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› Autor: ~Boobles
› Categoria: Games/Legend of Zelda
› Gênero: Ação, Aventura e Luta / Romance e Novela.
› Classificação: Livre
› Adicionado em: 27/08/06
› Comentários/Favoritos 4/5
› Caracteres: 16.659
› Exibições: 384
Capítulo 2: Dança Comigo?
Enquanto deixava o Rancho Lon Lon no lombo de sua égua Epona, Link era tomado por um sentimento de euforia. A garrafa de leite recém-adquirida balançava a cada galope do animal. Não demorou muito para que o hylian avistasse no horizonte o seu destino: o imponente Castelo de Hyrule. Há quanto tempo não o via... A construção lhe trouxe um sentimento de estranha nostalgia: lembrou-se da primeira vez em que viu a princesa Zelda, debruçada na janela do jardim, tentando espionar Ganondorf; de quando tentava driblar os guardas do castelo para adentrá-lo sem ser visto; de quando encontrara sua amiga Malon pela primeiríssima vez, no Mercado; de quando, ao avistar o majestoso lar da Família Real de Hyrule, impressionou-se mais do que nunca com o mundo que havia além de sua querida Floresta Kokiri...
Voltando a si, Link seguiu com Epona até o Mercado. Parou brevemente para observar o Templo do Tempo enquanto seguia até o castelo, e depois prosseguiu. Quando se aproximava, um guarda que vigiava os portões perguntou, com um grito:
-Quem vem lá?
-Sou Link, cavaleiro de Hyrule.-respondeu o garoto. Ao chegar mais perto, fez uma saudação.-Estou chegando agora de minha viagem. Tenho de falar com o rei.
O guarda imediatamente bateu os calcanhares, rigidamente, e acertou o chão com o cabo de sua lança. Os portões logo se abriram, e Link passou por eles em um galope acelerado. Após deixar Epona na atrelagem de cavalos, o jovem seguiu até o castelo, para se apresentar ao rei. Antes, foi até o alojamento dos cavaleiros para deixar suas coisas lá. No meio de um escuro corredor, foi surpreendido: alguém encostara uma lâmina em suas costas. Link congelou imediatamente.
-Olá, Herói do Tempo...-disse uma voz grave atrás dele.-Quer dizer que finalmente está de volta!
Inesperadamente, Link sorriu: puxou sua espada e virou-se imediatamente. O homem atrás dele ergueu sua própria espada para se proteger do golpe. As duas lâminas bateram por alguns segundos no corredor, até que o homem tropeçou e caiu de costas. Link segurou sua espada próxima à jugular dele, então sorriu e embainhou-a novamente. Ajudou o atacante a se levantar, e seu rosto foi iluminado por um feixe de luz: tinha cabelos morenos e olhos de um verde profundo. Era um homem de meia-idade e seu rosto possuía feições magras, contraindo-se em um sorriso. A armadura azul-turquesa e a capa cor-de-vinho lhe davam um toque de superioridade militar.
-É bom vê-lo de novo, Link.-disse o homem, guardando também sua espada.
-Igualmente, Karkus.-respondeu Link. Os dois apertaram as mãos e se abraçaram como irmãos. Link lembrou-se da ocasião, anos antes, quando encontrara pela primeira vez o Capitão da Guarda, Karkus Tollum...
Um Link de 14 anos chegava, tímido, ao Castelo de Hyrule, como um aprendiz. A princesa Zelda já o havia apresentado como o Herói do Tempo a todos, mas muitos duvidavam do rapaz: enquanto andava pelo corredor que levava ao alojamento dos cavaleiros, sentiu olhares correndo por seu corpo. Alguns o fitavam com curiosidade; outros, com o mais profundo desdém, como se ele fosse uma espécie de piada. Finalmente, foi abordado por um homem de meia-idade, trajando uma armadura azul e uma capa cor-de-vinho. Estudou Link da cabeça aos pés, com uma expressão curiosa no rosto. Perguntou, então:
-Quer dizer então que você é o chamado “Herói do Tempo”? O protegido da princesa Zelda?
Alguns guardas soltaram risos abafados. Porém, o homem permaneceu sério. Link sentiu a raiva borbulhar em seu interior.
-Sim, senhor.-respondeu ele, entre dentes.
-Certo, então.- disse o homem. De repente, puxou sua espada e segurou-a diante de si.-Saque sua espada e prepare-se para se defender!
