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› Autor: ~Akiel
› Gênero: Ação, Aventura e Luta / Drama (Tragédia) / Ficção e Fantasia
› Classificação: 14+
› Adicionado em: 03/07/07
› Comentários/Favoritos 3/1
› Caracteres: 27.554
› Exibições: 138
Nota:
Numa noite de lua cheia, uma jovem de longos cabelos negros, pele branca, olhos verdes e lábios carnudos e vermelhos, com um lindo vestido branco andava distraidamente pela floresta perto de sua casa. De repente avistou um jovem de cabelos negros, pele absolutamente branca, seus olhos eram tão negros quanto seus cabelos, lábios muito vermelhos, estava com um terno preto parado a beira de um lago e parecia absorto em seus pensamentos enquanto contemplava o reflexo do luar na água.
Ela se aproximou devagar, parecendo hipnotizada pela figura daquele estranho. Ele pareceu notar sua aproximação pois logo se virou e pôs-se a fitá-la. No momento em que ela viu seus olhos um arrepio correu por sua espinha, mas mesmo assim não conseguiu parar de encará-lo. Seus olhos eram tão hipnotizantes! Tão hipnotizantes quanto sua imagem em si. Tentou dizer alguma coisa, mas nada saia de sua boca, tentou se mover, mas seu corpo não lhe obedeceu. Parecia enfeitiçada. Enfeitiçada pela figura a sua frente.
Ela não era a única, o misterioso estranho também se sentia enfeitiçado pela figura a sua frente. Como era bela, possuía uma beleza que só havia visto em sua vida uma vez, há muito, muito tempo atrás. Tinha os olhos tão verdes, tão vivos! Embora sua aparência fosse de alguém a ponto de morrer, ela emanava tanta vida, tanta beleza! Estava totalmente hipnotizado e sem perceber foi se aproximando dela.
Ao chegar perto o bastante para que pudesse ouvir o bater acelerado de seu coração, ele disse:
- Quem és tu, bela estranha?
- Sou Amara.
- De onde vens?—perguntou ele sem tirar os olhos dos olhos dela.
- Da cidade, na entrada da floresta.—respondeu incapaz de resistir àqueles olhos.
- O que fazes aqui?
- Estou passeando.
- Há essa hora?
- Gosto de passear a noite.
- Por quê?
- Não sei, ela me atrai.
- Vá.
- Por quê?
- Já está amanhecendo e logo darão por vossa falta. Também preciso ir.
Um silêncio se fez até que ela perguntasse:
- E quem é você?
- Lyo.
- Da onde é?
- De muito longe.
- O que faz aqui?
- Fujo.
- Do quê?
Ele riu sombrio e disse:
- Nada que entenderia. Vá ou iram vir atrás de você.
Ela assentiu e se foi, mas antes de entrar na floresta ela se virou e disse:
- Como volto a te encontrar?
- Me achará.—ele respondeu—Vá.
E ela foi, ele ficou observando o vulto dela adentrar a floresta e desaparecer.
- Amara...—suspirou.
Uma brisa mais forte anunciou o amanhecer e Lyo adentrou a floresta a procura de um esconderijo.
Amara seguiu floresta adentro indo em direção a cidade, mas em sua mente não parava de pensar em Lyo. Aquele rapaz, ela nunca o havia visto antes, normalmente só o pessoal da cidade se atrevia a entrar na floresta. Ele disse que estava fugindo...fugindo de algo que ela não entenderia....o que será? Ele parece ser tão misterioso, tão sozinho, tão....
Mas neste momento seus pensamentos foram interrompidos por uma voz conhecida que a chamava na entrada da cidade:
- Amara! Amara!
- Hã? Ah, sim, o que houve, papai?
- Como o que houve?! Não acredito que saiu para passear na floresta de novo!
- Mas o que tem demais nisso?
- Nada, desde que passeie de dia.
