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Fanfics


[Love Hina] Fotografia

Capítulo Seis


Autor: +Nah

Categoria: Animes/Love Hina

Gênero: Drama (Tragédia) / Romance e Novela.

Personagens:

Classificação: 12+

Adicionado em: 06/07/07

Comentários/Favoritos 4/2

Caracteres: 8.596

Exibições: 5

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AnimeSpirit:

 




Fazia três meses desde o enterro de Naru. Keitaro sentiu-se no começo como vivendo um sonho, tendo que conviver com Motoko todos os dias, e sofrendo por isso. Sentiu raiva dessa culpa que sentia, e observou as mudanças que ocorreram na samurai, com uma pontada de ciúme. As faces dela voltaram a ser coradas, o brilho voltou ao seus olhos, e a viu sorrir mais de uma vez. Que houvera?

Embora não percebesse, Motoko passou a pensar muito menos em Naru. No início, fora muito difícil conviver com Keitaro e com o remorso de um pecado que não cometera. Com o tempo, no entanto, essa idéia de que era pecadora se dissipou. O via, mas não sentia-se mais tão triste ou deprimida. Não tivera culpa, tivera?

Levara a vida para frente. Fora muito mais fácil com as meninas da pensão ajudando-a, especialmente Shinobu com suas palavras tão certas e doces e Kaolla com seu jeito feliz de ser, mesmo na tristeza.

Foi um dia em que se olhara no espelho que notara a diferença. Olhou satisfeita, observando-se de alto a baixo. As faces mais coradas, estava menos magra, quase voluptuosa. Os cabelos brilhantes e longos, recém-cortados, emolduravam um rosto bonito e delicado. As mãos pequenas não estavam mais cheias de machucados por seu treino intensivo. Sentiu-se satisfeita consigo mesma. Não precisava sofrer mais por algo que não fizera.

- Motoko! Vamos! Temos cinema daqui a quinze minutos, já está pronta?

- Quase! Shinobu-chan, me ajuda a pôr maquilagem?

Shinobu sorriu, ajudando a amiga.

- É a última vez que ensino!... – ameaçou, rindo.

Motoko sorriu-lhe, ficando séria depois para que a amiga lhe aplicasse maquilagem. Shinobu ficou concentrada, muito séria durante todo o “trabalho”. Tinha movimentos precisos e delicados, que Motoko achava graça. A moça aprovou o resultado, quando Shinobu finalmente acabou. Saíram correndo, atrasadas. Entraram na sala do cinema, já com o filme começando.

- Atrasadas! – disse Kitsune, rindo.

- Como sempre! – repreendeu Kanako, com um olhar de repreensão. Voltou-se para Shinobu, ainda séria – Keitaro vem?

- Ele disse que vinha.

Motoko olhou para Shinobu com clara surpresa estampada no rosto.

- Keitaro virá?

- Claro! Obrigamo-lo a isso. Ele está começando a definhar, de tanto que ficar trancado na pensão. Daqui a pouco criará raízes! – respondeu Kanako.

- Mas ele logo vai embora – Motoko sentou-se, olhando para a irmã de Keitaro. – Ele disse que ficaria conosco tempo suficiente para se equilibrar emocionalmente e ter condições de voltar para Tóquio.

- Realmente – concordou Shinobu. – Mas isso não o impede de ir ao cinema, certo? Vai ajudá-lo a equilibrar as emoções.

Motoko lançou a ambas um olhar de dúvida. Conhecia Keitaro o suficiente para ter dúvidas quanto ao fato de que ele concordara espontaneamente a divertir-se pouco tempo depois da morte da esposa. Era mais fácil que ele ficasse em seu quarto, culpando-se eternamente por Naru. Ele, no entanto, surpreendeu-a, aparecendo para ver o filme.

Sentou-se ao lado de Motoko, já que as meninas haviam ocupado todos os outros lugares da fileira. A jovem sentiu um leve estremecimento. Apesar de terem propositalmente escolhido uma comédia pra assistirem, Motoko não o viu rir uma vez sequer. Estava frio e impassível na sua cadeira, tão sóbrio como se estivesse, ao invés de comédia, assistindo a um drama. Sentiu-se incomodada.

- Sorria! – disse.

Ele olhou para ela, parecendo assustado.

- Sorrir?

- Sim! Faz bem à vida. Não adianta, Keitaro, viver uma vida de remorsos por algo que você não fez. Viva, seja feliz! Eu sei que Naru faz falta e que você a amava. Mas já é hora de você começar a viver sua vida novamente, caso contrário acabará num manicômio. Tristeza não faz bem, só leva à loucura.

