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› Autores: ~hackcain, ~princessizayoi
› Gênero: Drama (Tragédia) / Ficção e Fantasia / Musical (Songfic)
› Personagens: Soldado, Esquadrão do Corvo Negro
› Classificação: 14+
› Adicionado em: 07/12/07
› Comentários/Favoritos 1/1
› Caracteres: 14.873
› Exibições: 110
Nota do Autor: Bem escrevi esta fic para demonstrar minha aversão as guerras inúteis que nos assolam desde o início dos séculos. Espero que depois de ler reflitam sobre o mundo e o que acontece ao seu redor, bem é isso tenham uma boa leitura...
Banda/Música - Dragonforce/My Spirit Will Go On
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A vida é uma miséria, não sei o que irá por vir
Morte, o limiar de todos os nossos dias
(Life is a misery, don't know how it's come to be)
(Death, the epitome of all of our days)
À noite, acordou suado na noite mais fria, o soldado se erguia nas planícies gélidas das montanhas, se agarrava na sua espada e saia de sua tenda erguida com dificuldade na planície rochosa e vitima da erosão. Via a ultima centelha da fogueira se apagar com um leve sopro do vento, era como a chama da vida de um soldado como ele, numa simples rajada de vento se extinguia. Vira muitos soldados, amigos, inimigos, inocentes caírem pela lâmina da morte que a guerra lhe proporcionava. Uma fraca brisa passara devagar pelo seu corpo úmido de suor lhe causando um desconforto e um arrepio na coluna, sentara numa pedra ainda agarrado na sua espada via o nascer do sol ao longo do horizonte...
Tinha sobrevivido mais um dia... Mas quanto tempo ainda isso prevaleceria...
No passado tínhamos a escolha de ouvir ou ser ouvido
Feche os olhos e visualize o demônio levantar-se
(In the past we had no choice to hear or to be the voice)
(Close your eyes and visualize the demon to arise)
Fechara os olhos limitando-se a apenas ouvir o leve assobio do vento nos seus ouvidos e os gritos das águias que voavam livremente aos céus, tentando recordar-se de tudo que passou até o momento. Anos atrás era apenas um camponês vivendo de humildes colheitas que mal sustentavam a família de dois filhos. Sua mulher morrera vítima da peste negra que assolava o reino, uma guerra entre reinos por disputas de terra e poder se alastrara trazendo consigo a devassidão e a miséria. Não tinha idéia do que estaria por vir, vivia praticamente isolado dividindo seu tempo cuidando de sua horta e outra cuidando de seus filhos pequenos. Um dia como outro qualquer soldados do reino lhe bateram a porta...
Você sabe que a sanidade não é o que deveria ser
E a miséria chegou foi levada a um novo patamar
(You know that sanity is not as it was meant to be)
(And now that misery has taken a new stand)
As lutas entre os reinos lhe causaram grandes baixas, precisavam repor os soldados para o front de batalha. A dor de ser forçado a se separar de seus filhos, deixa-los para trás com uma família estranha para lutar por uma causa imbecil de reis querendo mostrar sua força usando a vida de inocentes, enquanto esses "grandes heróis" enchem a bunda de iguarias que nunca lhe passara na cabeça que existiam e descansando no maior luxo. A saudade de seus filhos faz com que lágrimas escorram em sua feição fria e tristonha, o soldado então enxuga seu rosto com a mão livre e suspira fundo. "Até aonde essa guerra sem motivo irá?" pensava consigo. Já era manhã quando os soldados se desfaziam de suas barracas e marchavam para o norte, todos estavam cansados, desmotivados quase desistindo de sua "inútil" campanha...
Na terra das mil almas nós marcharemos através da chuva
Ao sol nós caminharemos junto com as memórias dos mortos
Quando eu vejo esta humanidade e a malevolência que esta faz ser
Nós chegamos ao ponto de não poder retornar e suplicamos por...
(In the land of a thousand souls we will carry on through the rain)
(In the sun we will move along with the memories of the slain)
(When I see this humanity and the evil that they have come to be)
(We've come to the point of no return and you beg for just...)
Enquanto caminhavam para os vales do norte onde seria travada "a batalha final", a tomada da cidade-fortaleza, o céu antes límpido se fechara, como se os deuses que tão rezavam os tentasse impedir de continuar esse derramamento de sangue insano. Continuavam a marchar com a forte chuva batendo ao seu corpo, encharcando suas vestes tornando-as apenas um estorvo de tão pesadas, a terra se tornara lamacenta diminuindo a velocidade dos cavalos. Passaram por uma cidade já destruída por uma luta recente, corpos de soldados, camponeses inocentes e até crianças indefesas, jaziam no chão escuro e entre as ruínas das casas cujas foram carbonizadas. A chuva batia nas pedras e a ventania que passava entre os escombros criavam um som que lembrava gritos e sussurros de dor e sofrimento, "talvez seria os lamentos daqueles que morreram aqui", a chuva se rendera a força de vontade dos soldados e perdera a sua intensidade. O soldado caminhava entre os corpos roçando a mão sua barba mal-feita, olhando aquela visão de morte e destruição...
