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› Autor: ~Joyblack
› Gênero: Ação, Aventura e Luta / Comédia / Romance e Novela.
› Personagens: Naruto, Hinata, Sasuke, Sakura
› Classificação: Livre
› Adicionado em: 19/03/07
› Comentários/Favoritos 20/56
› Caracteres: 31.973
› Exibições: 3.623
Nota:
Capitulo II – Posso te ajudar
Naruto precisou de um tempo para se recuperar da forma violenta como a Hokage o tratara depois da reunião. Enquanto andava pelas ruas de Konoha, com o lado esquerdo do rosto totalmente inchado, murmurava consigo mesmo:
- Droga tinha esquecido o quanto a vovó Tsunade batia forte. – disse ele alisando o queixo – Agora o que farei com relação a esse teste escrito? O combate até que é moleza, mas uma prova?Aiaiai... É nessas horas que eu me arrependo por não ter prestado atenção às aulas do Iruka-sensei... – de repente, uma idéia veio a sua mente de forma assustadoramente clara - Hummm .... Iruka-sensei.... É isso! Vou pedir umas aulas ao Iruka-sensei!
Empolgado, Naruto mudou imediatamente o rumo de casa para a academia ninja. Tinha certeza que poderia contar com seu professor naquela hora. Ele nunca o abandonara quando ele precisava e também fora a primeira pessoa a reconhecê-lo ali naquela vila.
Ao chegar à academia, ele passou a procurar, sem êxito, por Iruka. Não sabia mais qual sala o sensei ensinava. Havia aumentado sensivelmente o número de crianças na vila.
- Aff, cadê ele? – perguntou depois de olhar a quarta sala.
- Ei, Naruto-niichan!!! – chamou uma voz conhecida.
Ao ouvir seu nome, Naruto se virou e tem uma enorme surpresa ao se deparar com Konohamaru num colete de chunin. Ele não era mais aquele menino agitado de seis anos trás. Com quinze anos, Konohamaru havia adquirido a estatura de um homem já feito, e possuía os cabelos alinhados de uma forma bem charmosa. Pelo que Naruto soube, ele também estava muito forte, e treinava constantemente com Asuma, tendo aprendido já a maior parte dos jutsus de sua família.
- Konohamaru... Chunin... – murmurou vendo o colete - Desde quando?
- Ah, isso? Desde hoje cedo! - falou animado - A Hokage-sama tirou a gente da cama hoje cedo para falar que a gente tinha passado.
- Ela adora fazer isso... - comentou Naruto – Peraí, você disse “a gente”?
- Sim meu time todo... – e dando uma pausa, Konohamaru começou a rir sarcasticamente. – Hehehehe...
- Do que você ta rindo? - perguntou Naruto desconfiado.
- Eu to mais perto de virar Hokage que você niichan!!!!
- Ora seu...
- Quem manda ser um incompetente que com dezoito anos ainda é um genin... - zombou o adolescente.
A face de Naruto se contraiu dolorosamente ao ouvir essas palavras. Konohamaru percebeu o semblante do seu amigo mudar de uma hora pra outra e pensou que talvez tivesse ido longe demais.
- Ei, Naruto-niichan? – chamou timidamente.
A raiva tomou conta de Naruto, juntamente com um sentimento de impotência e frustração.
“Somente um genin...” ele pensou aborrecido consigo mesmo.
- Ei, é brincadeira... – falou Konohamaru tentando animar Naruto - É... ahhhhhh!!!!!
Mas elas foram em vão. Naruto estalou os dedos ameaçadoramente para o garoto. Imediatamente Konohamaru começou a correr sendo perseguido pelo irado Naruto, enquanto faziam o maior escândalo pela escola.
- É BRINCADEIRA!É BRINCADEIRA NIICHAN!!! – gritava o menino aos prantos.
- DEIXA EU TE MOSTRAR O QUE ESSE GENIN PODE FAZER COM SUA CARA! - bradou Naruto irritado.
- Ei o que vocês pensam que estão fazendo?!
A voz irritada de Iruka pôs um fim à perseguição. Ele colocara a cabeça para fora de uma sala onde estava escrito “Sala de Vídeo” e Naruto descobriu o porquê de não tê-lo achado antes.
- Ah, Iruka-sensei... – murmurou Naruto desviando a atenção do assustado Konohamaru que aproveitou a situação para fugir para bem longe dos punhos de Naruto.