Keitaro olhava para a samurai com um olhar tão atônito que ela ficou imaginando se teria dito alguma besteira. Corou, achando-se incrivelmente fútil. Era a primeira vez que falava com Keitaro desde que se viram naquele dia chuvoso, e abrira a boca para dizer algo tão sem sensibilidade. Virou-se para sua cadeira, sem real consciência do que se passava pela mente do rapaz.

Ele ficou mirando a bela jovem, tão alegre e espontânea, como não a via a tempos. Culpar-se por algo que ele não havia feito? Será que ela sabia de seu amor tão contido e pecaminoso? Balançou a cabeça, negativamente. Ela não deveria saber. Estava tão inocente e de mente limpa que não poderia saber do que realmente o fazia definhar dia a dia.

Mas falara sabiamente. Viver na infelicidade apenas o faria enlouquecer. Mas que podia fazer? Fora culpado pela morte da esposa, em sua opinião. E jamais se permitiria viver em paz novamente, sob o peso dessa culpa. Seus olhos umedeceram e sentiu um nó na garganta. Tão perto para tocá-la, mas tão longe de tê-la!

- Motoko-chan...

Ela se virou, um pouco tímida.

- O quê?

Keitaro virou-se para frente, rígido.

- Não me diga para ser feliz...

- Por que não?

As mãos dele começaram a suar. Era hora de contar. Só assim poderia fazer com que Motoko o odiasse tanto quanto pensava merecer. Keitaro odiava-se dia após dia, e odiava-se ainda mais por não ter tido a coragem de contar a ninguém. Motoko merecia saber.

- Eu sou responsável pela morte de Naru, Motoko.

Motoko ficou extática. Seu lábio inferior tremeu de leve.

- Keitaro... não, você não é... foi um acidente...

- Por que você acha que Naru sairia de casa em plena madrugada?

Motoko mordeu o lábio, numa vã tentativa de fazê-lo parar de tremer. O máximo que conseguiu foi ficar mais nervosa. O que Keitaro queria dizer? E por que dizê-lo naquele momento, daquele jeito?

- Talvez estivesse chateada... ou precisasse de ar fresco...

- Ou talvez o casamento que ela estivera vivendo até então fosse uma grande mentira... movida por razões que são totalmente inaceitáveis e incompatíveis com o modelo de marido que ela merecia...

- Que está dizendo, Keitaro?

- Que eu amava outra mulher...

Motoko juntou as mãos, nervosa. Mirou-as, tentando não olhar para Keitaro. Sentia o olhar dele pesar sobre si.

- No dia em que minha esposa faleceu – continuou Keitaro, frio – Ela havia descoberto em minhas coisas, fotos e declarações de amor. Para outra mulher. Antes de expiar, uma das últimas coisas que ela me disse, é que eu fosse feliz com ela.

A jovem samurai estava completamente tensa. Lágrimas quentes desceram de seus olhos e rolaram por sua face macia.

”Por que está me contando isso, Keitaro?”

- Mas eu não posso ser feliz. E com essa mulher, muito menos. – a voz do rapaz era inflexível, sem emoção. Seu interior, no entanto, era a antítese. Sofria muito para contar isso, especialmente para Motoko.

- Por que não? – perguntou a moça, com a voz embargada pelo choro.

- Não percebe? – ele se aproximou de Motoko, que se afastou, quase com repulsa. Talvez fosse medo? Talvez não. – Eu fui a causa da morte de Naru! Se tivesse amado-a, ela teria sido feliz. Eu a teria feito feliz. Mas nunca a amei, Motoko, nunca!

- Não se pode forçar um coração a amar...

- Mas pode-se negar um pedido de casamento e evitar ser a razão de infinda tristeza e desesperança de alguém.

Motoko virou o rosto para o outro lado, escondendo-o por entre os cabelos. Shinobu, ao seu lado, não deu sinais de que notava o constrangimento e agonia da amiga.

- Por que me diz isso, Keitaro?

- Porque você é a única que deve saber...

- Eu? – ela se virou para ele, com os olhos úmidos. – Por que eu?

Keitaro hesitou. Deveria dizer-lhe? Não queria fazer com que Motoko sofresse, por algo que não fizera.

- Por que está me dizendo tudo isso, Keitaro? – ela insistiu, segurando-o pelo pulso.

Ele encarou-a nos olhos, tocando-lhe a face branca. Enxugou uma lágrima da face da moça.

- Porque a mulher que amo é você, Motoko Aoyama...


Capítulos de [Love Hina] Fotografia

[17/04/07] Capítulo Um

[26/06/07] Capítulo Dois

[30/06/07] Capítulo Três

[30/06/07] Capítulo Quatro

[04/07/07] Capítulo Cinco

[06/07/07] Capítulo Seis


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