- Ah....—suspirou, já sabia tudo o que viria a seguir. Seu pai, o velho prefeito da cidade nunca aprovou seus passeios noturnos, alegando ser perigoso uma jovem como ela andar por aí, sem companhia e ainda por cima na floresta. Seguindo seu pai até em casa, Amara parecia estar totalmente desligada. Não prestava atenção no que seu pai dizia, ainda não conseguia tirar Lyo da cabeça.
Lyo havia chego em um velho casebre no centro da floresta. O casebre estava em estado deplorável, às janelas quebradas, por onde entrava apenas um pouco da luz do luar, havia muita madeira espalhada, provavelmente de móveis que foram destruídos. Na frente havia, o que parecia ser um altar de madeira, para onde ele se encaminhou. Ao chegar perto dava-se para notar que havia algo atrás do altar, um caixão. Estava perto, era preto, mas dentro puro veludo roxo. Lyo se dirigiu a ele e se deitou. A tampa se fechou e nela havia uma cruz em dourado e em baixo, estava escrito: LESTAT.
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O dia já havia amanhecido, Amara e Lyo dormiam, mas a cidade já estava desperta. Era uma cidade pequena, típica de interior. Com casas simples, mas bonitas. Feitas ora de madeira, ora de cimento ou até mesmo de pedra. As crianças brincavam e corriam soltas pelo terreno. Duas crianças estavam correndo e acabaram tropeçando e caindo aos pés do prefeito, que as ajudou a se levantarem. Logo as crianças voltaram a correr e o prefeito a conversar com um homem, um pouco mais novo que ele, alto, cabelos castanhos, barba e um jeito natural de se impor. Diferente do prefeito que era baixo, cabelos e barba já grisalhos e um jeito muito carinhoso de ser.
- Então, como eu dizia, Raul, ando muito preocupado com esses passeios noturnos de Amara.
- Mas por quê, Roger?—perguntou o homem chamado Raul.
- Oras, ela é minha filha! Preocupo-me com ela!
- Eu sei...mas quantas vezes você tentou proibir Amara de fazer esses passeios?
- Milhares....
- E quantas vezes ela te desobedeceu?
- Todas.
- Então o que há pra se fazer? Mesmo que você use todo o poder que tem como prefeito, coloque soldados para vigiá-la, ela vai fugir!—disse com um sorriso no rosto.
- Mas ela pode se machucar!
- Roger....Roger....ela sabe se cuidar. Às vezes ela me lembra muito Lílian.
- Sim...ela é igual à mãe.
- Você descobriu o que aconteceu a ela?
- Não....ela apareceu morta, com dois furos no pescoço, parecendo uma mordida....não se sabe o que a atacou.
- E agora você tem medo que o mesmo aconteça com Amara.
- Sim.
- Entendo, se fosse você também teria medo e iria querer proteger a minha filha a qualquer custo.
Suspiraram e continuaram a andar apreciando a paisagem. O verde da floresta e o brilho amarelo-avermelhado do sol davam a cidade um toque quase mágico.
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Amara havia acabado de acordar, tomou café, se trocou e seguiu para fora, a fim de caminhar um pouco. Com vestido de alça preto e simples, seguiu pela cidade, sem saber ao certo aonde ia
O dia passou sem que se percebesse, e logo a noite caiu. Após ter certeza de que seu pai estava dormindo, Amara saiu para mais um de seus passeios noturnos na floresta. Acabou se dirigindo ao mesmo lugar onde havia encontrado Lyo na noite anterior. E ficou ali, observando o reflexo da lua no lago assim como ele, e tentando descobrir o que havia de tão interessante naquela imagem.
Estava tão absorta em seus pensamentos que não percebeu alguém se aproximar. Este alguém colocou a mão em seu ombro a assustando profundamente a fazendo se levantar rapidamente e o olhar assustada.
- Lyo?
- Desculpe se te assustei.—disse indo calmamente na direção dela.
- Tudo bem.—ela recuava.
Ele continuava a se aproximar e ela a recuar, Amara recuou tanto que acabou escorregando. Só não caiu no lago, pois braços fortes envolveram sua cintura e a seguraram firmemente.