- Que estardalhaço é esse Naruto? – reclamou Iruka irritado - Tem crianças assistindo aula aqui! E o que foi isso no seu rosto?
- Desculpe sensei. Isso foi a Vovó Tsunade quem fez quando... É isso! Aulas! – exclamou de repente.
- Hã?! Do que você está falando Naruto? – indagou Iruka confuso.
Naruto começou a contar empolgado todo o episódio que acontecera mais cedo, sobre a oportunidade de se tornar jounin, que teria que fazer uma prova e isso incluía a parte do teste escrito.
- Então – disse encerrando a narração – Eu vim lhe pedir para me dar umas aulas para poder fazer essa prova.
- Fico honrado que você tenha lembrado de mim Naruto, porém... – Iruka suspirou chateado – Eu não poderei te ajudar. Tenho uma turma que está preste a concluir a academia e está sendo muito dispendioso prepará-los. Perdoe-me. – acrescentou ao ver a cara de Naruto.
- Tudo bem sensei. – falou desanimado – Vou procurar outra pessoa que...
- Eu tenho uma idéia. – interrompeu uma voz.
- Oh, Kakashi! – exclamou Iruka.
O jounin surgiu atrás deles repentinamente, segurando o Icha Icha Paradise, e parecia contente com alguma coisa.
- Kakashi-sensei! Você vai me dar aulas? – perguntou Naruto empolgado.
Kakashi suspirou.
-Infelizmente não, agora que você, Sasuke e Sakura não dependem mais de mim, eu fui designado pela Tsunade-sama para outro time. E ela me tirou da cama cedo pra me dar a noticia. – acrescentou desgostoso.
- É... Ela gosta de fazer isso. – concordou Iruka.
- Mas eu sei quem pode te ajudar. – disse o antigo sensei do Time sete.
- Quem?! O capitão Yamato? – perguntou Naruto lembrando do tempo que treinara com ele.
- Não. Ele também vai ser designado a um time. Existem muitas crianças novas para se tornarem genin.
- Então quem?
- Ora quem, a Sakura ou o Sasuke lógico. Eles ficaram felizes em contribuir para sua promoção. – comentou ele rindo por trás de sua máscara.
Naruto deu uma tapa na própria cabeça, como se isso tivesse sido a coisa mais obvia do mundo e exclamou:
- Claro! Por que não pensei nisso antes?! Vou falar com eles agora! Obrigado Kakashi-sensei, Iruka-sensei! – e sumiu da vista dos dois rapidamente.
Observando o rapaz se afastar tão rapidamente os jounins se entreolhara.
- Você acha que ele consegue? – pergunta Iruka preocupado.
- Tenho certeza que sim. Estamos falando do Naruto. – afirmou Kakashi.
*******
Sakura acordou com uma decisão tomada naquele dia. Tomou seu banho matinal e vestiu a roupa mais bonita que encontrou. Não precisaria ir ao hospital naquela manhã, pois acabara de sair de um plantão intenso de trinta e seis horas nos dias anteriores. Olhou no espelho, preocupada com a possível existência de olheiras. Apesar da aparência um pouco cansada, ela estava se sentindo bonita. Calçou suas botas e saiu de casa.
Seria naquele dia. Iria falar com Sasuke. Seria a última vez. Mesmo o amando muito, chegara à conclusão que aquele amor não correspondido estava acabando com ela aos poucos. Não queria se tornar uma pessoa amarga. Queria amar e ser amada, como toda mulher normal. Sim, Sasuke fora sua vida pelos últimos seis anos. Não só por esse seis... Por muito mais tempo. Por isso decidira por um fim naquilo, ou iria acabar enlouquecendo.
Sabia que o encontraria no prédio da anbu, por isso tomou o rumo de lá, rezando para que ele não estivesse ocupado. Enquanto andava, sua mente estava tecendo mil e uma suposições sobre a conversa que teria com ele. Seu estômago apertava, sinal que o nervosismo tomava de conta dela aos poucos.
“Sei o que devo fazer se ele me disser um não... Mas terei forças para isso? Para esquecê-lo?” pensava angustiada “Sakura! Você já decidiu! Nada de voltara trás agora!”.
- Olha, é a Sakura! Sakura!
