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[Love Hina] Fotografia

Capítulo Três


Autor: +Nah

Categoria: Animes/Love Hina

Gênero: Drama (Tragédia) / Romance e Novela.

Tags:

Personagens:

Classificação: 12+

Adicionado em: 30/06/07

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Caracteres: 9.239

Exibições: 274

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Dias se passaram, como anos. E com os dias, os anos também passaram. Quantos, cinco, seis? Longos e penosos anos, trágicos e incoerentes para Motoko. Pois cada dia que se passava, convencia-a mais de que Keitaro não voltaria, e que nunca seria dela.

”Ele pertence à Naru, ele pertence à Naru”, repetia para si mesma, numa vã tentativa de convencer-se e esquecê-lo. Seu olhar de ébano constantemente úmido e sua mente insistentemente voltada para o amado fizeram da jovem samurai uma alma triste e penosa.

Desesperos e alegrias faziam dela eterna antítese, curiosa de observar-se por algum tempo, mas que logo cansava o observador. Mas um fato veio a encurtar a solidão que enegrecia a alma de Motoko, embora mais viesse a confundi-la.

Naru e Keitaro estavam voltando para casa, depois de voltarem da festa de anos de um colega da moça. O rapaz dirigia devagar, enquanto a esposa adormecia ao seu lado, com uma expressão angelical no rosto. Parecia doce, suave e serena, o que nem sempre era quando estava desperta.

Keitaro olhou para a serenidade de seu rosto, e lembrou da equilibrada e emotiva ao mesmo tempo Motoko. O modo como os cabelos lisos de Naru caíam-lhe sob a face e os ombros faziam-no lembrar a doçura com que aquelas mãos ágeis da samurai prendiam os negros fios de seda numa fita.

Quantas vezes desejara ser a fita que lhe prendia o cabelo, se pudesse ter a chance de sentir o perfume de jasmins que dali era exalado? Quantas vezes despertara de devaneios em que a jovem era a musa e não sua esposa? Naru era um amor de pessoa, mas não casara com ela por amor. Isto é, casara porque ela o amava, e se declarara. Ele sempre fora um coração que facilmente se apaixona, e se apaixonou pelo amor de Naru. Não pela Naru.

De qualquer modo, sempre amara aquela moça dos cabelos escuros, mas nunca pudera tê-la para si. Mais de uma vez pensara em separar-se de Naru para desposar Motoko, mas a própria situação cômoda e rotineira de seu casamento o fazia esquecer essa hipótese. Mas esquecer Motoko, não podia.

O carro deslizava suavemente sobre as ruas silenciosas, enquanto os pensamentos de Keitaro voltavam-se para Motoko. Ouviu uma buzina incessante atrás de si, e olhou pelo retrovisor. Um carro vinha a toda velocidade para cima dele.

Desviou, e assistiu reprovador a cena que se desenrolara. O carro parecia quase voar pela rua. Ficou imaginando o que levaria alguém a acelerar daquele modo em plena madrugada. Continuou seu caminho, dirigindo devagar, e zelando pelo sono da esposa.

Naru se remexeu, franzindo a testa. Parecia estar no meio de um pesadelo. Abriu os olhos devagar, com os lábios semi-abertos, como se fosse falar alguma coisa.

- Oi, querida – saudou Keitaro.

- Tive um pesadelo horrível – disse a moça, ainda com a testa franzida.

- Sobre o quê?

- Não sei direito. Mas só sei que no sonho, eu morria.

Keitaro lhe sorriu, como se dissesse a uma criança que não tivesse medo. Naru lhe sorriu de volta, ainda um pouco preocupada.

- Também sonhei que você gostava de outra – falou, meio receosa. Deu uma risada rápida, como se estivesse achando graça do sonho – já imaginou?

- Que absurdo, querida.

- É, não é... absurdo mesmo. Coisa de sonho.

Keitaro assentiu com a cabeça, receoso. Era o terceiro sonho que Naru tinha a esse respeito, em duas semanas. Isso começava a preocupá-la, embora ela não dissesse ao marido. Chegaram em casa, e embora tentassem agir normalmente, ambos sabiam que algo estranho estava acontecendo entre eles. Naru tinha quase certeza de uma traição, e Keitaro não tinha coragem para confessar seu amor por Motoko.

Havia anos que não a via. Anos que não trocava uma palavra com a jovem samurai, mas não conseguia tirá-la da cabeça. Havia momentos em que pensava que a havia esquecido, que amava a esposa, mas era apenas carinho. Seu coração não batia mais forte ao pensar em Naru, não suspirava pelos cantos, não era nela que pensava ao ver os filmes românticos que a esposa lhe trazia.

- Vou dormir – anunciou Naru, com o semblante sério, e sem olhar o marido nos olhos. Fazia tempo que estavam nesse clima um tanto estranho, e não sabia se ainda amava Keitaro. O amor conjugal transformara-se em desconfiança rotineira. Ela não conseguia suportar a idéia de que seu marido tinha uma amante.

- Boa noite.

