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› Autor: ~Joyblack
› Gênero: Ação, Aventura e Luta / Comédia / Romance e Novela.
› Personagens: Naruto, Hinata, Hiashi, Sasuke, Sakura, Neji e outros.
› Classificação: 18+
› Adicionado em: 10/08/07
› Comentários/Favoritos 31/50
› Caracteres: 33.254
› Exibições: 4.287
Nota:
Capítulo XIX – Sentimentos enterrados vivos
O relógio marcava meia-noite em ponto. O silêncio reinava sobre o clã Hyuuga. Não se podia ouvir nenhum outro som além do vento que balançava as folhas das árvores e os grilos que cantarolavam do lado de fora. Tudo parecia mergulhado em uma profunda paz. Só parecia.
Em seu grande quarto, Hinata permanecia acordada. Olhou para o calendário. Vinte e sete de Dezembro, seu décimo oitavo aniversário. Todavia para ela não havia motivos para comemoração ou alegria. A partir daquele momento em diante, contava apenas com vinte e quatro horas. Depois disso, teria que renegar tudo o que conquistara em sua última semana de liberdade, sua última semana de vida, em troca da estabilidade de sua família. Por um momento desejou ardentemente que seu pai tivesse nascido um pouco depois que seu irmão. Desejou também possuir o selo que amaldiçoava a Bouke, mas que para ela nada mais seria que uma prova de seu desimpedimento. Se Neji fosse o herdeiro e não ela, sabia que provavelmente não haveria motivos para não ficar com Naruto. Mas o destino pregara uma peça e escolhera-a, não um gênio, mas alguém normal, para liderar o clã mais antigo de Konoha. Não que odiasse sua família, muito pelo contrário. Se não a amasse tanto, se não a respeitasse tanto, deixaria tudo para trás e iria em busca de sua felicidade. Mas os laços de sangue falam mais alto. Não queria envergonhar seu pai diante de toda vila, nem impor a Hanabi uma obrigação que legitimamente é sua.
Não. Não iria fugir. Ia continuar vivendo, drenando toda sua existência das lembranças que tinha conseguido ao lado de seu grande amor.
Todos aqueles pensamentos lhe arrancaram o sono. Então, se levantou. Em cima da prateleira onde Nemo nadava tranquilamente, a roupa cerimonial com a qual tomaria posse pela manhã repousava como uma mortalha. Seria uma cerimônia fechada, apenas para os membros do clã. Nem mesmo à Hokage seria permitido assistir. Depois que tudo acabasse, procuraria Naruto. Não sabia exatamente o que iria dizer. Toda vez que pensava em algo, uma dor profunda tomava de conta de seu peito, obrigando-a a adiar a decisão. Na hora que estivesse cara a cara com ele, saberia o que ia dizer. Ou pelo menos esperava saber. Tocando com a ponta dos dedos no quimono de seda branca, pensou em qual seria a reação de Naruto. Uma lágrima solitária escorreu por sua face. Seria uma lágrima de tristeza, medo ou conformação? Não sabia dizer. Como também não podia imaginar o que ele faria diante de sua despedida. Entenderia? Sofreria? Ou simplesmente iria dar de ombros e continuar sua vida? Ainda não sabia ao certo o que ele sentia por ela. Mas duvidava que fosse amor. Não se aprende a amar em poucos dias. Ela o amava, não havia dúvidas. Sempre o amara, durante toda sua vida.
“Naruto-kun... O que você sente por mim? Queria tanto saber... Será que vai sentir minha falta? Será que lembrará de mim?” pensou.
Talvez fosse melhor não descobrir jamais. A ignorância é uma benção para os sonhadores. A salvação dos tolos. Cultivara uma ilusão durante aquele período e não pretendia destruí-la, nem abrir mão dela. Limpou a lágrima do rosto e já se preparava para voltar para a cama, quando ouviu uma pancada surda no chão. Olhando assustada para a fonte do barulho, viu um enorme e gordo sapo verde que acabara de pular de sua janela para dentro do quarto. Levando a mão ao peito, como que para controlar seus batimentos cardíacos, falou:
- Oh, é só um sapo... Você me assustou amiguinho... Mas como conseguiu abrir essa janela?
- Ah, foi fácil! – disse o sapo.
Hinata levou a mão à boca horrorizada. Não pelo fato de um sapo falar, mas a forma com que ele falou.
- Essa voz...
O sapo desapareceu numa nuvem se fumaça, dando lugar a um sorridente Naruto.
- Feliz aniversário, Hinata-chan!
- N-Naruto-kun... O-O que f-faz aqui...?
- Queria ser o primeiro a te desejar parabéns!
