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[Originais] Te amo

Capítulo Único


Autor: @naru-chan

Categoria: Misc/Originais

Gênero: Drama (Tragédia) / Shoujo (Romântico)

Tags:

Personagens:

Classificação: 16+

Adicionado em: 07/10/06

Comentários/Favoritos 13/10

Caracteres: 10.187

Exibições: 311

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Nota: Nota: 5 

 


Morri no dia 21 de outubro de 1866. Vivi por meros 20 anos, no entanto, nem um dia desta curta vida foi desperdiçado.
Lembro-me com clareza, do dia em que ví, pela primeira vez aquela bela mulher. Seus longos cabelos loiros me enfeitiçaram, seus olhos tão azuis quanto a água mais cristalina me impressionaram.
Senti meu coração bater mais forte, e um sentimento brotar dentro do meu corpo. Era algo, que nunca tinha conhecido. O perfume inebriante daquele linda jovem, me deixava tonto. Seu sorriso, me encantava, pois era como observar um belo pôr do sol... meu olhos jamais haviam conhecido tamanha beleza, graça, e formas tão perfeitas.
Queria conhecê-la, saber o nome daquela criatura tão maravilhosa. Mas era impossível... pois ela era de um mundo diferente do meu.
Sabia que era filha de um poderoso lord. E este jamais permitiria que um simples vassalo com eu, me aproximasse de sua filha. De que forma poderia declarar minha devoção, se ela nem ao menos sabia de minha existência?
Era provavel que a linda jovem nem mesmo me conhecendo, desejasse ser minha. Afinal, ela era rica, tinha tudo o que o dinheiro podia pagar, e mais. Se nossa união se concretiza-se, jamais seria capaz de sustenta-la com tantos luxos. Portanto em meu interior, sabia que meu amor por aquela linda mulher, morreria comigo.
No entanto, a cada dia, a moça me enfeitiçava mais. Não conseguia tira-la dos meus pensamentos, dos meus sonhos, do meu dia-a-dia.
Logo passei a respirar apenas o ar que ela respirava. Sentia pouco a pouco perder o controle sobre minhas ações... temia que talvez pudesse passar do limite, ir falar com ela, quem sabe tentar enamora-la. Mas se o fizesse, provavelmente seria mandado para forca. Pois eu não era nada, e não deveria jamais me atrever a falar com a filha de um nobre.
No entanto, chegou um momento em que não pude mais resistir. Se não fosse falar ela, escutar sua bela voz, e ver aquele lindo sorriso, morreria. Não me importava mais a forca, não me importava mais a rejeição. A única coisa que realmente importava, era declarar-me independemente da resposta que ela poderia me dar.
Passei dias ensaiando, pensando numa maneira de contar a ela meus sentimentos. Mas nada parecia ser bom o suficiente. Estar a altura daquele belo ser. Na verdade, nem ao menos sabia seu nome, mas era tão apaixonado por ela, que daria de bom grado minha vida, em troca de seu coração.
Passei dois anos de minha vida, tentando lhe revelar meu segredo mais profundo, aquele sentimento proibido, que a tanto havia se apossado de mim. Mas nunca encontrei opurtunidade, era como se o destino conspirasse contra mim, e me afastasse cada vez mais de minha musa inspiradora.
Talvez naquele dia, o destino não estivesse prestando atenção, tivesse desviado seu olhar por apenas um segundo, pois em um incidente com um sangue-puro, que assustou-se ao ver uma cobra e saíu a galopar, carregando a razão de minha existência com ele, tive minha oportunidade de conhecê-la.
Eu havia perseguido o cavalo, então finalmente depois de algumas horas de perseguição, consegui salvar a moça dos lindos olhos azuis.
Apresentei-me como um de seus servos. Ela me olhou de uma maneira que ficará guardada para sempre em minha alma. Sua face, não demonstrou desprezo por minha pessoa. Apenas uma profunda gratidão, por tê-la salvado, e algo mais. Que incialmente não fui capaz de reconhecer...
Ela apresentou-se com o nome de Ângela. Me surpreendi ainda mais com seu jeito, pois em nenhum um momento, ela agiu de forma arrogante, como se quizesse demonstrar sua superioridade sobre mim. Não, pela maneira com que me tratava, ficou claro, que ela nos considerava iguais, independemente da nossa posição social.
Disse que a acompanharia até sua casa, tinhamos entrado muito na mata, e aquele não era o lugar para uma dama. No fundo fiquei surpreso com minha atitude, achei que fosse ficar nervoso, atrapalhado. Mas a presença dela, me passava uma confiança, eu sentia que poderia ser eu mesmo ao seu lado, não tinha nada a temer.
Caminhavamos tranquilos, conversando alegremente, e por vezes, quando algum animal fazia algum barulho, Ângela assustava-se e pegava em meu braço. Seus toques, me faziam o homem mais feliz do mundo.
Horas se passaram em um instante. Finalmente chegamos na casa dela, e seu pai olhou-me exatamente da forma que se pode esperar de um nobre: com profundo desprezo. Nem agradeceu-me. Mandou apenas que um de seus servos me dessem três moedas de prata por ter resgatado sua filha e que eu fosse embora.
Pensei que nunca mais falaria com ela depois daquele dia. Minha chance de revelar meu amor por ela, havia terminado e eu, ficado em silêncio.
Mas estava errado, pois depois daquele dia, a jovem tratou de arranjar um jeito, para que todos os dias pudessemos nos encontrar.