Ela sem perceber, e com medo de cair, envolveu seus braços no pescoço dele e o abraçou. Ficaram assim por um longo tempo, Lyo se espantava em como o corpo dela era quente e macio, seu coração batia acelerado, embora seu corpo mostrasse que ela estava calma.
Já Amara não se conformava em como o corpo dele podia ser tão frio, tão rígido, por mais que tenteasse não conseguia ouvir seu coração. O vento bateu, deixando o corpo de Lyo mais frio. Ela se desvencilhou do abraço delicadamente, mas não por completo. Enquanto uma mão continua em sua cintura, Lyo pôs-se lhe acariciar a face com a outra, descansando-a em seu pescoço e, então se curvando lentamente, a beijou. Um beijo calmo e terno, que foi correspondido. Ao termino deste, Amara disse:
- Por quê fez isso?
- Porque tu me encantas.
- Você também me encanta....
- Prove.—e para provar o que dizia, Amara o beijou.
Passaram a noite juntos, mas ao acordar, Lyo sabia que tudo aquilo havia sido um erro, não podia se deixar levar pelo amor de novo, não podia perder...olhou para Amara que estava deitado do seu lado....não pelo o que havia em jogo.
Delicadamente, passando a mão por seu delicado rosto, Lyo acordou Amara, ela lentamente abriu os olhos e ele pode mais uma vez admirá-los. Ele era completamente hipnotizado por aqueles olhos e ele sabia disso. Suspirou.
- O que houve?—foi tirado do transe pela voz dela.
- Nada. Já amanheceu.
- Onde estamos?
- Numa casa abandonada no centro da floresta.
- Por quê me trouxe aqui?
- Para ficar mais confortável.
- Tenho que ir.
- Sim, vá.
- Por quê não me fala nada sobre você?
- Porque você iria embora.
- Por quê iria?
- Por medo.
Ela olhou-o confusa, mas ele continuava a olhá-la carinhosamente. Ela não entendeu nada, principalmente porque ele a beijou apaixonadamente e disse:
- Vá, mas volte à noite.
- Está bem.—e saiu.
Vendo-a partir Lyo decidiu que essa noite contaria toda a verdade. Olhou para seu caixão, escondido para não assustar Amara, suspirou e disse:
- Quando vai chegar? Quando vai me matar?
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Amara andava de volta pra casa, as palavras de Lyo ecoando em sua cabeça. “Por quê iria?” “Por medo”.
- Por medo...—as palavras saíram de sua boca sem que ela percebesse e decidiu que iria descobrir o que Lyo tanto escondia dela.
Sem perceber já estava em casa, seu pai acabara de acordar.
- Amara? Onde estavas?
- Acordei cedo e fui caminhar um pouco.
- Ah...—bocejou.
- Papai....—começou ela hesitante.
- Sim?—ele já começava a preparar o café.
- Você já ouviu falar em um tal de Lyo?
- Lyo?!—ele parecia surpreso.
- Sim. Já ouviu falar dele?
- Sim, mas...onde você ouviu falar dele?
- Por aí...—mentiu ela.
- Hum...
- Então, o que sabe sobre ele.
- Bem...para quê o interesse, minha filha?
- Curiosidade.
- Bom, sente-se que lhe contarei o que sei.
Ela se sentou e aguardou.
- Bom...--o prefeito começou.
“Lyo Del Sangue, é um jovem vampiro (ela pensou: Vampiro! Por isso disse que eu teria medo se descobrisse) que por séculos foi o fiel escudeiro do poderoso Lestat...”.
Mas segundo dizem, há aproximadamente 500 anos, Lyo traiu Lestat, após saber que ele mataria Luna, sua esposa.
Quando Lestat saiu em caçada a Luna, Lyo o tentou impedir, escondeu Luna, se meteu na frente de Lestat, mas de nada adiantou. Lestat matou Luna do mesmo jeito.
Dizem que ele feriu Lyo gravemente acima do coração, onde até hoje ele tem a cicatriz, os guardas de Lestat o prenderam e trouxeram Luna até ele. Então, Lyo assistiu a Lestat enfiar uma estaca no coração da mulher que ele amava.