Uma felicidade doce tomou conta do coração da garota, misturando-se com o medo. Rapidamente fechou a janela e verificou o corredor.
- Como você conseguiu chegar até aqui? – perguntou sussurrando.
- Ué, como sapo. Ninguém usa o byakugan num sapo.
- Neji-nii-san usaria. Sua sorte é que ele não está aqui essa noite. Você se arriscou muito.
Ele abriu mais ainda o sorriso, coçando a cabeça.
- Hehe... Na verdade eu sabia sim que ele não estaria aqui hoje.
- Como?
- Você vai descobrir. É só se arrumar e me acompanhar.
- Acompanhar? Pra onde?
- Confie em mim. Venha.
Hinata confiava. Não sabia o que exatamente Naruto queria dizer com aquilo, mas estava muito feliz por ele estar ali. Quando começou a procurar uma roupa, afinal não podia ir de pijama, ouviu nitidamente passos que se aproximavam de seu quarto. Seu coração começou a bater mais rápido.
- Naruto-kun! – ela murmurou apressada – Rápido, entre aqui!
Naruto se levantou num pulo e entrou dentro do armário dela. No momento que Hinata fechou-o lá dentro, a porta do seu quarto foi empurrada por Hanabi, que entrou sorrindo sem pedir licença.
- Ah, eu queria acordar você! – falou desapontada – Mas, tudo bem, serei a primeira a desejar um feliz aniversário!
Hanabi a abraçou fortemente e entregou um lindo embrulho.
- Presente para mim? Não precisava Hanabi...
- Abre logo!
Era um lindo estojo de maquiagem inserido em uma caixinha de madeira onde, esculpido em alto relevo, se encontrava o símbolo do clã Hyuuga.
- Que lindo... Obrigada.
- Para você ficar muito linda hoje na sua posse... – e dando um beijo na bochecha da irmã, acrescentou – Agora vá dormir, senão amanhã você estará cheia de olheiras! – e saiu do quarto tão intempestivamente quanto entrara.
Quando os passos de Hanabi pararam de ecoar pelo corredor, Hinata abriu novamente o armário. Naruto parecia estar se sentindo bastante desconfortável. Saiu com dificuldade, tropeçou em uma meia-calça e caiu de cara no chão, coberto de roupas.
- Você tem roupas demais. – reclamou ele se levantando – Mas foi por pouco hein? É melhor não corremos mais riscos. Vamos logo.
- C-Certo. E obrigada pela ajuda. – brincou ela tirando um vestido que estava na cabeça dele – Eu não via esse vestido há tempos. Vou com ele mesmo.
Eles saíram furtivamente pela janela do quarto dela e correram silenciosamente pelas sombras da noite, sem perceber que dois olhos os observavam.
Logo estavam fora dos domínios do clã Hyuuga e adentrando pelas ruas de Konoha, vazias àquela hora.
- Pra onde vamos?
- Não posso contar. Nem você pode ver. – e tirou dos bolsos uma venda – Não vale usar o byakugan, hein?
Naruto passou a venda pelos olhos de Hinata e passou a guiá-la pela mão. Andaram durante vários minutos, ziguezagueando sem parar até ela não saber exatamente para onde estava indo.
- Naruto-kun...
- Calma, estamos chegando. Cuidado com o degrau.
Ela sentiu o ar na noite dar lugar a um ambiente mais quente. Podia ouvir murmúrios também, mas não conseguia distinguir as vozes.
- Pronto!
A venda foi retirada de seus olhos. Uma luz forte foi projetada na sua vista naquele momento.
- FELIZ ANIVERSÁRIO!!!!
Estavam na casa de Sakura e todos seus amigos tinham comparecido. Agora diversos braços a abraçavam e diversas bocas a cumprimentavam. Tinham planejado uma festa. Uma festa para ela. Seus olhos imediatamente se encheram de lágrimas.
- Ah, não vale chorar Hinata! – exclamou Sakura abraçando-a – Fizemos isso para te deixar feliz! E se você começar a chorar, eu vou acabar chorando também!
- Nós tivemos que fazer agora já que mais tarde vai ter a cerimônia do seu clã e não daria tempo. – esclareceu Sasuke.
- P-Puxa g-gente... E-Eu n-não s-sei o que dizer...
- Não diga nada então. – falou Ino – Apenas aproveite a festa!
Logo ligaram o aparelho de som e começou a rolar o cd do Asian Kung Fu Generation a um volume bem agradável.
- Acho que isso vai virar nossa trilha sonora. – disse Naruto dando um copo de refrigerante a ela.
- Acho que sim...
