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› Autor: ~Medeia
› Categoria: Animes/Saint Seiya
› Gênero: Hentai/Ecchi/Seijin - Yaoi/Lemon/Dark Lemon - Yuri / Romance e Novela. / Shoujo (Romântico)
› Personagens: Miro
› Classificação: 18+
› Adicionado em: 23/08/07
› Comentários/Favoritos 0/0
› Caracteres: 15.287
› Exibições: 186
NA: Olá para todos! Sou a Déia, amiga da Ephe e estou escrevendo uma fic do Miro de Escorpião, que em homenagem a “Visita Inesperada” tem uma certa ligação com a partida de Kâmus e Anuska. Como puderam perceber, é um romance (não consegui resistir!). Particularmente esta, está sendo muito divertida de escrever, já que nela Miro tem uma tia muito carismática e tagarela, da qual já se tornou minha personagem favorita da história. Sem mais enrolações, aí vai o prólogo:
PRÓLOGO
No decorrer de nossa jornada, abandonamos muitas pessoas e depois de algum tempo, algumas delas caem no esquecimento. Em compensação, vivemos o presente com tanta intensidade, que a partida de um amigo é absurdamente dolorosa e passamos a nos perguntar o quanto ficaremos sozinhos à partir dali. Cegos pela saudade, ignoramos o que nos restou e o que já abandonamos, sem se dar conta que em algum lugar, mesmo depois de tanto tempo, alguém pode estar sentindo uma saudade absurda de nós. E que este alguém, encontra-se absurdamente próximo...
Na verdade, às vezes o nosso futuro está invariavelmente ligado ao passado que renunciamos e preferimos esquecer para evitar a dor. E quando isto acontece, nem mesmo um Cavaleiro de Ouro pode fugir para sempre. Nem mesmo o próprio Escorpião pode evitar ser envenenado pelas mãos delineadoras do Tempo. Porque uma simples folha que cai no chão com o soprar do vento, será suficiente para mudar o curso de sua vida...
Capítulo I- Folhas que Caem ao Vento
O Suave frescor da manhã despertara o Santuário. Naqueles dias absurdamente tranqüilos, todos temiam sequer pronunciar a palavra paz. Miro sai à porta de sua casa para admirar o sol enfraquecido pelas nuvens. À poucos dias que Kâmus partira para a França e por mais que não gostasse de admitir, Escorpião sentia um vazio muito grande invadindo todas as doze casas. Principalmente num dia como aquele, seu aniversário. O velho amigo obviamente já lhe telefonara para felicitar-lhe e, empolgado, tecer um monólogo de meia-hora sobre como estava feliz com Anuska e do quão maravilhosa estava sua terra, a qual nunca mais abandonaria. Mas o fato era que sentia-se diferente após a partida de Aquário. A saudade era tanta que, sem perceber, vestira a mesma roupa que usara para ir ao desfile no Parthenon: a última vez em que conversara longamente com Kâmus diante das estrelas.
O vento do norte sopra pouco mais forte, trazendo algumas folhas da vegetação local, chamando atenção de Miro para um dos degraus em que uma delas caíra. Algo lhe incomoda naquela cena, como se devesse lembrar de algo que perdera-se nas profundezas da memória. Ele respira fundo, ainda com os olhos fixos na folha, os cabelos negros balançados pelo vento restante.
_ Puf... (suspiro) Antes que eu me esqueça, quero agradecê-lo pela companhia. Não teria conseguido chegar sem sua ajuda!
_ Não foi nada. É no próximo lance, senhora.
O olhar de Miro estreita-se, voltando-se para o horizonte quando sente, um pouco tarde, a cosmo-energia acolhedora de Mu.
_ Tia Madge?!
_ Exatamente, seu velho rapaz ingrato! Puf... Por pouco apenas o meu fantasma, mas que seja, cá estou eu! Deveria ser terminantemente proibido que uma senhora com a minha idade subisse tantos degraus para ver um sobrinho tão desnaturado como você, Ptolemaîos!
_ Tia! Porque não pediu para me avisarem? Eu descia para ver a senhora!
_ E desde quando você faz algum esforço para visitar a família, tão terrivelmente próxima daqui? Claro que sinceramente, eu não vinha...
