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[Saint Seiya] Esta Noite Como Lembrança

Capítulo 9_Perturbações_


Autor: ~shina

Categoria: Animes/Saint Seiya

Gênero: Hentai/Ecchi/Seijin - Yaoi/Lemon/Dark Lemon - Yuri / Romance e Novela.

Personagens: Shieyu e Shunrei

Classificação: 18+

Adicionado em: 27/07/07

Comentários/Favoritos 8/7

Caracteres: 15.368

Exibições: 4

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Shiryu caminhava devagar, fitando o chão barrento coberto por pequenas pedras avermelhadas. A cachoeira ainda estava longe, e desejava não chegar tão rápido lá, assim poderia pensar melhor no que dizer quando a encontrar. Lembrou-se da conversa que teve com Dohko, que o perturbara tanto na noite anterior...

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-Boa noite, Mestre. Posso entrar?
-Claro... – Dohko desviou o olhar do papel amarelado e velho que lia com interesse.
-Sinto que o senhor quer falar comigo.
-É verdade... Desde que chegou não consegui falar a sós com você. – ele sorriu amigavelmente, vendo Shiryu sentar-se a sua frente.
-Creio que seja sobre Lumina. – falou receoso pela resposta.
-Também, mas antes quero matar a saudade de meu discípulo.
Os dois riram um para o outro. Fazia tempo que Shiryu não falava com seu Mestre, pelas cartas não poderia contar tudo, pois Shunrei saberia de muita coisa que somente Dohko deveria saber.
-Lumina é uma boa moça... – comentou desfazendo o sorriso – Tem certeza que está pronto para casar?
-Sim, Mestre. – sorriu assentindo com a cabeça – É o que mais quero.
-Eu vejo que não. – falou desviando o olhar de seu discípulo.
-Por que pensa isso, Mestre? Se for por causa de um lugar, já moramos em Nova Yorque. O apartamento...
-Não, não é por isso. O que me preocupa é o fato dela ser uma filha de Themícera¹...
Shiryu se sobressaltou. Encarou Dohko com certo receio em responder. Abaixou a cabeça, fitando as mãos sobre a mesa escura.
-Eu... Sempre soube disso. – falou baixo. – Mas, não há problemas. Hipólita...
-A rainha não pode deter se suas amazonas escolhem outro caminho a ficarem sob um pedestal de soberania e guerras. Mas, e se Lumina escolher voltar? – Dohko encarava com mais seriedade seu pupilo – Creio que não pensou nisto, não é mesmo, meu caro Shiryu?
-Não. – resmungou mais baixo do que antes – Isso nunca me passou pela cabeça. – suspirou – Ela parece tão feliz ao meu lado que essa possibilidade sempre foi nula!
-Ela demonstra que gosta muito de você. Porém você se esquece de alguém que o ama. De verdade.
-Shunrei... – sussurrou.
-Ela está sofrendo. Por sua causa. E você o que faz?
-Mas... Mestre, eu nunca fiz... – Shiryu se espantou com o modo ríspido em que Dohko o tratara, mas não conseguiu argumentar, foi interrompido pelo mesmo.
-Shunrei anda chorando escondida. Magoada. Mas não quer lhe mostrar o quanto está sofrendo, pois não quer que você fique triste por ela. – ele suspirou pesadamente – aquela menina te ama... Ama como uma mulher, não como sua irmã.
O aperto no peito e o sentimento de culpa lhe tomaram repentinamente. Encarou seu Mestre por um longo tempo em silêncio. Parecia atordoado, sem saber realmente como agir dali para adiante.

