CAPÍTULO VI
InuYasha caminhava cautelosamente. Queria se aproximar em silêncio, sem nenhum alarde. Tinha a impressão de que poderia se arrepender do que fazia a qualquer momento, então o melhor era não ser notado.
A garota permanecia à beira d’água, absorta em seus pensamentos, no entanto, não podia ver-lhe as feições, já que vinha se esgueirando por sua retaguarda, ocultando-se entre os arbustos. Parou quando estava bem próximo dela e ficou observando-a um tempo. Lembrou-se de como a achara linda ainda a pouco e corou completamente.
–
“Mas que diabos estou fazendo? Ela com certeza vai gritar comigo e discutir à exaustão! Talvez, ela até me mande sentar! Maldição!” – o meio youkai estava visivelmente transtornado. O último pensamento, sobre ser mandado
“sentar”, o fez engolir seco, e estancar no lugar, arqueando as sobrancelhas em claro sinal de assombro. A cena que visualizou em sua mente provocou-lhe calafrios. Podia ver uma enfurecida Kagome discutindo com ele com chamas nos olhos! –
“Maldição! A Kagome deve estar muito brava! É melhor eu voltar antes que...”
- Francamente... – cessou todo pensamento quando ouviu a voz da garota, que suspirou em sinal de cansaço.
InuYasha sentiu uma gota de suor escorrer-lhe pelas têmporas. Permaneceu inerte na esperança de que fosse apenas impressão sua que houvesse o notado escondido ali, atrás dela. Ele não havia feito nenhum barulho, nem mesmo movido um graveto que fosse do chão –
“Maldição!” – pensou em desespero –
“Ela não pode...” – suas esperanças esvaeceram-se quando escutou novamente sua voz:
- Vai ficar aí o dia todo me observando, InuYasha? – ela não se movera. Não movimentou nenhum músculo de seu corpo, exceto os que lhe eram necessários para falar; e permaneceu com as costas viradas para ele. O tom da voz parecia não possuir nenhuma emoção, o que era muito singular, já que estava sempre carregada de sentimentos. Esperou que tivesse qualquer reação, mas o hanyou atrás de si permanecia petrificado com uma clara expressão de espanto. Com certeza ele questionava-se sobre como Kagome o notara ali ou sobre como ela estaria reagindo –
“Covarde idiota! Nem se dá conta...” Deu-se por vencida quando percebeu que ele nada diria e resolveu então continuar – O gato comeu sua língua? – tentou provocar, mas ele permaneceu quieto, talvez confuso – Sabia que não poderia ter sido só minha imaginação a alguns instantes atrás, lá do outro lado, não é? – InuYasha não pode ver quando a menina lançou um olhar de relance para a outra margem, onde três cabeças podiam ser vistas ocultas em moitas, observando-os a distância –
“Amigos da onça! Deixa estar...” – dizia referindo-se aos amigos que haviam dissimulado que nada tinha acontecido, quando ela mesma poderia jurar que ouvira a voz de InuYasha do outro lado. Voltou a se concentrar nesse último – Sinceramente, ferido como está, não pensei que fosse atrever-se a dar qualquer outro
“passeio” nas próximas vinte e quatro horas! – frisou bem a palavra e suspirou balançando a cabeça, movendo-se enfim, como se o corpo começasse a relaxar da tensão – Parece que me enganei de novo... Mas o que é que posso fazer, não é mesmo? – A lembrança da última noite e da fuga do rapaz lhe assaltaram a mente como um raio. O rosto que o hanyou não podia ver torceu-se num claro sinal de descontentamento. Agora sim sua voz expressava emoção e esta, era uma espécie de amargura ou dor. Ela estava claramente magoada com os últimos acontecimentos e os ouvidos do meio youkai puderam captar essa variação rapidamente em sua voz; mais ainda a ironia contida nas palavras!
InuYasha abriu e fechou a boca várias vezes em busca de algo para dizer, mas nunca fora bom com as palavras; sempre atropelando-se nelas. E também, não queria arriscar piorar ainda mais a situação em que se encontrava. Temia que pela forma com que Kagome tinha falado ainda a pouco, que desta vez não recebesse o perdão desejado. Só não entendia porque temia isso. Ela não fora sempre tão gentil e abnegada a ponto de aturar-lhe cada falta? Porque agora havia de ser diferente? Kagome não era nenhum ser humano desprovido de coração. Pelo menos, não o tinha sido até agora... Conseguiu soltar o ar que estava preso nos pulmões para sussurrar, com muito esforço o nome da garota e um ordinário pedido de desculpas, saindo por fim do meio dos arbustos.
