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› Autor: ~Miaka-ly
› Categoria: Animes/Saint Seiya
› Gênero: Drama (Tragédia) / Shoujo (Romântico)
› Classificação: Livre
› Adicionado em: 20/08/06
› Comentários/Favoritos 4/2
› Caracteres: 25.294
› Exibições: 412
Então ela disse: qual o problema amor?
Qual o problema eu não sei
Bem, talvez eu esteja apaixonado...
Penso nisso toda hora
que eu penso nisso
Não consigo parar de pensar nisso
Quanto mais vai demorar para curar isso?
Só para curar, porque eu não posso ignorar se for amor
Me faz querer virar e me encarar
mas eu não sei nada sobre amor...
Accidentally in Love - Counting Crows
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Um turbilhão de pensamentos passavam diante de mim como um filme de suspense, onde você não sabe o que te espera na próxima cena... Mas eu tinha certeza de uma coisa: eu fui um tolo, e agora, como um filme, eu posso ver isso claramente...
Com aquele frágil corpo da mulher que eu tanto amava em meus braços, ali, desfalecendo, a única coisa que eu conseguia pensar era em como eu podia ter me iludido tanto? Como eu pude acreditar que viveria sem amor para sempre? Que eu viveria sem ela ao meu lado? Meu coração rasgava-se em desespero.
Lembrei-me das várias vezes em que ela me olhava séria com aqueles olhos profundos e dizia “Porque você não deixa de ser criança e cresce pelo menos um pouquinho? Já passou da hora de você agir com um homem! Cresça!” Eu sempre achei graça dessa atitude, do jeito como ela me falava. Eu não sabia bem ao certo o que significavam tais palavras, mas sabia que ela estava certa... Sempre esteve... principalmente, quando me dizia cresça...
Sempre fui um garotão. Mesmo depois de todas as lutas e tempestades da minha vida, eu continuava a ser o mesmo menino que ela conheceu. Amadurecer? Talvez tenha feito um pouco isso... mas o menino que não assumia compromissos com nada ainda vivia dentro de mim. Nunca me importava com nada a longo prazo. O que realmente era importante e valia meu esforço era o presente. Sempre impulsivo e destemido, conseqüência nunca era uma palavra que eu utilizasse no meu vocabulário. Fazia tudo como se não soubesse que as marcas dos meus atos perdurariam para todo sempre.
Certamente, tudo aquilo que se planta, você colherá um dia ou outro. Mas eu, não costumava pensar assim...
Foi por um gesto impulsivo e também gentil por minha parte, que o amor brotou no coração dela a mais de dez anos atrás. Ela estava tão maravilhosamente linda... A visão daquele anjo me movimentou até um lugar proibido. Não que eu me preocupasse com relacionamentos românticos. Não! Eu era jovem demais, uma criança! Mas ela parecia tão desprotegida ali, já que havia se machucado levemente... Qualquer projeto de homem como eu, ficaria tocado com aquela cena. Fui até ela prestar-lhe socorro e conversamos um pouco. Estava arredia, alias, sempre foi assim. Nunca estava plenamente segura ao lado de alguém até que pudesse ter certeza de que poderia confiar. Passado aquele momento, eu me afastei, sem ligar tanto para o que tinha ocorrido, apesar de que aquele rosto angelical havia me marcado profundamente. Pensei que nunca mais voltaria a vê-la depois de tal encontro... Como eu estava enganado!
Quem sabe, se não por uma brincadeira dos deuses, nossos caminhos se cruzaram novamente. Eu não a teria reconhecido... mas o rosto belo, ficou guardado no recôndito do meu coração. E mesmo que eu não me lembrasse, ela jamais esqueceria... Aquele gesto meu, a tocou de alguma maneira... Ela se apaixonou por mim...
O garotão havia ganhado o coração de uma linda mulher!
Como eu pude não perceber que era o homem mais feliz da face da terra, por ser amado por alguém como ela? Como eu pude esconder tanto meus sentimentos, a ponto de eu mesmo não poder enxergá-los dentro de mim?
Dizem que a alma do homem, é um lugar de terras desconhecidas e incertas, onde nem mesmo o dono de tal espírito pode caminhar. Dizem que é preciso conhecer-se profundamente, mas mesmo esse auto-conhecimento, não nos leva a tais terras ermas, onde geralmente se escondem sentimentos que tentamos ignorar ou esconder. Eu creio que há veracidade nesse pensamento...
