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› Autor: ~Joyblack
› Gênero: Ação, Aventura e Luta / Comédia / Hentai/Ecchi/Seijin - Yaoi/Lemon/Dark Lemon - Yuri / Romance e Novela.
› Tags: Decepção, solidão, angústia.
› Personagens: Naruto, Hinata, Neji, Sasuke, Sakura, Hiashi.
› Classificação: 18+
› Adicionado em: 23/09/07
› Comentários/Favoritos 6/38
› Caracteres: 24.823
› Exibições: 2.859
Capítulo XX – Conseqüência de seus atos
A morte ainda é o maior mistério que ronda a humanidade. Há milhares de anos o homem se pergunta: afinal, o que acontece quando se morre? Para onde vamos? O que encontraremos? E principalmente, o que sentimos ao morrer? São perguntas para quais não queremos respostas vivenciais. Porém, se existe dor ao morrer, Hinata sabia que deveria ser como aquela. Uma dor forte e aguda, que misturada ao desespero e angustia dão lugar a um gélido e escuro vazio. As lágrimas já não escorriam pela sua face, tamanha era sua aflição. Sua alma estava morrendo, ela sabia disso. E não podia fazer absolutamente nada para mudar aquele quadro. Percorreu, incógnita, todo o caminho de volta para casa, sentindo que deixava para trás, a cada passo dado, um pedaço de sua felicidade, abandonando-a como quem deixa uma bagagem valiosa, mas importuna. Não havia volta. Não havia escolha.
Na varanda da Casa Principal, Neji esperava pela volta de Hinata. Ainda trazia em sua mente as palavras da conversa que ouvira mais cedo e elas o preocupavam. Porém, tudo foi esquecido quando seus olhos pousaram sobre a garota quando esta entrou pelo portão. Sua primeira sensação foi de choque, pois o estado em que ela se encontrava era deprimente. Seu quimono branco jazia todo sujo de grama e terra fresca e seus cabelos voavam descontroladamente em torno de sua cabeça. Todavia, o que mais chamou a atenção dele foram seus olhos. Estavam desfocados, como se não vissem nada da realidade a sua frente e sim um mundo paralelo, que era negado a ele naquele momento. Esse olhar vazio, sem vida, com se alma tivesse sido arrancado corpo frágil, passou por ele sem notar sua presença e se encaminhou para o quarto.
- Hinata-sama... O que a-?
Neji não pode continuar sua frase. Hinata se trancou em seu quarto. No instante em que o rapaz olhava, preocupado, a parede a sua frente, no lado de dentro a garota encostou-se à parede, escorregando lentamente pelo chão. Dentro de seu esconderijo, permitiu que as lágrimas aflorassem com uma intensidade maior que qualquer vez que vieram. Abraçando o próprio corpo, tinha a impressão que se fechasse os olhos, ainda podia sentir os lábios de Naruto em seu corpo. O cheiro dele ainda estava impregnado em sua pele e os resquícios da noite de amor faziam seu interior fervilhar. Jamais teria outra noite como aquela. Em seu desespero jurou para si mesma não permitir que nenhum outro homem a tocasse. Seria para sempre dele, mesmo que nunca se vissem novamente. Ninguém a profanaria.
Os soluços secos chegavam aos ouvidos de Neji. Como também o barulho de batidas no assoalho. Na tentativa de amenizar o vulcão que ardia em seu peito, Hinata começou a auto-flagelar o próprio corpo. Com as unhas, começou a arranhar o pescoço, como se estivesse sem fôlego e implorasse por ar. Buscava a dor física para esquecer a do espírito. Quando suas mãos já estavam banhadas de sangue, começou a bater as mãos fechadas no chão, na esperança de abafar o choro e tentando impedir que sua dor se transformasse em gritos, porque tinha certeza que se eles viessem à tona com a intensidade que sentia, seria capaz de acordar toda vila de Konoha. Seus olhos ardiam e seus lábios mordidos sem compaixão, sangravam. Desabou sobre o piso, sentindo o gosto amargo do seu futuro: sangue misturado a lágrimas.
