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› Autor: ~Joyblack
› Gênero: Ação, Aventura e Luta / Comédia / Romance e Novela.
› Personagens: Vários!
› Classificação: 18+
› Adicionado em: 29/06/07
› Comentários/Favoritos 28/52
› Caracteres: 28.045
› Exibições: 3.399
Nota:
Capítulo XV – Tempo Perdido
Os vaga-lumes dançavam pelo ar ao redor de Naruto. De pé na entrada do clã Hyuuga, ainda tentava entender o que havia acontecido. Hinata o deixara ali, ensopado e confuso, segurando Nemo e não voltara mais. Ainda pensou em ir atrás dela, mas o que diria? Do que tinha de se desculpar? Simplesmente não sabia em quê a tinha ofendido tanto. Olhando para a escuridão em que se encontrava o caminho para a casa dela, teve vontade de segui-la e antes que ela alcançasse a porta, pedir que lhe revelasse seu erro. Mas ele já era experiente o suficiente para ter noção que entrar nos domínios de um clã como o Hyuuga sem permissão não era algo que fizesse bem à saúde. Então, mesmo se sentindo mal com o ocorrido, decidiu ir para casa e procurar a garota no dia seguinte para esclarecimentos.
- Tenho certeza que não fiz nada demais – falou consigo mesmo – ou você acha que eu fiz Nemo? – e olhou para o peixe como se esperasse uma resposta. Como este se limitou a continuar nadando, ele murmurou – Ta, você parece que não quer manifestar-se a respeito...
Os fogos de artifício começaram a iluminar a céu de Konoha. Os festejos continuavam e davam a entender que perdurariam pela madrugada. Ele, contudo, não teve a menor vontade de voltar à festa.
Sem Hinata, tudo tinha perdido a graça.
Além do mais, seus amigos estavam acompanhados e ele não pretendia ficar sobrando.
Ao entrar em casa a primeira coisa que fez foi providenciar um aquário para Nemo. Pegou um vaso transparente, lavou e colocou o peixe lá. Também jogou algumas migalhas de pão para ele. Só então foi ao banheiro tirar a roupa molhada. Ele tinha ensopado Gama-chan, mas sua sorte era que dentro só havia moedas. Tinha gasto todo seu dinheiro no festival, mas não se arrependia. Tinha se divertido como nunca. E pelo que parecera, Hinata também.
“Afinal, o que eu fiz?” Pensou desesperado colocando as mãos na cabeça.
Sua mente não o deixava em paz. Debaixo do jato de água quente, Naruto sentiu uma dor forte no peito ao lembrar das lágrimas que não fora capaz de evitar. Estava perdido e confuso. Sabia que tinha errado, mas não sabia onde. Tentou relembrar todo o dialogo o que tinha dito, mas era como se uma borracha tivesse apagado tudo.
“Amanhã eu converso com ela” prometeu pra si mesmo ao se deitar na cama alguns minutos mais tarde. “Hinata é uma pessoa centrada, bem diferente de mim. Se eu pedir desculpas pelo que eu fiz, tenho certeza que ela me perdoara!”.
Porém, o amanhã parecia não querer chegar. Deitado na cama, Naruto revirou-se de um lado para o outro sem conseguir dormir. A todo o momento aquele rosto magoado aparecia à sua frente. Nunca vira aquele olhar em Hinata antes. E isso o deixava desconcertado. Ela estava sofrendo... E se sua gastrite voltasse? E se ela precisasse se operar novamente por causa dele? E se naquele instante Hinata estivesse passando mal em casa, o amaldiçoando por tudo?
Definitivamente ele não iria dormir. Levantou-se e ficou andando pela casa. O relógio em formato de sapo já mostrava mais de três da manhã e ainda dava pra ouvir o festival. Chegando até a janela vislumbrou a diversão de todos. Mas aquilo já estava irritando-o. Continuou andando como um zumbi pela casa até estar de frente ao calendário. Já era dia 22. Em cinco dias Hinata faria 18 anos. Não queria estar em maus lençóis com ela quando chegasse essa data. Pretendia fazer uma surpresa para ela. Ainda não sabia muito bem o que era, mas tinha que ser algo à sua altura.