Com o tempo tornou-se minha fiel companheira e amiga. Sempre estive ciente de seus sentimentos por mim, já que ela mesma mo revelou. Nunca quis feri-la e nem despertar aqueles sentimentos. Ela me dizia: "Está tudo bem! Não é culpa sua! Estou feliz assim..." e sorria. Eu costumava me enganar acreditando que estava tudo realmente bem. Mas eu não era tão ingênuo a ponto de não perceber o quanto a falta de reciprocidade a machucava.
Não que eu não a desejasse. Era uma linda mulher e com certeza me enlouquecia apenas com sua presença, que aliás , ela sabia impor muito bem. Mas eu nunca estive certo se passaria de desejo e se o carinho que tinha por ela, poderia ser algo mais. Eu não estava certo sobre aqueles sentimentos e nunca dei razão nem vazão a nenhum deles. Mas ela sabia como provocar sensações e emoções em mim de formas e maneiras inusitadas. Querendo ou sem-querer, sempre me surpreendia com seu temperamento ambíguo e inesperado. No entanto, eu sabia que a confusão de sentimentos vinha de dentro da minha própria mente não de suas ações para comigo.
Em certa ocasião, foi difícil não perceber o quanto ela mexia com minha cabeça e desde então, comecei reparar nela como mais que uma amiga e amazona...
Era uma tarde de primavera na Grécia. Saí do Santuário de Athena para espairecer um pouco minhas idéias sempre tão confusas... Andando por lugares distantes, na direção dos desfiladeiros, próximos ao mar, tive uma visão que pude descrever como a da entrada dos portões dos campos Elíseos... Era pura beleza, singeleza e doçura... Eu tive que prender minha respiração para continuar a caminhar até a moça sentada no alto daquela rocha, observando o pôr-do-sol... Estava maravilhosa! Seus cabelos dançavam ao vento. Usava um vestido simples verde, que lhe caía muito bem e davam-lhe um toque feminino especial... Os pensamentos que deviam voar a quilômetros por hora, denotavam na face dela uma expressão triste e sonhadora... Os olhos estavam fixos no horizonte, por isso não notou minha aproximação.
Assustou-se quando repousei minha mão em seu ombro. Como sua pele era macia! Eu mesmo não poderia me conter com aquele toque. Fiquei perplexo com a corrente elétrica que atravessou meu corpo e com meus próprios pensamentos. Ela olhou-me no fundo dos olhos profundamente e séria por alguns momentos. Sorriu-me por fim, com o mais puro e singelo sorriso, colocando sua mão sobre a minha, não deixando de me encarar.
- “O que faz aqui, Seiya?” - Foi o que ela me perguntou. Eu gostaria de ter dito que estava ali por causa dela, mas me acovardei diante de tal pensamento! Afinal? O que eu estava pensando? Era minha amiga não? E os sentimentos dela? Como ficariam se eu fizesse algo que pudesse lhe magoar? Não. Acovardei-me e senti um halo de felicidade por isso. Sorri abestalhado (como sempre sorrio quando nervoso ou encabulado como estava) de volta fazendo menção de me sentar ao seu lado. Ela chegou-se um pouco mais para o lado para dar-me passagem e sentei-me rente à moça, podendo sentir o calor que emanava de seu corpo... calor que eu já conhecia... Como era bom! Podia sentir meu coração disparado mas eu fingia não saber o porque... Fingia não perceber o ritmo de minhas palpitações. Mas sabia: estava deixando-me fora de mim! Ficamos olhando o horizonte por um longo tempo, em silêncio. Até que não resistiu e tornou-me a perguntar, séria e deixando clara sua preocupação, o que estava fazendo ali, na Grécia... Soltei um profundo suspiro ainda encarando o horizonte, onde lentamente o ocaso acontecia magistralmente... Ela era insistente e teimosa. Ri em minha mente: como eu!
Eu havia ido a Grécia a pedido de Athena. Vivíamos épocas de paz fazia um bom tempo. Mas constantemente Saori nos chamava para realizar pequenas tarefas, mais como cidadãos do que como cavaleiros. Mas a razão pela qual ela havia solicitado minha presença dessa vez, nada tinha que ver com a constelação ou com o cavaleiro de Pégasus. Era comigo, Seiya, apenas o homem Seiya que ela, minha deusa, queria falar. A memória da recente conversa saltou ao meus olhos... Eu ainda podia ouvir as palavras de Athena dirigidas a mim...