Não podia mais. Suas forças se esgotaram. Deixou-se ficar deitada olhando para o teto, sentindo as últimas gotas de si própria evaporando sob o jugo de sua obrigação. Não queria mais lutar. Só velar sua alma.
Do lado de fora do quarto, Neji observou todo o desespero de sua prima com seu byakugan. Se ela pensava que podia esconder algo dele, iria perceber que era inútil. Fora incumbido de sua missão há muito tempo por seu pai: protegê-la. Mesmo que tivesse esquecido disso durante a fase escura de sua vida, prometera a si mesmo não falhar mais. Por isso, não se opôs ao ódio que começou a fervilhar dentro dele. Não imaginou outra explicação para o que acabara de presenciar a não ser o fato que Naruto havia feito alguma coisa com ela, algo que a machucara ao ponto de levá-la à beira da loucura. Não sabia o eu era, mas era a única coisa lógica a se pensar. Sentou-se no chão em frente ao quarto e ficou a observar a porta, como um anjo da guarda. Fosse o que fosse, qualquer que tenha sido o motivo, Naruto fizera Hinata sofrer. E iria pagar por isso. Ele não iria se aproximar mais aquela casa ou de Hinata.
************************
Naruto tentou mexer as pernas, mas elas não lhe obedeciam. Todos os nervos do seu corpo pareciam responder aos comandos de seu cérebro de forma errada. Sentindo o cheiro da terra molhada, levantou a cabeça com dificuldade. O dia já começava a raiar e cada minuto que passava era para ele uma aflição. Queria correr, correr o mais rápido que pudesse para saber que brincadeira de mau gosto era aquela que Hinata lhe aplicava. Sua mente simplesmente não aceitava o fato dela ter lhe dito adeus. Não depois de tudo que viveram. Não depois daquela noite.
Fora a primeira vez que estivera com uma mulher e sabia que Hinata também nunca tinha tido ninguém. Sentira sua inocência, seu medo, seus tremores. Havia sido especial para os dois, ele tinha plena certeza disso. Como tinha certeza também que, pelo menos daquela vez, não tinha feito nada de errado. Sua consciência estava limpa. Tratara Hinata com doçura, delicadeza e até com receio, com medo de agredi-la com seu desejo extremo. A noite fora maravilhosa, inesquecível. Pelo menos até a hora que ela o desacordara e fora embora.
Mais uma vez Naruto tentou se levantar. Dessa vez conseguiu que as pernas atendessem seus pedidos. Com dificuldade se pôs de pé. Seu corpo doía e tremia com o esforço. Cambaleando, encostou-se na árvore, totalmente sem fôlego.
“Seja lá o que for que Hinata tenha feito comigo, fez muito bem feito” pensou Naruto olhando para o céu que clareava rapidamente.
Sua respiração falhava a cada novo esforço. Mentalmente começou a repassar todas as possibilidades de ataques cujo resultado fosse à perda do controle corporal. Devia ter um jeito para parar aquilo. E foi então que lembrou. Hinata provavelmente havia atingido seu sistema nervoso central, impedindo seus nervos de reconhecerem os comandos do cérebro. Ela mesma lhe dissera isso em uma aula, antes do exame que se podia usar a técnica Hyuuga para paralisar ou destruir os órgãos internos de seus inimigos. Concentra-se o chakra na palma da mão e aplica conforme sua vontade no corpo do rival, atingindo a área de sua preferência. Os nervos eram alvos preferíveis, pois neutraliza-los era importante para impedir contra-ataques além de deixar o alvo incapaz durante um bom tempo.
Mas ele não era seu inimigo. Era seu namorado. Por que então usara um golpe tão poderoso contra ele? Por que o atacar após terem feito amor? E por que o adeus?
- Vamos sua raposa maldita! – falou com seu umbigo – Dê um jeito logo nisso. Eu tenho pressa!
“Para que a pressa?” ele pode ouvir nitidamente o rosnado tão familiar.
- Isso não é da sua conta. Só faça isso logo...