“Será que o cara que Hinata gosta sabe a data do aniversário dela?” Pensou repentinamente “Ou sabe e nem se importa?” então algo passou por sua cabeça “Será que ela se encontrou com ele na hora que eu falava com Gaara?! Pode ser que ele tenha dito alguma coisa para ela que a deixasse tão sensível... Ah, se eu descubro quem é esse miserável... Ele teria que beijar o chão que ela pisa... E ainda não seria suficiente”.
Não passava por sua cabeça quem pudesse ser essa pessoa, mas tinha certeza que “ele” era o responsável pelo sofrimento de Hinata. Começou a repensar mentalmente todos os homens que conhecia na vila procurando alguém que pudesse encaixar no perfil que ele acreditava ser o misterioso “amor” da amiga. Mas por mais que se esforçasse não conseguia pensar em ninguém que fizesse o “tipo” de Hinata.
- Nemo, eu sei que você é novo por aqui, mas me da uma luz!
Silêncio.
- Ótimo, eu já estou pedindo conselhos a um peixe! – exclamou irritado consigo mesmo - Acho que estou comendo ramen demais... – e se sentou numa cadeira de frente para o aquário e ficou observando os movimentos sinuosos da cauda do peixe.
Naruto foi aos poucos ficando sonolento com o movimento compassado do bicho. A sua cauda parecia hipnotizá-lo e causava-lhe uma sensação estranha de entorpecimento. Mas mesmo assim não parava de pensar em sua agonia.
- Tem que ser alguém da vila. – continuou “conversando” com Nemo – Deve ser alguém que ela seja bem próxima... Mas quem? Se ela gosta mesmo dele deve olhar de uma forma especial para ele... Eu já a vi olhar para alguém assim?
Seu rosto se refletia fantasmagoricamente no vidro do aquário. Podia ver claramente as linhas da sua bochecha se misturar com a água. De repente seu coração acelerou. Olhou para sua própria imagem como se estivesse se vendo pela primeira vez. Como se tivesse levado um choque, Naruto se levantou da cadeira tão rápido que a derrubou no chão. Sua respiração acelerou-se e ele parecia mais desperto que nunca.
Um olhar.
A forma de olhar.
As palavras de Sasuke, ditas há duas semanas atrás, começaram a voltar a sua lembrança:
“Naruto, você nunca reparou na forma que a Hinata te olha? Você nunca percebeu que ela te olha de uma forma especial?”
Não. Não podia ser verdade. Mas sua mente continuou despejando coisas que antes passaram despercebidas.
“No dia que VOCÊ conseguir responder essa pergunta, deixará de ser um imbecil.” Palavras de Sakura sobre o que ela queria dizer quando afirmara que a opinião de Hinata sobre ele não valia.
“Você nunca percebeu nada, Naruto-san?” palavras de Lee no dia que Hinata passara mal.
Todos sabiam.
Todos sempre souberam.
Menos ele.
Mal conseguia acreditar na sua burrice, mas só podia ser isso. As palavras dela começaram a rodar por sua cabeça, fazendo mais sentido que nenhuma outra:
“Eu n-não gosto de você s-somente como um amigo, Naruto-kun. Pra mim, você é bem mais que um amigo. E sempre será.”
Era ele a pessoa que Hinata gostava.
Era ele quem a fazia sofrer.
E se odiou por isso.
Em sua fúria, Naruto chutou a cadeira que antes estava sentado, fazendo com que ela se espatifasse na parede. O barulho acordou o vizinho do lado, já que este gritou:
- PARÁ COM O BARULHO AÍ, MOLEQUE!
- AH, VAI VER SE EU TO LA NA ESQUINA DESGRAÇADO!!!! – gritou Naruto mais alto ainda.
Seu coração estava doendo. Parecia que ia partir-se em dois. As lágrimas nublaram seus olhos. Durante todo esse tempo, estivera ao seu lado, conversara com ela, brincaram e se divertiram... Em nenhum momento ele pensou que estar com ela era algo mais, pois sempre estava pensando na sombra do “fantasma” que acreditava que existia na vida dela. O fantasma era ele próprio, o tempo todo. Hinata gostava dele. Isso era um fato.
Mas e ele? O que sentia realmente por ela? Essa foi a pergunta que mais o confundiu naquela noite. Não podia negar que a achava bonita, atraente, simpática... Gostava de sua companhia e de estar ao seu lado. Porém, não podia aceitar os sentimentos dela.
“Eu gosto da Sakura... Não posso me envolver com a Hinata” pensou desesperado.