Adentrei a sala principal do Templo de Athena. Tantos anos que não ia até ali. Imagens dançavam em minha memória... Fazia tanto tempo! Mas tudo continuava relativamente igual. Haviam diferenças gritantes como as flores dispersas por toda a sala e os móveis haviam mudado muito também...Estavam mais atuais sem perder o requinte daquele ambiente sagrado. Além das cores que variavam do rosa ao lilás... Os detalhes eu não apercebi... Sempre fui desatento, fazer o que?
Ouvi uma porta fechar-se e fui forçado a sair dos meus devaneios. Olhei em direção a grande porta que dava para os aposentos de Athena e vi que uma figura feminina muito familiar se aproximava de mim. Fui inundado por uma forte e calorosa energia e então sorri, relaxando.
- Seiya! Que alegria vê-lo!! Que bom que atendeu ao meu convite para vir ao Santuário! – disse Saori sorrindo encantadoramente. Como estava bela! Não era mais a garota mimada que conheci. Era uma linda mulher agora. Havia assimilado completamente sua divindade e tornado-se mais branda, bondosa e compreensiva. Amava de todo seu coração a todos seus cavaleiro. Na verdade, havia tempos, éramos mais que cavaleiros de Athena, éramos seus amigos.
- Como poderia recusar ao seu chamado, Athena? – eu devolvi o sorriso – E como tem passado Saori?! – Perguntei descontraído. A presença da deusa sempre fazia-me muito bem. Era reconfortante estar ao lado dela...Sentia-me sempre protegido e acalentado por seu doce cosmo. Sempre me senti assim com relação a ela...
- Bem atarefada! –riu-se – Diga-se que não é fácil ser uma deusa encarnada... e muito menos ser a dona de uma fundação como a Fundação Kido! Mas acho que vou sobreviver... Pelo menos é o que eu espero! Rs! Também, estou sempre bem acompanhada! Tem cavaleiro sobrando em tudo que é lado! Já penso até em exportação desse bem – continuou a rir e eu me juntei a ela. Era óbvio que ela estava tentando me fazer sentir a vontade e isso me dava confiança – E você, meu doce amigo e nobre cavaleiro? Como tem passado?
Senti meu sorriso desbotar em meu rosto. Forcei-me a sorrir ainda assim. Encarei o chão e timidamente sibilei que ia bem, quase inaudível.
Como eu podia ser tão idiota? A quem eu estava tentando enganar com aquela resposta sem vida e incerta? Ainda mais em se tratando da deusa Athena, sábia como era e conhecedora dos meus medos e angústias?
- Você nunca irá se recuperar totalmente não é mesmo Seiya? – Perguntou-me repentinamente. Saori tinha uma expressão de tristeza nos olhos. Sabia o quanto ela se importava comigo, e odiava fazê-la preocupar-se. Mas...mas ela estava certa. Eu jamais iria me recuperar completamente...
- Acho... acho que não Saori... Eu simplesmente não consigo evitar sentir essa tristeza profunda no meu coração... é como se eu ficasse... Se eu fosse...
- Incompleto? – interrompeu-me bruscamente e séria. Ergui minha cabeça e olhei-a com o olhar repleto de assombro. Sabia que ela podia ler-me como um livro, mas não pude evitar espantar-me com a precisão da palavra perfeitamente encaixada ao vazio que sentia. Meneei a cabeça em sinal de aprovação e voltei a fitar o chão. Vendo que não havia imposto nenhuma resistência, então ela continuou – Já é hora de deixar o passado para trás Seiya – disse categoricamente – Não há como apagar aquilo que já foi escrito nas páginas de nossas vidas... Mas é preciso seguir em frente e isso significa, que você deve se desprender da dor a qual se apegou... Deixe-a ir...– ela falava docemente. Aquelas palavras tiveram mais impacto sobre meu coração do qualquer golpe desferido pelo mais forte dos cavaleiros. Senti seu cosmo envolver-me ao mesmo tempo que ela passava os braços em volta do meu peito. Aquele simples gesto fez com que todas as minhas reservas e defesas caíssem por terra. E ali, abraçado a deusa Athena, eu chorei.Mesmo sem entender o porque daquele choro, eu pranteava cada vez mal alto. Chorei amargamente por um longo tempo, apertando-a contra mim. Chorei toda minha vida, toda minha dor, meus medos... Eu a abraçava como um menino abraça a sua mãe em busca de consolo. Na verdade, era isso: eu não passava de um menino em busca de um colo para repousar minha cansada cabeça.