“Só por que entramos em um acordo de ‘boa vizinhança’ não quer dizer que você pode falar comigo de qualquer jeito...”.
- Eu falo com você do jeito que eu quiser. Você está no meu corpo, então faça o serviço direito. Imagine que você ta me pagando o aluguel. Afinal são dezoito anos de parasitismo...
“Seu ingrato! Já salvei sua vida inúmeras vezes!”
- Correção: você salvou SUA vida várias vezes. Se eu morrer, você morre. É a lei. Então que tal você se apressar? Preciso resolver uns probleminhas pessoais.
“Você continua o mesmo imbecil de sempre. Sabe o quando demora reestruturar todo um organismo depois do golpe dos Hyuugas? Por isso acho que seria muito mais simples se apenas arrancássemos aqueles braços...”.
- Não fale isso nem brincando, sua raposa desmiolada. Hinata é minha namorada!
“Namorada? E para quê você quer uma namorada?”
- É bom ter alguém perto de mim, alguém pra gostar...
“..............”
- Esqueça, saiba apenas que Hinata é importante para mim e eu preciso vê-la!
“Pena que não parece ser recíproco...”.
- O que você quer dizer com isso?
“Posso não entender muito de relacionamentos humanos ou seus tolos sentimentos, mas até onde já observei de suas vidas, vocês não costumam paralisar o sistema nervoso central de alguém que se gosta...”.
- Ah, vai pra uma merda e termina logo isso!
“Se você for, eu terei prazer em te acompanhar... hehe...”.
- Ótimo, que dia... Até essa raposa idiota tá tirando onda com a minha cara...
Mas logo depois que a kyuubi silenciou-se, Naruto sentiu o controle de seus movimentos voltarem totalmente. Mexeu os braços e as pernas para provar a si mesmo que tinha recuperado o controle de seu corpo. Vestiu a camisa que ainda jazia no chão e começou a correr em direção ao clã Hyuuga. Esperava que Hinata tivesse uma boa desculpa para o que tinha feito. E explicasse direitinho essa historia de adeus. Ele não iria permitir que ela saísse de sua vida tão facilmente.
“Vocês humanos e seus sentimentos idiotas...” ouviu a voz rouca comentar dentro de si. Mas não se importou. Se ser idiota significava correr atrás de sua felicidade, seria um eterno idiota e sem medo de assumir isso.
*************************
Por algum motivo, quando Sasuke olhou para o céu da janela do seu quarto aquela manhã, teve a impressão que algo aconteceria. Todavia ignorou aquele pressentimento. No momento, tinha coisas mais importantes para se preocupar.
Sakura.
O rapaz levantou de sua cama e olhou o relógio da parede. Eram quase seis horas da manhã, horário em que sua namorada começaria a trabalhar no hospital. Com uma expressão de desdém, se encaminhou para o banheiro. Sua vida não estava sendo fácil nas ultimas duas semanas. Sakura mudara bruscamente com ele. Nunca conseguiam ficar juntos e o motivo alegado era sempre o mesmo, a falta de tempo de ambos. Sim, ele entendia que as obrigações de uma ninja médica eram diferentes de outro ninja qualquer, e ele era o chefe da anbu. Porém, nem mesmo em suas folgas, eles se viam agora e aquilo o frustrava muito. Lembrava claramente que, no dia do festival, tivera que praticamente arrasta-la para a festa.
- Mas, Sasuke-kun – argumentara – Eu já ajudei com os preparativos! Tenho que voltar ao hospital!
Sasuke nem dera ouvidos. Simplesmente foi à casa dela e a tirá-la de lá com a ajuda da senhora Haruno. Depois do festival, a convenceu a dormir na casa dele. Foi a ultima vez que passaram a noite juntos.
O que mais o irritava era que, para o show do Asian Kung Fu Generation e para preparar o aniversario de Hinata ela tivera tempo de sobra. Então o problema era ele. A companhia dele. Se estavam a sós, sempre havia um compromisso, sempre precisava sair.