- Kagome... Me desculpe! – eram quase inaudíveis suas palavras, mas dissera alto o suficiente para que a menina as entendesse. Baixou a cabeça e esperou. Tinha certeza que Kagome lhe daria um sermão e por fim, ele terminaria estatelado no chão. Surpreendeu-se, porém, ao ver que os minutos se passaram e ela não se moveu. Continuava olhando para o rio, como estivera todo o tempo –
“Kagome... mas o que” – esforçou-se para entender o que se passava, mas não chegou a nenhuma explicação satisfatória. A jovem simplesmente não reagiu; apenas abraçou seus joelhos ao corpo e recolheu-se. Era como se estivesse em um outro lugar ou em um completo transe, fugindo de algo que a atormentava.
A princípio InuYasha preocupou-se com o silêncio de Kagome, mas esse nobre sentimento logo deu lugar a corriqueira irritação que lhe era peculiar –
“Maldita! Está me ignorando de propósito! Eu aqui me esforçando para pedir desculpas! Maldição! Como pode?!” – Chamou-a uma vez mais, tentando disfarçar a raiva contida na voz – Kagome! Estou falando com você! Você ouviu? Eu pedi desculpas! – aguardou pela resposta, mas a garota permanecia quieta. Parecia que não se importava com o tal pedido de desculpas, tão raro e sincero que ele lhe fizera.
Não se contendo mais, ele deu um passo para frente inclinando o corpo e serrando os punhos. As sobrancelhas triscaram enquanto apertava os olhos para melhor enxergá-la.
- Ei Kagome! Assim já é demais! Pare de fingir que eu não estou aqui! – esbravejava como se fosse o fim do mundo – Ei Kagome! Tá me ouvindo?! Diga alguma coisa! Reponde, maldição! – iria se lançar na frente da menina para conseguir sua atenção, mas não se fez necessário. Ela virava o rosto em sua direção. Poderia ter comemorado sua persistência, se não fosse pelo que viu e ouviu a seguir.
Kagome, depois dos gritos do rapaz, tornou o rosto por cima de seus ombros na direção dele e depositou seu olhar sobre o seu. InuYasha pode ver a face que até então, estivera oculta; e desejou nunca ter visto o que viu: as feições de Kagome eram tristes e pesadas e os olhos, que estavam sempre a lhe sorrir cheios de vida, estavam agora vazios e opacos. Não havia aquele brilho contagiante no rosto da garota. Ela lhe encarava longamente e com consternação notável. Aos poucos, seus traços, destacados pela forma como estavam presos seus cabelos, desenharam-se mais duros, do que propriamente tristes. E como se não bastassem os olhos turvos de Kagome, as palavras que lhe vieram em resposta aos gritos lhe fizeram estremecer o espírito:
- O que você quer que eu diga, InuYasha? Hum? – a voz acompanhava o tom carregado da face – Que eu te desculpo, como sempre faço? Ou talvez você queira escutar o quanto me magoou com tudo... – titubeou, mas já era tarde – ...com tudo...isso... – A voz embargara na última frase enquanto continha o choro que lhe subia na garganta, fazendo com que seu discurso saísse com tremenda dificuldade. Estava, ela mesma, chocada com a intensidade das próprias palavras. Sabia que tinha vontade de dizer tudo o que estava sentindo e o quanto estava cansada da inconstância e infantilidade de InuYasha que tanto lhe machucavam, todavia, não esperava que isso fosse fugir-lhe do coração aos lábios com tamanha facilidade, revelando o quão frágil era ela na realidade. Ele não precisava saber o quanto a feria... Nunca precisou! Jamais deixara que esses sentimentos transparecessem ou interferissem no seu desejo de estar com o meio youkai e, apesar de toda dor que vinha suportando, ela sempre mantivera seus sentimentos ocultos e acabava por perdoá-lo. Sempre engolia o orgulho e até mesmo seu amor próprio. Pensava em como ele devia estar se sentindo ou em como Kikyou estava sentindo-se... Então, vestia-se de sua armadura impenetrável de bondade perene e colocava o melhor sorriso que encontrava no rosto para dizer:
“Está tudo bem InuYasha! Você está aqui agora, não está?” Depois ensaiava para ele uma pregação e no fim, tudo voltava aos eixos... Só não sabia que raio de eixo era esse, já que sua vida havia virado de ponta a cabeça e provavelmente jamais voltaria ao que uma vez, poderia ter sido um verdadeiro eixo. Jamais! Compreendia que estava se enganando para não sofrer e já estava em seu limite.