Saori apenas retribuía meu abraço, mas podia senti-la me reconfortar com sua cosmo-energia. Depois de uns momentos sentia-me invadido por aquela confiança e paz que emanavam dela... Desvencilhei-me lentamente de seus braços e vi que ela me encarava com notória ternura e com um sorriso carregado de significados. Fiquei envergonhado com tudo aquilo mas encarei-a de volta.
- Tenho certeza que você ainda encontrará o que realmente procura, Seiya. Não tenha dúvidas sobre sua sorte... Deixe sua constelação brilhar sobre você e acredite. Seu coração irá mostrar o que você está procurando. – Virou-se para sair.
- O que estou procurando... – balbuciei passando a mão sobre os olhos, na tentativa de disfarçar o pranto – E o que estou procurando, Saori? – perguntei displicentemente sem me dar muita conta do que tinha dito.
Odiei-me pela pergunta que havia feito quando a vi tornar-se mais uma vez para mim e sorrir marotamente.
- Oras Seiya! Já pensou que talvez o que esteja procurando, seja aquilo que todos nós procuramos? – continuava a sorrir. Tenho certeza que ela divertia-se ao ver minha expressão confusa.
- O que... todos nós procuramos? Todos procuram? O que... E o que é Saori? – eu atropelava as palavras de encabulado que estava. E para minha completa desgraça, Saori continuava a rir-se de mim.
- O que mais seria Seiya? – eu não sabia, mas algo na forma como ela me falou, fazia-me pensar que a reposta deveria estar debaixo do meu nariz, apenas eu não conseguia ver. Ela se recompôs e fitou-me séria com o mesmo olhar preocupado de antes. – O que todos procuramos Seiya, é alguém a quem possamos amar, pois somente o amor nos completa plenamente.
Posso afirmar que meu queixo “caiu”. O espanto pela resposta reluzia em meus olhos mas eu ainda não conseguia entender. Olhava para Saori questionando o que exatamente ela queria dizer.
- Ath...Athena eu... não entendo... Amor? Mas eu já tenho amor... Tenho amigos que me amam e tenho seu amor e proteção Athena... Não preciso de mais na...
- Bah!!! – não conclui minha frase já que Saori interpelou-me incisiva, com uma espécie de fúria nos olhos – Não falo desse tipo de amor Seiya. Embora seja bom possuir amigos e família, existe algo mais que o ser humano busca. Estou falando do amor entre um homem e uma mulher... relacionamento romântico, entende? O homem e a mulher não foram feitos para andarem sós a menos que seja uma decisão individual e tenho certeza que este, definitivamente, não é o seu caso!
- Relacionamento romântico? – permiti-me rir. O que estava dando na deusa afinal? Relacionamento romântico, para Seiya? Eu não queria isso e nem precisava... Ou será que estava enganado? – Não viaja Saori-chan! Eu não preciso disso! Vivo muito bem sozinho... – reduzi o ritmo da fala – a minha maneira... – disso isso sentindo um aperto no coração. Vivia bem sozinho? Não convencia a ninguém com aquela resposta... Ainda mais com o olhar triste e com a expressão cansada com que pronunciei essa sentença – Não preciso de compromissos...
- Então, não era por isso que chorava agora no meu colo, cavaleiro de Athena? – ironizou com um leve sorriso. Ela sabia. – Vamos lá, Seiya! É hora de crescer, não acha? Já é tempo de deixar de agir como menino encarar a vida como um adulto deveria encarar... Você é um homem feito, um santo de Athena! Passe a agir como tal! Pense! – ela apontava o dedo na minha direção demonstrando ligeira impaciência – Você sente-se incompleto rodeado de amigos e pessoas que te amam e vem me dizer que não precisa de mais nada?. Está certo que há feridas em sua vida que jamais serão completamente sanadas e algumas são minha responsabilidade...
- Athena...