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Parou ao vê-la sentada na margem do rio. A trança comprida caia para um lado das costas finas. Estava curvada a olhar alguma coisa na margem. Sentia-se confuso com tudo que aconteceu quase que instantaneamente na sua vida. Quando conhecera Lumina nem imaginava o quanto uma mulher poderia trazer sensações desconhecidas a um homem. Naquele tempo Lumina era sua inimiga, apesar de tê-lo tratado cordialmente, não passava de uma inimiga. Lutaram naquela tarde chuvosa, cruzando suas espadas, Lumina sempre fora louca, como é agora. Ela o convencera a pegar o espada, o irritou a tal ponto de ele a atacá-la, e se ela não estivesse com a armadura das amazonas teria morrido. Mas desde aquela luta Lumina já sabia o que queria. O provocou do inicio até o ultimo momento, e, apesar de... Dois anos? É talvez fosse este mesmo o tempo que passara desde que a vira pela ultima vez, até se separarem novamente, ela não se importou. Ma agora Lumina não estava mais como amazona, e sim uma mulher que não odeia os homens, tanto é que já perdera a conta de quantos namorados já teve. Mas nunca, nunca desistira dele. Será este o fascínio? O poder que Lumina exerceu a ponto de mudá-lo tanto? Por ela ter lutado e demonstrado que o queria, mesmo quando não tinha chances? Levou a mão à testa e a levou até os cabelos negros penteando-lhes com os dedos longos. Queria livrar-se de todas essas indagações. Estava ali para falar com Shunrei. Reparar o seu erro. Mas, suas pernas não se moviam.
Ela levantou e, ao levantar o rosto, encontrou os olhos assustados dele. Abaixou o olhar sentindo o rosto enrubescer com violência. Recuou devagar para poder tomar um outro caminho. Assim que se virou, sentiu a mão forte dele segurar seu braço.
-Por favor, me escute. – falou a puxando para mais perto – precisamos conversar.
-Me deixe Shiryu... – soltou-se da mão dele e começou a caminhar.
-Shunrei! – a alcançou fazendo-a parar - Eu não queria te magoar... Mas não da pra voltar no tempo e evitar o que aconteceu ontem.
-Não me magoou. – Virou para encarar novamente aqueles olhos serenos – Estou feliz por ter sido com você. O homem que eu escolhi para amar. – sorriu para ele ao perceber a frustração em seu rosto – Foi inevitável. Por que nós dois queríamos. Mas, não sou tão ingênua a ponto de não perceber que você gosta realmente de Lumina.
-Eu a induzi. Se não pedisse para ficar ao seu lado... Se... Se eu não tivesse gritado com você naquela hora...!
-Não há como mudar o passado, mas há como mudar o presente. – sorriu novamente e voltou a caminhar tranqüila, mas com pesar. Só ela sabia o que seu coração estava sofrendo em proferir tão frias e superficiais palavras. Não mentiu em dizer que ela também quis. Se havia um culpado nesta historia era ela. Afinal, Lumina só conseguiu o que ela mesma não pode alcançar. Ou ela mesma nunca se esforçou para que ele notasse. A noiva de seu amado viera apenas para conhecê-la, não para disputá-lo, como Shunrei demonstrou fazer. Não nega que estava morrendo de ciúmes por Lumina está lá, lado a lado com Shiryu, lugar que antes pertencia a ela. Agora, é tarde para conseguir o afeto dele. Eles terão um filho.
A viu sumir por entre a estrada. Sem entender. Por que ela agira daquela maneira tão DISSIMULADA? O que houve na noite anterior entre eles deveria tê-la a balado muito. Principalmente o fato de Lumina estar grávida. Uma noticia que viera na hora errada. Shunrei nem lhe dera tempo para perguntar o motivo de toda aquela confusão. Lumina não dissera nada.