- Hinata-sama, feliz aniversário.
Neji viera parabeniza-la depois de todos os demais. Tinha ficado esperando uma oportunidade quando só estivessem somente ela e Naruto.
- Neji-nii-san, que bom que você está aqui!
- Foi ele quem me disse onde encontrar as armadilhas para não cair nelas quando estivesse indo buscar você.
- E eu mesmo irei rearmá-las em maior quantidade e mais lugares depois de hoje. – decretou inflexivelmente.
- Chato! – falou Naruto caindo na risada depois disso.
Hinata observou sua festa. Surpreendeu-se com a quantidade de pessoas que estavam ali. Até Temari, que ela achava que já tivessem voltado para a Vila da Areia, estava presente ao lado de Shikamaru que bocejava abertamente. Sasuke ajudava Sakura servindo as bebidas e os salgadinhos. Tenten e Lee cochichavam alguma coisa no canto da sala, enquanto Kiba fazia Akamaru realizar gracinhas para Soichiro, que apesar de parecer mais a vontade na presença do animal, ainda mantinha uma distancia segura. Shino também estava lá e mantinha uma conversa absorta com Kakashi para total chateação de Shizune. Ino e Sai pareciam estar dedicando à festa para constranger Chouji, o perguntado sobre sua nova namorada. Tudo refletia descontração e alegria. Uma batida na porta alertou que mais alguém chegara. E para completar a alegria de Hinata, o time três, acompanhado por ninguém menos que Kurenai e Asuma, entraram.
- Kurenai-sensei! – exclamou a garota abraçando-a.
- Feliz aniversário, Hinata. Eu não perderia isso por nada nesse mundo.
- Mas e o bebê?
- Gravidez não é doença. – falou Asuma rindo.
- Hinata-sensei! Feliz aniversário!
Todo o time a abraçou, inclusive Makoto, e a presentearam com uma bela jaqueta.
- Obrigada. Vocês não precisavam se preocupar comigo...
- Claro que precisávamos! – reclamou Suzumi – Que espécie de alunos seríamos se nem ao menos lembrássemos de nossa sensei?
- Eles não são os únicos. – disse Kurenai dando outro presente para ela.
- Obrigada Kurenai-sensei...
Sakura olhou toda aquela movimentação e exclamou chateada.
- Ei não era hora dos presentes ainda!
- Deixa Sakura. – disse Sasuke – Vamos dar logo o nosso a ela.
O presente deles foi um lindo porta-retrato, com uma foto tirada no dia do show, em que aparecia ela, Naruto, Sakura e Sasuke.
- Nossa é lindo...
Hinata recebeu mais presentes que jamais havia ganhado de uma vez só. Temari lhe dera um belo leque, Ino e Sai um buquê de rosas, Shino, um livro, Kiba e Soichiro uma sandália, e Lee junto com Tenten deram uma blusa verde.
- Puxa gente, não sei o que dizer.
- Então não diga nada. – disse Neji entregando o dele, uma caixinha de música.
Naruto chegou bem perto de Hinata e disse no ouvido dela:
- O meu vou dar quando eu for te deixar em casa.
Seu rosto começou a corar rapidamente e ela respondeu de volta:
- Você não precisa me dar nada, Naruto-kun...
- Que espécie de namorado eu seria se não te desse nada?
Namorados. Era a primeira vez que ele se referia assim a ela. Porém, ao invés de alegria, Hinata sentiu uma grande dor no peito.
- Bem vamos voltar para a festa! – exclamou Sakura animada.
A comemoração foi até, mais ou menos, quatro da manhã quando todos começaram a se retirar pedindo desculpas, já que no dia seguinte trabalhavam normalmente.
- Amanhã tem treino, sensei? – perguntara Makoto.
- Não, não terá. Vocês estão de folga.
O garoto saíra comemorando sob os protestos das colegas.
- Boa sorte Hinata. Vemos-nos amanhã! – despediu-se Sakura quando ela saiu acompanhada por Neji e Naruto.
No caminho em direção ao clã Hyuuga, Neji pegou as sacolas que continham os presentes que Hinata ganhara e falou:
- Irei à frente me certificar que tudo está tranqüilo. Não entre na propriedade até eu vir buscá-la Hinata-sama.
- Certo Neji-nii-san.
E deixou-os a sós.
- N-Naruto-kun... Obrigada por tudo hoje.
- Não tem o que agradecer. – disse ele coçando a cabeça – Fiz por você o que tenho certeza que você faria por mim...
Hinata o beijou longamente. Era bom estar com ele, abraça-lo e beija-lo como fazia naquele momento. Depois do beijo, o olhou longamente.