– Eu não suporto mais isso... – sussurrou mais para si mesma que para o outro, ainda contendo o choro. Estava claro o porque de suas palavras ao hanyou. Estava farta das desculpas de InuYasha, de suas
escapadas, de sua mania de querer vencer o mundo sozinho. Estava farta de sorrir quando queria chorar, de mentir, de se enganar. Estava farta de sempre ter que pensar em todos e ver como ninguém pensava nos seus sentimentos.
“Seja forte, Kagome!”, era o que todos sempre lhe diziam. Abertamente, cansara-se de tentar ser forte também! Queria ser apenas Kagome Higurashi outra vez e deixar toda aquela cruz pesada para outro carregar no lugar dela. No entanto, ela sabia que não era crível, oh! Como sabia...! Havia sido sua própria escolha. InuYasha tentara adverti-la para o risco de magoar-se se decidisse ficar, mas ela preferiu arriscar-se, a ter de viver sempre na penumbra da covardia. Apesar de tudo, ela o amava, e por mais que lutasse para livrar-se desse sentimento, sabia que ele havia lhe arrebatado inteiramente o coração. Eis aí a razão de suas aflições e noites mal dormidas: amava-o cada vez mais, contudo, era já um amor sem nenhuma esperança. E como lhe doía o peito por ter que conviver com isso. Ter de conviver com sua própria decisão era mais doloroso do que conviver com a escolha de InuYasha. Por isso não podia mostrar-se tão fragilizada e fraca para o rapaz. Acreditava não ter esse direito. Não era sua culpa, por mais que quisesse culpá-lo, e sempre soube disso.
Sacudiu a cabeça. Voltou o rosto para o rio com o coração batendo-lhe descompassado e dolorido no peito –
“Mas que droga! Eu quase... quase disse coisas que não devia dizer ao InuYasha! Como sou tonta... Hunf! Melhor pedir desculpas antes que ele se aborreça...” – suspirou resignada, pondo-se de pé, só então percebendo a expressão que se encontrava na face do hanyou.
InuYasha ouvia as palavras de Kagome boquiaberto e muitíssimo pasmado. Ouvia, mas parecia não compreender. Ela jamais falara nada do gênero, tampouco tinha a visto agir de maneira parecida antes, tão agressiva e dura ao passo que lhe parecia mais transparente do que jamais havia sido. A sentença que a mesma pronunciara, martelava-lhe na cabeça, juntamente com a expressão fria da garota. Não soube explicar o porquê, mas acabou por lembrar-se da conversa que ouviu de Sango e Miroku minutos atrás:
FlashBack
- Ela tem estado... tão diferente... – disse Sango, parando de colher uma fruta no pé olhando na direção da amiga e atraindo o olhar do monge para a garota.
- É verdade Sango. Ela não tem sido mais a mesma Kagome de um ano atrás – Miroku disse com um tom sério, encarando a garota sentada na outra margem.
- Talvez ela esteja crescendo... afinal, nenhum de nós é mais o mesmo daquela época... – ela tentava ignorar a mudança da amiga.
- Tem razão. Nenhum de nós é mais o mesmo, Sango. No entanto, o tempo tem sido muito mais cruel com a Kagome. Os olhos alegres dela, agora me parecem sempre tão sombrios e tristes. Raras vezes eles faíscam como antes. O sorriso sempre tão vivo, agora parece...
- Uma máscara... – Sango completou com tristeza – Pobre Kagome...