Desde então Lyo vem fugindo de Lestat que jurou matá-lo por sua traição.
Dizem também que desde a morte de Luna, Lyo jurou nunca mais se apaixonar ou se envolver. Pois não queria que mais ninguém morresse por sua causa “
- Mas por quê Lestat queria matar Luna?
- Porque ela foi contra ele dominar o mundo vampírico.
- Então, Lyo é um fugitivo?
- Sim.
- Mas ele não é do mal, né?
- Não se sabe, ninguém nunca conheceu Lyo o suficiente para falar sobre sua personalidade.
Depois dessa história reveladora Amara ficou pensativa, não imaginava que Lyo era um vampiro...que ele havia perdido a esposa, ele apenas tinha dito uma vez que ele fugia. Apenas fugia. E agora ela sabe o por quê. “Ele fugia do sofrimento....”
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Amara esperou a noite cair e foi atrás de Lyo. Ele estava novamente no lago. Ela se aproximou e o abraçou por trás. Ele suspirou e virou:
- Você veio.
- Claro.—o beijou de leve. Ele hesitou, mas correspondeu.
- Não precisa disso.
- Do quê?—ele parecia confuso.
- Hesitação, medo de se envolver comigo.
- Você não entende....—ele ficou de costas.
- Não vai acontecer comigo o que aconteceu com Luna.
- Como sabe sobre...—disse novamente se virando.
- Meu pai me contou.—ela se aproximou—Sei sobre toda a sua história. Não precisa mais ter medo—o abraçou.
- Oh, Amara...—suspirou—Tenho medo de te perder—retribuiu o abraço, descansando o queixo no ombro dela.—Você me conquistou.
- Você também me conquistou.—o olhou nos olhos—Te amo.
- Eu também. Fique comigo hoje, por favor.
- Fico.—o beijou.
Mais uma noite juntos. Mais um amor na vida de Lyo. Ele a amava não havia como negar. Ele a protegeria, até mesmo de Lestat, que ele sabia, em breve chegaria.
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Dias haviam se passado e em um belo final de tarde, Amara observava o sol desaparecer no horizonte, deixando assim um lugar no céu que logo foi ocupado pela lua.
Assim que a lua apareceu, Amara se preparou para ir encontrar-se com Lyo e quando estava saindo, algo prendeu sua atenção. A lua começava a tornar-se vermelha. Como um eclipse.
- Mas o que será que...—disse Amara observando a lua.
No centro da floresta, Lyo acabara de acordar e saía de seu esconderijo para caminhar, quando seu olhar caiu sobre a lua. Seu rosto ficou mais pálido e se seu coração ainda batesse, estaria a mil, seus negros olhos estavam mais negros ainda.
“Sei que sempre te desejei, mas tinhas que aparecer justo agora?” —pensou fitando a lua e correndo floresta adentro.
Lyo chegou à entrada da floresta e ouviu uma voz clamar seu nome:
- LYO!
- Hã?! –se virou e se deparou com...—Amara!
- O quê houve? O que faz por aqui? Está mais pálido e frio do que o normal.—disse passando a mão no rosto dele.
- Amara...—a segurou pelos braços—Você viu a lua?
- Vi.
- Você tem que ficar na cidade esta noite.
- Por quê?
- A lua é um sinal para todos os vampiros.
- Que sinal?
- Que ela chegou.
- Quem?
- A morte.
- A morte? Lyo, do que você está falando? Está começando a me assustar.
- Olhe...—ele respirou fundo a abraçou por trás e disse— “Veja a lua, para os vampiros que são fugitivos, como eu, ela significa que quem os caça os encontrou e quem estiver com a razão vencerá, o outro morrerá. E infelizmente, no meu caso, Lestat está com a razão. Eu o trai ele tem todo o direito de querer me matar.”
- Não...você não pode morrer—se virou para ele, os olhos cintilantes, lacrimosos.—Fuja...para qualquer lugar....eu o seguirei...só fuja...—apoiou a cabeça no ombro dele, já chorando.
- Não se preocupe.—a abraçou—Eu não temo a morte.—a afastou e olhou-a nos olhos—Eu já a conheço.—deu um meio sorriso.