Ela olhou rapidamente, e viu Ino parada em frente à floricultura da família. Mas ela não estava sozinha. Sai, o seu ex-companheiro de time, que havia sido colocado no Time sete no lugar de Sasuke três anos antes, estava lá também, com a mão passada na cintura de Ino, numa atitude muito intima. Sakura sabia que eles estavam namorando há algum tempo e sorriu se aproximando de ambos. Seria bom adiar um pouco o momento da decisão.
- Olá Ino, Sai. – cumprimentou ela.
- Olá Sakura. Indo trabalhar? – perguntou Ino sorrindo.
- Na verdade não. – esclareceu a outra – Apenas indo resolver uns problemas...
Sai encarou Sakura longamente e depois falou com seu sorriso tão característico:
- Levando em consideração que você se encaminha para onde fica a sede da anbu, esses problemas devem ser com o Sasuke-kun.
- Sai! – repreendeu Ino.
Sakura deu um sorriso encabulado para Sai.
- Como sempre, sincero demais Sai... Você devia pensar duas vezes antes de falar dessa forma...
- Estou mentindo? – perguntou o rapaz ainda sorrindo.
- Não, não está. – falou ela firmemente. Se havia tomado uma decisão, devia segui-la a ferro e fogo – Estou decidida a mudar tudo entre nós hoje.
Ino olhou para a expressão decidida de Sakura e imediatamente entendeu o que ela estava prestes a fazer. Mesmo com todas as diferenças, elas eram muito amigas e em certos pontos tinha atitudes semelhantes.
- Sakura – falou ela preocupada – Imagino o que você pretende fazer... Mas... Vale a pena pressionar um homem como o Sasuke-kun? Ele pode simplesmente dar de ombros e não dizer nada a você.
- Se ele fizer isso Ino, já sei o que fazer – seu coração se apertou diante disso, mas ela não se importou – O que não posso fazer é continuar a viver desse amor doentio que esta me consumindo... Se for para não ficar com ele, que eu saiba isso logo. Vou falar a ele mais uma vez dos meus sentimentos, mas será a ultima vez. Depois disso... – ela suspirou – Dependendo da resposta dele...
- Sakura... – murmurou Ino.
Ali estava uma coragem para se admirar, pensou a loira. Mesmo sabendo que provavelmente seria desprezada, ela queria resolver isso. Mas, mesmo diante da decisão de Sakura, ela duvidava que a médica fosse capaz de esquecer Sasuke mesmo se ele dissesse que não a amava. Depois de tudo que a garota vivera e sofrera por ele, principalmente nos três anos que precedera sua volta à vila, era impossível se desligar de tudo.
- Bem, eu desejo boa sorte. – falou Ino por fim.
- Obrigada. – agradeceu sinceramente.
- Espero que você possa tomar a decisão certa Sakura – continuou a outra – E que você não se arrependa mais tarde.
- Eu já tomei minha decisão Ino. Só falta me encontrar com o Sasuke-kun e colocar tudo em pratos limpos.
- Então pode começar. – disse Sai inesperadamente – O Sasuke vem vindo ai.
Como coração em disparada, Sakura olhou para trás. Sasuke vinha andando em sua direção calmamente, com sua expressão entediada de sempre. Se quando criança Sasuke sempre fora bonito, agora que já era um homem sua beleza se tornara mais selvagem e avassaladora. Seu olhar já era suficiente para deixar qualquer mulher na vila sem fôlego. Quando ele parou em frente aos três, deu um leve sorriso.
- Bom dia. – cumprimentou casualmente.
- Bom dia. – respondeu os outros três em uníssono.
- Que inusitado você por essas bandas Sasuke-kun. – falou Sai.
- Nem tão inusitado assim Sai. – respondeu ele, acrescentando depois – Você me parece muito bem.
- É minha companhia. – e abraçou fortemente Ino, que ficou escarlate com a demonstração de afeto.
- Sai! Não precisa ser tão expansível... – reclamou, mas com um sorriso no rosto.
Sakura riu diante da cena, mas não olhou para Sasuke. Sabia que precisava pedir pra falar com ele, mas simplesmente a voz não saia.
-Sakura. – falou Sasuke de repente.
Olhando para ele, Sakura sentiu suas pernas ficarem bambas.
- S-Sim Sasuke-kun?
- Eu gostaria de falar com você agora... É possível?
A expressão dele era séria e enigmática. O que ele teria para falar com ela? Com um nervosismo crescente, ela balbuciou:
- C-Claro...
- Então... Pode ser em um lugar mais reservado? – pediu ele ficando mais sério ainda.