Todavia Sakura estava feliz e realizada com Sasuke. Desejar algo com ela àquela altura depois de tudo que ele e Sasuke conversaram não seria um modo de trair o amigo? Quase um sacrilégio? Naruto tentava entender os conflitos que agora eram travados em sua cabeça, os sentimentos que afloravam dentro dele, buscava uma saída para toda aquela situação sem, contudo, encontra-la. Tudo o que sabia é que não merecia o que Hinata sentia por ele. Ela deveria gostar de alguém mais legal, alguém que pudesse retribuir seus sentimentos de uma forma mais completa e verdadeira. Alguém sem amarras a nada nem a ninguém.
“Ela precisa de alguém tão especial quanto ela... Quem poderia ser?”
- O Kiba não pode ser. – falava em voz alta para ajudar seu entendimento – Se ele fosse bom suficiente, eles já estariam juntos, pois ele gosta muito dela. Ainda bem que não é. Kiba não é um bom par para a Hinata... Shino? Pouco provável... Ele nem aparece mais depois que entrou pra anbu, e tem aqueles insetos nojentos, eca! Hinata não se apaixonaria por um cara assim...
Deu uma volta pelo quarto, com a mão no queixo, continuando com suas suposições absurdas, mas que para sua mente confusa pareciam ter algum sentido:
- Shikamaru? De forma alguma! Ele e a Temari estão juntos, pelo menos é o que o pai dele diz... Além do mais ele é preguiçoso demais... Chouji? Não. Gorducho demais, ia sufocar ela... Neji? Sem chance! Ela mesma o chama de Nii-san (irmão)... E além de tudo são primos... Quem eu to esquecendo... Sasuke? De forma alguma! Ele é anti-social demais. E tem a Sakura também que ta com ele ... Quem mais seria adequado? Vamos Naruto, pense... Você deve ter esquecido alguém... .... ... Kakashi-sensei?! NÃOOOOO, ele é tarado demais!!!! Eu não o deixaria chegar nem perto dela! Depravado... Ele faria coisas que não se deve com alguém tão inocente como a Hinata... E ele é bem mais velho que ela também... Ah, ele ta namorando a Shizune-neesan, tinha esquecido disso...
Contudo quanto mais cogitava essas possibilidades, mais desesperado ficava, pois pensar em outra pessoa com Hinata doía. O que seria isso que agora sentia quando pensava em ficar sem ela? O fato de não suportar a idéia de alguém a tocando? Quando imaginava seu sofrimento silencioso durante aqueles dias? A simples suposição que provavelmente ela ainda sofria naquela mesma noite por ele? Quantas e quantas vezes eu não a fiz chorar tratando-o como uma simples amiga? Não sabia ao certo. Mas de uma coisa tinha certeza. O que o incomodava ao pensar em todas essas coisas, aquela dor sentida de forma tão amarga, tão doida só podia ter uma explicação.
Ele estava apaixonado por Hinata. Não sabia desde quando, como acontecera e nem ao menos se era realmente verdade, mas havia algo que era real. Havia desejado-a durante todos esses dias sem ao menos se dar conta de que, provavelmente, ela fizera o mesmo. Fora um idiota imbecil, burro, tapado, jumento em grau maior e talvez um pouco mais por não ter percebido antes. Agora não sabia o que fazer. Hinata tinha se declarado e ele, como um bom retardado que sempre fora, tinha dito que gostava dela como amiga.
- Imbecil... - ele murmurou para si mesmo – Como você vai resolver isso agora? Vai simplesmente chegar e dizer “desculpe, não entendi”? Que tipo de homem você é Uzumaki Naruto?
Ele olhou para o relógio novamente. Eram um pouco mais que três e meia. Não havia nada para fazer naquele momento. Hinata deveria estar dormindo. A não ser que ele...
- Nemo! Já sei o que vou fazer! – exclamou animado.
- EU JÁ MANDEI VOCÊ PARAR COM O BARULHO AÍ, SEU MOLEQUE MAL EDUCADO!!!! – seu vizinho parecia ainda mais bravo.
- E EU JÁ MANDEI VOCÊ ME ESQUECER CARA! NÃO GOSTOU? SE MUDA!!!!