- Naruto-kun, e-eu preciso f-falar algo...
- Hinata-sama – Neji voltara – é melhor irmos agora enquanto tudo está tranqüilo...
Não sabia se ficava feliz ou chateada com a interrupção. Optou pela primeira opção. Diria em outra hora. Olhando para o primo, respondeu:
- Ah, certo.
- Hinata, sua cerimônia vai até que horas? – perguntou Naruto interessado.
- Hã... Não sei bem. Até à tardinha imagino.
- Quando terminar, posso ir buscá-la para a gente comemorar mais?
Ela considerou por um instante. Tinha até meia-noite.
- S-Sim pode.
- Então irei.
- Hinata-sama, se apresse.
- Certo.
Naruto lhe deu um rápido beijo e entregou um pacote.
- Só abra quando estiver sozinha! – e piscando o olhou, foi embora acenando.
Fez exatamente o que ele mandou. Depois de passar por toda a casa furtivamente com Neji e voltar ao quarto, abriu o presente de Naruto. E mais uma vez as lágrimas vieram aos seus olhos. Usando um gorro de dormir idêntico ao de Naruto, a kyuubi de pelúcia que ela admirara no dia do show, sorria inocente. Hinata abraçou seu presente. Não existiam dúvidas em seu coração. Jamais amaria outro homem em sua vida.
*************
- Está tudo pronto, Hiashi-sama.
- Certo. Pode se retirar. Vamos dar inicio a cerimônia.
Todos os Hyuuga aguardavam ansioso. Chegara o momento que a grande maioria não esperava. Para as pessoas mais rígidas do clã, a posse de Hinata nada significa além se meras formalidades a serem cumpridas. Duvidavam da capacidade como líder que ela poderia manifestar, cientes que, bem ou mal, Hiashi ainda tomaria as decisões mais importantes por um bom tempo até que Hanabi pudesse governar à sombra da irmã. Tinham esperanças também que a futura líder contraísse matrimônio o mais rápido possível, e que seu marido, um Hyuuga da Souke, acabasse por tomar seu lugar pouco a pouco.
Contudo, Hiashi não pensava assim. Sabia das limitações de sua filha e almejava que, após sua nomeação, ela começasse a se esforçar como a mesma determinação que tinha mostrado anteriormente e conquistasse a confiança de todos. Claro que não descartava um bom casamento para ela e já começara a ver os pretendentes mais apropriados.
Hinata entrou na sala de cerimônia. Em seu quimono branco e com os cabelos presos no alto da cabeça, ela parecia um anjo saído dos céus. Apenas seus olhos traiam sua aparente serenidade. Por um momento, Hiashi sentiu uma pontada no peito. Sabia o motivo daquela dor contida e amaldiçoava a existência do “moleque-raposa” com toda sua alma.
“Se ao menos você não se parecesse tanto com ela, Hinata... Se ao menos eu soubesse que você poderia ser feliz...”.
A garota parou em frente ao pai. Ajoelhando-se até encostar a testa no chão, falou:
- Estou aqui, meu pai, para cumprir minha obrigação de servir ao clã até o fim de minha vida.
- Levante a cabeça.
Hinata obedeceu e olhou para o pai. Em um breve instante, visualizou a hesitação dele. Esperançosa, falou para que apenas ele pudesse ouvir:
- Pai, eu te imploro. Serei a melhor líder que já existiu nesse clã. Farei de tudo para nossa prosperidade. Permita-me apenas viver o meu amor.
Hiashi suspirou.
- Sua obrigação é para com o clã, Hinata. Você já me deu sua palavra, lembre-se. Cumpri minha parte do acordo. Agora cumpra a sua.
Ela baixou sua cabeça.
- Se ele a amasse, eu poderia entender o seu pedido... – murmurou Hiashi.
Não podia contestá-lo. Apenas abaixou a cabeça, conformada. Sabia que seu pai jamais voltaria atrás no que dissera. A hesitação que vira provavelmente fora fruto do seu desespero.
- Vamos dar continuidade à cerimônia.
Do lado de fora da propriedade, no alto de uma árvore, Naruto observava inutilmente a mansão Hyuuga. Gostaria de saber o que se passava lá dentro, que espécies de rituais faziam para a nomeação, se havia juramento e principalmente, o que mudaria na vida de Hinata a partir daquele dia. Estava preocupado. Sabia que ela sempre temera aquele momento, apesar de nunca ter falado nada pra ele. Mesmo assim, Hinata estava lá, enfrentando seu maior medo. Naruto ficou orgulhoso de sua coragem e sorriu.
- Rindo sozinho?