Link se surpreendeu. Não conseguiu esboçar reação alguma.
-Quê!?-exclamou ele, petrificado.
-Ora, vamos...-continuou o homem, mantendo sua calma.-Se você for quem alega ser, acho que poderá vencer este pequeno desafio. A menos que esteja com medo, é claro.-acrescentou.
Os risos abafados dos guardas aumentaram. Enfurecido, Link sacou sua pequena espada e preparou-se para a batalha. Imaginava estar parecendo realmente imbecil, tentando lutar de igual para igual com alguém bem mais experiente, mas não se intimidou. Os dois começaram uma batalha ferrenha. O homem era extremamente bom, conseguindo bloquear facilmente cada golpe do garoto, que já começava a ficar cansado. Finalmente, o homem abriu sua guarda, talvez para dar a Link uma chance, talvez porque o subestimara, mas deu as costas a seu adversário por um segundo, permitindo que ele o acertasse com sua espada. O homem não se feriu, mas uma tira de sua capa foi decepada, flutuando gentilmente no ar até cair no chão, sob os olhares estarrecidos de todos: já não havia mais risos. O homem se virou devagar, lançando um sorriso a Link. Estendeu sua mão enluvada enquanto embainhava a espada novamente.
-Sou o Capitão da Guarda, Karkus Tollum.-disse ele.-E você? Tem nome?
-Link.-respondeu o jovem, secamente.-Meu nome é Link.
-Link, hein?-prosseguiu Tollum, agachando-se para apanhar a tira de tecido cor-de-vinho no chão.-Que nome peculiar...
O capitão ofereceu a tira a Link.
-Fique com isso.-disse ele. O garoto aceitou o tecido, confuso.-Guarde como uma lembrança. Seu treinamento começará amanhã. Alguém faça o favor de levar o rapaz até sua respectiva parte no alojamento.-instruiu Tollum aos guardas. Então, começou a se afastar.
-Quem me treinará?
-Eu, obviamente.-respondeu o capitão, sem se virar.-Contudo, se puder pensar em alguém melhor, ficarei honrado em conhecê-lo.
Link deu um leve sorriso. A partir desse dia, ele e Karkus Tollum tiveram uma relação amigável, que se fortaleceu mais com o passar dos anos. Nas mãos de Tollum, Link pôde aprimorar muito suas técnicas de combate. Agora, seis anos depois, já havia ganhado o respeito de todos os seus colegas, apesar de muitos deles ainda duvidarem se ele realmente era o Herói do Tempo.
Enquanto caminhava com Tollum pelo alojamento, Link era bem recebido pelos guardas, que lhe davam tapinhas nas costas e o cumprimentavam calorosamente. Quando chegaram ao quarto do capitão, puderam ter alguma privacidade. Tollum abriu um armarinho e retirou de seu interior uma pequena garrafa e duas canecas.
-Rum?-ofereceu, balançando a garrafa diante do garoto. Link recusou com um aceno de cabeça.
-Você é quem sabe.-respondeu o capitão, dando de ombros. Tirou a rolha da garrafa e bebeu de um só gole uma generosa quantidade de rum. Depois, estalou os lábios de prazer.-Hmmm... Delícia.
-Como é que vão as coisas, Karkus?-perguntou Link, apoiando-se em um móvel.
-Mais ou menos.-respondeu Tollum, tampando novamente a garrafa.-Não tenho dormido muito bem... Sabe, não é só você que tem cuidado da diplomacia de Hyrule: o rei também tem me cobrado atitudes em relação a isso. Parece que ele realmente está levando a sério essa estória de confraternizar com outros reinos. Sempre é assim nessa época do ano, com a conferência e tudo o mais...
Link deu um tapa na própria testa.
-É verdade... Toda a nobreza e a realeza de outros reinos vão chegar aqui ainda hoje...
-Exato.-Tollum carregava uma expressão de melancolia.-O que quer dizer que hoje eu dormirei ainda menos. Aliás, você também, então, não comemore minha desgraça.
-Quê?-exclamou Link.-Como assim? O que eu...
Tollum ria divertidamente.
-Ora, Link - respondeu o capitão -, o rei não o mandou em uma viagem diplomática porque lhe deu vontade. Você é “o Herói do Tempo”! O garoto que viajou através do tempo para salvar Hyrule! Que derrotou o terrível Rei da Escuridão, o tal de Grondonoff...