Decidido a pôr tudo nos eixos, ele caminhou resoluto em direção ao hospital. Não precisou esperar muito. Pontualmente às seis horas, Sakura chegava com sua maleta branca e pareceu extremamente surpresa ao vê-lo parado a porta de entrada.
- Sasuke-kun...
- Sakura. – falou ele sério – Precisamos conversar.
- Conversar? A-A essa hora... S-Sobre o quê?
- Sobre nós.
Sakura parecia confusa e muito nervosa.
- Você tem me evitado – começou ele – Por quanto tempo você achou que eu não perceberia?
- Não sei do que você está falando... Eu não tenho evitado você... – falou na defensiva.
- Faz duas semanas que você não tem tempo para mim.
- Ah, é só isso! – falou ela aliviada, mas ainda forçando um sorriso – Você quer atenção Sasuke-kun? Infelizmente é difícil para mim, você sabe o hospital...
Ele se aproximou bruscamente ficando com o rosto a poucos centímetros do rosto de Sakura, como se fosse beijá-la, mas ela se afastou involuntariamente.
- Viu? – constatou ele chateado - É disso que estou falando. Você não me quer mais.
- Não é isso! – falou Sakura ofendida - Eu te amo e você sabe disso!
- Então me diga qual o problema! – insistiu ele.
- Não há problema!
- Há! – disse Sasuke irritado – Existe um problema e eu sinto isso!
- E o que você imagina que está acontecendo?
- Não imagino nada. Tenho certeza. Você tem agido diferente. Se fosse o tempo todo, com todo mundo, até que eu entenderia. Mas o problema é que essa sua atitude é exclusivamente para mim. Quando estamos com os outros, você se comporta normalmente. Quando ficamos as sós, você sempre arranja uma desculpa para ir embora.
- Você não está sendo justo comigo! – disse ela alterando o tom de voz – Eu tenho estado ocupada, estressada, sou chamada nas horas de folga e você ainda vem me cobrar algo que não posso lhe dar no momento?
Sasuke analisou a expressão dela. Era uma mistura de indignação, nervosismo e medo. Mas medo de que? Quando ela começou a tremer, não teve dúvidas. Ela escondia algo. Como viu que a pressionando não iria conseguir nada, decidiu ser mais gentil. Não queria brigar com ela, no final das contas. Só pioraria a situação.
- Tudo bem, Sakura. Tudo que eu queria era ficar mais tempo com você... Sinto sua falta... – falou em tom carinhoso, procurando vencer a resistência dela.
Todavia, as palavras ditas tão ternamente pareceram que despertaram o efeito contrario do esperado. Perdendo o controle, Sakura gritou:
- SEU EGOÍSTA! VOCÊ NÃO PERCEBEU AINDA QUE MINHA VIDA NÃO GIRA EM TORNO DE VOCÊ?! EU TENHO OBRIGAÇÕES! PRECISO DE PAZ!
Aquela palavras, proferidas com tanta raiva, caíram como uma bomba para Sasuke. Então esse era o amor que ele proclamara para todos durante toda sua vida? Sasuke estava magoado, muito magoado. Sua expressão se tornou mais sombria que o costume e sem se importar com a face preocupada dela, disse friamente:
- Então fique com suas obrigações.
E foi embora.
No mesmo instante, Sakura percebeu que tinha cometido um terrível erro. Jogou a maleta no chão e correu atrás dele.
- SASUKE-KUN!!!!
Mas ele já havia desaparecido. As lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Sakura e ela levou as mãos à cabeça, desesperada.
“Meu Deus! O que eu fiz?!” pensou.
Sasuke ainda ouviu o grito dela chamando-o. Se queria tanto suas malditas obrigações, que ficasse somente com elas e o esquecesse. Apesar de estar extremamente magoado com as palavras dela, não queria ficar pensando naquilo. Por isso, se dirigiu à sede da anbu. Precisava urgentemente trabalhar. Precisava não pensar em nada. E principalmente, precisava não pensar que poderia ficar sem ela, em ficar sozinho.
Ao chegar à porta do local, notou um movimento estranho. Todos os anbu estavam em frente ao prédio e pareciam nervosos.
