Baseado na obra original de Rumiko Takahashi "InuYasha" (todos os direitos reservados). Essa fiction não possui fins lucrativos.
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‘Mas o que é que se está a passar com esta gente?’ pensava Shippou. Olhou para o grupo que caminha pesadamente à sua frente. Abanou negativamente a cabeça e encolheu os ombros. Não valia a pena... se aqueles quatro estavam com problemas sentimentais, com certeza não seria ele quem os iria ajudar.
Sango e Miroku mal se falavam, na realidade ainda ninguém os tinha visto falarem desde que tinham derrotado o monstro de três espinhos de Naraku. Kagome olhou para o casal. Sango caminhava de cabeça erguida, confiante… mas era uma falsa autoconfiança. Miroku tentava pôr o seu habitual sorriso, mas às vezes a máscara caía e podia ver-se a sua tristeza. ‘O que é que se terá passado?’ pensava a colegial.
Naquela noite, ela tentara saber o que se tinha passado, mas o monge mudara radicalmente de assunto, perguntando por Inuyasha. Aí, Kagome quase esquecera de tentar desvendar o mistério que cercava ele e Sango preocupando-se com o paradeiro do meio-demónio. Ainda quisera ir à procura dele, mas Miroku sensatamente disse-lhe que Inuyasha sabia cuidar-se e que em breve voltaria.
Realmente ele voltara, pouco antes do amanhecer. Estava estranho, quase como se tivesse visto alguma coisa que não gostara.
-Inuyasha! Como vês já cá ‘tou – dissera-lhe Kagome com um sorriso – Então, onde é que estiveste?
-O que é que isso te interessa? – perguntara ele rispidamente. Rapidamente apercebeu-se do erro de ter falado daquele maneira com Kagome. Olhou para ela e viu uma mistura de tristeza e fúria no seu olhar e os seus punhos fechados. ‘Estúpido’ acusara-se ele pela terceira vez naquela noite. Aproximou-se de Kagome como um cãozinho se aproxima do dono quando sabe que fez asneira.
-Kagome, eu…
-SENTA!!! – e como sempre o colar de Inuyasha reagiu e este foi de cara no chão.
-És tão estúpido! – acusara ela dando meia-volta para dentro da cabana. ‘Sim, já sei disso’ pensara ele enquanto se levantava. ‘Primeiro dizes o que não deves à Kikyou, agora também à Kagome… isto está a ir de mal a pior’ pensava ele tristemente.
Virou-se para a cabana e só aí se apercebeu da presença de Miroku e Kirara que o observavam.
- Deixa lá… também não percebo as mulheres… - disse o monge enquanto acariciava o pêlo de Kirara.
-Ia-te perguntar se estavas melhor, mas para estares a falar de mulheres é porque já deves estar – disse o meio-demónio com um ar sarcástico sentando-se ao lado do monge. Miroku sorriu tristemente e Inuyasha achou melhor não puxar assunto.
Sango aparecera umas horas depois, ignorando completamente a presença de Miroku. ‘Mas o que é que eu terei feito desta vez?’ pensava ele tristemente. Por momentos achara que se iria acertar com a sua amada… mas pelos vistos ainda piorara as coisas, e nem sabia bem o motivo… Será que a tinha assustado ao falar aquilo do fazerem um filho ali e naquele momento? Sim, devia ser isso… mas parecera-lhe que ela também queria… Pois é… ele realmente não devia perceber mesmo as mulheres.
E agora lá estavam eles. Já se passara quase uma semana desde que os casais tinham brigado e continuavam a mal se falarem.
Mais um dia e mais uma busca pelos fragmentos e pelo paradeiro daquele maldito Naraku… será que aquela rotina não acabava.
Kagome parou subitamente. O resto do grupo parou igualmente.
-O que é que se passa? – perguntou o pequeno demónio-raposa saltando do ombro de Miroku e olhando expectante para Kagome.
-Sinto fragmentos de jóia a aproximarem-se a uma grande velocidade – ‘Kouga’ pensou ela.
-Lobo fedorento, aparece logo! – gritou Inuyasha pensando o mesmo que Kagome. Era mesmo Kouga. O líder da tribo de lobos apareceu de uma enorme nuvem de poeira, empurrando Inuyasha sem que este tivesse sequer tempo de pensar o que era aquilo e agarrando as mãos de Kagome.
-Então minha Kagome, como é que estás? Aqui o cara de cão não te tem chateado, pois não?
-Olha aqui, lobo fedorento… - rosnou Inuyasha agarrando na sua Tetsaiga.
