Shunrei estava encolhida no sofá, abraçava as pernas e mantinha o rosto escondido entre seus joelhos e sua barriga. Soluçava ainda mais. Lá fora chovia forte, os raios iluminavam o céu e os trovoes sacudiam a terra, mas nada a assustava mais. Estava apenas pensando no que Shiryu lhe dissera. Um filho. Ele teria um filho com Lumina. Parecia que seu mundo havia desabado e caído direto no inferno a levando junto. Sentia uma angustia no peito, sentindo-se culpada. Talvez ele tenha razão, poderia ter machucado mais Lumina e tê-la feito perder a criança. Ouviu alguém se aproximar, levantou o rosto molhado e vermelho em direção à porta que se mantinha aberta.
-Shiryu... – sua voz saiu trêmula e quase num murmúrio.
Ele a encarou, em seus olhos havia ainda sinal de tristeza, mas também se encontra a ternura. Shunrei fez menção de se levantar, mas com um gesto de mão ele a fez ficar no mesmo lugar. Seguiu silenciosamente para o quarto molhando o chão da sala e do corredor. Ela hesitou por um momento, não agüentando mais se levantou e correu até ele, abraçando-o pelas costas. Shiryu parou rente a porta de seu quarto sentindo as lagrimas quentes dela molharem seu corpo frio.
-Fui um tolo. – falou baixo – Não devia ter gritado com você.
Shunrei continuou abraçada a ele e chorando.
-Me perdoa por ser este tolo? – indagou virando-se fazendo com que ela ficasse de frente para ele a abraçando. O sangue de sua camisa fora lavado pela tempestade que caia com violência. Shiryu sentia o corpo de a jovem tremer a cada palavra que dizia. Afastou-a para poder mirar seu rosto. E ela também o olhou. Com os olhos inchados e vermelhos e a dor no peito conseguiu esboçar um “projeto de sorriso”. – Me perdoa... Shunrei.
-Não queria ter machucado Lumina, ela... – falou num tom desesperado.
-Não vamos falar dela agora. Lumina está bem...
-...
-Estou molhando você – ele a afastou segurando nas mãos dela e vendo o sangue coalhado nos dedos finos – Tome um banho e descanse. – beijou-lhe na testa e entrou fechando a porta.
As horas haviam se passado, eram quase meia noite, mas nenhum dos dois conseguia dormir. Shunrei sentou na cama e fitou a janela, que brilhava pelo brilho dos relâmpagos que passavam pelas frestas. A tempestade ainda não havia passado.
-Esta sem sono ou com medo? – indagou Shiryu parado na porta a fitá-la.
-Talvez as duas coisas... – Shunrei cobriu-se mais com o lençol. Shiryu entrou, estava sem a camisa do pijama, e sentou na cama dela.
-Lembro dos dias que passei aqui, ao seu lado e do Mestre. Quantas tempestades iguais a esta passamos no mesmo quarto cuidando um do outro?
-Já perdi a conta.
-Confesso que tinha medo de que você sentisse medo, de se sentir desprotegida ao meu lado.
-E ainda tem este medo? – Shunrei falou baixo o fitando com o cenho franzido. Ele também a fitou e acariciou o rosto dela.
-Tenho...
-Não devia.
-Eu sei, mas não controlo o que acontece aqui – disse pondo a mão em seu peito em cima do coração.
-Ninguém controla. – Shunrei voltou a se deitar de costas para ele – Boa noite, Shiryu.
-Me deixe ficar aqui com você – sussurrou no ouvido dela a fazendo arrepiar o corpo inteiro. – Só esta noite.
-Não sei se devia – ela voltou a olhar para ele.
-Tudo bem. Já entendi.
-Mas pode ficar. A cama é pequena, mas cabe.
Ele sorriu e deitou-se a abraçando. O rosto de Shunrei estava colado ao peito de Shiryu, sentindo a respiração dele oscilando.
-Sabe de uma coisa? – sussurrou novamente no ouvido dela.
-Não... – respondeu no mesmo tom.
-Você ainda não me perdoou por ser um tolo e idiota.
Ela não respondeu. Apenas aconchegou-se nos braços dele.
-Shunrei?
-Estou te ouvindo. – ela levantou o rosto e fitou os olhos dele, apesar de o quarto está escuro, a visão de ambos já se adaptaram a penumbra – Me beije...
Shiryu continuou a olhá-la. Ficou mudo, sem reação. Não imaginaria que ela pedisse tal coisa.