- O que está acontecendo? – perguntou preocupado.
- Uchiha-san – falou Shino – Nós temos um grave problema.
- O quê?
- Naruto-san está atacando o clã Hyuuga.
- COMO É QUE É?!
E sem esperar resposta, começou a correr em direção à propriedade sendo seguido por todos os membros da anbu.
**************
Naruto correu o mais rápido que pode. Em pouco tempo já avistava a entrada do clã Hyuuga. Sem esperar por um convite, adentrou os portões na esperança de estar o mais rápido possível à presença de Hinata. Mal tinha dado os primeiros passos, quando percebeu um ataque vindo em sua direção. Conseguiu pular para trás antes que as kunais atingissem seus pés. Olhou para o atacante. Eram quatro membros do clã, provavelmente pertencentes à Bouke, já que usavam ataduras na testa como as de Neji.
- Você não tem permissão de entrar aqui. – falou o mais velho deles, que parecia o líder do grupo.
- Eu preciso falar com Hinata.
- Não poderá. – respondeu friamente.
- E posso saber por quê? – Naruto começara a ficar irritado.
- Nenhuma visita foi autorizada pela líder do clã. – disse o segundo.
- Então vai lá e fale com ela. Tenho certeza que ela vai autorizar minha entrada.
- Temos ordens de não perturbar a casa principal essa manhã. – voltou a falar o mais velho deles.
- Cara, eu não saiu daqui antes de falar com minha namorada!
- Você não a verá. – falou uma voz vindo das árvores.
Era Hyuuga Hiashi, que vinha acompanhado por vários membros do clã, criando uma verdadeira barreira entre Naruto e o caminho que levava a casa.
Naruto estava confuso. Não entendia por que a intromissão do clã em um assunto que só dizia respeito a ele e Hinata. Tudo que queria era poder falar com ela e esclarecer algumas coisas. Decidiu se acalmar primeiro. Não queria causar uma má impressão no pai da garota. Respirou fundo.
- Hyuuga-sama – falou polidamente – Eu realmente preciso falar com a Hinata. Sei que ela deve ter muitas obrigações, já que é líder agora, mas prometo não demorar. Só preciso de alguns minutos.
- Não. – respondeu ele.
- Por que não?
- Entenda Uzumaki Naruto. Não sou eu que estou impedindo. Minha filha não quer vê-lo. E deve ter deixado isso bem claro noite passada.
O coração de Naruto deu um salto dentro do peito.
“Nossa história acaba aqui. Adeus...”. Essas palavras voltaram a latejar em sua mente. Mas ele se recusava a ouvi-las. Não iria aceita-las.
- Eu vou falar com Hinata! Ela vai me atender!
- E como espera fazer isso?
Diante das palavras de Hiashi, os Hyuuga adotaram suas poses de luta.
Naruto tomou fôlego. Não ia lutar por enquanto, faria outra coisa.
- HINATA!HINATA!HINATA! – começou a gritar para a surpresa de todos.
*************
Hinata estava na sala de chá. Tomava café da manhã silenciosamente, sendo observada por Neji e Hanabi. Enquanto Neji não demonstrava nenhuma expressão, Hanabi não conseguia disfarçar a surpresa.
- Hinata-nee-san? – chamou a menina.
- Fale Hanabi. – disse Hinata fracamente.
- O que são esses arranhões em seu pescoço?
- Nada demais. – respondeu levantando o quimono e escondendo as marcas.
Havia algo de estranho, percebia Hanabi. Naquela manhã ao sair do quarto, sua irmã estava irreconhecível. Parecia uma outra pessoa quando se sentou à mesa dando um seco “bom dia” e se calando logo em seguida. Seus olhos não exibiam o brilho de sempre e a pele estava mais pálida que o normal. Olhando fixamente para ela, a caçula chegou a uma conclusão: Hinata parecia uma casca seca, vazia e sem vida nem emoções. Nenhuma expressão no rosto, apenas uma cínica máscara de carne.