- Eu temo Sango – prosseguiu o monge – que quando tudo terminar, a espera da senhorita Kagome tenha sido completamente em vão. Então será tarde demais para consertar seu coração, tão jovem e já repleto de desilusões... Essa guerra, não era para ela... Mesmo assim ela assumiu toda essa carga de responsabilidades e sentimentos. Não sei... se ela poderá chegar até o fim de tudo, inteira...
“Não sei... se ela poderá chegar até o fim de tudo, inteira...” – ele repetiu a última frase em pensamento, parecendo acordar. Era isso mesmo! Kagome parecia partida. Hora era a mesma doce e alegre menina que o cativara. Outra, parecia uma pessoa distinta, mais triste, mais amarga... –
“Essa não é a... mesma Kagome...” – pensou com pesar e sentiu seu coração apertar-se no peito esquerdo, causando-lhe um desconforto maior que seus infelizes ferimentos. O que estava acontecendo por fim? Olhava para ela com choque nos olhos. Havia descoberto algo novo para ele, que seus amigos já haviam notado antes, ou seria apenas impressão de sua mente fértil? Como poderia ser outra Kagome? Como?!
Esforçou-se para sair de seus devaneios quando a viu se erguer e encará-lo novamente. O rosto ainda parecia carregado de melancolia, mas aquela sombra pesada havia desaparecido, desanuviaram-se as feições e o olhar parecia recarregar-se de emoções outra vez. Empenhou-se em tentar ouvir e compreender as palavras ditas pelos lábios em movimento de Kagome:
- Desculpe, InuYasha... Eu não queria dizer nada disso... eu – hesitou. Estava cedendo mais uma vez. Sabia que ele merecia seus
“piores” sentimentos agora, mas não conseguia trocá-los pela pureza dos sentimentos que verdadeiramente lhe dedicava. Visou outra vez o chão a sua frente, demonstrando todo seu constrangimento antes de continuar – Eu realmente não queria dizer nada disso... Só estou um pouco cansada, só isso... Eu não quero discutir, então... vamos deixar para lá o que aconteceu, está bem? E se... Se você está me pedindo desculpas, como eu poderia recusar? – puxou com bastante dificuldade o ar para seus pulmões, respirando fundo e então, sorriu, olhando-o diretamente. Não que quisesse sorrir naquele momento, mas não deixava de ser um gesto sincero, já que o mesmo, estava repleto da mesma agonia de seus belos olhos castanhos, ainda umedecidos pelas lágrimas.
InuYasha ainda a olhava com surpresa. Travava uma luta interna para situar-se nos fatos que se lhe apresentavam. As informações o estavam deixando confuso em demasia. Kagome estava lhe abrindo o coração ou apenas aceitando seu pedido de desculpas? Estava sendo sincera ou era um arroubo de ira como ele nunca antes vira? Afinal, era mesmo
sua Kagome quem estava ali, diante dele? Ele não estava certo... E que diabo de sorriso era aquele? E o cheiro das lágrimas?
Enrolado em sua própria confusão, obrigou-se a responder qualquer coisa a réplica de Kagome, que nada conseguiu entender a não ser seu próprio nome em meio a palavras sem muito nexo.
Cruzaram os olhos e então veio o silêncio. Os olhares quiseram se evitar, fugir, como sempre. Mas aquela não era uma ocasião como as outras. Os olhos estavam sendo atraídos um pelo outro, como se houvesse ali um imã ou força mágica que os obrigassem a sustentar o olhar, mesmo que a mente já tivesse fugido para um outro lugar. Quando a tensão no ar era quase tangível, uma voz do outro lado fê-los sair daquele constrangedor incômodo:
- Kagome! InuYasha! Tá tudo bem aí? – era a voz de Sango, visivelmente preocupada.
Minutos atrás, quando ela, Miroku e Shipo viram InuYasha se aproximar de Kagome, ficaram extremamente apreensivos, mas resolveram não interferir. Cedo ou tarde eles teriam de se confrontar e sinceramente que fosse logo; protelar só tornava tudo mais difícil e doloroso para ambos. Sentiram-se de certa forma aliviados e surpresos pelo fato de que, quem dera o primeiro passo, havia sido o meio youkai. Assim, decidiram apenas observar de longe, no meio dos arbustos, ansiosos. Nada extraordinário, no entanto, já que eles sempre vigiavam tudo na vida uns dos outros, mais com interesse oculto dos fatos do que por preocupação. Podia-se dizer que sua veia para mexericos era realmente expressiva, nada deixava passar... Ainda mais numa situação excepcional como essa!