"Até quando isso irá continuar? Esse derramamento de sangue desnecessário? Essa atitude desumana, essa barbárie causada pelas nossas próprias espadas? Até quando estaremos fardados a ser ceifadores de nossos próprios irmãos?"...
Mais um momento para escapar dessa loucura
Mais um momento para se libertar dessa tristeza
E mais uma vez ser o único a compreender que
Minha alma e meu espírito prevalecerá, por toda a eternidade
(One more time to escape from all this madness)
(One more time to be set free from all this sadness)
(And one last time to be the one who understands)
(My soul and my spirit will go on, for all of eternity)
Continuava a marchar deixando para trás a tristeza e o sofrimento daqueles que jaziam na cidade passada, segurava mais firme a sua espada, talvez ela fosse a sua única e verdadeira amiga nessa batalha na qual poderia realmente confiar. Agora entendia o significado das grandes virtudes dos guerreiros cujas histórias de vitórias eram contadas pelo seu pai quando pequeno, a guerra muda a pessoa e assim ela perde o suas virtudes, fica programada para matar esquecendo a compaixão pelo próximo. Ficava imaginando se terminasse essa guerra ficaria conhecido como um herói ou como vilão, mas isso não importava tanto quando apenas voltar para o conforto de sua casa simples e voltar a poder abraçar seus filhos...
Estrangeiro a moeda, seu pagamento em sangria serás
Morte é o destino para todos seus caminhos.
(Foreign the currency, your payment in blood to be)
(Death is the destiny for all of our ways)
"E tudo isso para que? Um punhado de moedas de ouro a custa de vidas inocentes?". Abaixara a cabeça decepcionado com a situação que se encontrava. O esquadrão do Corvo Negro continuava a marchar ao caminho da planície, travaram lutas sangrentas e desumanas e mais uma vez o soldado continuava vivo, como estivesse amaldiçoado a presenciar toda a carnificina causada por sua lâmina amaldiçoada. Ao fim de toda batalha zelava pela alma daqueles que morriam, sempre que o fazia lembrava do rosto de suas crianças e uma chuva fina caia dos céus sobre seus ombros cansados, lavando seu rosto cheio de lágrimas. Já fazia cinco meses que saira de casa, tanto tempo assim passara tão depressa entre viceras e banhos de sangue. Já começava a sentir que sua sanidade já não é mais a mesma coisa.
Já se acostumara com os mortos, estava sobre uma pequena metamorfose. Pouco a pouco estava se transformando de um homem com virtudes, um homem puro de coração para um monstro cujo coração apodrecia devagar deixando par trás suas virtudes. Se tornando um demônio...
Na escuridão você se esconde daquilo ou do que você não pode dizer
Quando eu vejo o poder do demônio tornar a vida
(In the dark you hide away for who or what you can't say)
(When I see the power of the demon come alive)
À noite enquanto acampava continuava agarrada a sua espada, estava ficando neurótico, todos ao seu redor iam morrendo, pouco a pouco o enorme esquadrão ia sendo dizimado pela fadiga e pelas freqüentes lutas. À noite as sombras que apareciam como reflexos na sua barraca se tornavam cada vez mais obscuras, o vento lá fora rangia e sussurrava "devem ser os lamentos dos mortos" imaginava. Não conseguia dormir, a insônia estava-lhe tomando conta pouco a pouco, a respiração ficava pesada, o suor frio escorria pela testa e peito, a perna esquerda entrava em câimbra por causa da má alimentação, a sensação do ácido lático nas coxas causavam-lhe uma dor agonizante. Da cabeça não conseguia tirar a imagens de seus filhos e a ansiedade de chegar aos vales do norte acabar e uma vez por todas com essa guerra. Quando conseguia adormecer tinha terríveis pesadelos e acordava, imaginava que estava sendo vítimas de incúbos desgraçados que lhe seguiam pelo rastro de sangue.
Queria que isso acabasse logo ou acabaria logo com este sofrimento...