Sasuke acabara de chegar em seu habitual traje da anbu e tocou seu ombro. Parecia preocupado
- Você sabe que não devia estar aqui. – censurou.
- Sei, sei. Mas não podia ficar em casa.
Olhando ao redor atento, o chefe da anbu advertiu:
- Há outros anbus por aqui Naruto. Hyuuga Hiashi requisitou nossos serviços à Hokage-sama justamente para evitar bisbilhoteiros como você.
Naruto suspirou.
- Vai me expulsar pardal?
Sasuke riu.
- Como te expulsar se não estou vendo nada além de uma árvore aqui?
- Obrigado, Sasuke. - disse agradecido.
E voltou seu olhar para a casa.
- Eu gostaria de poder ver alguma coisa. Saber o que se passa lá dentro...
- Podemos arranjar isso.
Ativando seu sharingan, Sasuke passou a narrar ao amigo tudo que podia ver sobre a cerimônia de Hinata. Não era muita coisa, pois apesar de poderoso, o sharingan não tinha tanto poder de percepção quanto um byakugan. Mas pelo menos ele soube que foi uma cerimônia muito bonita, simples e que Hinata parecia tranqüila.
- Me sinto bem melhor agora. – falou ele quando Sasuke lhe dissera tudo.
- Acho que já esta acabando. – disse desativando sua linhagem – Melhor você ir agora.
- Tem razão. Vou em casa tomar um bom banho para ficar bem bonito para poder sair com ela daqui a pouco.
- Então vá o mais rápido possível, porque pra você ficar bonito vai demorar uma eternidade!
- Hahaha, engraçadinho...
*********************
A cerimônia finalmente chegara ao fim. Depois de feitas todas as formalidades, agora Hinata era oficialmente a líder do clã Hyuuga. Quando, dias atrás, pensara sobre isso, um mal-estar invadia todo seu interior. Naquele momento, todavia, era como se uma dormência tivesse tomado de conta de seu corpo e de sua alma. Não se sentia diferente, nem desesperada. Apenas triste. Parecia que ainda não tinha ainda se dado conta do que precisaria fazer em poucas horas. Ou então, propositalmente, sua mente bloqueara tudo pra que seu coração não parasse de bater repentinamente. Como se fosse uma sombra voltou para seu quarto. Olhando-se no espelho, viu sua imagem como se visse um filme de horror. Aquela era sua prisão, pensava enquanto admirava o quimono de líder. Uma prisão de onde não havia escapatória. E justamente por ele lembrar de seu cruel destino, decidiu se encontrar com Naruto usando ele mesmo. Para lembrar de sua promessa.
Não havia mais ninguém em sua casa quando ela sentiu que era hora de ir. Porém, quando estava quase na porta, ouviu uma voz atrás de si.
- Onde está indo, Hinata?
Não precisou se virar para saber a quem pertencia aquelas palavras.
- Indo cumprir minha promessa, pai. – falou firmemente.
- Sábio de sua parte. Você tem até a meia-noite.
- Eu sei.
E ainda sem olhar para trás, saiu em direção à tarde que se desfazia no horizonte. Atrás da porta que levava à sala, Neji ouviu o breve dialogo. Sua mente então o alertou que havia algo errado. De que promessa falara Hinata-sama? E por que saíra de casa logo após sua posse? O que faria? Quando pensava em segui-la para obter suas respostas, Hanabi o encontrara.
- Neji! Viu como foi uma cerimônia bonita? Agora minha irmã é a líder do clã! Sabe o que isso significa?
- Sei. Entramos em uma nova fase dentro do clã Hyuuga. Uma fase que, acredito eu, vai mudar muita coisa aqui...
- Não é nada disso, bobo! Significa que você deve obedecer tudo que minha irmã ordenar. E sabe qual vai ser a primeira coisa que eu vou pedir a ela?
- O quê, Hanabi-sama?
- Que ela ordene que você se case comigo.
Neji suspirou.
- Acho que seu pai está nos esperando. – desconversou ele chateado. Se fosse agora atrás de Hinata, provavelmente Hanabi iria também. Era melhor entretê-la até que pudesse sair.
Doce engano. Neji não conseguiu fazer com que a garota largasse dele um só momento. Então ele não pôde saber o que se desenrolava longe dali. Mas estava decidido a descobrir. Nem que tivesse que passar a ouvir todas as conversas daquela casa por trás da porta.
***************************
Naruto esperava ansioso. Precisava saber como estava Hinata. Mas os minutos se transformaram em horas e ela ainda não aparecera. De pé, à porta da propriedade do clã Hyuuga, olhava para o céu como se esperasse algum aviso. E ele realmente veio quando a tarde morria, em forma de suaves passos que se aproximavam. Ele virou rapidamente a cabeça. Hinata saia pelo portão, sorrindo. O coração dele disparou.