Assistiram a toda a cena atônitos e sem entender muito do que se passava do outro lado. Tremeram quando sentiram que a menina lhes dirigiu um olhar cheio de raiva, mas logo desviou-o para o rio novamente. Viram InuYasha gritando algo sobre Kagome responder alguma coisa e notaram que ela não deu o menor sinal de importância. A essa altura, já era hora de InuYasha estar
sentado com a cara no chão, mas isso não aconteceu. Quando perceberam que o casal estava há muito tempo se olhando, resolveram quebrar aquele clima pesado que pairava até sobre a face das águas.
Naquele exato momento, a senhora Katsuary apareceu perto deles com Kirara, carregando algumas frutas e legumes colhidos ali perto, na horta cultivada pelos habitantes do vilarejo.
Kagome permaneceu olhando InuYasha atentamente ainda mais uns segundos, antes de se voltar sorrindo alegremente e acenando para a amiga do outro lado, deixando todo pensamento intimidante de lado. Para ela, bastavam de discussões, revelações ou o que quer que fosse – Tá tudo bem sim Sango! Não se preocupe! – gritou naturalmente.
- Que bom! – sorriu nervosa a amiga – A senhora Katsuary já voltou com a Kirara! E nós já terminamos de colher o que faltava para o jantar. Podemos ir para casa agora! O sol já está bem baixo, logo vai escurecer – continuou Sango, tentando não demonstrar a preocupação.
O céu realmente já começava a escurecer, sinal de que a tarde despedia-se dando boas vindas a noite majestosa da Era Feudal. O sol ainda tingia o horizonte com cores vivas. Qualquer artista ficaria com inveja dessa obra prima de
Kami-sama!¹ Talvez fosse um belo espetáculo para afugentar os maus pensamentos ou quem sabe, para recompensar os momentos desagradáveis... Quem poderia dizer?
- Tá bom! – respondeu Kagome – Mas acho que... – parou dando um último demorado e sério olhar na direção do hanyou antes de prosseguir – Acho que o InuYasha vai precisar de uma ajudinha para ir para casa! Será que a Kirara não poderia carregá-lo e nós levamos as coisas? – olhou na direção da senhora Katsuary, como se pedisse autorização.
- Por mim tudo bem! – respondeu a gentil senhora.
Sango assentiu com a cabeça, mostrando que para ela também não haveria nenhum problema, apesar de ainda sentir um enorme desejo de esfolar InuYasha com suas próprias mãos devido as últimas ocorrências... Mas, ele ainda era seu amigo, mesmo que fosse um
cabeça dura incansável e incorrigível – Vá! Kirara! – ordenou e Kirara fez um movimento positivo, indo na direção do casal no outro lado.
O meio youkai que ainda não havia dito nada, deu-se conta do que se passava e decidiu demonstrar seu desgosto com a idéia.
- Que?! Do que está falando Kagome?! Eu não preciso disso! Posso voltar como eu vim! – o rapaz estava no mínimo ainda mais confuso. Porque Kagome queria que ele montasse na Kirara?
- Não percebeu ainda, InuYasha? – ela perguntou aborrecida, voltando-se para ele.
- Percebi o que? – perguntou piscando os olhos e movendo graciosamente as
orelhinhas de cachorro no alto de sua branca cabeça. Kirara já estava ali, dando um leve rugido.
- Seu ferimento abriu! Não está vendo? Não sente? É assim, tão insensível?! – já estava completamente no seu normal. A infantilidade do outro e sua preocupação com o mesmo, fizeram-na esquecer o episódio recente.
- Feh! É só um machucado de nada! Eu não preciso ser carregado para lugar nenhum só por causa disso! É melhor me deixar em paz! – Virou a cara como se não se importasse, porém, no instante em que tentou dar um passo para mostrar que estava tudo bem, sentiu muita dor no tal ferimento aberto e as pernas bambearam de fraqueza, quase o fazendo cair – Maldição! – sussurrou cobrindo o ferimento com uma das mãos e buscando apoio para si com a outra. Estivera tão absorto em seus devaneios que nem se lembrara que estava tão ferido.