-Ganondorf.-corrigiu um carrancudo Link.
-Ou isso.-disse o capitão, com pouco caso.-O fato é que você é muito valorizado por Sua Majestade. Você deve se apresentar ao rei o mais rápido possível, para que ele lhe diga exatamente como você deve agir. E lembre-se -acrescentou, caçoando -: o traje é a rigor!
Link sentiu a alegria de voltar para casa se esvair de seu corpo como o ar se esvai de um balão.
-Karkus, estou perdido!-exclamou o garoto. Tollum ria a toa, zombando do amigo.-Odeio usar essas malditas vestes a rigor, fico parecendo um soldadinho de chumbo! E se eu tiver que dançar valsa no baile, já pensou? Já pensou a humilhação que será para Hyrule quando todos os nobres e reis que nos visitarem descobrirem que o famoso Herói do Tempo não sabe onde termina um passo de dança e começa outro?
-Bem - continuou Tollum, enxugando as lágrimas de riso que escapavam de seus olhos -, esse é um problema que você vai ter que resolver sozinho.
-Isso é o que você pensa!-exclamou Link, desesperado, apontado um trêmulo dedo indicador para o capitão.-Você vai me ajudar!
Tollum se surpreendeu, parando de rir.
-O que você quer que eu faça?-perguntou.-Se quer que eu peça ao rei para dispensá-lo do baile, saiba que...
-Não, não!-interrompeu o garoto, nervoso.-Eu... Eu quero que você me ensine a dançar valsa.
O capitão arregalou os olhos e piscou-os com força, como se duvidasse do que ouvira.
-Com certeza não está falando...
-Sério?-interrompeu Link novamente.-Claro que estou! Você me ensinou a lutar, agora vai me ensinar a dançar, o que há de mal nisso? O baile começa às 9 horas, certo? Então, temos cerca de 10 horas até lá!
-Link, seja razoável!-respondeu alarmado o capitão. –Sou o Capitão da Guarda, não um professor de dança! Não posso ficar dançando com você na minha sala, já pensou se alguém nos vê? Nunca vou conseguir olhar para a cara dos meus homens de novo!
-Ah, você não só pode como vai me ajudar-insistiu Link, com ar ameaçador – ou contarei ao rei sobre o seu segredinho.- terminou, acenando para a garrafa de rum no armarinho aberto.
O rosto de Tollum adquiriu uma coloração arroxeada. Abriu a boca para argumentar alguma coisa, mas mudou de idéia rapidamente. Finalmente, com um suspiro, se deu por vencido.
-Maldita chantagem!-exclamou ele.-Está bem, eu vou te ajudar!
-Ótimo!-comemorou Link, animado.-Vamos começar pelo começo.
De cara amarrada, o capitão foi até a porta e trancou-a a chave. Depois, andou até Link.
-Primeiro, com uma mão você segura mão da dama, e com a outra, segura a sua cintura, assim.-e colocou as mãos de Link em posição.-Certo. Agora, você vai dançando, conforme a música, com cuidado para não pisar nos pés de seu par, desta forma: um, dois, três, um, dois, três...
Link e Tollum ficaram dançando a valsa por um tempo. Apesar de alguns pisões dados por Link nos pés do capitão, a aula ocorreu relativamente bem. Em um momento, Link ficou olhando para o rosto de seu professor enquanto dançava, coma intenção de executar os passos sem olhar para baixo. Tollum estranhou a atitude.
-Link, por favor, pare de olhar nos meus olhos.-disse depressa.
-Ah, desculpe.-respondeu o garoto, mais depressa ainda.
Por fim, Tollum cessou a dança. O capitão se espreguiçou e exclamou:
-Bom, acho que você já aprendeu o suficiente.Agora, faça o favor de ir se apresentar ao rei. Sua Majestade já deve estar preocupado que você ainda não tenha chegado. O baile começará dentro de três horas, então, se apresse. E creio que você tenha alguns assuntos para resolver além desse...
-Quais seriam?
-Ora - respondeu o capitão, com ar de cumplicidade -, vá me dizer que ainda não pensou em sua... Querida amiga, a princesa Zelda?
-Pensei sim.-respondeu o garoto.
-Então, por que ainda não a informou de sua volta?-perguntou Tollum, curioso.
Link não respondeu. Apenas lançou um sorriso maroto ao capitão e deixou-o sozinho com sua curiosidade.