A mão forte e larga dele foi até a sua nuca a aproximando para mais perto, seus lábios roçaram-nos dela entreabrindo para tomá-los com volúpia fazendo com que sua língua a forçasse a abrir a boca sentindo, mexeu a cabeça para o lado e, com a mão na cintura dela, encostou mais os seus corpos a fim de aprofundar mais o beijo. As mãos de Shunrei estavam paradas nos ombros largos dele, sentindo seu corpo esquentar por dentro, sentindo mais vontade de beijá-lo, estremeceu ao sentir as mãos dele levantar sua blusa e aparta-lhe o seio, gemeu e apertou os ombros dele ao mesmo tempo em que se afastou buscando o ar. Shiryu direcionou os beijos para o pescoço dela, descendo a alça fina de sua blusa deixando os seios alvos à mostra.
-Shiryu... – sussurrou ela num sinal para que ele parasse, porém ele continuou. Gemeu alto ao senti-lo sugar seu seio, massageando seu mamilo com a língua até endurecer. Voltou aos lábios dela e tornou a beijá-la, fazendo-a aconchegar-se mais na cama e subiu nela, seu peito prensara os seios que subiam e desciam pela respiração alterada dela. Shiryu sentia o coração de Shunrei acelerar cada vez mais enquanto ele beijava e mordiscava o nódulo da orelha dela e sussurrava-lhe palavras. Com esforço conseguiu se livras das roupas, desceu com os beijos até a barriga dela e voltou a subir lambendo-a até chegar ao outro seio e começar a chupá-lo.
Shunrei arqueou o tronco sentindo o prazer que a tomava por completo. Seu corpo ardia de desejo, já não queria que ele parasse. Os lábios dele roçavam em seu pescoço, chupando e mordiscando com delicadeza. Voltou a morder a orelha e sussurrou, no mesmo instante que penetrava, devagar, para não assusta-la.
-Eu amo te amo muito... Shunrei...
Ela gemeu e fincou as unhas nas costas dele sentindo a dor da penetração. Shiryu a penetrou mais rompendo a pureza dela, deixou-a se acostumar um pouco para poder movimentar-se. E assim que o fizera olhou-a e viu que ela estava chorando, assustou-se.
-Não pare... – falou o sentindo parar – Por favor, não pare!
Shiryu aumentou as estocadas, fazendo-a movimentar-se na mesma sincronia que ele. Soltando gemidos e sussurros ao ouvido dela, tentando deixa-la mais relaxado. E aos poucos Shunrei foi sentindo a dor passar e uma sensação agradável e enlouquecida tomar conta de seu corpo. As respirações estavam arfantes, o suor unia mais os corpos que tremiam pela satisfação do prazer. A chinesa já não conseguia pensar, apenas sentia e queria que aquela satisfação não passasse. Abriu os olhos para encará-lo, estava tão atordoada que não sabia se o que havia em seu rosto era suor ou lagrima, arqueou a cabeça para trás gozando, porém Shiryu ainda movia-se, cada vez com mais força e voracidade e logo ejaculou. Shiryu suspirou profundamente apoiando a cabeça no ombro dela. Rolou para o lado da cama e a trouxe com sigo, fazendo-a pousar a cabeça em seu peito. Mantinham-se abraçados, arfando e sentindo o cansaço trazer o sono. E assim, abraçados, adormeceram.
Shunrei acordou, não ouviu mais o barulho da tempestade, o tempo estava frio e o dia vinha raiando. Moveu-se para poder sentar e sentiu seu corpo doer pelo ato durante a madrugada. Olhou para o tórax dele e passou a mão onde havia alguns arranhões que avermelhavam a sua pele. Levantou-se com lagrimas nos olhos, enrolou-se na toalha e foi para o banheiro, lá chorou novamente. Os arranhões eram recentes, e tinha certeza que ela não o fizera. As lagrimas ficaram mais grossas ao pensar que ele esteve com Lumina, talvez naquela mesma noite, quando estava com o Mestre no templo em frente à cachoeira. Sentiu-se usada por ele. Compreendeu agora por que ele havia deixado Lumina no hospital e viera. Shiryu apenas queria se divertir, em sua opinião, nada, além disso, afinal no final na manhã do dia seguinte iriam para Hong Kong para voltarem a New Yorque.
“Apenas queria se divertir antes de ir embora...”. – pensou deslizando pelo azulejo bege das paredes do0 banheiro. Soluçava alto num choro descompassado e desesperado. Estava se sentindo suja, e de certa forma culpada. Foi ela que o deixou deitar-se lá, que o impediu de para quando ele o fazia.
-Shunrei... – a voz dele soou abafada pela porta – Você está se sentindo bem?
Ela estremeceu ao ouvi-lo. Ficou parada olhando para a porta na duvida se abria ou não. Afastou-se da parede e desenrolou-se da toalha, foi até o boxe e ligou o chuveiro, entrou debaixo da água e começou a esfregar-se com a esponja ensaboada a fim de tirar todo o nojo que sentia de sua pele. Ouvindo o barulho do chuveiro ele se afastou da porta e voltou ao quarto. Teria que pegar Lumina no hospital.
