Carregando...
› Ferramentas
› Divulgue
![]()
› Autor: +Nah
› Gênero: Drama (Tragédia) / Romance e Novela.
› Personagens: Naru, Keitaro, Motoko, Kitsune, Shinobu, Kaolla
› Classificação: 12+
› Adicionado em: 04/07/07
› Comentários/Favoritos 1/1
› Caracteres: 8.120
› Exibições: 278
Nota:
O quarto onde a jovem samurai estava era muito diferente do seu. Estavam na cidade em que Keitaro e Naru tinham morado, num hotel cinco estrelas, que lhe parecia muito impessoal. Era tudo muito arrumado e limpo, parecia limpar sua alma, e ao mesmo tempo, lembrar-lhe constantemente o motivo de estar lá. Uma lágrima quente rolou por seu rosto. Fazia isso com freqüência ultimamente, pensar em Naru e sentir-se culpada por ter querido e amado seu marido. Sentiu-se ainda pior no dia em que se encontraram, pois descobrira que ainda o amava, talvez mais ainda do que antes.
Motoko ouviu baterem na porta. Kaolla entrou, sorridente, acompanhada de Shinobu, que tinha o semblante pálido, triste e sério demais para alguém da sua idade.
- Motoko-chan, você vai chegar atrasada. Aliás, todas vamos.
A jovem levantou-se, enxugando as lágrimas. Sentia-se culpada por ter amado Keitaro, e por ter desejado-o tantas vezes, como se tivesse traído Naru, de algum modo. Sentiu que por pensamento, traíra a memória da amiga. Shinobu aproximou-se dela, abraçando-a por trás.
- Não fique assim.
- Estou bem, Shinobu-chan.
- Não, não está. – Shinobu encarou-a nos olhos, com um brilho límpido nos olhos – Eu sei no que estava pensando, sei que anda remoendo o passado, que tem remorsos. Motoko, você não tem por que ficar assim! Não foi sua culpa.
- Talvez não tenha sido culpa minha, Shinobu, mas... – a jovem samurai então notou Kaolla, que estava ainda na porta, observando-as com um olhar curioso. – Vamos! Chegaremos atrasadas!
Foram com os passos mais lentos que conseguiram, pois não estavam com muito ânimo de relembrar a morte da amiga. A missa foi triste e lindíssima, fê-las chorarem muito. Conversaram por muito tempo sobre a falecida amiga, com sorrisos e lágrimas. Lembraram de suas infâncias, da maturidade. Riram com Keitaro, dizendo que ele havia roubado-a delas, mas depois dos risos, ficaram sérios.
- Acho que foi mesmo minha culpa – disse ele, tristemente.
- Não fale isso! – interrompeu Kitsune – Falei só brincando. Foi um acidente, não foi culpa de ninguém.
Motoko e Keitaro trocaram um rápido olhar. A menina baixou os olhos, enrubescendo. O rapaz continuou encarando-a, lembrando-se de Naru.
- Keitaro! – disse uma moça ruiva, de olhos afilados e rosto banhado de lágrimas – Nunca fomos apresentados, mas sou uma colega de trabalho de Naru... era uma de minhas melhores colegas! Quando a conheci, a primeira coisa que pensei foi “Nossa, que moça simpática! Deve ser um amor de pessoa!”. E não estava enganada: ela sempre me ajudou, sempre foi simpaticíssima, gentil...
A moça desatou a falar, e as meninas da pensão se afastaram, desejando boa sorte para Keitaro. Apesar de nunca tê-la visto na vida, ela parecia ter muito a falar sobre Naru. Não só ela, como todas as amigas que a esposa fizera no trabalho, no cabeleireiro, no shopping e em todos os lugares em que ia, pareceram comparecer à missa.
A impressão que Keitaro tinha, era que toda a Tóquio tinha ido para a missa seguida do enterro de sua esposa. O enterro foi mais triste do que a missa. Os amigos ficaram mais perto do caixão, já fechado. As lágrimas derramadas foram suficientes para encher um rio. As que mais choravam, no entanto, eram as colegas que Naru fizera no trabalho, o que fez Keitaro ter um pensamento mórbido.
“Se choram muito agora, é porque antes não choraram muito, nem se entristecem tanto.”
Afastou tal pensamento da cabeça, repreendendo-se por ser tão cético e frio. Só então notou que Motoko estava ao seu lado. Estremeceu levemente. Ultimamente, tivera sentido-se horrível ao pensar que traíra a mulher, mesmo que por pensamento. Sentia-se o último dos mortais ao lembrar das noites em que saía para o campo, que era onde conseguia pensar em Motoko sem que os barulhos da cidade o interrompessem.
Lembrou-se do dia anterior ao que Naru falecera. Tinha passado toda a noite e parte da manhã no campo, olhando para as estrelas e contando-lhes o seu amor por Motoko, pedindo-lhes perdão por ter se casado com Naru. Desde que descobrira aquele pedaço de tranqüilidade e paz, criara a mania de contar às estrelas todos seus pensamentos e pecados, alegando a si mesmo que “elas jamais contariam, mas sempre estariam lá para guiá-lo”. Agora sentia remorso ao pensar nisso.