- Isso, mostre atitude Sasuke! – brincou Sai.
- Sai! – repreendeu Ino mais uma vez, sendo ignorada por ele e recebendo um beijo na bochecha. Olhando para amiga falou – Desculpe esse idiota! Darei um jeito nele. Até mais! – e empurrou Sai delicadamente para longe dali.
Sasuke começou a andar em direção à saída da vila e Sakura seguiu-o de perto. Ainda se voltou para acenar para os amigos que ficaram para trás e começou a andar cautelosamente.
O que queria Sasuke? Era o que pensava ela.
O que Sakura não sabia era que Sai e Ino cogitavam a mesma possibilidade.
- O que você acha Ino? – perguntou Sai quando ele já tinha se afastado bastante.
- Dele podemos esperar qualquer coisa... – respondeu a garota.
- Adoraria segui-los e saber de tudo, mas vou voltar ao meu trabalho. – e dando um beijo na namorada, murmurou – Torcemos para que haja um novo casal nesta vila.
- Com certeza... – torcia Ino retribuindo o beijo do namorado.
-Então ela não está? – perguntou Naruto um pouco decepcionado.
- Infelizmente não. Ela saiu há pouco tempo.
- Ah, ok. Obrigado, Haruno-san.
- De nada, Naruto. Eu aviso a ela que você esteve aqui.
Naruto se despediu da mãe de Sakura com um aceno, mas mal conseguindo retribuir o sorriso que ela lhe oferecia. Aquilo estava se tornando mais difícil que o esperado. Depois de passar tanto tempo sendo somente um genin, ele finalmente tem a chance de estar numa posição de respeito da Vila de Konoha, e a oportunidade parece estar escapando de suas mãos. Tudo por causa desse maldito teste escrito! De quem teria sido essa maldita idéia?
Continuou a andar sem destino, com a cabeça baixa e os pensamentos em polvorosa.
- Droga Vovó Tsunade! Por que você permitiu isso? – exclamou em voz alta sem perceber.
- Com quem está falando Naruto?
Ino estava com um avental florido regando vasos de flores em frente à floricultura da sua família. Ela estava sorrindo, provavelmente achando engraçada a situação dele.
- Nada não Ino. Falando comigo mesmo. – respondeu encabulado.
-Sei... – comentou ela sorrindo.
- A propósito, onde está o Sai?
- Saiu daqui a pouco tempo. Foi trabalhar um pouco... E você, o que está fazendo por aqui? Sem missões?
Naruto suspirou.
- Na verdade eu estava procurando a Sakura... Tenho umas coisas pra falar com ela... – e dando uma pausa, olhou para a ninja a sua frente - A propósito, você viu a Sakura por aí?
- Sim, ela foi pra lá – respondeu apontando para a saída da vila – Mas devo avisar...
- Valeu Ino! – interrompeu Naruto bruscamente – Vou atrás dela agora! - e saiu em disparada.
-... Droga! – exclamou Ino vendo ele se afastar velozmente - Ela esta com o Sasuke... Nem me deixou falar... Eu hein? Que apressado!
*****************
O vento soprou mais forte no momento que Sasuke parou no meio do bosque. Ele estava de costas para Sakura e a garota apenas podia imaginar o que se passava na cabeça dele. Não imaginava que tipo de assunto ele poderia ter para lhe falar. Afinal, agora estavam tão distantes um do outro. Ele havia se tornado chefe da anbu enquanto ela era uma médica no hospital de Konoha. O único do antigo Time sete que não exercia nenhum cargo mais importante era Naruto, mas mesmo esse vivia constantemente em missões, e quase nunca os três se encontravam. E sem dúvida, ela tinha muito mais contato com o rapaz que estava de costas para ela que o outro companheiro.
“Não sei o que ele quer...” pensou Sakura “Mas vou aproveitar essa oportunidade. Depois que ele falar o que quer, falarei dos meus sentimentos...”.
Repentinamente Sasuke se voltou e a encarou profundamente nos olhos. Suas pupilas estavam negras como sempre, mas Sakura sentiu intensidade muito maior que o normal. E percebeu que, o que quer que Sasuke fosse dizer, somente aquele olhar já valia a pena ter ido até ali.
- Sakura... – começou ele – Eu peço desculpas por ter te arrastado para longe da vila... Imagino que você devia ter assuntos importantes para resolver e...