Mas nada poderia tirar sua determinação. Tirou o pijama e vestiu-se rapidamente. Pegou o aquário de Nemo e saiu em disparada na direção do clã Hyuuga. O festival estava chegando ao fim e muitas pessoas já se encaminhavam para casa. Sakura e Sasuke andavam de mãos dadas e quando já estavam quase no bairro Kokoro no Haien, viram Naruto correndo como um desesperado na direção deles. Mas Naruto não parou. Como uma bala, passou pelos dois apenas acenando.
- Naruto, pra onde você vai? – gritou Sasuke preocupado.
Ele parou sua corrida momentaneamente virando para trás.
- Vou dizer para Hinata que estou apaixonado por ela! – gritou de volta e depois continuou a correr.
Sakura e Sasuke se entreolharam espantados.
- Será que ele enlouqueceu? – comentou ela assustada.
-Na verdade, - disse Sasuke rindo satisfeito – acho que finalmente ele recuperou a razão.
***************************
Hinata não dormira durante toda noite. Presenciou a noite se tornar madrugada, madrugada virar manhã lentamente sem perder um único minuto. A única coisa que foi capaz de levantá-la da cama fora a lembrança que teria treino naquela manhã com seu time. Seus dias no hospital os deixaram muito preocupados e atrasados também. Na eminência de um exame chunin para breve, todo tempo perdido era questão de vida ou morte.
“Isso Hinata!” pensou consigo mesma. “Se não pode fazer por você mesma, faça por eles!”
E decidida a não deixar seus problemas pessoais interferir no desenvolvimento de seus alunos, se encaminhou para o banheiro em busca de pelo menos de sentir um pouco melhor.
Quando se olhou no espelho, todavia, percebeu que isso seria quase uma missão de rank S. Estava com profundas olheiras, seu rosto estava inchado devido à noite insone repleta de lágrimas e seu byakugan parecia mergulhado em um mar de sangue, tal era a vermelhidão de seus olhos. Tomou um banho demorado, na busca de apagar os sinais de seu sofrimento. Pôs seu uniforme jounin e saiu do quarto.
Apesar de estar totalmente sem fome, sabia que precisava se alimentar. A Hokage fora taxativa ao afirmar que ela deveria comer bem, pois um estômago vazio era mais sensível aos abalos psicológicos. Para seu alívio, ainda não havia ninguém na cozinha. Pegou uma maçã e comeu pausadamente enquanto procurava seu remédio, um tônico que Tsunade-sama recomendara caso seu estômago voltasse a doer. E ele estava doendo.
Depois de comer a fruta pausadamente, tomou duas colheres do líquido amargo e se encaminhou para saída da cozinha. Porém, como estava de cabeça baixa ajeitando seu colete, esbarrou numa pessoa que entrava naquele momento.
- Ai! - exclamou dando dois passos para trás e se segurando na mesa para não cair – Neji-nii-san! O que faz levantado há essa hora?
Neji era quem estava parado na porta olhando-a com um curioso interesse.
- Fui treinar. – respondeu calmamente. E analisando o rosto dela atentamente acrescentou – Se está tão mal quanto aparenta, Hinata-sama, deveria voltar pra cama.
A face dela assumiu a coloração avermelhada tão comum nas situações em que a garota era colocada contra a parede.
- Eu estou bem. – falou rapidamente desviando a vista dele – Só cansada. Cheguei um pouco tarde do festival, só isso.
Dando um passo a frente, Neji colocou as mãos em cima da mesa, e passou a analisar uma maçã como se fosse a coisa mais interessante do mundo, para depois comentar casualmente:
- Deve ter sido muito divertido sair com o Naruto. Afinal, chegar ensopada e chorando é o fim perfeito de um encontro...
Seu tom era mais preocupado que recriminador. Deixava claro que ele sabia que sua expressão cansada provinha de algum acontecimento da noite passada. Mas ela não queria falar nada. Estava tudo acabado. Seu pai não precisaria se preocupar, nem ela precisava mais dos cinco dias que lhe restavam. Naruto não gostava dela. Era algo doloroso de se pensar, mas era verdade. Ele sempre a teria como uma amiga, apenas isso. Talvez no fundo tudo fosse melhor assim. Agora ela podia se dedicar totalmente ao clã sem nada que a prendesse de fora daqueles muros. Uma vida cinzenta e vazia como a de seu pai a aguardava.
Neji ainda esperava uma palavra dela. Uma confissão ou desabafo talvez. Mas, para ela, isso não era permitido. Já derramara todas as lágrimas possíveis na noite passada. Nenhuma mais rolaria.