-Senta! – como sempre Inuyasha foi de cara no chão – Estou bem, obrigado – disse Kagome fazendo o seu mais belo sorriso para Kouga – Então e tu?
- Desconfio que sei do novo esconderijo daquele nojento do Naraku – olharam todos para Kouga. Ele preferia dizer só a Kagome, mas já não se esquivava de dizer também aos outros.
-Soube por uns lobos da tribo da Ayame. Num vale rodeado de montanhas, onde há neve e frio durante todo o ano, há uma gruta. Eles viram algo no céu, demónios e uma fortíssima aura maligna… provavelmente Naraku.
-E como é que podemos confiar nesses lobos? Ou melhor, como é que podemos confiar em ti? – disse o meio-demónio irritado com o facto de Kagome estar tão perto de Kouga e lhe estar a prestar tanta atenção. Kouga era um demónio, e ele estava acompanhado de humanos... não que isso, o incomodasse… mas atrasava-o.
-Aqui o único que não confia no Kouga és tu! Eu confio nele e tu confias em mim, certo? – perguntou Kagome ponto as mãos na cintura com um ar autoritário e deixando Inuyasha embaraçado.
-Sim, mas… - ‘Não gosto da maneira que ele te olha e te trata… e de como tu gostas disso’ pensou o meio-demónio olhando para um ponto qualquer no chão.
-Por favor, continua – pediu a colegial ao príncipe lobo.
-Os meus lobos também andaram a investigar e soube que uns humanos também viram os demónios no céu. A gruta fica para Sudoeste, a uns dias daqui e a entrada tem uma espécie de barreira. Mas não em redor das montanhas ou da gruta, apenas na entrada da gruta.
-Então, e não haverá outra entrada – perguntou Sango, que até aí estivera calada.
-Se há, os meus lobos não a encontraram. – disse ele sentando-se numa pedra – E é tudo o que sei…
-Kouga! Estás aí! – ouviu-se uma voz cansada. Era Ginta, seguido de Hakkaku, os leais companheiros de Kouga.
-Ah… finalmente! – Kouga levantou-se e beijou gentilmente a mão de Kagome que deu um risinho sem graça – Adeus minha Kagome – virou-se para Inuyasha que parecia entretido com alguma coisa no céu – Não te atrevas a deixar que aconteça alguma coisa à minha futura mulher.
-O quê?! – gritou Inuyasha indignado, mas Kouga já desaparecera numa nuvem de poeira.
-Lá vai ele de novo… nunca consegue ir ao mesmo ritmo que nós… - lamentou-se Hakkaku para Ginta enquanto corriam novamente para alcançar Kouga.
-Qualquer dia arranco os fragmentos de jóia que aquele tipo tem nas pernas. – rosnou o meio-demónio.
-Inuyasha… - ralhou Kagome.
-Mas é verdade! Precisamos de completar a jóia… além disso por causa dos fragmentos ele vai chegar primeiro àquele maldito – disse ele cruzando os braços de modo defensivo.
- E se não perdêssemos mais tempo e fossemos andando?
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-Meu Lord… está tanto frio… - queixou-se Jaken abraçando-se para se aquecer. Ah-Un também soltou uma rosnadela de protesto. O grupo, agora reduzido a Sesshoumaru, Jaken e Ah-Un caminhava há uns dias por umas montanhas. Era estranho estar tanto frio, mesmo naquela altitude, pois estavam no pico do Verão.
Mas o que é que o frio interessava?
Interessava sim… Sesshoumaru estava com frio, mas não era um frio físico como Jaken ou Ah-Un… era um frio de não ter o calor da sua pequena Rin ali por perto.
-Meu Lord, não percebo… o que é que estamos a fazer nestas montanhas? – era o cumulo… ele também sentia a falta daquela irritante criança humana, mas não era preciso cometerem suicídio.
Sesshoumaru também não sabia porque é que ali estava… Era como se algo, ou alguém o chamasse…
A temperatura começou a aumentar. Estavam a descer e continuaram até chegarem a um vale.
Estava rodeado por montanhas e coberto por um estranho nevoeiro, de um tom arroxeado. No centro havia uma gruta. Não dava para ver de onde surgia a gruta pois o nevoeiro cobria tudo lá no vale.
Sesshoumaru aproximou-se, mesmo com os avisos de Jaken de que aquilo era muito estranho. Mas ele era um dos demónios mais poderosos desde sempre existente… não seria um nevoeiro e um servo inútil que o iam parar.
Havia uma barreira na entrada da gruta. ‘Naraku’ pensou o príncipe das Terras do Oeste. Mas não era o facto de provavelmente Naraku estar lá dentro que atraíra Sesshoumaru para aquele lugar.
Havia algo mais.