A moça retirou-se. Keitaro observou-a com cuidado, com os olhos da memória. A Naru alegre, despojada, desastrada e voluptuosa havia sumido. Assustou-se ao notar a diferença entre a Naru de cinco anos antes e a de agora. Estava pálida, magra e tinha olheiras profundas de quem passava tempo demais acordada.

O casamento que antes era o significado de felicidade no seu auge, agora era o inferno encarnado. Naru e Keitaro sofriam calados, disfarçando suas tristezas em sorrisos formais e palavras carinhosas. E nisso provaram-se bons atores, pois nenhum de seus amigos ou colegas de trabalho notavam a infelicidade conjugal de ambos.

As amigas de Naru diziam por trás como ela havia envelhecido tanto em tão pouco tempo, e ela estava ciente disso. Dizia, então, que era culpa de seu trabalho e estudo excessivos, e que logo que terminasse sua faculdade, voltaria a se dedicar mais a si mesma. Era nisso que realmente acreditava, ou que ao menos tentava se fazer acreditar.

Olhou-se no espelho, e seus pensamentos seguiram o mesmo rumo dos de Keitaro: sentiu-se estranha a si mesma, não reconheceu a moça infeliz do espelho. Suspirando, deitou-se na cama, fechando os olhos e tentando afastar os pensamentos sobre a traição de Keitaro, que insistiam em persegui-la.

Acordou no meio da noite, respirando alto e abafando um grito. O marido estava ao seu lado, dormindo tranqüilamente. Tinha tido novamente o mesmo pesadelo, e isso a atormentou. Tentou adormecer de novo, mas não conseguiu. Olhou para o relógio e suspirou novamente.

- Duas da manhã... estarei um bagaço pela manhã! – resmungou, levantando-se.

Caminhou pela casa escura, analisando os objetos com nostalgia. Voltou para o quarto, e olhou para o marido, com saudades do Keitaro carinhoso pelo qual se apaixonara. Os sapatos que ele deixara jogados, antes de deitar, jaziam no chão. Olhando atentamente para eles, descobriu que tinham lama ressecada.

- O que é isso? – indagou a si mesma, baixo.

Pegou os sapatos, e analisou-os. Assustada, tentou lembrar da tarde que passaram naquele dia. Keitaro havia saído apenas uma vez, para pegar uns livros na biblioteca .

- Não há lama na biblioteca... – falou, entre dentes.

Jogou as botas para o lado, com violência. Revirou o criado-mudo ao lado de Keitaro, com cuidado para não acordá-lo. Achou fotos, fotos de amigos, de amigas. Achou a foto que haviam tirado na última vez em que foram para a pensão Hinata, num canto escondido, dentro de um caderno minúsculo.

Abriu o caderno. Era um diário. Ao menos, tinha datas e frases soltas. Às vezes faziam sentido, outras não. Leu, ávida, com o coração a mil por minuto.

- “Eu te amo, sempre te amarei...”, será eu? “Você nunca será minha! Mas eu amo, amo demais”. Essa é data é antes de nos casarmos... quem ele amou tanto? – Naru estacou e empalideceu. - “Seu nome não sai da minha cabeça, meu amor. Quando eu disser sim, digo sim para minha futura esposa, e não para meu amor. Digo não para o sofrimento que este amor me faz passar, e sim para uma nova vida. Uma vida ao lado de alguém que me ama.”

Olhou a data. Véspera de seu casamento com Keitaro. Naru sentiu uma lágrima quente rolar em seu rosto. Ele não a amava! Nunca a amou! Teve ímpeto de rasgar o caderno e as fotos, mas não o fez. Ao invés disso, continuou lendo o caderno, em busca de um nome, uma pista de quem fosse o verdadeiro amor de Keitaro, e talvez amante.

- “Seus cabelos negros e perfumados me embriagam de amor. Seus dedos ágeis e delicados, seu olhos de ébano são minha perdição. Seus lábios rosados, como devem ser macios!”

Virou as páginas com violência, passando os olhos pelas palavras, às vezes idéias rabiscadas, às vezes depoimentos de amor, declarações. Com raiva, atirou o caderno para longe, e este timidamente enterrou-se debaixo do armário. A passos firmes, com lágrimas quentes rolando pelo rosto e atrapalhando-lhe a visão, saiu de casa.

Pegou o carro e dirigiu para longe, tão rápido quanto pôde. As pessoas nas ruas viraram borrões indefiníveis. Ouviu sirenes atrás de si, e apertou o freio, dando-se conta de que acelerara demais.

Mal teve tempo de reagir. Apenas ouviu a buzina do caminhão que vinha a toda velocidade na direção contrária à sua quando este já estava praticamente em cima de si. A última coisa que pensou, antes de tudo apagar foi em Motoko. Depois, uma dor dilacerante invadiu-a, e tudo tornou-se breu.


Capítulos de [Love Hina] Fotografia

[17/04/07] Capítulo Um

[26/06/07] Capítulo Dois

[30/06/07] Capítulo Três

[30/06/07] Capítulo Quatro

[04/07/07] Capítulo Cinco

[06/07/07] Capítulo Seis


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