse é Chenrezig, representa a compaixão. É o padroeiro do Tibete...
Ele sorriu para ela e em seguida fechou os olhos, iniciando a ladainha ritmada de um mantra, enquanto seus dedos deslizavam pelas contas faiscantes do mala. Ela não soube por quanto tempo ficou ali olhando para ele em silêncio. Enquanto Mu mergulhava em êxtase divino, ela se entregava à uma contemplação hedonista, profundamente profana do homem ao seu lado. Imaginou sendo beijada por ele, suas mãos deslizando sobre o corpo másculo... Como seria fazer amor com ele...? Seu coração deu um pulo ao dar-se conta de onde estava. Olhou timidamente para uma imagem de Buda Sakyamuni à sua frente. Não podia acreditar, estava pensando em sexo diante de um altar budista? Que sacrilégio... Ela suspirou em desalento. Não tinha jeito, a formação cristã a impelia a julgar suas atitudes como pecados e virtudes, embora fosse menos crédula que seus pais. Seu olhar se deteve sobre a flor de lótus em uma das mãos esquerdas da estátua de Avalokiteshvara. Mas, amar, desejar uma pessoa era pecado mesmo? O que é que o Gênesis falava? Crescei e multiplicai-vos?...Isso! Mas seria possível crescer e multiplicar sem desejo? Ela sorriu. Não. O desejo fazia parte dos planos divinos também. Sem ele, a Criação seria apenas um projeto perdido nos confins do Universo e Adão e Eva não teriam povoado esse mundo. O homem deixa seu pai e sua mãe para unir-se à sua mulher e se tornam uma só carne. Bendita serpente, pensou maliciosa.
Olhou novamente para o altar. Da suprema divindade tibetana emanava compaixão e austeridade. Deus era um só, pensou, apenas havia olhares particulares, modos distintos de se relacionar com o sagrado. Mas a fonte era a mesma. E ao beber dessa fonte não fazia de nós divinos também? Então fazer amor era tão divino quanto juntar as mãos e rezar. Em ambos havia a comunhão, havia um sentimento. Era tão simples, para que complicar tanto? O profano e o sagrado caminhavam juntos, assim como o amor e o ódio.
Baixou a cabeça. Meu Deus, como era possível pensar em tanta besteira em tão pouco tempo! Aquele lugar assombrado deixaria qualquer um pirado. Olhou discretamente para Mu, que continuava concentrado. Só esperava que ele não pudesse ler seus pensamentos, ah, isso seria o fim da picada...
- Está muito agitada, senhorita... Deveria acalmar sua mente e rezar um pouco...- falou Mu.
Ela sentiu-se corar até a raiz dos cabelos. Não podia acreditar nisso! Ele continuava da mesma maneira, distante e de olhos fechados. Mas falara com ela como se estivesse ciente de todos aqueles pensamentos tortos que tivera até então. Respirou fundo. Se fosse preciso, negaria até a morte tudo o que pensara. Fechou os olhos e rezou um pai-nosso, tentando se concentrar em cada frase da oração. Mas sua mente continuava inquieta, ela desistiu de rezar e passou a observar o altar. Havia oferendas de flores e de tormas, pequenos bolos feitos com farinha de cevada, tangkhas coloridos, várias imagens de Buda e, também, algumas divindades hindus. Ela olhava fascinada para um imenso Nataraja em bronze, ladeado por um não menos grandioso Ganesh, esse moldado em cerâmica colorida. Mas, dentre todas aquelas imagens, havia uma que chamou a atenção da ruiva. Era esculpida em granito róseo e parecia muito antiga. Anna piscou várias vezes. Aquela armadura, a égide e a lança... Era Athena! A deusa grega da sabedoria, das artes e da guerra defensiva! Num impulso, ela esticou o braço e tomou a estátua nas mãos. Incrível! Nunca vira uma destas antes. Um verdadeiro tesouro histórico.
