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[Originais] Missa dos Mortos

A aposta


Autor: ~KyoriHoshi

Categoria: Misc/Originais

Gênero: Comédia / Misticismo / Mistério / Terror e Horror

Tags: morte, missa, religião, avó, maracujá, lápide

Personagens:

Classificação: Livre

Adicionado em: 22/01/07

Comentários/Favoritos 2/3

Caracteres: 3.997

Exibições: 226

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Nota: Nota: 5 

 


A missa dos mortos

Hoje eu sei que não deveríamos ter feito aquilo, mais naquela época éramos espertos de mais para acreditar em qualquer coisa.
Meus pais sempre me falaram para não sair à noite de casa nesse dia, eles falavam que eu podia me machucar, e eu sempre obedeci. Mas naquela noite foi diferente, por culpa de uma aposta besta que eu fiz, eu tive que sair. Foi em uma noite de sexta-feira 13.

Eu sempre achei que fosse mito, eu era muito cética em relação a isso. A história diz que esse dia foi marcado como um dos mais sangrentos da idade média, por que foi nesse dia que foi feita a matança das bruxas. Muitas mulheres foram executadas pela falsa acusação, por isso sempre achei que fosse lenda, crendice popular.
De uma bem sinistra descobriria que estava errada.
Eu fui ao cemitério da igreja, pagar a aposta que eu havia perdido, dizem que meia noite é o horário em que os portões do inferno se abrem e por isso que as lendas dizem esse tipo coisa, assim: “a meia noite ele voltará e um exercito de zumbis com ele virá em nome de deus que não ouso mencionar.” E blá, blá, blá. Sabe pra mim isso sempre foi história.
Maluquice desse povo sem cultura. Quer saber a maluca era eu.
De longe eu vi umas luzes que vinham da igreja, como se fossem velas, mais era muito tarde, não podiam estar orando àquela hora. Talvez fosse o padre. Então eu fui lá ver o que estava acontecendo.
Maldita curiosidade humana.
Para minha surpresa, a igreja estava cheia de fies, não havia um só banco sobrando, os lustres estavam acessos, haviam velas espalhadas por toda a igreja e o padre se preparando para celebrar a missa.
Achei estranho todo mundo estar com roupas escuras, achei mais estranho ainda minha avó estar sentada em um daqueles bancos. Principalmente por que a velha tinha morrido a três meses
Quando o padre se voltou para dizer o "Dominus Vobiscum", eu vi aquela galera tava toda morta, seus corpos emanavam uma luz estranha, uma pequena fosforescência que iluminava uma pequena área ao seu redor. Seus rostos estavam meio enrugados. Não gritei, não consegui gritar.
Na verdade não conseguia nem me mexer.
“Morri – essa era a única palavra que vinha a minha mente – morri, morri, morri, morri, morri, morri, valeu sua estúpida, grande, você é muito inteligente, vai ser morta por um monte de maracujás.”
Eles se viraram pra mim e se levantaram começaram a caminhar na minha direção meio cambaleante sei lá, estavam mancando. E minha avó foi a primeira a se levantar. Nunca gostei daquela velha mesmo.
Só sei que naquela hora eu comecei a recuar de volta pro cemitério.
Quando eu cheguei lá às covas estavam abertas e tinha um homem sentado em uma das lápides fumando corri até ele. Era o coveiro, sabe o que eu descobri, ele também tava morto.
- MAIS QUE DROGA SERÁ QUE NÃO TEM NINGUÉM VIVO AQUI? – eu gritei.
- Minha filha isso aqui é um cemitério, o que você queria? ¬¬õ
Eu sai correndo e gritando, ta eu parecia uma lunática gritando daquele jeito. Mais e daí? Eu tinha acabado de ver a minha avó e ela tava morta. O que vocês queriam que eu fizesse? Que eu dissesse parabéns vovó, para alguém que acabou de voltar do inferno até que a senhora ta bem conservada?
Se ela já me batia quando era viva, ela ia me espancar agora que eu não podia mais revidar.
Eu sai da cidade por que depois que isso aconteceu me tacharam de maluca e algumas pessoas falaram que eu usava drogas. Mais quer saber eu prefiro assim. Me sinto bem melhor não tendo que aturar esses defuntos de uma cova.
Agora eu tenho que aturar outros defuntos. Sabe esse negocio todo de ver gente morta às vezes fica chato. Por isso às vezes ignoro e finjo que não vejo, outras vezes é inevitável à gente tem que fazer alguma coisa.
Hoje em dia eu tenho uma filosofia de vida, não fazer apostas e nunca ir ao cemitério depois da meia noite em uma sexta-feira treze.


Capítulos de [Originais] Missa dos Mortos

[22/01/07] A aposta


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