Neji também reparara, mas nada comentou. Decidira que mais tarde iria procurar Naruto e exigir que contasse o que havia feito. Depois, o proibiria de ver Hinata.
Naquele momento, eles começaram a ouvir vozes distantes dali. Depois, as vozes começaram a aumentar de intensidade, até se transformar em sonoros gritos, onde se ouvia claramente a voz de Naruto chamando por Hinata.
- Eu acho que é seu namorado Nee-san.
- Eu não tenho namorado. – respondeu seca.
O estômago de Neji deu uma volta completa e dolorosa. Nunca ouvira Hinata falar daquela maneira com ninguém, muito menos com alguém de quem gostava.
- Hinata-nee-san, Você terminou com o Naruto? – insistiu Hanabi.
- NÃO FALE ESSE NOME NA MINHA FRENTE! – gritou rispidamente.
Hanabi a olhou atônita.
- Nee-san... Você nunca falou assim comigo... – e começou a chorar.
Hinata se arrependeu profundamente da forma com que falar com a irmã, mas não se controlara. Toda sua força de vontade estava por um fio. Ouvir a voz de Naruto gritando tão desesperadamente seu nome seria suficiente para pôr tudo a perder. Num gesto de proteção, levou as mãos aos ouvidos. Queria abafar o som, não podia ouvir aquela voz de novo. Não podia lembrar das sensações da noite passada.
- Hinata-sama – falou Neji se levantando – Vou por um fim nisso.
Ela assentiu com a cabeça.
- O que quer que eu diga a ele?
- Não quero mais vê-lo. Nunca mais. Que esqueça de mim, que não me procure. E vá embora.
- Certo.
Neji saiu.
Hanabi ainda olhava em direção à porta quando sentiu que Hinata a abraçava.
- Não devia ter gritado com você. Perdoe-me Hanabi. Porém, te ordeno que nunca mais se refira a essa pessoa na minha presença.
Retribuindo o abraço, a garota confirmou com a cabeça. Ainda estava magoada, mas sentia que quem mais precisava daquele abraço era Hinata. Provavelmente o tal Naruto devia ter feito alguma coisa com ela. E era tão grave que a deixara daquela forma.
“Maldito Naruto! Você nunca me enganou! Sempre soube que você era um mau-caráter e não gostava de verdade da nee-san! Você me paga.”
*********************
Naruto estava com a garganta doendo de tanto gritar em vão. Não houve uma resposta, nenhum sinal.
- Percebe agora, Uzumaki Naruto? Minha filha não virá até aqui.
- Então eu irei até ela. – decidiu.
- Como passará por nós?
- Dessa forma! – e começou a formar o rasengan em uma das mãos.
A raiva já estava tomando de conta de Naruto. Permitiu que o chakra desprendesse a vontade de seu corpo. Não importava quantos fossem necessários matar. Iria ver Hinata.
“Muito bom... Realmente bom...Vou me divertir muito hoje...” ouvia a kyuubi sussurrar dentro de si.
O chakra da raposa começou a misturar-se com o dele. A instabilidade emocional estava descontrolando-o. Desesperado, precisava passar por tudo e todos para aplacar sua ira. Sua mente começou a ficar nublada.
Dois Hyuuga se atiraram sobre Naruto. Com apenas um movimento de sua mão, mandou ambos para longe, desacordados.
- Podem vir. Eu destruirei todos... – falou com a voz alterada.
Continuo derrubando a todos que o atacaram, sem compaixão, até restar somente ele e Hiashi.
- Saia da frente... Velho...
- Não. – Hiashi estava inabalável.
- Você não pode me deter!
- Não serei eu que irei detê-lo. – afirmou tranquilamente.
Naquele momento diversas pessoas pularam para o lado de Naruto. Era o grupo da anbu, liderados por Sasuke. Logo que este viu o amigo se surpreendeu com seu estado. Naruto estava envolto pelo chakra da kyuubi, dando uma aparência demoníaca a ele, que perdera todo o controle de suas ações pela primeira vez em vários anos. Seus olhos estavam vermelhos e exibiam pupilas riscadas e suas presas já estavam à mostra.