- Naruto-kun...
- Hinata... – ele segurou suas mãos – Você está linda...
- Obrigada... – agradeceu corando.
- Bem... Para onde você quer ir? Podemos ir ao Ichiraku ramen, no restaurante de Konoha... Ou na cidade vizinha... Você escolhe.
Ela pensou por um momento.
- N-Não i-importa o l-l-lugar, Naruto-kun... T-Tudo que eu quero é e-estar com v-você...
Naruto sorriu aliviado.
- Que bom... Na verdade eu não tava com muita vontade de enfrentar um lugar cheio, sabe? Queria poder ficar mais a vontade com você... Sei um lugar perfeito.
- Que bom...
- Vamos então.
De mãos dadas eles passaram a percorrer o caminho que levava para saída de Konoha. Fora dos limites da vila, ele parecia querer levá-la até onde treinava seu time todos os dias. Mas não era. No meio do caminho ele parou de repente. Voltando-se para ela, perguntou:
- Você lembra?
Sim, ela lembrava. Era o lugar onde ele tinha dito que gostava dela. Onde tinham trocado seu primeiro beijo. Onde o sonho começara.
- Foi aqui que nos beijamos pela primeira vez...
Ele confirmou com a cabeça.
- Não existe melhor lugar para nós, não é mesmo? Venha, vamos nos sentar aqui.
Sentaram-se debaixo de uma antiga árvore, cujos galhos frondosos chegavam até chão, oferecendo um esconderijo caso algum curioso aparecesse. Ele a puxou para seu colo, acomodando-a entre suas pernas e abraçando-a.
- Então, como foi sua posse? – perguntou ele sem cerimônia.
Uma sensação desconfortável que não combinava com aquele momento se instalou em seu coração. Hinata agradeceu o fato dele não poder ver seu rosto naquela hora.
- Foi uma cerimônia normal. Nada demais.
- Estou abraçado com a líder do clã Hyuuga! Que honra! – brincou ele.
- Não. Você está abraçado com Hinata. Apenas Hinata.
Ele notou o tom sério que ela usou ao falar essas palavras.
- É melhor assim. Hinata deve ser mais agradável que a líder do clã. Mas se você começar a falar como Neji, vai se arrepender...
- Por que vou me arrepender?
- Por que farei cócegas em você até não poder mais!
E começou a fazer cócegas na cintura dela. Hinata pôs-se a rir, tentando fugir das mãos dele sem muito sucesso. Depois da brincadeira, ele decidiu fazer a pergunta que o incomodara o dia todo:
- Hinata...?
- Sim, Naruto-kun?
- O que mudará em sua vida a partir de agora?
Hinata não esperava aquela pergunta. Sua voz desapareceu totalmente de usa garganta.
“Não” pensou ela desesperada “Ainda não!”.
- Não quero falar sobre isso, Naruto-kun. Não agora. – desconversou.
Estranhado a maneira sombria com que ela lhe respondera, Naruto deu de ombros. Se Hinata não estivesse à vontade de falar, não iria obrigá-la a isso. Por isso, começou a falar de assuntos bobos e rotineiros a partir daquele momento. Ele começou a contar de tudo que tinha acontecido durante aquele dia que ela se afastara da rotina da vila. Contou que Suzumi tinha se sentido mal depois de comer muito doce e Sakura a atendera no hospital, falou que conhecera a namorada de Chouji, uma menina muito simpática e que morava na capital, comentou surpreso o possível relacionamento entre Tenten e Lee, que tomara conhecimento graças a Tanaka, o dono da livraria, e também que Iruka-sensei parecia estar apaixonado por Ayame, a filha do dono da barraca de ramen.
- Tomara que eles casem! – disse Naruto – Assim eu vou poder comer ramen de graça na casa de Iruka-sensei!
- Ela gosta dele? – perguntou Hinata interessada.
- Ele ainda não teve coragem de se declarar. Mas acho que ela gosta sim, pois sempre põe uma porção extra de macarrão no ramen dele... Sortudo...
- Ah, você preferia que ela colocasse uma porção extra de macarrão no seu prato? – perguntou em um falso tom de raiva.
- Sim, quero dizer, não... Ah, você entendeu!
- Entendi não, especifique.
Naruto corou.
-Bem, não é que eu queira que ela goste de mim, - falou encabulado - mas eu queria mais ramen e... – ao notar que ela ria da expressão dele, falou – Você ta fazendo de propósito!
- Fazendo o que?