Miro desce rapidamente os degraus restantes e a abraça forte, sentindo-se alegre e renovado pela visita.
_ Mesmo sabendo que completa 27 anos de vida e pelo menos 12 de ingratidão! Mas teve alguém me atormentou a semana toda para que eu a acompanhasse até aqui, depois de saber que as coisas estavam calmas para Athena. Não é mesmo querida?
Só então Miro percebe que ao lado de Mu, havia também uma bela moça que lhe sorria timidamente. Estava com um vestido vinho leve e solto, frente única. Seus cabelos castanho-escuros tocavam-lhe pouco abaixo dos ombros, formando grandes e densos cachos nas pontas. Os olhos negros estavam alegres e suaves, e deviam estar a observar-lhe desde que chegara. Mas não se recordava de conhecer tão bela moça. Até que ela lhe acena com a mão direita, ampliando o sorriso mais lindo de que se recordara. Sim, ele se lembrava daquele sorriso cheio de luz, mas era chocante demais dar-se conta disso, ela era tão menina e agora tão fascinante...
_ Ande, não fique aí parado! Vá abraçar a menina, ela é a única que ainda te considera na família! Vai, Miro! (Tia Madge)
Recobrando-se do transe, porém ainda vislumbrado pelo que via, Miro desce um pouco mais as escadas e segura a moça levemente pelos ombros.
_ Sofia, você está tão... linda. Tão bonita, tão moça... O tempo foi muito cruel comigo. Minha pequena priminha...
A moça parece desfalecer com as últimas palavras, como se fosse um detalhe do qual gostaria que fosse esquecido. Sem perceber a reação dela, ele a abraça repleto de saudade e de uma nova e estranha sensação que o incomodava tremendamente. Mu sorri levemente, e vai-se em silêncio com um aceno amistoso.
_ Feliz aniversário, Miro. Sentimos muito sua falta.
Ela o abraça mais forte, recostando-se em seus ombros. Gelada, sente seu estômago embrulhar e um nó na garganta tomar toda sua consciência.
_ Tive tanto medo de perdê-lo... Tanto medo de não voltar a vê-lo vivo...
_ O que não deixa de ser uma grande besteira, Lídia! Desde quando um Ptolemaîos se vai tão fácil?! Ainda mais uma raça tão ruim quanto a do teu primo Miro! Sorte a sua não partilhar deste sangue afinal, ou estaria tão furiosa com ele quanto eu.
Miro afasta-se da prima, incomodado com o arrepio que lhe descera pela espinha com suas palavras. Ele ri-se, percebendo o quanto as broncas de sua tia lhe fizeram falta naqueles anos todos. Os três sobem inconscientemente o lance de escadas na direção da oitava casa.
_ Ora tia, você sabe muito bem porque não entrei em contanto com vocês! Eu...
_ Sei, sei! Sei exatamente, seu magrelo descarado! Só não entendi porque nunca nos fez uma visita depois das guerras terem amenizado! Um telefonema, Miro! Um telefonema e saberíamos ao menos que estava bem!
A simpática senhora de baixa estatura, um pouco fora de peso, tão pálida quanto Sofia e de cabelos tão negros quanto Miro, apontava-lhe o indicador furiosamente.
_ Ok, tia me desculpe. Você tem razão, sou incorrigível.
Ao virar-se novamente, percebe Sofia pegando a folha que anteriormente chamara sua atenção.
_ Aliás, a rebeldia parece reinar até mesmo na perfilhada de seu tio Egídio! Não sabe como foi difícil convencê-la a vestir-se com gente! Ultimamente só se veste como se fosse a algum velório ou festa do dia das bruxas e pra piorar fica ouvido aquelas porcarias horríveis e barulhentas, trancada no quarto o dia todo! Sua tia Ágata está a ponto de enlouquecer!
Girando a folha nas mãos, Sofia sorri meio sem jeito de olhar firme dirigido à tia.
_ Pode ser barulhento, mas não horrível, tia Madge. E não são porcarias, são clássicos. – e com olhar divertido para Miro, finaliza - Ela sempre implica quando escuto rock.