- Lyo...—sussurrou.
- Escute, é importante que fique aqui está noite. De maneira alguma entre na floresta, entendeu?
- Sim...—murmurou e virou o rosto.
- Olhe...—suspirou—eu vou ficar bem—puxou o rosto dela para perto—Não se esqueça—se aproximou—Eu te amo.—a beijou com toda a força do sentimento tão verdadeiro e real que nutria por ela. Era um beijo calmo, mas quente e até mesmo apaixonado.
A soltou e olhou mais uma vez nos olhos verdes dela. Como amava aqueles olhos. Tão transparentes e verdadeiros.Sorriu e se dirigiu para a floresta.
- LYO!
Parou e se virou.
- Tome cuidado.
Sorriu novamente, entendeu o duplo significado daquelas palavras. Se por um lado diziam para que ele tomasse cuidado, por outro, também dizia “Também te amo”.
Se virou novamente e ao se deparar com a floresta a sua frente, sentiu um arrepio correr-lhe a espinha, uma sensação de angústia, um nó se formava em sua garganta.
Finalmente iria enfrentar aquele, do qual vinha fugindo há 500 anos. Aquele que lhe tirou sua amada Luna. Que tirou-lhe a felicidade e deu-lhe sofrimento. Aquele que acabou com a sua vida. E com a sua morte.
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Correu floresta adentro, só parando ao se deparar com vários cavalos, abaixo da ribanceira aonde ele se encontrava. Devia haver uns vinte cavalos, todos negros como a noite e cadavéricos como a morte, os olhos brancos eram de dar arrepios a qualquer um. Mas não a Lyo. Ele continuou a olhar de cima os cavalos e seus cavaleiros.
Até que os cavalos começaram a se afastar e a dar passagem para um outro cavaleiro. Montando de forma majestosa, ele seguia para frente da cavalaria, seu cavalo era mais cadavérico e aterrorizante do que os outros. Seu cavaleiro, pálido, todo de preto, casual, mas ao mesmo tempo, imperial. Sua expressão ao descer do cavalo era fria, impassível, impiedosa, sorriu sarcástico de canto de boca, mas seu sorriso se desfez e sua expressão virou para puro ódio quando pronunciou o nome do vampiro a que se dirigia:
- Lyo....
Lyo engoliu em seco. Era agora.
Amara andava de um lado para o outro em casa, tudo o que Lyo havia lhe contado ecoava em sua cabeça e a preocupava. Ele praticamente disse que iria morrer!
- Ah, Lyo...
Sentou-se a mesa e virou o rosto, viu o antigo quarto de sua mãe. Depois da morte dela, seu pai mudara-se para o quarto extra e deixara este intacto, como um tributo a ela. De repente, enquanto caminhava sua mente foi transportada para as lembranças de sua mãe. Ela era tão linda, tinha os cabelos ruivos ondulados, os olhos verdes, iguais aos dela, Amara. Então ela viu, o vestido de sua mãe. Vermelho, comprido, de alças, havia alguns detalhes...Como amava ver sua mãe naquele vestido. Um dia ela lhe disse que lhe daria o vestido quando fosse a hora certa. Amara achou que a hora certa havia chegado, olhou a lua, colocou o vestido e seguiu floresta adentro.
Lestat continuava a olhá-lo com aquela expressão de puro ódio. Lyo retribuiu o olhar na mesma intensidade, lembrando-se de tudo pelo que Lestat o havia feito passar.
- Lyo...—o ouviu chamar seu nome novamente e, desta vez, respondeu:
- Lestat....
- Faz quanto tempo? 500 anos?—Lestat tinha agora um sorriso zombeteiro no rosto. Lyo sentiu o ódio correr por seu sangue.
- Faz.—respondeu frio.
- Para quê tanta frieza? Somos amigos, não somos?—perguntou Lestat—Desça para matarmos a saudade.
Lyo olhou mais uma vez para Lestat, dessa vez bem fundo nos olhos cor-de-mel. E com um simples pulo, em que ele parecia voar, aterrissou bem à frente de Lestat.