- Não! – falou ela apressadamente – Eu não tinha nada para resolver! Estava apenas conversando com a Ino e o Sai...
“Ai que mentira descarada Sakura!” pensou ela “Você ia justamente atrás dele! Como pode mentir assim?!”.
Todavia, se Sasuke notou qualquer indicação de sua mentira, simplesmente a ignorou. E continuou a encará-la daquela forma intensa, como se quisesse se certificar que ela estava ali realmente. Depois de alguns instantes, ele se aproximou lentamente. Sakura sentiu seu coração disparar com a proximidade. Levando a mão em direção à cabeça dela, Sasuke acariciou levemente seus cabelos. Sentindo o rosto ficar imediatamente em chamas, ela balbuciou:
- Sasuke-kun...
Levantando a mão, ele pediu para ela parar de falar.
- Desculpe Sakura, mas quem deve falar aqui hoje sou eu... - e dando uma pequena pausa ele continuou – Eu pedi pra você vir até aqui por que... Por que... – ele fechou os olhos por um momento e depois os abriu – Eu gostaria de saber... Se você ainda me ama...
Uma onda de choque percorreu seu corpo. Era verdade? Sasuke havia feito mesmo aquela pergunta, ou seus ouvidos lhe pregavam peças?
- Sasuke-kun... – balbuciou – Por que você está me perguntando isso?
- Apenas me responda, por favor. – pediu ele.
“Ele se adiantou por mim... Vamos acabar logo com isso...” E respirando fundo, Sakura colocou todos os seus sentimentos para fora:
- Sim, Sasuke-kun... Eu te amo... Nunca deixe de te amar um só momento nesses seis anos. Tudo que eu lhe disse quando você abandonou Konoha, quanto o que falei quando você voltou ainda é verdade. Nunca deixou de ser. Eu te amo. Te amo tanto que chego a ter a sensação que vou sufocar! - as lágrimas que ela não queria derrubar começaram a lavar o seu rosto, acentuando o cansaço das horas trabalhadas no hospital – Eu não sei mais o que fazer! Você se tornou a minha vida há muito tempo e não sei o mais o que fazer! Eu não sei viver se não puder ter você perto de mim! Eu...
O choro abafou as outras palavras que queria sair, mas Sakura sabia que já falara o suficiente, como sabia que a decisão que tomara naquela manhã fora inútil. Não imaginava mais viver sem ter ele por perto. Não imaginava estar em outros braços que não fosse os de Sasuke. Se ele não a amasse, mesmo que a desprezasse, sabia que aceitaria qualquer migalha de atenção que pudesse recolher de suas mãos. Apertou os olhos, permitindo que toda sua insegurança viesse á tona.
Sasuke a observou inexpressivamente. Tal como Sakura, ele havia tomado uma decisão naquela manhã. E diferentemente dela, iria executá-la. E qual não foi a surpresa da médica quando se viu envolvida por aqueles braços pela primeira vez em seis anos. Ele nunca a abraçara. Sempre era ela quem tomava toda a iniciativa. Por isso ficou totalmente sem ação ao perceber que estava nos braços tão sonhados de seu amor.
Inclinando a cabeça em direção ao ouvido dela, Sasuke pronunciou baixinho:
- Sakura... Hoje, eu finalmente decidi admitir para mim mesmo algo que venho tentando esconder... – e alisando os cabelos dela, continuou – Decidi admitir que a amo. Quem sempre a amei.
O mundo repentinamente pareceu ter virado ao avesso. Levantando a cabeça, ela o encarou e surpreendeu-o sorrindo para ela. Não era uma ilusão. Não era um bushin. E não era uma mentira. Era Sasuke que a abraçava e a amava.
- Eu... - tentou falar alguma coisa, mas sua garganta estava apertada.
Percebendo o choque dela, Sasuke sorriu. Não precisava das palavras dela. Precisava apenas de sua presença. E se inclinando mais um pouco, deixou sua boca cobrir a dela delicadamente. Sakura fechou os olhos sentindo o gosto de Sasuke penetrar dentro dela como se fosse o fôlego que faltara na sua vida. O abraçou fortemente, sentindo seu cheiro e seu toque. Não queria que aquilo acabasse agora. Na verdade, não queria que acabasse em tempo nenhum.
O que Sakura não percebeu foi que outra pessoa também partilhava do momento deles. E que tão logo que viu o beijo se aprofundar mais, saiu silenciosamente e seguiu na direção oposta.