_ Talvez se ouvisse numa altura saudável, eu não me preocupasse tanto com sua audição, sua pequena rebelde!
_ Não sou rebelde, apenas sozinha.
Chegando na porta da casa, Escorpião abre caminho para que suas convidadas entrem em seus aposentos.
_ Miro, você precisa me ajudar com essa menina! Não tem amigas, namoradinhos ou coisa que o valha! Alguns até se arriscam em bater à porta, mas você por um acaso acha que ela os atende? Hunf. Não tem do que reclamar, Sofia. Você é que escolheu assim. Uma menina tão jovem como você não deveria ser tão reclusa!
_ Gosto de ficar só, com meus pensamentos.
_ Ah, Deus nos ajude, Miro! Deus nos ajude!
_ Não liguem para a bagunça, não costumo receber boas visitas. Por favor, sentem-se.
_ Obrigada, aceito com prazer, estou morta! Parece até que paguei algum tipo de promessa. Sofia, por que você não larga essa folha e entrega a seu primo o que comprou há mais de um ano?!
_ Mais de um ano?! Isso é sério?
_ Exagero da titia.
Madge fica indignada por alguns instantes com a resposta da sobrinha, mas conteve-se em responder, sabendo que a tinha constrangido com aquele detalhe. Sofia coloca a folha dentro da bolsa e dela retira uma pequena caixa preta. Miro sente-se enrubescer ao notar-se observando o cruzar de pernas da prima e procura recompor-se antes de ser notado. Sofia abre a caixa e entrega a Miro. Dentro dela, em uma corrente de ouro muito discreta, pendia um pequeno pingente, símbolo do signo de Escorpião.
_ Obrigado, Sofia. Não devia se incomodar.
Sofia troca um olhar com a tia, que a aprova. A moça levanta-se para colocar a corrente no cavaleiro. Miro remexe-se na cadeira, incomodado com as mãos de Sofia em seu pescoço.
_ Obrigado mais uma vez, Sofia. Gostei muito. – ele aperta a mão esquerda da prima oferecendo-lhe um sorriso. - E como vão todos, tia Madge?
_ Não muito diferentes de quando você partiu, apenas mais velhos e doentes. Seu tio Georgio continua com a fazenda, que prosperou e ganhou alguns alqueires a mais. Seus outro tios, continuam morando naquelas casas distribuídas ao redor da fazenda, ajudando da maneira que podem. A Berenice conseguiu terminar a faculdade e tem dado aulas de piano particulares, quando não está no Hospital. (Madge)
_ O tio Adônis é que tem viajado muito, procurando compradores novos para colheita do final de ano. (Sofia)
_ É um Aécio, querida. Eis aí uma família que nunca aterrissou em algum lugar por muito tempo, sempre enxergando novos horizontes de caça. (Madge)
_ É bem verdade! E os seus pais, Sofia?
_ Ah, eles estão bem.
_ Enlouquecendo com esta menina, Miro! Não sabem o que fazer pra que ela se relacione com as pessoas da idade dela! E o pior é que eles acham que ela ficou assim, depois que você...
_ Tia! Não tem nenhum problema ser um pouco diferente. E meus pais adotivos não estão enlouquecendo, só um pouco preocupados à toa. Papai ajuda com os animais e a mamãe tem feito algumas compotas pra vender. No mais, é exagero da tia Madge.
_ A mesma família unida e batalhadora de sempre... Que saudade daquela bagunça!
_ A escolha foi sua, Miro. (Madge)
_ É, eu sei, tia. E não me arrependo. Sinto muita saudade de todos, mas se voltasse no tempo, minha escolha ainda seria a mesma. Claro, que tentaria não magoar a minha priminha, como acabei magoando, mas... Sofia?
_ Ah, deixe. Deve ser uma das faltas de ar dela. Às vezes parece uma claustrofóbica, mas não é nada sério. Sabe o que eu estava pensando? Gostaria muito que seus amigos viessem almoçar conosco, eu mesma posso preparar. O que você acha?
_ Não precisa se incomodar, tia.
_ Deixe de ser anti-social! Quantos são mesmo, contando com o mestre do Santuário? Onze?