- Naruto, o que está acontecendo?
- Sasuke – falou ele em um rosnado – Tire esse velho e sua família da minha frente, senão...
- Senão o que? – perguntou Hiashi.
- Senão você Sasuke, irá presenciar a aniquilação de outro clã de Konoha!
Naruto tomou impulso em direção a Hiashi, que nem ao menos de mexeu, e foi detido por Sasuke que o segurou por trás.
- Naruto! Você não pode atacar Hyuuga-sama! Seria uma traição à Konoha! Explique-me o que está acontecendo!
- Minha filha não quer mais vê-lo. E ele não aceita isso. – disse calmamente o velho.
- É verdade, Naruto? – perguntou Sasuke surpreso.
- MENTIRA! – gritou ele - Hinata não faria isso comigo! Ela gosta de mim!
- É verdade sim, Naruto. – disse friamente uma voz.
Neji aproximou-se caminhando calmamente. Encarou Naruto nos olhos e não temeu se aproximar dele, mesmo que a sua aparência denunciasse que ele não estava no controle de suas emoções.
- Hinata-sama me deu ordens. – começou Neji – Disse que eu transmitisse essas palavras a você: “Não quero mais vê-lo. Nunca mais. Que esqueça de mim, que não me procure. E vá embora.”.
Naruto sentiu-se mergulhado em uma escuridão profunda e fria.
- Isso... Não pode... Ser... Verdade...
- Por que eu mentiria para você, Naruto?
Olhando dentro dos olhos de Neji, Naruto viu a crua e dolorosa verdade. Seu chakra apagou-se imediatamente, suas pupilas se dilataram e voltaram a ter a cor azul. Seu rosto adquiriu uma expressão desamparada e o ar ao redor dele esfriou. Desvencilhando de Sasuke, deu as costas ao clã Hyuuga e foi embora sem olhar para trás.
Sasuke não acreditava no que tinha ouvido. Hinata e Naruto estavam separados. Deu ordens aos seus comandados que cuidassem da bagunça e levassem os feridos para o hospital e correu atrás do amigo. Esqueceu de tudo que passara de manhã consigo próprio por um momento. Sentia que Naruto precisaria dele.
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Pessoal, um aviso: O capítulo 19 (XIX) está antes do capítulo 18 (XVIII) devido a alguns problemas. Por falta de opção *leia-se, por preguiça* eu vou deixar como está e espero que vcs não fiquem chateados! Bjs!
[19/03/07] Capitulo I - Um péssimo dia
[19/03/07] Capitulo II – Posso te ajudar
[25/03/07] Capitulo III – O primeiro passo é o mais difícil
[18/04/07] Capítulo IV – Vamos! Avante!
[18/04/07] Capítulo V – Eu me preocupo com você
[18/04/07] Capitulo VI – Perda de tempo
[30/04/07] Capítulo VII – É só um mal entendido!
[02/05/07] Capítulo VIII – Como se fosse ontem
[03/05/07] Capítulo IX – Entre amigos
[18/05/07] Capítulo X – Borboleta abatida
[25/05/07] Capítulo XI – Assumindo erros
[01/06/07] Capítulo XII – Sonhos possíveis
[15/06/07] Capítulo XIII – Após a tempestade
[22/06/07] Capítulo XIV – Sonhos de uma noite de verão
[29/06/07] Capítulo XV – Tempo Perdido
[06/07/07] Capítulo XVI – Ao seu lado
[14/07/07] Capítulo XVII – Mestre e discípulo
[10/08/07] Capítulo XIX – Sentimentos enterrados vivos
[21/09/07] Capítulo XVIII – Lugar Distante
[23/09/07] Capítulo XX – Conseqüência de seus atos
[23/09/07] Capítulo XXI – O Tempo não pára
[23/09/07] Capítulo XXIII – A dor do silêncio
[25/09/07] Capítulo XXII – Três vezes Três
[17/11/07] História Extra I
[06/03/08] Capítulo XXIV – O cravo e a rosa
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