- Não Seiya! Deixe eu terminar. Você precisa ouvir o que tenho a dizer. Eu... eu poderia ter evitado muitas coisas que aconteceram... Principalmente... principalmente com... Seiyka – eu congelei baixando meus olhos de maneira que ela não visse meu rosto... Não queria que ela visse as lágrimas mais uma vez... – Eu não o culpo se você não me perdoar por isso Seiya, nem por sentir-se tão só... poucos cavaleiros sofreram tanto como você e os outros de bronze e vocês são minha responsabilidade e eu sinto muito por falhar...Talvez por ser um pouco humana demais... Mas veja... que... todos estão dando continuidade as suas vidas, apesar das duras lembranças... Eles continuam vivendo se tornando pessoas mais fortes mesmo contra toda escuridão que cercam suas memórias... – parou como se para lembrar-se de algo ou colocar melhor os pensamentos – Eu... fico feliz de saber que, por exemplo, o Shiryu, que mesmo tendo ficado cego irremediavelmente, não desistiu... A luz do amor brilhou mais forte para ele depois de todo sofrimento e ele se acertou finalmente com a Shunrei... O Hyoga finalmente se arranjou com a Eri e fez da mãe dele uma boa lembrança... afastada da dor... Shun tornou-se independente. Depois de tudo, ele aprendeu a confiar mais em si mesmo e a não depender de ninguém... A não ser de June... – ela sorria agora ao falar dos meus amigos e de como o amor os havia modificado... – até mesmo Ikki parece bem... Ele ainda guarda Esmeralda em seu coração, mas agora, seu coração está livre da dor... nem parece Ikki... – riu – está mais brando e tranqüilo! Você o viu?
- Sim... está mesmo diferente... – falei rindo... tudo que ela dissera era verdade... Meus amigos haviam encontrado pessoas para curar as feridas do corpo e da alma. Será que eu sentia falta disso?.
- Bom... até mesmo Marin e Aioria estão finalmente se deixando vencer pelo cansaço e se rendendo ao amor... – ela parou e pensou um pouco. Eu não sei que expressão foi aquela, mas se ela não fosse a encarnação de uma deusa como Athena, eu diria que era uma expressão de malícia. Isso sem contar no tom de provocação utilizado quando me encarou – sabe, até mesmo Shina parece estar bem encaminhada... – olhou para mim firmemente e eu não pude deixar de mostrar meu embaraço... Shina estava... namorando? – há tantos pretendentes, que até mesmo uma deusa sentiria inveja! É um arraso! Tinha que ver a fila de cavaleiros para conhecer a amazona de Cobra - disse zombeteira.
- Que bom que todos estão bem, não? A felicidade deles é a minha também Saori-chan... – como? Shina estava mesmo pensando em casar-se como os outros? Não podia ser... Mas...porque me importo tanto? Eu nunca me importei... porque isso agora? Queria perguntar mas calei-me e acho que Saori decidiu que era hora de prosseguir com a prosa.
- O que eu gostaria Seiya, é de vê-lo sorrir mais uma vez como outrora, quando parecia que todo céu estrelado estava no seu sorriso e olhar, sempre confiantes e nunca derrotados... Gostaria de saber que, quando eu não mais estiver aqui, você estará repleto da mesma forma... Mas eu sei, que você não pode sozinho. Sei que poderá contar sempre com os amigos, mas falo de alguém para ser seu apoio quando a dor for insuportável, seu porto-seguro, abrigo em tempos chuvosos... o sol que enxuga toda lágrima...
- Uma esposa? Para me tornar prisioneiro? – perguntei com clara ironia.
- Alguém para amá-lo e ser amada, Seiya... Alguém com quem você possa compartilhar essa dor e torná-la mais leve para carregar... E oras! Tornar-se prisioneiro?! Que visão mais infantil sobre o matrimônio Seiya! Criar laços significa crescer... Se não está pronto para isso, não passa de uma criança. Eu deveria dar-lhe umas palmadas para ver se você amadurece um pouco! Eu hein! Veja só! Um ser humano dotado de sentimentos tão nobres e que não sabe os apreciar...
Fiquei em silêncio... Athena estava certa... eu estava sendo um garotão fugindo de compromissos mais uma vez... talvez,eu devesse me abrir e esperar o amor chegar...
- Seiya... – senti toda a ternura de seu cosmo. Olhei e vi que sua face havia se abrandado. Estava com aquele sorriso terno que só minha deusa possuía – se você apenas abrir seu coração, todas as coisas tomarão seu devido rumo... Não precisa temer o amor... ele é bálsamo e não dor... – por hora, descanse de todos esses problemas...Quero vê-lo novamente feliz, como seus companheiros – sorri pra ela e assenti com a cabeça.