Shunrei entrara. A casa estava silenciosa. Desejava profundamente não encontrar Lumina, nem mesmo o Mestre. Na angustia que estava apenas queria ficar sozinha. Caminhou até seu quarto, mas recuou rente a porta fechada. E se Lumina estiver ali? Abriu-a com cuidado e sorriu aliviada a ver a cama vazia. Entrou e trancou a porta. Deitou-se em sua cama, olhou para o teto semi-iluminado pelo sol. Passou os dedos nos lábios, e passou pelo pescoço. Nunca mais sentiria aqueles lábios em sua boca, em seu corpo.
“Ele disse que me ama... Muito” – um lagrima sorrateiramente caiu no colchão. – “Mas de que me servirá este amor se é com a outra que ele vai casa?”.
Suspirou profundamente sentindo as lagrimas escorrerem de seus olhos. Por que deixou que ele a tocasse, que a beijasse que a tomasse para si? Talvez, se estivesse dito não doeria menos do que dói agora.
“Chega de chorar, Shunrei!”. – sentou e começou a enxugar as lagrimas – “Se não pode ficar com ele, ao menos mostre estar feliz por ele”.
Com esforço esboçou um sorriso, embora embargado, aparentava “felicidade”. Andou pela casa a arrumando. A noite anterior foi conturbada. Foi até a cozinha. Tinha que se apressar. Estava caminhado já para duas da tarde e não fizera nada para poderem se alimentar. Assim que o almoço aprontou levou as panelas para a mesa e ajeitou os pratos. Foi até o quarto do Mestre e, batendo na porta, o chamou.
-Mestre – a voz soou tremida - Mestre o almoço está pronto.
-Ahh, Shunrei. – falou ao abrir a porta. –Pensei que passaria à tarde na horta.
-Eu planejei isso, mas lembrei-me de que tenho um Mestre para eu cuidar.
Riram com suavidade. Dohko sabia que sua querida filha não estava bem. Isso queria dizer que Shiryu não conversara com ela, e se o fizera, não soube como agir. Seguiu para a sala, não queria magoá-la mais com perguntas.

Lumina estava deitada, sonolenta. Espera ansiosamente que Shiryu abrisse aquela porta e viesse até seus braços. Mas não acontecera. Estava faminta, mas não queria estar junto com Shunrei naquela mesa. Principalmente ela, a amazona do Circulo da Lua² sendo derrotada por um acaipira que sabia somente fingir-se de boa menina. Só em pensar em Shunrei seus nervos ferviam. Não imaginaria que, logo uma garota criada em Rozan, poderia competir à altura com ela a atenção de um homem. Ninguém nunca a vencera nisso, então, o que a chinesa tem? Ela é tão... Sem sal e magricela, baixa e irritantemente “boazinha”. Isso perturbava muito Lumina, seu ego não a deixava aceitar que Shunrei, mesmo sem chegar aos seus pés, sem ter seu corpo e sua sensualidade (N.A. que modéstia dessa Lumina, hein?), poderia conquistar Shiryu! Maneou a cabeça negativamente na tentativa de espantar tais pensamentos.
“Eu vou me casar com ele! EU darei um filho a ele! Nesta luta Shunrei já não tem mais chances! Já venci!”.
Levantou-se com um meio sorriso nos lábios e caminhou até a porta, quando a abriu deparou com Shiryu. Ele estava preocupado. Fitou-o com tamanha intensidade que percebeu o quão ele ficou incomodado. Pensou em Shunrei. Tinha certeza que ele havia falado com ela depois que se ausentara da sala.
“Mas o que está havendo contigo? Shunrei é uma carta fora do baralho, não vale mais”.
-Nosso vôo foi cancelado. Está chovendo muito forte em Hong Kong. Liguei para saber quando iria está liberado e disseram que não há previsão certa. Vamos ter que ficar por mais alguns dias.
-O quê?! Três dias já está sendo um inferno, Shiryu!
-Por culpa sua! – falou fechando a porta.
-Minha?! – sentou cruzando as pernas – Vai me dizer que eu me arranhei e pus a culpa na sua idolatrada “irmã”? – Shiryu não gostou do modo desdenhoso como ela se referira a Shunrei - Achou que eu não descobriria?
-Lumina, eu posso explicar! Eu e Shunrei... – o coração de Shiryu pareceu que havia parado de bater, e em sua cabeça martelava a culpa de ter transado com sua “irmã”.
-Até quando mentiria para mim dizendo que aquela caipira era sua irmã?! Me fala?!!
-Ãh?... – sorriu aliviado – É isto...
-É simples para você, não é? Ela fica se oferecendo para você e apenas sorri. Francamente....
-Lumina, Lumina! Calma. – Shiryu a enlaçou – Acabei de vir do vilarejo... As estradas estão danificadas. As chuvas estão fazendo vários estragos.
-Isso quer dizer que mesmo que nosso vôo estivesse disponível não conseguiríamos sair de Rozan? – enlaçou o pescoço dele encostando o rosto no pescoço dele.
-Sim – Shiryu acariciou a cintura fina da jovem que o guiava para a cama lentamente. Lumina o fez sentar e se sentou no colo do noivo.
-Quanto tempo?
-As chuvas não vão parar por agora....
-Quanto tempo, Shiryu?! – o interrompeu afastando seu corpo do corpo dele.
-Quase um mês.
Lumina levantou-se abruptadamente. Franziu o cenho e cruzou os braços. Andou para o lado e depois voltou para o mesmo lugar. Encarou-o por alguns instantes e falou já estressada:
-Não quero ficar! Está aqui na companhia de Shunrei é horrível!
-Lumina, não seja...
-Não é exagero!!! – gritou – Olha o que ela fez em meu rosto! Você mesmo a ouviu dizer que me odeia!
-Então pare de provocá-la! – ele levantou a encarando severamente – Eu a conheço e sei que gosta de provocar qualquer um!
-Não jogue a culpa em mim!Se eu fiz do que fiz foi por culpa daquela caipirinha desmiolada! E sua também! Fica andando de mãos dadas para cima e para baixo com ela! Eu existo, sabia!
-Chega Lumina, Chega! – Shiryu nunca foi de se exaltar, mas Lumina o estava tirando do serio nesses últimos três dias – Não me importa se foi você ou Shunrei, eu simplesmente quero que pare de provocá-la! - ele virou para a porta e, antes de sair, olhou para ela – e não houve um dia que eu não me lembrasse de você.
Assim que ele saiu Lumina ajoelhou rente a cama e socou o colchão com fúria. Sabia que ele estava daquele jeito por causa de Shunrei. Não sabia como ela fazia isso, mas iria acabar de uma vez com essa brincadeira, e acabaria definitivamente com Shunrei.