- Pertenceu ao meu mestre... e ao mestre do meu mestre... É milenar. – Mu comentou em tom solene.
Ela virou-se, olhando para ele arregalada. Ele a fitava sério, suas orbes verdes tinham um brilho cristalino. Envergonhada mais uma vez, ela recolocou a estátua no altar. Se recompôs e murmurou:
- Desculpe...
- Vejo que não conseguiu acalmar sua mente e seu coração, Anna.
“E como é que eu posso fazer isso com você do meu lado?” – ela pensou com raiva.
Ela passou a mão no rosto, em um gesto nervoso. Mu tocou o rosto dela levemente e a fez olhar para ele. Anna entreabriu os lábios, tentou falar alguma coisa, mas foi calada por um beijo suave. Aquela atitude inesperada a paralisou por instantes, mas aos poucos foi se deixando levar pelas emoções e correspondeu ao beijo com urgência, enlaçando o pescoço dele. Suas mãos brincavam com os longos cabelos, entrelaçando os dedos entre os fios sedosos. Ele a abraçava firmemente, mãos possessivas acariciavam as costas, a cintura e os cabelos dela. O beijo tornou-se mais intenso e ele deslizou os lábios em direção ao pescoço longilíneo da moça. Então, ela se afastou, empurrando-o. Anna tinha o olhar fixo em algo atrás dele. Mu fitou o rosto dela, que continuava a mirar alguma coisa por cima de seus ombros. Ele virou-se e então viu o que a assustara:
Kiki estava parado na entrada do recinto, molhado dos pés à cabeça. O garotinho batia os dentes de tanto frio e olhava surpreso para seu mestre e para aquela moça. Um beijo! Eles haviam trocado um beijo! Mu levantou-se como se nada tivesse acontecido e aproximou-se de seu pupilo, colocando as mãos sobre seus ombros.
- Diga-me, Kiki, o que aconteceu?
Kiki arfava e tremia, mas finalmente respondeu:
- Rampa... quer falar com o senhor... é sobre os amigos dela... – apontou para Anna – Parece que eles foram encontrados...
Anna não compreendeu o que o garoto falara, mas desconfiou que poderia ser algo a respeito dos seus companheiros de excursão. Mu voltou-se e a encarou em silêncio.
- E... então? O que aconteceu? – ela perguntou visivelmente ansiosa.
Mu hesitou antes de continuar:
- Parece...que os homens da vila encontraram seus amigos.
- Mesmo? – os olhos dela brilharam. – E onde eles estão?
- Ainda não sei... vou falar com Rampa... Se quiser esperar aqui..
- Nem pensar! Eu irei junto... Afinal, é do meu interesse – disse resoluta e passou à frente de Mu, saindo do recinto. Mu e Kiki a seguiram, enquanto ela descia, célere, as escadas.
Quando chegaram no térreo, Mu ordenou que Kiki pegasse alguns cobertores e deixou Anna na cozinha, sentada diante do fogo.
- Fique aqui. – ele pediu.- Voltarei logo.
Anna não teve outro remédio senão esperar. Aproveitou para avivar o fogo com algumas achas de lenha que encontrou em um canto da cozinha. A tempestade não dava trégua. Ela sentou-se de novo e baixou a cabeça, tocando de leve os lábios. Ainda podia sentir o leve sabor de canela do beijo recém-trocado, doce lembrança daquele breve momento de carinho. Nunca tivera ilusões acerca do amor e de relacionamentos, mas agora suspirava como uma adolescente. Nunca sentira isso por homem algum, nem mesmo pelo seu ex-marido. Uma sensação deliciosa, mas ao mesmo tempo assustadora. Olhou para as chamas crepitantes. Justamente agora teria que partir. Nesse momento, Kiki entrou na cozinha e deixou alguns cobertores em cima da mesa. Tinha trocado as roupas molhadas por outras secas. Olhou desconfiado para Anna e apontou para os cobertores:
- Para o mestre Mu... – disse em um inglês sofrível e saiu logo em seguida.