Já era noite em Hyrule. Contudo, a costumeira tranqüilidade do período era inexistente: dezenas de carruagens e cavalos estavam do lado de fora do Castelo de Hyrule, ao lado do portão de ferro. No imenso hall de entrada do lugar, o rei discursava a seus convidados, nobres, reis e rainhas de reinos aliados. Raras vezes o castelo parecera tão pomposo, rico, reluzente. Em questões de limpeza, estava impecável. Jóias de rubi, esmeralda, diamante e safira reluziam e refletiam a luz das velas. Os melhores castiçais e lustres do reino iluminavam o salão. Até mesmo os empregados estavam mais bem arrumados. Tudo para passar aos convidados a impressão de maravilho e beleza. Enquanto discursava sobre a importância de união e amizade entre os diferentes reinos, o rei tentava esconder a sua preocupação: corria os olhos pelo salão desde o início de seu discurso. Via os melhores cavaleiros, eretos e bem vestidos, de pé nos fundos, os enfeites magníficos, os convidados bem acomodados... Mas não via sua filha, que havia passado as últimas horas se arrumando em seus aposentos.
Em seu quarto, a princesa de Hyrule se enfurecia, tentando abotoar sozinha as costas de seu belo vestido.
-Impa!-gritava ela a sua pajem.-Venha me ajudar com isso... Droga!-exclamou Zelda, de repente. O vestido quase caiu, mas ela conseguiu segura-lo.
-Maldito botão... Escapou de novo! Impa, venha logo!
Impa surgiu por trás das cortinas.
-Calma, princesa,já estou indo!-respondeu a pajem. Aproximou-se das costas da princesa e abotoou o vestido.-Lembre-se que uma princesa não deve praguejar!
Ajeitando o vestido, Zelda deu uma fria resposta a Impa:
-Não me venha com sermão. Você sabe que, se dependesse de mim, nem sonharia em aparecer nesse baile. Agüentar um bando de arrogantes ridículos me cortejando, pensando que realmente têm chance de casar-se comigo... Argh!
Impa sorriu.
-Não se preocupe, princesa: - disse a pajem - se algum deles passar dos limites, eu os farei diminuir seu ânimo.-terminou, mostrando discretamente sua adaga.
Zelda conseguiu rir por um momento.
-Você não existe, Impa... não sei o que faria sem você.-disse a princesa, terminado de pendurar seus brincos e colocar seu colar. Depois, foi até a porta, com um suspiro.-Vamos acabar logo com isso.
Quando a princesa chegou com Impa no hall, o rei já estava terminando seu discurso. Finalmente, desejou uma noite agradável a seus convidados. Ao ouvir isso, um nobre de nariz empinado virou seus olhos e riu com sarcasmo. Zelda bufou, dizendo baixo:
-Ninguém está obrigando-o a ficar!
Impa lançou um olhar severo à princesa, conduzindo-a a um elegante trono ao lado do pertencente ao rei, que se aliviou ao constatar que sua filha estava bem. Os olhares dos nobres se desviaram a Zelda, e alguns deles cochicharam, dando risadinhas inconvenientes.-
Então – terminou o rei -, gostaria de terminar este discurso dando novamente minhas boas vindas aos nossos convidados. Espero que se sintam em casa! Obrigado, e que comece o baile!
O rei foi aplaudido, e os empregados retiraram as cadeiras dos convidados, que se levantavam e pediam seus pares. Uma orquestra de músicos regidos por um maestro começou a tocar uma valsa. Zelda baixou sua cabeça, esperando o bombardeio de imbecis que a convidariam para dançar. Um homem de cabelos pretos e lisos e com bigode repartido ao meio logo a convidou, mas ela o afastou com uma recusa, acompanhada de um olhar congelante. A princesa se limitou a esperar que aquilo tudo acabasse e ela pudesse voltar à paz de seu quarto. De repente, ela sentiu alguém se aproximando, e a sombra do homem a cobriu. Furiosa, Zelda se preparou para recusar o convite para dançar, quando uma voz conhecida soou.
-Posso ter o prazer desta dança, Alteza?
Zelda se alarmou. Ergueu os olhos, e deu um sorriso: à sua frente, estava um jovem de 20 anos, vestido com um traje a rigor usado por cavaleiros. Era loiro, tinha olhos azuis e orelhas pontudas. O garoto sorriu de volta: era Link.
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