- Tenho que ir, senão chegarei atrasada. – falou sem olhar nos olhos dele. – Até mais tarde, Neji-nii-san..
- Hinata-sama... Espere...
Neji a tinha segurado pelo braço. Parecia muito apreensivo.
- O que aconteceu? Você sabe que pode confiar em mim...
- Nada que mereça ser dito. – ela respondeu secamente. E se desvencilhando dele correu para porta.
Neji suspirou e se recostou à mesa. Depois que levara Hanabi para casa, ainda cedo, havia voltado para ver como andavam as coisas entre sua prima e Naruto. Como tudo aparentemente tudo estava bem, voltara para o clã. Mas no momento que ouvira passadas se aproximando rapidamente, se levantara a tempo de ver Hinata totalmente encharcada e em prantos entrar na casa.
“Quando ela voltar...” pensou “Conversarei com ela...”
Naquele momento em que tomava aquela decisão, uma figura entrou sonolenta na cozinha, ainda esfregando os olhos, e parecendo preocupada.
- Neji! – exclamou Hanabi – O que deu na nee-san? Ela passou por mim agora... Estava estranha...
Ele nem ao menos considerou a possibilidade de contar o que acontecera a Hanabi. Conhecendo seu gênio, ela poderia sair correndo de casa e ir fazer um escândalo em frente a casa de Naruto, exigindo retratação dele para com Hinata. Por isso se limitou a dar de ombros e distrair a menina.
- Nada que mereça sua preocupação, Hanabi-sama. Por que não treinamos um pouco essa manhã?
Os olhos da menina imediatamente brilharam intensamente.
- Vamos! Vamos sim! – e passou a puxar ansiosamente o braço dele.
Neji suspirou. Talvez aquela não fosse uma boa idéia, no fim das contas.
****************
O sol já estava esquentando. Era um dia perfeito para um treinamento. Sem nuvens, sem ventos fortes, apenas uma leve brisa que apenas agitava seus cabelos. Hinata sentia-se mal por dois motivos agora: o amor perdido e a grosseria com que tratara uma pessoa que apenas queria ajudar. Sabia que tudo o que Neji queria era que ela ficasse bem. Mas não tinha coragem de admitir que fora desprezada. Provavelmente, para fazê-la se sentir melhor, Neji pudesse procurar Naruto em busca de satisfações, e era algo que, definitivamente não precisava naquele momento.
“Bem”... Pensou ela olhando para os pássaros que voavam pelo céu “Vou pedir para o papai que permita meu acesso aos documentos mais secretos do clã. Assim posso ir me familiarizando com o trabalho... Depois acho que ele vai querer reunir todo o clã para que possamos conversar sobre nossos rumos daqui pra frente... Cinco dias... Antes eles pareciam tão poucos, e agora parecem uma eternidade...”
E mesmo sem querer seu pensamento voltou a Naruto.
“Será que ele sabe que eu irei fazer dezoito anos em breve? Acho que não. Nunca ninguém lembra... Só agora que estarei assumindo o clã que todos parecem ter memorizado. O início da decadência dos Hyuuga... Será?”.
Foi envolta nesses pensamentos que Naruto a viu. Estivera esperando durante toda madrugada sentado em uma árvore na beira do caminho que Hinata sempre tomava para treinar seu time, na esperança de falar com ela antes que estivesse com os pestinhas. Ficando em pé, precisou apenas de um pequeno impulso para que tomasse sua frente.
Hinata não acreditava no que via. Naruto aparecera do nada em sua frente, logo na hora que ela já aplacava seu coração com decisões que lhe pareciam as mais sensatas no momento. Mas fora apenas vê-lo ali, parado, olhando fixamente pra ela que toda sensatez a abandonou. Pensou em fugir, mas suas pernas estavam travadas de ansiedade. Ou seria de covardia? Não sabia o motivo que o levara ali, e tinha medo de descobrir.
O rosto de Naruto refletia a mesma expressão cansada que ela virá no espelho àquela manhã. Também tinha profundas olheiras e uma cor vermelho-sangue tingia seus olhos. Mas diferente dela, Naruto sorria. Um sorriso de boas vindas.
- Bom dia. – ele cumprimentou.
Ela tinha medo que, mesmo se abrisse a boca, seus nervos a trairiam e nenhuma palavra conseguisse ser articulada.