Ela ficou olhando até Kiki sumir. Era só o que faltava, ainda tinha que agüentar a ciumeira do moleque.
oOo
Mu entrou em sua casa completamente encharcado. Os homens da vila haviam encontrado os amigos de Anna no sopé da montanha, em um acampamento improvisado. Rampa estava preocupado, pois havia alguns agentes do governo chinês com eles. Mu também ficou preocupado, não duvidava da capacidade dos chineses criarem problemas, principalmente para as pessoas da região. Ainda mais envolvendo uma cidadã de outro país, poderiam até mesmo acusá-los de seqüestro. A chuva torrencial transformara todas as trilhas de acesso em lamaçais, era perigoso descer a montanha nessas condições. Teriam que esperar o tempo melhorar e as estradas secarem. Encaminhou-se para a cozinha, ansiava pelo calor do fogo. Estava molhado até os ossos e com muito frio. Lembrou-se do beijo diante do altar. Tentara bravamente resistir à atração que sentia por ela, mas não conseguira. Sua alma também estava gelada, afogada em sentimentos que ele não controlava mais. Anna iria embora...Não pensara até aquele momento na partida dela. Engraçado, era como se ela já fizesse parte de sua vida. Mas, ela iria voltar para seu país de origem e talvez nunca mais a visse. Esse pensamento o entristeceu profundamente. Ao chegar na cozinha, a viu diante do fogão, de cabeça baixa. Ficou parado, embevecido diante da visão daquela bela mulher. Os cabelos vermelhos, a pele branca, os olhos cor de âmbar. Ela própria parecia uma extensão das chamas, um ser feito de fogo, uma salamandra que enfeitiçara seu coração. Não, ela não poderia partir e deixá-lo dessa maneira. Precisava do calor dela, assim como ansiara pelo fogo ao sentir frio.
I can’t fight this feeling any longer
And yet I'm still afraid to let it flow
What started out as friendship has grown stronger
I only wish I had the strength to let it show
Ela levantou a cabeça e encontrou o olhar de Mu, que estava de pé à entrada da cozinha. Estava molhado, a água escorria pelos longos cabelos e das roupas, formando uma poça no chão entre os pés dele. Nenhum dos dois se mexeu, entretanto. O silêncio delatava aquilo que seus corações clamavam, e que ambos não queriam escutar.
I tell myself, that I can't hold out forever
I say there is no reason for my fear
Cause I feel so secure when we’re together
You give my life direction, you make everything so dear
Anna enterneceu-se ao vê-lo daquela maneira, ensopado e com uma expressão desolada no rosto. Ergueu-se lentamente e pegou um daqueles cobertores que Kiki havia deixado. Ele continuava parado, olhando para ela. O abismo que havia entre os dois desaparecera graças a uma paixão poderosa, sem limites.
And even as I wonder I'm keeping you in sight
You're a candle in the window on a cold dark winter's night
And I'm getting closer than I ever thought I might
Ela aproximou-se e entregou o cobertor. Mu enrolou-se e ela o puxou em direção ao fogo.
- Venha se aquecer...
Ele sentou-se, enquanto Anna pegava mais um pouco de lenha. O corpo frio em contato com o calor provocou arrepios e ele se enrolou mais ainda sob a coberta. Ela atiçou o fogo e sentou-se diante dele.
- E então?
- Hum..?
- Encontraram os meus amigos?
- Ah... sim... Estão no sopé da montanha. – respondeu Mu, louco para despertar seu Cosmo e acabar de uma vez por todas com o frio que sentia. Mas não queria que ela percebesse. – Mas só poderemos descer a montanha depois que a chuva passar... as trilhas estão intransitáveis.
- E eles estão bem?
- Acho que sim...