Você sabe que a sanidade não é o que deveria ser
E a miséria chegou foi levada a um novo patamar
Nas asas das águias que voam em rumo ao sol
Alcançando o horizonte dourado onde guerra irá ser ganha
(You know that sanity is not as it was meant to be)
(And now that misery has taken a new stand)
(On the wings of eagles flying staring on to the sun)
(Reaching for the gold horizon when the war shall be won)
Sempre estava de pé ao amanhecer, procurava o lugar mais alto ao redor do acampamento e ficava olhando o horizonte, esperando o sol nascer. Seu rosto dava-lhe um aspecto de que tivesse envelhecido uns 10 anos por causa do cansaço extremo e do estresse que passava durante a batalha, seu cabelo crescera muito e começava a ficar grisalho antes do tempo. Tinha apenas 32 anos quando entrara no mundo da luta e da guerra de assolava os reinos, perdera a noção do tempo, "quantos meses ou anos haviam se passado desde que vira seus filhos pela ultima vez?" Não sabia mais responder essa pergunta, não lembrava mais do rosto de seus filhos com precisão, não conseguia esquecer as imagens das inúmeras carnificinas que ele e o esquadrão passaram. Apenas se sentia um pouco alegre quando via o sol dourado nascer no horizonte, iluminando-o e tirando-o da escuridão. Via nos céus as águias voando livre com seus filhotes em rumo ao sol. O céu límpido, o cheiro do orvalho e da grama molhada lhe acalmava a alma. Era o único momento de paz que tinha nunca se sentira tão ligado a natureza, era um remédio para sua loucura diária, era um homem amaldiçoado sabia muito bem disso, mas ao ver tanta beleza se sentia por um momento privilegiado e agradecia aos deuses por presenciar esta cena enquanto estava vivo...
Você pode ver a devassidão e a lâmina da morte que virás a ti?
Nas ventanias do tormento você irá apenas chorar por...
(Can you see the debauchery and the blade of death that has come for thee)
(In winds of torment forever more you will cry for just...)
Quando o esquadrão chegara aos vales do norte uma sensação de alívio e êxtase tomou conta de seu corpo, como tomou conta do esquadrão, porém o medo se destacara no seu coração e espírito, o vale tão desejado era negro, morto como um pântano queimado. O exército adversário era enorme, tenebroso, mas tentara não prestar atenção ao seu medo, finalmente chegara ao seu destino final, finalmente poderia ver seus filhos e sair dessa vida desgraçada, voltar para o aconchego de sua casa e sentir o calor do abraço de seus filhos. Correra em direção ao primeiro flanco do exército adversário, se protegendo com seu escudo da imensa chuva de flechas que viam do céu, novamente vira seus amigos e aliados caírem no chão do imenso vale negro e lamacento, sua espada logo se alimentava do sangue de seus oponentes, a cada brandida um soldado caia pela sua lâmina amaldiçoada, entendia agora o porque do seu esquadrão se chamar "Corvo Negro", ouvira falar de os corvos levavam as almas dos mortos para os portões do céu. Talvez seja por isso que sua lâmina tenha se banhado de tanto sangue e seu pequeno esquadrão tenham sobrevivido a tantas batalhas, a adrenalina corria solto nas suas correntes sangüíneas, lutava como nunca para que esta batalha finalmente acabasse com um desfecho feliz. Num momento de descuido uma flecha lhe acertara as costas, um calor ardente lhe passara ao corpo, mas anestesiado de tanta adrenalina, pensava em apenas matar e matar. Eram como aqueles famosos guerreiros vikings os "Berserkers", uma fúria lhe tomava cada vez mais conta de seu corpo e mente uma mistura perigosa, logo mais flechas o atingiam pelo corpo. Começara a se sentir cansado, exausto, mas ainda sim a força de vontade prevalecia, sua guarda ficara baixa por um instante e uma estocada vinda de uma lança inimiga lhe acertara a região do pâncreas, depois mais estocadas pelas costas.
Mais um momento para escapar dessa loucura
Mais um momento para se libertar dessa tristeza
E mais uma vez ser o único a compreender que
Minha alma e meu espírito prevalecerá, por toda a eternidade
(One more time to escape from all this madness)
(One more time to be set free from all this sadness)
(And one last time to be the one who understands)
(My soul and my spirit will go on, for all of eternity)
Começara a se sentir cansado, exausto, mas ainda sim a força de vontade prevalecia, sua guarda ficara baixa por um instante e uma estocada vinda de uma lança inimiga lhe acertara a região do pâncreas, depois mais estocadas pelas costas. Estava liquidado não tinha mais forças, sentia a dor vir a todo vapor passando por cada canto de seu corpo, mas o que doía mais é que havia perdido. Não veria mais os filhos, havia falhado consigo mesmo, sentia a vida lhe esvaecer devagarosamente e de forma dolorosa, ouvia os gritos de dor se misturando com as batidas das lâminas. Uma lágrima de tristeza escorrera de seu rosto, mas lá dentro de sua já corrompida alma sentia-se aliviado por ter acabado essa tortura, já tinha feito seu propósito neste mundo e estava pronto para partir para o outro. Finalmente estava livre para poder vagar pelos céus como uma águia, ou melhor, um corvo.
Sua carne pode ter morrido, mas seu espírito guerreiro, esse sim, prevalecerá por toda a eternidade...
[07/12/07] Capitulo Único
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