-Ei sensei, vamos parar por hoje?
Makoto parecia o mais cansado dos três. Desabou sobre as pernas tão logo ela parou de atacá-lo. Ele já estava sentado ofegante depois de apenas três horas de treino. Diante do comentário, Hinata sorriu.
- Você não acha que ainda é cedo para uma pausa Makoto? – perguntou ainda na pose de luta - Só treinamos uma parte da manhã!
- Deixa de ser mole Makoto! – falou Suzumi com as mãos na cintura – Você deveria dar exemplo, já que é o único homem do time!
- Concordo! – falou a outra garota, Yumi.
O Time três era realmente inusitado, pensou Hinata pela milésima vez. Era a primeira vez na vila que um time era formado por duas meninas e apenas um menino. Isso significava que agora as mulheres aumentavam de numero dentro da vila. E aquelas duas eram especiais. Mesmo tendo estranhado a principio a formação, não imaginava mais Suzumi e Yumi separadas. Mas talvez Makoto não pensasse assim, já que encarou as duas com uma expressão nenhum pouco satisfeita.
Rindo da cena, Hinata passou a observá-los. Yumi, com seus longos cabelos azuis claros, transmitia uma aura de serenidade e paciência. Sóbria, era de longe a mais analítica do time. Suzumi era o que se poderia chamar de rebelde. A bermuda folgada e a jaqueta colocada de forma despreocupada em cima do top preto lhe davam a sensação de um menino delicado. Os piercings que ela exibia e a touca que usava por cima da vasta cabeleira ruiva apenas reforçavam a imagem de moleque travesso. Makoto, olhando para as garotas se levantou. Era impressionante como ele era baixinho para idade que tinha. Vestia uma camisa preta com uma chama no peito, e seus olhos negros refletiam raiva. Balançou os cabelos também escuros e falou com sua voz ainda infantil:
- Mas já é quase hora do almoço! A Kurenai-sensei parava quando eu pedia... – choramingou.
Apesar de aquele ser um comentário constante, ainda doía. Desde que Kurenai teve que se afastar do seu time devido à gravidez, ela havia sido indicada pela própria sensei para cuidar do Time três. Estava gostando muito da experiência, pois mesmo com as desavenças constantes entre os membros, eram garotos muito talentosos. Porém se não fossem as comparações como aquela sempre presente em Makoto, tinha certeza que estaria se sentindo melhor. Quando viu que o garoto já havia se levantado, assumiu novamente a posição de luta.
- Bem vamos conti... - mas sua frase foi interrompida por uma presença estranha.
- O que foi sensei? – perguntou Suzumi ao ver a expressão preocupada de Hinata.
- Não se mexam. – Hinata advertiu – Byakugan!
Com seus olhos ela começou a vasculhar o bosque à procura do chakra pressentido até que o encontrou, se escondendo entre as arvores.
- Oh! – exclamou desativando seu byakugan.
Os três alunos a olhavam, assustados, principalmente Makoto.
- O que é sensei? – perguntou ele preocupado – Algum ninja inimigo?
Hinata sorriu nervosamente.
- Não é nada. Bem já que paramos, que tal vocês irem almoçar? Voltaremos às duas horas!
- Oba almoço!!! – exclamou o menino.
As crianças saíram rindo e pulando combinado o que comeriam, enquanto Hinata se encaminhava na direção do chakra pressentido.
Na direção de Naruto.
Não havia como piorar aquele dia. Essa foi a conclusão a que chegou Naruto. Sentado numa pedra, olhando seu reflexo na água, ele procurava o que tinha de errado consigo mesmo. Por que Sasuke e não ele? Por que eles estavam se beijando naquele momento? Nem ao menos teve coragem de interromper o momento deles. Nem odiá-los por isso. No fundo ele sempre soube. Sempre soube que depois que Sasuke ter voltado para a vila, três anos atrás isso aconteceria um dia, e eles ficariam juntos. Na verdade, parte se seu desespero para trazer o amigo de volta era pra fazer a Sakura feliz. Eles tinham direito de ficar juntos. Mas mesmo assim doía. Muito.
Hinata o observava de longe. Estava preocupada, pois nunca vira tanta dor nos olhos de Naruto. Ficou tentada a se aproximar, mas não tinha coragem. Sentia-se uma grande covarde. Ele estava ali, tão desamparado, como se precisasse urgentemente de alguém, e ela tinha tanto a oferecer a ele...
