No quarto dos dois, Torie fica sentada na cama, pensando.
Kiyo, como não consegue ficar parado, arruma algo pra fazer, conversar com Torie.
- Er... Torie... – Kiyo a chama, receoso. Ela vira a face. Sempre a mesma, calma, sem nenhuma expressão, independentemente da situação.
- Bem... Que tal nos... Conhecermos? – Kiyo gaguejava.
- “Droga! Eu! Gaguejando perante uma garota! Esse não sou eu, eu tenho muito jeito com as garotas, porque com ela...?” – Ele pensa indignado.
- Bem, é... Porque está aqui? Sabe, nessa viajem, ela era opcional – Pergunta ele.
- Meu padrasto não me queria em casa, me obrigou a vir. – Diz ela, virando levemente a face para o garoto.
- Obrigada a vir? Por quê? Quero dizer, e sua mãe?
- Ela morreu...
- Ah... Desculpe-me, mesmo. Eu não queria... Sinto muito...
- Tudo bem... – Diz a garota virando a face para a parede a sua frente.
- E seu pai de verdade? Por que não fica com ele?
- Também está...
- Morto?! – Kiyo se assusta, podia ser esse o motivo da frieza, sem pais, sem amigos... Como ela fica?
- Sim...
- Droga! – Ele se levanta da sua cama e anda até a de Torie, senta à beira e pega na mão da garota, que estranha.
- Desculpe-me por lhe perguntar essas coisas... Me chamo Kiyo...
- ...
- Eu gostaria de ser seu amigo... Eu posso te ajudar.
Ao notar o que o garoto dissera, a garota tira sua mão debaixo da dele.
- Obrigada, mas não quero ajuda...
Kiyo fica triste, sente que a magoou. Ele caminha com seu olhar sobre o corpo da menina à sua frente, ela usava uma camisa branca sem mangas que deixavam aparecer os braços da menina, além de definir seu lindo busto.
O garoto chega a fitar os braços e ombros da garota.
- O que é isso? – Ele pega nos braços dela. Havia machucados. – O que são esses machucados? – Ele pergunta novamente.
A menina fita as mãos do rapaz sobre sua pele e rapidamente foge com o corpo desviando delas.
- Não é nada. – Ela cobre os braços com as mãos.
Kiyo pega em suas mãos e as tira, vendo os machucados.
- Quem lhe faz isso? – Ele podia ver claramente que ela era machucada todo o dia, pelas marcas em seus braços.
- Porque está interessado em saber? – Ela pergunta friamente.
- Porque isso está te ferindo, e eu quero lhe ajudar! – Ele se altera. Fazendo Torie se render. Ela relaxa seus braços. Fita um canto no teto.
- Quem lhe fere? – Ele pergunta mais uma vez.
- Kenshin... Meu padrasto... – Ela revela.
- Por quê?
- Porque faz tantas perguntas? – Ela não entendia o significado daquilo.
- Porque estou preocupado.
- Obrigada, mas não é preciso. – Ela se vira, deita e tenta dormir.
A voz de Torie era muito bela, mas infelizmente, fria demais para animar alguém. Kiyo ainda triste pela garota, toca a mão no ombro de Torie, virada de costas para ele.
- Mesmo não querendo, eu vou te ajudar. – Ele se levanta e vai para sua cama dormir. Torie fica pouco contente por dentro, mas não demonstra. Nunca demonstrava.
De manhã, quando acordam...
Kiyo não encontra Torie em sua cama.
- Torie! Ô Torie! – Ele sai pelo quarto procurando à amiga.
- Aqui... – Diz aquela voz gélida. Ele a segue até chegar ao lado de fora do quarto, encontrando a garota escorada a parede olhando a paisagem. Parece que ela se perdia nos pensamentos fitando a natureza.
- Ai, ainda bem que você está bem... – Diz ele, ela estranha. – Vem comigo. – Kiyo pega na mão de Torie e a puxa a ‘arrastando’ até seus amigos.
Chegando ao encontro dos amigos.
- Oi! Kouta, Yumi, tudo bem? – Pergunta o garoto com um sorriso no rosto.
Seus amigos fitam a garota ao seu lado, ela não olhava para eles, estava de costas para Kiyo, porém, com seu braço preso por ele. Olhava as nuvens.
- Por que a trouxe aqui? – Pergunta uma menina, que se sentia mal na presença de Torie.
- É mesmo, a filhinha do chato.
A garota vira a face. Kiyo puxa o braço de Torie, que em contragosto pára ao lado do garoto. Ele passa seu braço pelos ombros dela a abraçando de lado:
- Falem melhor dela! Somos namorados! – Diz ele, convencido.
Todos se surpreendem, com exceção de Torie. Ela fica a fitar o chão, com um olhar frio. Não demonstra nenhum sentimento, mas estava, por dentro, surpresa.