- B-B-B-Bom d-d-d-dd-i-a. – ela balbuciou.
- Hã... Hinata... Posso tomar um pouco de seu tempo antes de você ir treinar? – pediu ele parecendo um pouco constrangido.
- C-C-Claro... – respondeu ela, mas sem muita certeza.
Eles ficaram em silêncio por um momento, parecendo estar ambos muito constrangidos para falar.
E foi Naruto quem deu o primeiro passo.
- Tenho um assunto pra falar com você... Na verdade dois. – ele lhe entregou o aquário. – Você o esqueceu comigo ontem...
- Ah... – exclamou ela recebendo o peixe.
- E o outro... Bem, o outro... – Naruto enrubesceu – É sobre ontem.
O estômago de Hinata revirou. E ela agradeceu silenciosamente à Hokage pelo remédio que tinha dado. Se não fosse por ele, provavelmente teria depositado a maçã que comera ainda a pouco nos pés de Naruto.
Ele esperou que ela fosse dizer alguma coisa. Uma negativa, uma resposta mal-educada, um palavrão (apesar de não visualizar Hinata dizendo palavrão nenhum), mas ela não fez nada. Baixou os olhos e esperou. Naruto tomou fôlego.
Era a hora.
-Bem, Hinata. Eu gostaria de... Te pedir perdão! – e dizendo isso se curvou para ela.
Hinata estava atônita.
- P-Perdão? P-Por que você e-está m-me pedindo p-perdão Naruto-kun?
- Quero que você perdoe o fato de eu ser o maior de todos os imbecis que já existiram na vila de Konoha! – ele continuava curvado.
- E-Eu não estou entendendo, N-Naruto-kun.
- Eu também não entendi ontem, Hinata. – seu tom era de pesar - Na verdade, eu nunca tinha entendido nada, nem o que me falavam, nem o que eu via. Ou sentia. Na verdade tudo ainda parece muito confuso na minha cabeça, mas já tem uma coisa que eu entendi, e só queria a sua confirmação.
Naruto ficou novamente ereto e olhou dentro dos olhos.
- Eu passei a madrugada, sentado, nessa árvore como um macaco, só pra poder te perguntar uma única coisa. Hinata, você realmente gosta de mim?
A pergunta tão direta quase a fizera largar Nemo no chão. O que ele queria com aquilo? Já não falara noite passada? Por que viera atormentá-la com algo que ela queria esquecer? Mas sabia que Naruto jamais brincaria com ela. Ele não seria capaz. Devia ter um motivo, mesmo que ele estivesse oculto ao seu entendimento.
- S-Sim, Naruto-kun. E-E-Eu gos-gosto de v-você... Muito...
Para sua total surpresa, Naruto sorriu aliviado. Como se estivesse carregando um grande peso nos ombros e depois o largasse por terra.
- Hinata, serei bem sincero com você. Quando você me disse isso ontem, eu não entendi o que exatamente queria dizer com isso. Na minha cabeça oca, eu achava que você era apaixonada por alguém da vila e que ele não gostasse de você sabe? Eu já tinha ameaçado “ele” de morte um monte de vezes! - e começou a rir nervosamente.
- N-Naruto-kun... – ela começou, mas ele levantou a mão, pedindo para continuar.
- Pois bem. Esse idiota que fala aqui na sua frente não entendeu na hora que você disse isso. Acho que foi informação demais para o meu cérebro! Mas depois, em casa, eu comecei a pensar em tudo que tinha acontecido. Queria encontrar o que eu tinha dito de errado para te fazer chorar. E depois de pensar muito, mais muito mesmo, eu cheguei à conclusão do que eu tinha dito de errado: eu te chamei de “amiga”...
Hinata não sabia a quê aquela conversa iria levar. Mas não conseguia tirar os olhos dos deles. Era a primeira vez que eles se encaravam sem que ela desviasse a vista. Naruto também notara o fato. Isso o encorajou a continuar.
- Eu devia ter percebido. Eu devia ter notado. Principalmente depois de tudo que você fez por mim. Ninguém teria se dedicado tanto a qualquer pessoa a menos que ela fosse especial. Você se dedicou a mim e por causa disso eu passei. Se eu me arrastasse no chão, não seria baixo o suficiente para conseguir agradecer...
- N-Naruto-kun, v-você não p-precisa a-agradecer...E-E-Eu fiz por que q-quis...