- Está vendo! - Kagome exclamou em um gesto de desaprovação e raiva – Você nem consegue andar direito! Está fraco! E essa droga de ferimento deve estar no mínimo ardendo! Você vai montar na Kirara e pronto! – ordenou impaciente – Não se fala mais nisso! – As mãos na cintura e a batida de um dos pés a frente do corpo, deixavam claro que ela não estava para brincadeiras e muito menos para discussões inúteis –
“Ai! Como pode ser tão teimoso! Que imaturo! Arrrr!Eu não agüento!”
- Maldição, Kagome! Eu já disse que não vou! – e voltou-se para sair dali. Era realmente impossível lidar com a teimosia de InuYasha, mais ainda com seu tolo orgulho.
Mas a garota já havia decidido não discutir mais. Haviam tido sua cota de prosa e debate por aquele dia, e não deixaria que nada lhe diluísse a decisão e tampouco sua escassa paz de espírito. Resolveria tudo de forma clássica e rápida, e porque não dizer mortal?!
- Não vai montar? Tá bom... Foi você quem pediu por isso e não eu... – o gosto da vingança perpassou-lhe nos lábios, mas ela não sorriu. A irritação era maior.
InuYasha sentiu a mesma onda de choque que percorreu seu corpo quando foi descoberto por Shipo no meio dos arbustos minutos atrás, atravessá-lo novamente. Virou lentamente a cabeça para trás com uma sobrancelha arqueada, a tempo de ver Kagome endireitar a postura, jogar os cabelos para trás, fechar os olhos e virar o rosto em desprezo, antes de dizer a palavra que InuYasha mais
adorava...
- InuYasha... – ouviu-a chamá-lo com a voz fria. Arregalou os olhos com pavor. Era agora... era o fim...
–
SENTA! – Disse simplesmente, apenas encorpando um pouco a voz. Abriu um dos olhos para certificar-se de que ele jazia no chão, estatelado e fez um barulho como um
“hum” que significava,
“bem-feito!” – Kirara! Faça o favor de pegar o InuYasha, sim?! Eu vou ajudar os outros! Hunf! – pegou seus sapatos sobre a pedra ao seu lado e saiu pisando duro pelo chão, marchando na direção da viela sobre o rio, a mesma que InuYasha usara a pouco para atravessar até ela.
-Ka...go...me... Maldi... ta!– balbuciava InuYasha, completamente grogue pelo baque e pelos ferimentos, enquanto a pobre da Kirara o colocava sobre si.
Do outro lado, todos observavam a cena com certo enfado, exceto a senhora Katsuary, que olhava assustada para a batalha que era travada pelo casal na outra margem do rio.
- Tem coisas que não mudam nunca, não é mesmo Sango? – perguntou Miroku entediado com o quadro.
- Ninguém merece, Miroku! – Sango suspirava já pegando um dos cestos para voltar.
- E eu achando que a Kagome fosse ficar com pena do estado do InuYasha... – Shipo sacudia a cabeça em desaprovação.
- O que está acontecendo? – perguntava uma confusa senhora Katsuary.
- É melhor deixar para lá! – Miroku pegava um dos cestos – Vamos embora!
“Espero que fique tudo bem agora... E que isso fique mesmo para lá! É o que eu desejo...” – olhou para o céu e depois para Kagome que vinha correndo na direção deles. Sorriu, deixando suas preocupações para mais tarde.
Assim que todos se ajustaram, voltaram para casa, junto com a noite. Havia sido um longo e enfadonho dia, mas enfim, estava acabando. Quem sabe agora, eles pudessem descansar um pouco suas cansadas cabeças... E sonhar que no fim, tudo isso acabaria bem. Ao menos, sonhar...
N.A.:
¹ Kami-Sama - deus supremo do Japão.
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Aleluiiiiiiiiiia!!
Depois de dois meses ressucitei essa fic! rs
Espero que gostem do capítulo!
Daqui pra frente, a trama engata!
Agora sim vocês começaram a enteder pq a fic se chama "O Fim dos Nossos Sonhos"!
So...
Enjoy!!! rs
Bus pra todos e obrigada por lerem!