_ Dez, já que um dos nossos partiu há alguns dias. Mas não sei se o Saga poderia vir.
Sofia saíra pelo lado oposto da casa de escorpião. Encosta-se na pilastra, tentando conter a respiração acelerada. Sua mente vagava sem controle enquanto segurava forte um anel que pendia em seu pescoço, perdida no passado em que tinha apenas três anos.
_ Já estou indo, Sofia. Mas não vou esquecê-la, nem quero que se esqueça de mim.
_ Por que você vai embora?
_ Eu já te expliquei, Sofia. Pelo mesmo motivo que tenho treinado tanto e ficado fora quase todos os dias.
_ Você não gosta mais de mim.
_ Não diga bobagem. Olha só o que eu trouxe pra você!
_ Esse anel é muito grande.
_ Eu sei, por isso ele está nessa corrente. Para que quando tenha a minha idade, você possa usá-lo.- Miro coloca cuidadosamente a corrente na criança.
_ Você vai demorar tanto assim pra voltar? Mas você é meu namorado, não pode ir embora!
_ Não, Sofia. Sou seu primo. E talvez eu nem volte, pequena.
_ Você volta sim! E quando voltar, eu vou estar grande e você vai poder namorar comigo.
_ Não posso te prometer que volto, mas vou tentar. E eu não posso namorar com você, princesa!
_ Pode sim! Eu vou ficar aqui te esperando!
_ Sofia, não é simples assim. Logo você vai entender porquê. Você é muito...
_ Então vai embora, mesmo! Você nem gosta de mim! Vai me esquecer e não vai voltar nunca mais, então vai embora!- a pequena Sofia começa a chorar e o empurra, antes de correr para longe.
_ Sofia, espera!
Lágrimas corriam livremente por seu rosto pálido. Fica ali por muito tempo ainda, sem conseguir controlar os soluços. Ela fora tão ingênua, tão idiota de voltar a vê-lo com as mesmas esperanças da infância...
Aioros saíra da nona casa, ainda rindo de seu irmão. Acabara de receber um telefonema de Leão falando sobre uma linda moça que iria ver Escorpião; que ele deveria vê-la e, quem sabe, descobrir quem ela era. Estava achando tudo aquilo no mínimo uma ousadia, quando flagra um vestido vinho encostado na pilastra da casa de Escorpião. Aioros fica parado, por alguns instantes, admirando sua beleza jovial e tão tipicamente grega. Mas por que ela estaria ali sozinha, se viera visitar o aniversariante? O sol escapa das nuvens por um momento, e um brilho passa pelo rosto da moça. Não eram apenas os raios, eram lágrimas. Sagitário não se contém ao ver aquele rosto triste e caminha até Sofia silenciosamente. Sofia sequer o nota, parecendo muito longe.
_ Desculpe pela pergunta idiota, mas está tudo bem?
CONTINUA...
CRIANÇA
A tua presença me encanta
Em teus olhos vejo uma criança
Que ainda não aprendeu
Em sua madura ingenuidade
Esperar a chegada
Do seu verdadeiro grande amor.
( Fernando B. Gasparetto)
“ O lago de dúvidas se infiltra no assoalho
lavando as máscaras de antigos tormentos
ruídos da rua cinzenta onde alguém
sozinho se lamenta.
Não sei se fantasmas vão se apoderar de mim
E me obrigar a ouvir melodias que ninguém
ouve e ver quadros que ninguém pintou.”
(Trecho da poesia “A Sombra do fogo”, de autoria de Rodrigo - Ursulão).
NA: Bom, esta é a primeira parte da história. A seguir nós vamos ter uma pequena interferência de Aioros, e é claro, “o almoço”!
Como eu já disse antes, espero que gostem e perdoem o tamanho reduzido. Vou procurar fazer os capítulos um pouco curtos pra que eu tenha tempo de ir preparando a continuação sem deixá-los esperando por muito tempo. (Tenho um pouco de amor à vida! Rs...)
Bom, até a próxima!
;Déia
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[21/09/07] IV- Porque é Preciso se Cuidar do Broto...
[21/09/07] V - ...Pra que a vida nos dê flor...
[23/09/07] VI - ...E fruto
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