- Por quê não fazemos o que temos que fazer de uma vez?—perguntou Lyo, ainda frio e olhando a lua de sangue.
- Oras, temos mesmo que lutar?—Lestat parecia estar se divertindo.—Estive pensando em poupar sua....vida, vamos dizer assim, porque vivo com certeza você não está.—e riu.
Lyo fechou os punhos, queria pular no pescoço de Lestat e acabar logo com essa palhaçada, mas ainda não era a hora certa.
- E o que teria que fazer para você poupar minha vida?
- Terás que ser, novamente, fiel a mim. E desta vez, não me trairás—pela primeira vez estava sério, e bem sério—Farás tudo o que eu ordenar e não me desobedecerá ou seu castigo será a inexistência.
Lyo não se abalou, pelo tom de ameaça em certas palavras. Apenas disse:
- E o quê o faz pensar que aceitarei este trato medíocre?
- Que esta é a sua única chance de continuar a caminhar por este mundo.
- E por quê iria querer continuar a caminhar por este mundo?—seu tom era cada vez mais frio e o ódio trans parecia cada vez mais.
- Não sei...um amor, talvez....—Lestat sorriu desafiante.
Apenas um músculo tremeu no queixo de Lyo. “Amara” pensou.
- Você me tirou o único amor que tive.—sua voz saiu cortante.
Riu.—Luna? Ela mereceu o que recebeu.—Lyo abriu e fechou os punhos.—Se opôs a mim.—fez uma pausa—Mas diga-me, Lyo, depois de 500 anos você não arranjou um novo amor?
- Não.
- Não?! Qual é, Lyo! Conheço-te bem demais! Sei quando estás apaixonado. Quem é ela?
- Não te interessa!—mais uma vez sua voz saiu cortante.
- Então estás apaixonado.
Silêncio por parte de Lyo. Em sua mente, apenas as imagens das noites que passou com Amara, seus beijos...
- Então...—a voz de Lestat o despertou—Aceita minha oferta?
- Não.—o tom de Lyo foi curto, grosso, frio, cortante e com ódio bem aparente.
- Ok.—disse Lestat se encaminhando ao seu cavalo.—Foi você quem quis assim, Lyo.
Pegou uma espada e jogou para Lyo que a pegou no ato. Depois pegou a sua própria e assumiu posição de combate, em frente a Lyo.
- Vamos lutar!—disse frio.
Lyo apenas concordou com a cabeça. Era agora.
Amara corria por toda floresta a procura de Lyo, até que ouviu ao longe barulho de cavalos. Seguiu o som e se deparou com Lyo cruzando espadas com outro homem que ela não sabia quem era. Ficou chocada, mas continuou assistindo.
Lestat foi o primeiro a atacar. Lyo se defendeu bem e depois atacou. Os dois estavam em uma luta de espadas assirradíssima, ambos eram excelentes, atacavam e se defendiam com a agilidade típica de um vampiro. Até que...
Lyo deu um ataque particularmente excelente em Lestat que desviou e enterrou a espada em cheiro num ponto acima do coração de Lyo. Exatamente como a 500 atrás. Lyo urrou de dor.
Há essa hora, Amara já assistia ao duelo dos vampiros e levou um choque ao ver seu amado ser ferido.
- Lyo...
Lestat riu triunfante, a espada ainda cravada em Lyo.
- Exatamente como da última vez não é, Lyo?
Lyo não disse nada, caiu de joelhos, o sangue escorrendo em seu peito.
- Só que desta vez não cometerei o erro de deixá-lo para morrer sozinho, pois você sobreviveu. Desta vez—cravou mais ainda a espada em Lyo, que gritou de dor. –Garantirei que você morra e queime no inferno, desgraçado!
Quando Lestat ia, definitivamente, acabar com Lyo. Um grito ecoou pela floresta.
- NÃO!!!!!!!!!!