- Ah, você sabe...
- Sei o que? – perguntou ela sem conter o riso.
- Ah, você quer brincar? Então toma!
E começou novamente a fazer cócegas nela.
- Pára! Pára! – pedia ela já com lágrimas de riso rolando pelo rosto.
- E o que eu ganho em troca?
- Hahaha... O que... hahaha você quiser...hahaha...
Ele parou abruptamente com a brincadeira.
- O que eu quero já está aqui...
E pegando no rosto dela, puxou-o delicadamente na direção de sua boca. Um calmo e delicado beijo se iniciou. Com a nuca encostada no peito dele, Hinata tinha que levantar a cabeça para poder beijá-lo. Naruto estreitou os braços ao redor de sua cintura. Com uma das mãos, Hinata passou a acariciar os cabelos dele. Não demorou muito tempo para que ambos percebessem que aquela posição era incômoda. Interrompendo o beijo momentaneamente, Naruto virou Hinata para que ela pudesse ficar de frente para ele.
- Naruto-kun... Eu...
Ele colocou os dedos sobre os lábios dela, interrompendo-a. E sem dizer nenhuma palavra, retomou o beijo interrompido, porém de forma mais intensa, mais angustiada. A cada novo encontro de lábios, uma necessidade de ficar mais perto, de ficar mais próximo, surgia dentro deles. Naruto a beijava com ânsia e volúpia, como se estivesse se alimentando de sua alma. Hinata correspondia oferecendo seus lábios com total desimpedimento, sem se importar com a fúria devastadora que começou a sentir emanando do corpo dele. Deixou-se levar por todas as sensações que começaram a brotar dentro de si. Quando sentiu a boca dele mordiscar seu pescoço, não conteve o gemido que escapou por entre seus lábios.
Ele então mergulhou em direção ao seu colo e, com as mãos trêmulas, abriu o quimono branco. Começou a provar da pele macia com a língua, sentindo o gosto do corpo de Hinata, com a sensação de jamais ter experimentado algo tão inebriante. Continuou descendo até chegar aos seus seios. Primeiro acaricio-os com as mãos delicadamente, afrouxando mais ainda a roupa dela, para depois envolvê-los em uma infinidade de beijos. Ouvindo a respiração dela se tornar pesada, ele levantou os olhos, buscando seu olhar.
- Peça para eu parar – murmurou ele com a voz rouca – e eu pararei.
- Não.
A escuridão que tomava conta do lugar era como o anjo da guarda para Hinata. Não podia ver o rosto dele com clareza, nem ele podia ver sua face em chama. Todavia, não era tempo de timidez, era o tempo de viver intensamente. Mas mesmo pensando assim, não pôde esconder o tremor de suas mãos. Agarrou as pontas da camisa dele e puxou-a para cima. Naruto conteve seu gesto. Segurou firmemente as mãos frias e olhou no fundo de seus olhos.
- Hinata... Se começarmos, não sei se terei forças para parar... Não quero machucá-la... Nem obriga-la a nada...
Hinata retribuiu o olhar dele com a mesma intensidade.
- Minha alma pertence ao clã Hyuuga. Meu destino está preso aos laços de sangue que decidiram minha vida. Mas esta noite, ao menos por essa vez, meu corpo me pertence. E eu quero dá-lo a você, Naruto-kun.
Naruto não entendeu o que aquelas palavras significavam, mas sabia o que ela queria dizer com seus olhos. Deixou que Hinata tirasse sua camisa e passou a admirar a forma com que ela acariciava seu peito. Quando os dedos dela chegaram ao selamento em seu umbigo, ele estremeceu.
- Dói? – perguntou ela.
- Não...
Naruto buscou mais uma vez aqueles lábios úmidos, enquanto inclinavam-se abraçados em direção à grama fria. Lentamente despiu-a de seu quimono, enquanto explorava o corpo macio com suas mãos. A cada toque, atentava para os tremores de Hinata, procurando descobrir onde toca-la de forma mais intensa, onde devia acariciar para que ouvisse as palavras murmuradas sem nexo de sua boca. Sua vontade era possuí-la intensamente, sem barreira ou empecilhos. Mas tinha medo de assustá-la ou feri-la. Dominou os instintos que queriam tomar sua vontade, mergulhando seu rosto entre os cabelos que já haviam se soltado de seu penteado e absorvendo seu cheiro.
Hinata deixou suas mãos percorrerem as costas dele, arranhando levemente com suas unhas. Ele arqueou para trás sentindo um intenso desejo tomar de conta de seu corpo. Tornou a beijá-la, aprofundando o contato entre as peles, sentindo os batimentos acelerado de seu coração. Não podia agüentar mais.