O sol levantou com um brilho forte entrando pela cortina fina do hospital do vilarejo acordando Lumina. Olhou em sua volta e não viu Shiryu. Preocupou-se. Passou a mão no rosto e sentiu o curativo no rosto. Ainda estava quente onde Shunrei arranhara, mas isso já não a incomodava, Shiryu já dera um jeito na “caipira”. Ela sorriu ao lembrar da cara de Shunrei enquanto Shiryu gritava com ela. Tinha que admitir que nunca esperasse esta reação dele por sua “irmã” querida.
-Vejo que já acordou animada hoje. – Shiryu entrou no quarto com um sorriso tristonho.
-Você está bem? Parece triste.
-Não é nada... – ele sentou-se na banqueta próxima acama. – E como está nosso filho?
-Bem. Não há razões para se preocupar.
-Sabe que não deve descuidar – Shiryu não exagerou quando gritou com Shunrei a dizer que Lumina poderia perder o filho, de todas as tentativas da moça ao tentar engravidar esta foi à única que deu certo. O medico dissera que o útero de Lumina é frágil e sua gravidez, se não tomando certas precauções, custaria à vida do feto.
-Onde estava?
-Fui a casa pegar algumas roupas para você.
-Ah. – ela sorriu. Lumina dormira a noite inteira, estava muito nervosa quando chegara ao hospital que fora tranqüilizada com um calmante, no que resultou em sua noite de sono pesado e tranqüilo. – Viu Shunrei?
-Não... – ele baixou os olhos e fitou a pequena bolsa que trouxera com as roupas de sua noiva. – Levante-se e se vista.
-Vamos voltar para casa do senhor Dohko?
-Vamos. – respondeu sem entender a pergunta - Para onde iríamos?
-Para casa. – respondeu e esperou uma resposta dele. Vendo que ele não iria dizer nada, ela continuou – Já temos as passagens de volta, por que não ir hoje?
-Teria que falar com o Mestre primeiro.
-Com o Mestre ou com sua irmã?
-Com os dois. – ele levantou – vou esperá-la lá fora.
Quando os dois chegaram encontraram somente o Mestre a frente da casa. Shiryu procurou discretamente com o olhar Shunrei, mas ela não estava. Lumina sorriu para Dohko que retribuiu com um outro sorriso.
-Shunrei me falou do acontecido – Disse fitando a mica sentar no sofá – Eu peço desculpas em nome dela.
-Obrigada, Mestre. Mas não se desculpe, eu mesma prefiro me entender com ela.
-Também peço que se entendam, Shunrei acordou muito deprimida hoje.
Shiryu olhou diretamente nos olhos do Mestre tentando entender por que ele dissera aquilo.
-Mas ela está bem? – perguntou visivelmente preocupado.
-Sim... – respondeu Dohko notando a preocupação no rosto dele.
-Mas claro que ela está! – exclamou Lumina - Quem apanhou nesta historia fui eu!
-Lumina, por favor. Não faça caso! – Retrucou Shiryu aborrecido. Lumina o olhou seria, com o cenho franzido demonstrando toda a raiva em seus olhos que miravam Shiryu.
-Vou descansar um pouco, esta conversa já está me deprimindo. – Lumina levantou e, em passos largos, foi para o quarto de Shiryu.
- Na cachoeira. – Disse o Mestre.
-O quê? – indagou sem entender.
-Você me entendeu... – O mestre se levantou – Vou descansar um pouco, meus ossos velhos já não agüentam tanto tempo andando – ele riu e sumiu para o quarto.
Shiryu olhou em direção ao corredor, viu a porta de seu quarto fechado. Suspirou fundo. Estava nervoso, não entendia qual o motivo. Olhou para fora. Deveria ir? E se Lumina desconfiasse? Sentou no sofá e levou as mãos ao rosto.
-O que ainda faz aí?!
Shiryu estremeceu pelo susto. Levantou a cabeça apresado e fitou o Mestre.
-Se assustou por quê?
-Não me assustei só...
-Pensou que era Lumina?
-Sim, Mestre. – Shiryu recostou a cabeça no sofá – a nossa conversa de ontem me deixou perturbado, mas depois que eu vi Shunrei batendo em Lumina... – ele parou de falar.
-Este é o momento oportuno, rapaz. Converse com ela. Devemos ouvir os dois lados.
-Eu não sei se devo Mestre. Principalmente depois de ontem... do que eu fiz ontem...
-Meu filho, só há um conselho: Siga o seu coração. Não sofra por tolice. – Dohko rodou nos calcanhares e rumou o caminho para o quarto novamente.
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