- Quem és tu?—perguntou Lestat a uma moça que se aproximava. Ele tinha que admitir, ela era linda. O cabelo preto, os olhos verdes, a boca e o vestido vermelhos...Linda, como Luna....será quê...? Olhou para Lyo que virava a cabeça para ver quem gritara.
- Amara....—sua voz saiu fina, quase um sussurro.
- Lyo...—ela se ajoelhou na frente dele e passou a mão por seu rosto suado.
- Eu disse....para você ficar na cidade.....hoje—falava e respirava com dificuldade.
- Enquanto você corria o risco de morrer? Não...jamais....—beijou os lábios dele, e então Lestat entendeu quem ela era.
- Hum...te matarei na frente da sua amada, a situação se inverteu, hein Lyo?—Lestat parecia estar se divertindo.
Lyo o olhou, um olhar fraco, quase sem vida, sem olhos estavam perdendo o brilho. Já Amara, o olhou com um ódio e com uma força que fez Lestat se estremecer e o sorriso em sua face desaparecer. Ele já havia visto esse olhar em algum lugar. Então, caiu à ficha. A humana que ela havia matado há três anos, era igual a essa na sua frente.
- Eu já te vi antes, não?—ele perguntou.
- Creio que não.—ela respondeu, ainda ajoelhada ao lado de seu amado.
- Você é muito parecida com uma humana que eu matei há três anos. Só que ela era ruiva, do resto você é igual: pálida, os mesmos olhos, a mesma boca, aposto que até o mesmo sangue!—disse com um olhar malicioso.
- Não pode ser...—a mente de Amara trabalhava a mil, há três anos, ruiva, parecida com ela. Foi ele, ela não podia acreditar, mas foi ele!—Você matou minha mãe!
- Ah, tá explicada a semelhança—disse Lestat sem emoção.
Agora era demais para Amara, primeiro sua mãe, agora seu amado...Não, não ia perder Lyo para aquele vampiro desgraçado!
- Bom, se me der licença, tenho que acabar com a existência do seu amado!—ela pegou a espada que estava na mão de Lyo.
Quando Lestat ia dar o golpe final, Lyo fechou os olhos e Amara segurou firme sua espada e a cravou no peito de Lestat, antes que ele atacasse.
- Você não vai me tirar mais ninguém que eu amo!
Fincou a espada mais fundo e mais forte no peito de Lestat. Ele soltou a espada, Lyo caiu no chão. Lestat também e em questão de segundos, o corpo de Lestat se transformava em pó e sumia na escuridão. Amara largou a espada, que caiu com um baque mudo no chão, ao mesmo tempo em que o exército de Lestat sumia tão rápido quanto o próprio.
Lyo respirou fundo, e Amara se ajoelhou ao seu lado, com cuidado retirou a espada dele.
- Amara....
- Shhhh!!!!!!!Fique quieto!
- Você podia ter morrido....
- Mas não morri...
- Mas, eu vou.
- Não, não vai..... Tem que haver um jeito...
- Tem um jeito...
- Qual?
- Eu teria que me alimentar de sangue mais uma vez, eu não matar mais ninguém.
- Pode se alimentar do meu sangue.—disse Amara tirando o cabelo e oferecendo seu pescoço
- Não, não posso.
- Você precisa!
Ele olhou nos olhos da amada e percebeu que ela não desistiria e decidiu fazer o que ela lhe pediu:
- Por favor, é sua única chance de sobrevive!
- Ok.
Ele se levantou a pegou pela nuca, seus caninos apareceram e ele a mordeu.
Ela deu um suspiro. Ele podia sentir o sangue escorrendo, delicioso.
Conforme ele ia mordendo sua ferida ia cicatrizando, um tempo depois não existia mais ferida.
Ele a soltou e ela caiu em seu colo desmaiada. Ele a beijou e ela a acordou e sorriu:
- Agora és igual a mim.
- Não me importo.
- Não?
- Não, desde que esteja ao seu lado.—o beijou.—Te amo.
- Eu mais ainda.--sorriram e se beijaram mais apaixonadamente do que nunca.
Estavam juntos e ninguém poderia mudar isso.
Nem a vida
Nem a morte
E muito menos
A eternidade.
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