Ela levantou-se, procurando uma panela ou uma chaleira:
- Vou preparar algo bem quente para você beber...
Mas Mu a impediu, segurando seu braço:
- Não, não precisa... Eu vou ficar bem...
- Tem certeza? – ela perguntou aflita.
- Sim... – ele esboçou um leve sorriso.
- Oh, meu Deus... você está tão molhado...
Ela estendeu a mão e afastou uma mecha molhada do cabelo dele que grudara na bochecha, colocando-a atrás da orelha. Mu tremeu, o contato daquela mão macia em seu rosto teve o efeito de uma descarga elétrica, então deslizou sua mão sobre a dela e a segurou delicadamente, para depois beijar-lhe a palma da mão. Ela ofegou com carícia dos lábios dele. Por todos os deuses! Como um gesto tão simples podia ser tão... sensual? Seu corpo reagiu imediatamente e ela deixou escapar um pequeno gemido. Então, Mu a puxou de encontro ao seu corpo, enlaçando-a pela cintura e tomando sua boca com um beijo impetuoso, cheio de desejo. Completamente abandonada nos braços dele, ela entregou-se às delícias daquele beijo, enquanto suas mãos deslizavam sobre o peito do rapaz, contornando os músculos com os dedos e massageando aquele corpo maravilhoso sobre o tecido molhado. Podia sentir os batimentos acelerados do coração dele, a excitação fremente, o cheiro e o calor que emanavam de sua pele. Quando Mu começou a afrouxar o nó da faixa que atava a chuba que vestia, deixou para trás qualquer resquício de razão que ainda pudesse existir e aprofundou mais o beijo, ansiando pelo contato das mãos dele em seu corpo. Mu parecia disposto a prolongar aquela tortura, posto que acariciava suavemente com as pontas dos dedos o ventre desnudo e esbelto. Excitada, ela arqueou as costas e ele continuou a explorar o corpo dela com a boca e com a língua, até chegar no vale entre os seios dela, ainda parcialmente encobertos pela chuba de lã. Afastou o tecido e acariciou os seios firmes e eretos, para em seguida mordiscar os mamilos rosados, arrancando pequenos gemidos da garota. As pernas dela enlaçaram o corpo dele, pressionando a pelve com os quadris. Ele gemeu e a beijou violentamente, sua mão fechando-se sobre o pomo macio, agora levemente trêmulo com o ritmo desatinado daquele coração pequenino. Ainda acariciando o seio dela, desgrudou-se dos lábios túrgidos para admirar o rosto de boneca afogueado de prazer e desejo, os olhos entreabertos, mostrando as pupilas ardentes, acobreadas pelo reflexo das chamas.
- Minha salamandra... – murmurou.
Não suportando mais a tensão, ele a colocou nos braços e seguiu em direção ao subsolo. Mu forrou o chão com algumas mantas que encontrou. Depois de um longo beijo, em que ambos desnudaram-se completamente, Mu a deitou sobre a cama improvisada na beira do grande lago termal que ali havia.
- Tem certeza que é isso que quer? – ele perguntou com a voz rouca, seus olhos verdes escurecidos de paixão.
Ela sorriu e assentiu com a cabeça. Nunca tivera tanta certeza em sua vida como agora.
- Faça amor comigo, Mu...
oOo
N/A.:
Nhááááá...Finalmente consegui terminar esse capítulo! Essa cena de hentai me deu muito trabalho, a refiz várias vezes, com medo que ficasse vulgar. Mas eu gostei do resultado final e espero que vocês gostem também...
Ah, a música que aparece na fic é “I can’t fight this feeling”, do Air Supply. Lindona!
Dessa vez, não vou pôr o glossário... ando ocupada demais com a faculdade e o meu emprego. O tempo está curto. Mas, se tiverem alguma dúvida ou curiosidade com algum termo utilizado na história, podem me escrever que eu responderei com todo prazer.
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