Sentiu a mão de Motoko roçar a sua, e afastou-a bruscamente. Teve um breve momento em que culpara Motoko por causar-lhe tamanho amor, por não amá-lo (amava-o, mas ele nunca o soubera) e por ser tão maravilhosamente perfeita. Era fria, linda, e tinha a mania de esconder o sorriso tão lindo que possuía. Gostava de vê-la sorrir, e achava graça do seu modo de descontar a raiva lutando contra um boneco, ao invés de na pessoa. A última coisa que lhe dera, um boneco para que ela lutasse, a fizera abrir um sorriso tão lindo e grato que ele havia preparado muito mais coisas para lhe dar.
Tudo isso foi antes de Naru confessar seu amor, às lágrimas.
**Flashback**
- Keitaro! – dissera ela, soluçando por causa das lágrimas. – Eu...
Keitaro permanecera parado, emocionado demais pelo estado vulnerável de Naru para ter qualquer reação.
- Eu amo você! – ela se jogara em seus braços, soluçando e chorando muito. Ele não retribuiu de imediato, ainda extático.
Beijou-o, e nesse beijo foi o erro que Keitaro cometeu. Pois retribuiu-o, dizendo a si mesmo que era hora de esquecer Motoko e amar alguém que o amasse de volta. Abraçou-a, sem conseguir dizer uma palavra.
...
Alguns meses depois, ela o convidara para irem a um restaurante sós. Estava lindíssima num vestido azul-escuro, com os cabelos castanhos presos para trás. Sorria para ele, feliz.
- Keitaro – disse, enrubescendo e ficando tímida. Hesitou. Sorriu novamente – Eu queria que fosse você quem pedisse, mas... ah, deixemos de bobagem!
- Hã? – ele não compreendera.
Ela riu da expressão confusa dele.
- Quer casar comigo, Keitarô?
Ela criara mania de chamá-lo de “Keitarô” quando estava feliz. Ele ficou um momento sem reação. A imagem de Motoko insistiu em invadir-lhe a mente, rapidamente dissipada pela maravilhosa imagem que Naru fazia naquela noite. Segurava uma caixinha com anel, um simples anel de ouro com uma pequena inscrição.
- Claro que quero, Naru-chan.
**Fim do Flashback**
Olhou para a mão esquerda. O pequeno anel repousava em seu dedo, calmo, tranqüilo, refletindo pateticamente o ambiente ao redor, como se não realmente se importasse. O que dizia aquela inscrição? Ergueu a mão, para ler melhor. Lera uma vez, mas isso fora há anos.
“Amor só é amor quando é recíproco”, dizia.
Isso lhe embrulhou o estômago. Em todos esses anos de casado, nunca dissera “eu te amo” para a esposa. Ela lhe cobrara isso uma vez, mas logo desistira, atribuindo à timidez do rapaz, e não à falta de amor. Os primeiros anos de casados foram os mais felizes de Keitaro, nos que ele pensou que havia esquecido Motoko.
Agora, lá estava ela, ao seu lado. Pálida, e umas poucas lágrimas rolando ao seu lado. E lá estava Naru, morta por uma acidente? Ou teria sido Keitaro mesmo culpado pela morte da jovem esposa? Sentia-se culpado, horrivelmente culpado.
- Vou para o inferno sem escalas... – murmurou. Mesmo que não tivesse sido infiel, não foi fiel ao juramento que fizera no dia de seu casório: de amar sempre à esposa. Nunca a amara. Não a amara quando se casara, não a amava agora. Sentia uma enorme dor no peito por ter causado tanto sofrimento a alguém, pela simples razão de que não a amava.
Chorou, vendo o caixão finalmente tocar o chão da tumba.
[17/04/07] Capítulo Um
[26/06/07] Capítulo Dois
[30/06/07] Capítulo Três
[30/06/07] Capítulo Quatro
[04/07/07] Capítulo Cinco
[06/07/07] Capítulo Seis
[13/05/08] [Fruits Basket] Os Doze Grandes - Capítulo Três - O Próximo Cão
[11/05/08] [Fruits Basket] Os Doze Grandes - Capítulo Dois - Eu sei que vou...
[10/05/08] [Fruits Basket] Os Doze Grandes - Capítulo 1 - O Rapto
[06/07/07] [Love Hina] Fotografia - Capítulo Seis
[06/07/07] [InuYasha] Entre mim e você - Capítulo Dois - Ex-gazeador
[05/07/07] [InuYasha] Entre mim e você - Capítulo Um - O gazeador
[04/07/07] [Love Hina] Fotografia - Capítulo Cinco
[30/06/07] [Love Hina] Fotografia - Capítulo Quatro
[30/06/07] [Love Hina] Fotografia - Capítulo Três
[30/06/07] [Originais] O aniversário da Ale - Capítulo Vinte e Dois - De vo...
![]()