“O que eu tenho a perder mesmo?” pensou ao lembrar da noite passada “Só vou perguntar como ele esta, só isso...” dizia pra si mesma. E num momento de extrema coragem, começou a se aproximar dele.
Dias depois ao lembrar desse episodio, Naruto não saberia dizer o que o levou àquela atitude extrema. O estresse a que havia sido submetido ou a fome. Ou os dois. O certo é que é que quando ele sentiu uma presença se aproximando sorrateiramente, não consegui distinguir de quem era. Apenas formou o rasengan numa das mãos e atacou a figura que lentamente se aproximava. Foi só então que viu que cometera um erro. Era Hinata. Até hoje ele não sabe explicar como, mas usou toda sua força para dar um impulso com o pé e mudar o curso de seu ataque. Mas foi por pouco. Bem pouco. O rasengan passou bem perto do rosto da garota, deixando um fio de sangue escorrer, mas indo de encontro ao bosque.
Hinata ficou em estado de choque. Naruto quase a atacara. Ela ouviu apenas o estrondo do rasengan quando este atingiu as arvores e a poeira subiu. Não teve coragem de olhar para trás. Na verdade não tinha nem forças para se manter em pé. Lentamente caiu sentada sobre suas pernas, com lágrimas involuntárias correndo por sua face.
Naruto se sentiu o pior dos homens. Quase atacara uma amiga em sua fúria infundada. Todavia, o que mais lhe doeu foi ver o estado em que ficou a garota. Deu graças que ela não olhou para trás ou veria que, com o estrago que ele fez com o rasengan no bosque, poderia tê-la matado.
- Hinata... - chamou timidamente se aproximando – Me desculpe... Não era minha intenção... Eu não vi que era você... Hinata...
As dores voltaram mais fortes. Seu estômago se contraiu a ponto de fazê-la curvar-se de dor. Sentiu a bílis subir pela sua garganta, mas sufocou a vontade.
“Não, na frente dele não”, suplicou Hinata.
- Hinata? Você se machucou? Eu te machuquei? – perguntou angustiado.
“Respire. Se acalme. Não passe essa vergonha na frente dele.” Desesperada, Hinata dava ordens para seu interior procurando não vomitar na frente de seu amado. Foi difícil conter toda aquela ânsia, mas finalmente as dores passaram. Quando viu que estava segura, falou num fio de voz:
- E-estou melhor N-Naruto-kun... Foi só o susto...
Mesmo diante de suas palavras, Naruto ainda parecia seriamente preocupado.
- Eu não sei o que me deu... – se desculpou mais uma vez - Ou melhor... Acho que foi a fome, hehe... – e deu um sorrisinho nervoso.
Ficou mais aliviado ao ver que Hinata sorria timidamente diante do comentário dele.
“Preciso me redimir...” pensou aflito. E então teve uma idéia que lhe pareceu salvadora.
– Já sei! Para me redimir, vou te pagar um ramen, que tal?
Hinata pareceu considerar por um momento.
- C-claro.
“Eu vou ficar perto dele... E-Eu vou estar com ele...”. Pensou sem saber se sentia felicidade ou medo.
Naruto a ajudou a levantar-se, tomando cuidado de deixar a clareira que ele abrira no bosque longe da vista dela. Não queria que ela se assustasse mais ainda.
- Oh, você está machucada! – exclamou ele apontando o fio de sangue que escorria em seu rosto – Espere um pouco.
Enquanto se encaminhavam de volta a vila, Naruto tirou um lenço do bolso e ofereceu para Hinata.
- Pegue. Limpe o sangue.
Hinata sentiu o rosto ficar vermelho.
- O-Obrigada... – agradeceu colocando o lenço no lugar ferido.
O Ichiraku Ramen estava lotado àquela hora. Para atender a freguesia, o dono colocou umas mesinhas em frente à loja e acenou para Naruto assim que este, juntamente com Hinata, acomodou-se em uma das mesas.
- O de sempre, Naruto? – perguntou com um grande sorriso.
- Sim. O de sempre. – falou ele alegremente, e se voltando para Hinata perguntou – Qual você quer?
- A-Ah, pode ser o mesmo que você... – falou timidamente.
- Ei tio! Dois “de sempre”!