1 – Themícera é a ilha paraíso das amazonas, que são comandadas pela rainha Hipólita.
Lumina é uma personagem que foi desenvolvida por mim em outra fic (a minha grande segunda fic). Esta é a “Fênix Negra- A Espada de Hades. No decorrer da historia Shiryu e os outros cavaleiros, incluindo a “tropa” dourada, vão parar nesta ilha, e Shiryu e Lumina acabaram se encontrando. E como ele já explicara tudo:Lutaram enquanto ela o seduzia sem saber que ela gostava realmente dele.

2 – Na escalação das amazonas existem oito grandes generais, que inclui Lumina, elas formas o circulo do poder, força esta que protege a ilha, e seus golpes são relacionados a estes círculos. O de Lumina, o “Circulo da Lua” é um que combina exatamente com sua paixão:Armas cortantes(principalmente espadas) são navalhas em forma de lua crescente.


N.A.: Uhuuuuu! Enfim consegui terminar este capitulo. (há dois dias atrás tinha cinco linhas ¬¬) Eu espero sinceramente que gostem dele, está um pouco dramático. E não se espante com a frieza de Shunrei, afinal ela faz isso pelo bem de seu amor. Ué! Não dizem que quem ama faz tudo por esta pessoa? Eu estou começando a ficar com pena da Shunrei.
Estava lendo os capítulos anteriores (vez ou outra tenho que fazer isso, acabo sempre esquecendo alguns detalhes que escrevo. ^^) e comprovei que a Shunrei vai morrer desidratada de tanto chorar T.T... Mas percebi que ela está sofrendo muito por causa do canalha do Shiryu (convenhamos, ele transou com ela e finge que nada aconteceu e nem contou para a noiva!). Acho que estou abusando da serenidade dessa doce chinesa.
Te o próximo capitulo!




P.S.: Genteeee, por favor, não fiquem bravos por eu demorar tanto a postar... Esses tempos tava atolada de coisas no meu trabalho, mas assim que consegui tempo livre TERMINEI A FIIIIIIIIIIIIC!!!!!! Oooops! O capitulo ^^



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