Esta história e todos os seus personagens são de minha autoria e possuem registro na IBN, por isso se copiar e disponibilizar em outro lugar, eu processo.
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Hyou desce do seu carro com um pedaço de papel nas mãos onde trazia anotado o endereço da nova residência. Esta era um singelo apartamento em um condomínio no subúrbio da cidade muito afastado de sua casa antiga.
Ele pára e observa o local: um conglomerado de dez prédios amarelados, cada um com cerca de cinco andares com quatro apartamentos. Uma escada lateral com um corrimão de aço que rodeava cada um dos prédios com a sua. Não existia elevador ou interfone, muito menos porteiro. As portas, todas tinham acesso à escada exterior que era o único meio de entrar e sair.
Duas janelas para cada apartamento, uma na cozinha e outra no que seria o quarto e uma pequenininha ao banheiro.
Hyou põe-se a subir as escadas carregando consigo uma de suas malas e embrulhos. Ele coloca a chave na fechadura e abre a porta. O local precisava de uma limpeza, estava empoeirado pelo desuso.
O rapaz deposita suas coisas ao chão e retorna ao carro na busca do resto. Após levar tudo o que trouxera ao apartamento, ele estaciona o carro na garagem comunitária do prédio que possuía uma vaga por apartamento.
Hyou sai do carro, sobe a escada e entra no apartamento, ele retira alguns produtos de limpeza que adquiriu anteriormente na ida ao local, ele então abre uma das malas e procura por uma blusa e uma bermuda, pois não poderia fazer aquela limpeza de camisa e calça social.
Ele veste uma blusa branca de algodão e uma bermuda azul. Hyou então pega a vassoura e começa removendo todo o pó do quarto. Algumas horas se passam e o apartamento já estava limpo e arejado. Ele começa então a desempacotar e guardar seus pertences nos devidos lugares.
Durante todo o dia ele não tirara Kamya de sua mente. Ao olhar pela janela da cozinha enquanto guardava os copos ele vê uma moça caminhando na rua, seu coração bate acelerado, mas logo é decepcionado, não se tratava de Kamya.
Hyou guarda o último copo, a tristeza era visível em seu olhar. Ele sentia falta da presença da moça.
Já era noite, ele coloca uma chaleira fervendo um pouco de água, liga a tv para assistir as notícias do dia, porém ele não consegue, a única coisa que faz é pensar em Kamya.
As horas vão passando, a xícara de chá vazia jazia sobre o balcão da cozinha, Hyou estava sentado à janela observando o céu. A noite de lua cheia iluminava a sala do pequeno apartamento. O vazio e o silêncio eram agora compania constante para ele no lugar de Kamya e sua alegria.
Hyou não consegue suportar e deixa seu pranto rolar, sua dor era imensa, seu coração estava dilacerado pela saudade de Kamya e pelo remorso e vergonha que sentia de carregar aquele afeto por sua irmã dentro de si:
_Sou um monstro... Deus me ajude! Preciso lutar contra isso! Não posso arruinar a minha vida e muito menos a dela... Dê-me forças para continuar... O que diriam nossos pais diante de uma situação dessas? O que diriam os outros? Por que tem que ser a minha irmã...
Os soluços de Hyou rompiam o silêncio da noite que se transformara em madrugada e logo em alvorada. O jovem não conseguira dormir um minuto sequer naquela noite pensando constantemente em Kamya:
_O que poderá ela estar fazendo agora?
O dia chegou e ele se levanta da cama de onde rolara para um lado e para outro o tempo todo. O cansaço era implacável sobre ele, porém, o rapaz ainda assim apronta-se e sai para o trabalho sem tomar o café da manhã.
Os dias vão passando e a insônia transformara-se em rotina seguida de crises de choro inconsoláveis.
Até que o inevitável acontece.
Após cerca de um mês sem alimentar-se corretamente e extremamente abatido, Hyou fica enfermo.
Era manhã, o rapaz estava na sala lendo o jornal na compania de seu colega de trabalho que passara a noite por ali, pois havia brigado com a noiva, com quem dividia o apartamento e Hyou lhe oferecera abrigo naquele momento difícil entre Daysuke e sua companheira.
_Veja Hyou! O preço das ações da empresa de telefonia móvel vai subir! – diz Daisuke portando um dos cadernos do jornal.
Hyou estava com o caderno esportivo nas mãos, mas não olhava ele, estava com a visão perdida em pensamentos focada no vazio.
Daysuke percebe que o amigo estava desatento, e diz:
_Cara! Você anda muito estranho por esses tempos... Está magro, um trapo! O que está havendo?
Hyou dá um suspiro e diz:
_Nada... Apenas descobri que viver é algo extremamente doloroso.
Hyou segura um copo de “wisky” e leva-o até a boca, mas interrompe repentinamente o processo.
Hyou perde os sentidos deixando o copo escorregar de sua mão e espatifar-se ao chão, ele solta também o jornal que estava na outra mão e cai desfalecido de lado sobre o sofá.
Daysuke, preocupadíssimo, pula de seu acento e vai acudir o amigo segurando-o pelos ombros e o sacudindo para que voltasse a si:
_Hyou! O que houve? Hyou!
Hyou não recobra a consciência o que faz Daysuke chamar uma ambulância.
Em poucos minutos os para-médicos estavam dentro do apartamento de Hyou lhe administrando os primeiros socorros. Hyou fora posto em uma maca e recebia oxigênio, pois não respirava e seu pulso estava baixo.
Daysuke tranca o apartamento e entra em seu carro seguindo a ambulância até o hospital.
Durante o caminho, Hyou sofre uma parada cardíaca:
_A sua pressão arterial desapareceu! O coração parou de bater! – diz um dos para-médicos.
_Massagem cardíaca rápido! – responde o outro.
Um dos para-médicos inicia o procedimento, após algumas tentativas não obtém sucesso:
_Não houve progresso!
_Desfibrilador! Agora!
O para-médico pega os dois condutores ambos um em cada mão e diz:
_A duzentos e cinqüenta! Carregar!
O aparelho é carregado, os condutores são encostados no tórax de Hyou que recebe a descarga elétrica, mas nada adianta. O monitoramento cardíaco não mostrava progresso.
_A trezentos! Carregar!
Novamente o mesmo procedimento e nenhuma reação.
_Última chance! Carregar a trezentos!
O procedimento é realizado novamente, a pulsação retorna, porém, muito baixa o que faz com que o para-médico continue a massagem cardíaca até chegarem ao pronto socorro.
Daysuke chegara junto com a ambulância que conduzia Hyou. Enquanto levavam o amigo para a sala de emergência ele telefonava para a casa do pai de Hyou:
_Alô! Com quem falo? Kamya! Graças a Deus!
Continua...