Um silêncio constrangedor se abateu sobre os dois enquanto esperavam os pedidos. Hinata constrangida por estar com ele, e Naruto constrangido pelo que havia feito há pouco. Ficaram assim por um tempo até que Naruto achou uma forma de iniciar a conversa:
- Er... Hinata, o que você estava fazendo no bosque?
- Ah, eu estava t-treinando o Time três...
- Sério? – perguntou admirado - Eu não sabia que você era responsável por um time...
- B-Bemn-na verdade não é meu... - falou timidamente – Estou substituindo Kurenai-sensei que está grávida...
- Uau, Kurenai-sensei vai ter um bebê? – ele agora estava realmente surpreso.
- V-Você não sabia Naruto-kun?
Ele coçou a cabeça, envergonhado.
- Tenho passado tanto tempo afastado da vila em missões que essas coisas para mim são novidades... Mas, imagino que Asuma-san deve estar muito feliz. E Konohamaru também! Afinal vai ganhar um priminho ou priminha né?
- S-Sim... Konohamaru-kun está muito feliz. – e criou coragem para sorrir pra ele.
- Puxa, deve ser legal ser um jounin... – se empolgou Naruto, que ficou estranhamente quieto depois de suas palavras.
Hinata sabia que, de todos os seus amigos, Naruto era o único que ainda era um genin. Imagina que ele se sentia muito mal por isso.
- N-Naruto-kun ainda pode se tornar um jounin... – falou insegura, mas tentando transmitir alegria pra ele.
- Estou começando achar que não. – murmurou baixinho.
- P-Por que, Naruto-kun?
Em poucas palavras, Naruto contou a ela toda historia desde a proposta da Hokage até aquele momento, exceto a parte de Sakura e Sasuke se beijando. Foi então que Hinata teve uma idéia que lhe deixou com a face extremamente vermelha e o coração palpitando.
- B-B-bem e-eu n-não sei s-se você v-vai querer, mas eu posso te d-dar umas aulas p-para a prova...
“ Que idiotisse Hinata!” pensou ela “Naruto-kun jamais aceitaria isso!”
Todavia, um lindo sorriso estampou-se no rosto de Naruto.
- Sério!? Você faria isso por mim?! – e segurou as mãos dela por cima da mesa.
-C-Claro. – gaguejou ela sentindo que podia desmaiar com o contato das mãos dele - M-mas só posso depois de treinar os meninos...
- Ah não tem problema. Eu posso até te ajudar nos treinos se você quiser!
A chegada do ramen poupou Hinata de fazer qualquer comentário, até por que ela provavelmente ela não conseguiria e Naruto soltou as suas mãos. Não sabia como, mas ia ser professora de Naruto e ele iria ajudá-la nos treinos.
“Eu só posso estar sonhando” pensou incrédula.
- Não vai comer Hinata? – indagou Naruto olhando a expressão indecifrável dela.
- C-Claro. - falou rapidamente Hinata, que teve a prazerosa sensação que naquela noite não haveria pesadelos.
[19/03/07] Capitulo I - Um péssimo dia
[19/03/07] Capitulo II – Posso te ajudar
[25/03/07] Capitulo III – O primeiro passo é o mais difícil
[18/04/07] Capítulo IV – Vamos! Avante!
[18/04/07] Capítulo V – Eu me preocupo com você
[18/04/07] Capitulo VI – Perda de tempo
[30/04/07] Capítulo VII – É só um mal entendido!
[02/05/07] Capítulo VIII – Como se fosse ontem
[03/05/07] Capítulo IX – Entre amigos
[18/05/07] Capítulo X – Borboleta abatida
[25/05/07] Capítulo XI – Assumindo erros
[01/06/07] Capítulo XII – Sonhos possíveis
[15/06/07] Capítulo XIII – Após a tempestade
[22/06/07] Capítulo XIV – Sonhos de uma noite de verão
[29/06/07] Capítulo XV – Tempo Perdido
[06/07/07] Capítulo XVI – Ao seu lado
[14/07/07] Capítulo XVII – Mestre e discípulo
[10/08/07] Capítulo XIX – Sentimentos enterrados vivos
[21/09/07] Capítulo XVIII – Lugar Distante
[23/09/07] Capítulo XX – Conseqüência de seus atos
[23/09/07] Capítulo XXI – O Tempo não pára
[23/09/07] Capítulo XXIII – A dor do silêncio
[25/09/07] Capítulo XXII – Três vezes Três
[17/11/07] História Extra I
[06/03/08] Capítulo XXIV – O cravo e a rosa
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