- Calma aí, ainda não terminei. – disse Naruto rindo – Passei a madrugada ensaiando isso. – E tomando fôlego, acrescentou – Se eu fosse um pouco mais inteligente e tivesse entendido o que você me disse noite passada, estaria poupando nós dois dessa situação constrangedora e teria permitido que nós dois tivéssemos uma noite tranqüila. Mas como eu sou lento e precisei decifrar o que você disse, minha resposta chegou atrasada. E espero que você nunca me odeie por isso.
- E-Eu jamais s-seria capaz de o-odia-lo, Naruto-kun.
- Fico feliz com isso, Hinata. Por que eu quero te dizer que eu também gosto de você. E não apenas como amiga.
Daquela vez foi impossível segurar. Hinata deixou a aquário escapar por entre seus dedos, e se Naruto não tivesse um bom reflexo e o pegasse, ele teria se espatifado no chão. E colocou-o suavemente no chão antes de se voltar novamente para Hinata.
A garota parecia não acreditar no que ouvia. Levou os dedos aos lábios e começou a tremer. Não esperava por aquilo, nem em seu sonho mais ousado. As lágrimas que ela prometera não derramar mais, agora ameaçavam rolar por sua face. Naruto estava ali, de frente para ela, dizendo que correspondiam seus sentimentos. Devia ser engano.
- N-Naruto-kun – disse em prantos – N-N-ão p-p-precisa s-sentir p-pena d-de mim... Eu... – mas não completou a frase. Quando percebeu estava envolta pelos braços dele que a apertaram contra seu peito.
- Eu jamais a ofenderia sentindo pena de você Hinata. – falou ele acariciando seus cabelos. – Eu digo o que sinto. Eu sinto que estou gostando de você. E a pena não cabe dentro desse sentimento.
Não era ilusão afinal. Hinata encostou o rosto contra a camisa dele e aspirou seu cheiro. Era real. Ela estava nos braços dele e não era sonho onde acabaria acordando.
- Não quero mais ver você chorando. – ele sussurrou em seu ouvido – Nunca mais...
Hinata levantou a cabeça e encarou-o novamente. Naruto sorria. Um sorriso doce. Aquele mesmo sorriso que ela aprendera a admirar durante os anos e que deixava uma paz indescritível em todos que o olhava. Era consolador, quente, carinhoso, como se o sorriso pudesse acariciar sua alma. Timidamente, ela retribuiu aquele sorriso. Lentamente, Naruto colocou a mão na nuca dela e com a outra suavemente enxugou suas lágrimas aproximando o rosto do seu. Hinata fechou os olhos no momento que sentiu os lábios dele encostar-se aos seus.
E naquele instante todas as lágrimas da noite passada, todo o sofrimento remoído nas entranhas da solidão foi esquecido. Nada existia ao redor deles. Nada importava apenas a sensação que os invadiu por inteiro. Ele insinuou a língua entre os lábios dela, que permitiu que o beijo se aprofundasse. O abraço foi estreitado para que os corpos pudessem se tocar mais fortemente. Para Hinata era como achar água no deserto depois de uma peregrinação. Para Naruto, como se finalmente tivesse achado seu lugar no mundo. E assim permaneceram durante algum tempo, se tocando como se ambos procurassem uma certeza que tudo não era somente uma miragem.
Ele não queria solta-la e ela não queria se afastar dele. Continuaram a dar vazão aos sentimentos até então reprimidos, por vários minutos até que finalmente ela lembrou de algo que a tirou do seu devaneio.
- Naruto-kun... – falou Hinata depois de um tempo.
- Estou ouvindo. – respondeu ele anda com o rosto entre seus cabelos, aspirando seu perfume.
- Meu time... Eles estão esperando...
- Deixe-os esperar. Kakashi-sensei sempre chegou atrasado e nós nunca morremos por isso. – e sem esperar resposta dela, tornou a beijá-la fazendo com que todas as obrigações fossem esquecidas.
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Obrigada por todos os comentários pessoal! Continuem acompanhando a fanfic e dizendo a opinião de vcs! E não esqueçam, "Contos da Joy" minha comunidade no orkut!!!
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[19/03/07] Capitulo II – Posso te ajudar
[25/03/07] Capitulo III – O primeiro passo é o mais difícil
[18/04/07] Capítulo IV – Vamos! Avante!
[18/04/07] Capítulo V – Eu me preocupo com você
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