Ouvi a porta da grande sala abrir-se e um homem entrar, curvando-se e pedindo licença. Reconheci naquela figura um grande homem a quem eu muito admirava.
- Kanon! Meu amigo! Quanto tempo – eu disse já estendendo os braços para ele. Ele retribuiu o gesto.
- Santo Seiya! Que prazer revê-lo!!! Faz mesmo muito tempo, realmente, muito tempo... – ele estava parecia muito feliz ao tempo que parecia lembrar-se de fatos remotos em sua memória – Que honra tê-lo na Grécia uma vez mais. Vai ficar muito tempo?
Olhei para Saori que sorria. Eu não sabia. Estava lá porque Athena queria ver-me. Agora que já havíamos conversado, o que seria de mim?
- Vai ficar para o jantar que por enquanto é o bastante – disse Saori divertindo-se da minha cara mais uma vez – Seiya ainda vai decidir sobre sua estada aqui. E você? O que deseja?
- Kriska gostaria de saber quais as ordens para o jantar, minha deusa. – disse ele com uma reverência. Eu ri com a língua entre os dentes, numa careta engraçada. Apesar de ser Athena, ainda era Saori, nossa amiga. Eu não costumava a tratar assim... Era estranho demais!
- Bom... – suspirou cansada – leve-me até ela Kanon... Sempre tenho que decidir tudo! E depois dizem que é fácil ser quem sou... Gostaria de esganar esse caluniador! – voltou-se para mim – Vá dar uma volta Seiya. O jantar será servido as 20:00 em ponto. Não se atrase. – disse firmemente deixando claro o tédio que a esperava, e, quando ia se retirando, ouvia dizer já de costas para mim – não a deixe se atrasar também... Odeio quando se atrasam.
- Deixar quem, Saori-chan? Sao...
- Até mais Seiya! Aproveite o passeio! – ouvi Kanon dizer-me zombeteiramente (o que não era comum a ele) e segui-la.
- Aff! Até mais... de que diabos será que ela estava falando?
E foi assim, dando uma volta, que havia vindo parar nos desfiladeiros encontrando a bela dama a minha frente, que ainda me encarava curiosa a espera de uma resposta.
Senti minhas maçãs ficarem vermelhas. A lembrança da conversa com Saori me deixou completamente confuso. Então, Shina estava comprometida?Mas no que eu estou pensando! Xô pensamento! Minha vergonha desaguou numa atitude própria a mim quando sentia-me dessa forma: cocei minha cabeça e sorri abestalhadamente, tentando disfarçar meu embaraço.
- Er... bem... parece que Saori estava um pouco preocupada comigo... então ela me chamou até aqui para conversarmos... foi isso... é! Foi isso mesmo! É por isso que vim a Grécia.
Ela ainda me encarava, no entanto, agora, uma preocupação e tristeza tomavam o lugar da curiosidade em seu semblante. Eu sabia que ela realmente se importava e sabia que aquela expressão queria dizer que ela estava ali para mim. Aquele olhar sobre mim trouxe-me a inquietude mais repleta de tranqüilidade que se pode sentir. Eu só não entendia o porque. Então sorri confiantemente pondo-me de pé de um salto. Estendi-lhe a mão ainda sorrindo:
- Vamos! Vai ficar muito tarde e Saori não nos perdoará se nos atrasarmos para o jantar – lembrei-me da última frase de Saori “ não a deixe se atrasar também... Odeio quando se atrasam e senti meu rosto queimar novamente. Seria a ela que Athena havia se referido?
Ela deu-me a mão e pôs-se de pé devagar. Ofereci meu braço e ela, desanuviando seu rosto, deu-me aquele adorado sorriso, pegou meu braço e nos dirigimos assim, com o sol a pôr-se atrás de nós, para o Santuário... Apenas, Shina e eu...
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Bom, esse foi mais um capítulo... espero que gostem pq eu não simpatizei muito, rs!!!!
Já descobriram quem é o casal... Eu sou fã dos dois... Apesar de achar que a Shina tem muita cabeça pra ele... mas o opostos se atraem, segundo a teoria física, né? rs
Então... Vamos ver quantos anos demora para sair o próximo agora!!! rs
Tudo de bom pra vcs e bjinhos!!!
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