Tinhamos um lugar especial, que ficava dentro da mata, e lá conversavamos alegremente durante horas, sem medo de ser encontrados, ou de sermos julgados por nos misturarmos com pessoas de classes sociais tão diferentes quanto as nossas.
No ínico da primavera, quando completamos um ano desde a primeira vez que nos encontramos, tomei coragem. Ia contar para ela, meus verdadeiros sentimentos. No entanto, como sempre a garota surpreendeu-me.
O lenço que Ângela sempre carregava consigo, que fora de sua mãe, caiu no chão. Fiz mensão de pega-lo, no mesmo instante que ela. Nossas mão se tocaram. E foi a primeira vez que senti, que de alguma forma, a jovem também me amava.
Ela levantou sua linda face na altura dos meus olhos. Percebi que seu rosto estava corado e seus olhos tinham um brilho incomum.
Pouco a pouco nossos rostos se aproximaram, e então, nossos lábios se tocaram e acariciaram, em um beijo que ficará para sempre guardado em meu ser. Naquele dia, selamos nosso amor. Eu foi o homem mais feliz do mundo, por ter tido a sorte, de conquistar não só seu corpo, mas também seu coração. Ela estava disposta a ir contra os principios do pai, para que pudessemos ficar juntos.
Mas o destino, finalmente resolveu olhar para mim novamente. Pois um dos servos do pai de Ângela, que estava nas redondezas colhendo frutos para o jantar, nos viu. E como servo leal, tratou de contar tudo para seu mestre.
Naquele mesmo dia, à noite, enquanto aguardava minha amada retornar de sua casa, com a notícia de que já havia informado a seu pai, nossa decisão de permanecermos juntos para sempre, invadiram minha casa, e fui preso.
Fui colocado como um animal em uma jaula. Fiquei trancafiado lá durante 2 dias, onde fora me dado comida, que até mesmo os ratos rejeitavam.
Passado este tempo, com meu corpo já debilitado, me levaram até um local, onde o pai de Ângela, pode me interrogar. Na verdade, me torturar. E foi isto que ele fez com gosto. Vingou-se durante horas de mim, por ter arrancado, segundo ele, a pureza de sua filha. No entanto, a cada tortura, um único pensamento vinha a minha mente. Eu sempre havia pedido pelo amor dela, sem me importar com o preço. Isto, era apenas o que eu tinha desejado, e aceitava com orgulho, o que acontecia.
Passaram-se quatro meses... quatro longos meses sem ver minha amada, sem saber se ela estava bem... todos os dias que passei naquela prisão terrível, só valiam a pena, pois sabia que o coração de Ângela continuava a ser meu.
Mas então, veio a notícia, que a tanto tempo eu temía. Fui condenado a forca, por não saber meu lugar na sociedade, por ter tirado a pureza da filha de um nobre. Meu destino estava selado. E a sentença seria cumprida no dia seguinte.
Temí perder minha vida, sem ter visto novamente o rosto de minha amada.
Mas naquela noite, recebi sua visita. Em seu rosto, ví uma tristeza que nunca achei que ela seria capaz de demonstrar. Acariciei seu rosto e tratei de acalma-la, disse-lhe que ficava feliz em dar minha vida em troca de seu amor.
Ela não pode ficar por muito tempo.Só havia conseguido me visitar, depois de comprar metade dos homens que cuidavam da prisão onde eu estava. Mas antes de ir, ela revelou-me, que esperava um filho meu.
Jamais serei capaz de descrever a felicidade que senti, mesmo com minha morte iminente. Eu iria ser pai. A mulher que tanto amei, me daria um filho. Naquele instante, chorei como poucos homens fazem em sua vida, pois pela primeira vez, desejei mais do que tudo, poder viver e conhecer meu filho.
A noite passou rapidamente. E assim que o sol nasceu, fui levado para o centro da cidade, onde todos pudessem ver minha execução, para que assim eu service de exemplo.
Quando o carrasco colocou aquela corda ao redor de meu pescoço, minhas pernas tremeram. Daqui a alguns minutos, minha vida chegaria ao fim, e nunca mais poderia ver minha amada, ou conhecer meu filho.
Estava tudo preparado. A multidão parecia ansiosa para minha execução, na verdade, aquela situação toda, parecia divertir-lhes.
Quando meu executor colocou a mão na alavanca que abriria o alcapão que se encontrava em baixo dos meus pés, procurei em meio a multidão, um rosto conhecido. E ví, pela última vez aqueles olhos tão azuis que haviam me encantado. Morri no dia 21 de outubro de 1866. Mas minha morte não fora em vão. Minha vida pode ter sido arrancada de mim, apenas por eu ter amado uma mulher que para os padrões da sociedade jamais deveria ter sido minha, mas o que realmente importava, era que seu coração me pertecia, para todo o sempre, e que com a minha morte, outra vida surgiria, a vida de meu filho.

FIM

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Notas da Autora: Espero que tenham curtido essa fic original que escrevi. Meio trágico, eu sei, parece que eu gosto de fazer histórias deste tipo xD.
Achei que séria interessante colocar esta história na visão do homem, pois embora aqui ele não seja identificado com homem nenhum, acho que fica mais fácil se identicar com ele, e com os suas crenças, de que pelo amor, em palavras rusticas, vale tudo.
Era isso. Beijos para todos....^^


Capítulos de [Originais] Te amo

[07/10/06] Capítulo Único


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