Em um gesto brusco, arrancou o resto das roupas que atrapalhavam aquele contato íntimo e a trouxe para junto dele, sentindo o cheiro doce de seu perfume.
- Naruto-kun...
Seus corpos começaram a se movimentar no mesmo ritmo calmo, seguido as batidas compassadas dos dois corações, com a respiração embaçando o ar frio da noite, sem nenhum medo ou receio. Hinata se sentiu preenchida, arrebatada por um mar de sensações desconhecidas que surgiam a cada momento. Envolvia Naruto com seu corpo e sua alma, saboreando aquele mágico e misterioso acontecimento, enquanto seus olhos podiam ver, acima de suas cabeças, o céu cintilado de estrelas e a lua, que parecia velá-los. Continuaram a se explorar mutuamente durante horas, começando de novo e de novo até se darem por satisfeitos e exaustos.
Deitado com a cabeça sobre os seios dela, Naruto sorriu. Nunca tinha experimentado um contato tão intimo e completo com alguém daquela forma. Fechou os olhos por um momento, se embriagando com perfume que se desprendia do corpo dela. Era tudo tão novo e atraente para o rapaz, que ele decidira que não poderia jamais se privar de Hinata em sua vida.
No instante que Naruto decidia que queria ficar ao lado de Hinata, ela olhou mais uma vez para o céu. A lua já se encontrava na metade de seu percurso. Era hora de por fim a tudo. Remexeu-se impaciente embaixo dele.
- Ah, desculpe Hinata. – ele pediu em um tom carinhoso – Devo ser muito pesado para você...
E se levantou buscando aliviar a pressão sobre o frágil corpo, esperando que ela voltasse a se deitar com ele sobre a relva. Mas Hinata não voltou. Levantou-se cautelosamente e pôs a vestir suas roupas. Por um momento Naruto não entendeu o gesto repentino.
“Ela deve estar com frio” pensou levantando-se também e vestindo sua roupa. Enquanto estava de costas para ela colocando sua camisa, sentiu os braços dela envolvê-lo por trás.
- Naruto-kun...
Ele virou e encarou-a. Quão grande não foi sua surpresa quando viu a dor estampada em seus olhos.
Hinata pôs as mãos em sua nuca e puxou seu rosto para perto do dela. E com lágrimas nos olhos, disse:
- Nossa história acaba aqui. Adeus...
Um calor intenso se espalhou pelo corpo de Naruto, partindo do lugar onde as mãos de Hinata se encontravam. De repente, sentiu que perdia o controle de seus movimentos e que sua mente começava a ficar enevoada. Começou a cair lentamente no chão se livrando das mãos que haviam provocado aquilo. Com os olhos entreabertos, a visualizou indo embora, suas costas voltadas para ele.
- Hi...na...ta... – murmurou antes de perder definitivamente a consciência e mergulhar nas trevas.
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Capítulo fresquinho, próxima semana tem mais! o/
[19/03/07] Capitulo I - Um péssimo dia
[19/03/07] Capitulo II – Posso te ajudar
[25/03/07] Capitulo III – O primeiro passo é o mais difícil
[18/04/07] Capítulo IV – Vamos! Avante!
[18/04/07] Capítulo V – Eu me preocupo com você
[18/04/07] Capitulo VI – Perda de tempo
[30/04/07] Capítulo VII – É só um mal entendido!
[02/05/07] Capítulo VIII – Como se fosse ontem
[03/05/07] Capítulo IX – Entre amigos
[18/05/07] Capítulo X – Borboleta abatida
[25/05/07] Capítulo XI – Assumindo erros
[01/06/07] Capítulo XII – Sonhos possíveis
[15/06/07] Capítulo XIII – Após a tempestade
[22/06/07] Capítulo XIV – Sonhos de uma noite de verão
[29/06/07] Capítulo XV – Tempo Perdido
[06/07/07] Capítulo XVI – Ao seu lado
[14/07/07] Capítulo XVII – Mestre e discípulo
[10/08/07] Capítulo XIX – Sentimentos enterrados vivos
[21/09/07] Capítulo XVIII – Lugar Distante
[23/09/07] Capítulo XX – Conseqüência de seus atos
[23/09/07] Capítulo XXI – O Tempo não pára
[23/09/07] Capítulo XXIII – A dor do silêncio
[25/09/07] Capítulo XXII – Três vezes Três
[17/11/07] História Extra I
[06/03/08] Capítulo XXIV – O cravo e a rosa
[06/03/08] [Naruto] O Tempo e a Esperança - Capítulo XXIV – O cravo e a ros...
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