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› Autor: ~Shinseiki
› Gênero: Ação, Aventura e Luta / Drama (Tragédia)
› Classificação: Livre
› Adicionado em: 06/08/06
› Comentários/Favoritos 1/1
› Caracteres: 10.036
› Exibições: 183
Sou um Methuselah. Tenho vida eterna. Tenho uma vida vazia. Aquilo que eu fui desmoronou a muito tempo atrás. O que restou se esconde nas sombras da noite. Tento matar o que restou e tirar essa dor de mim. Mas não consigo, sou um Methuselah.
Já tive ideais. Já lutei por eles. Ainda luto. Mas minha luta agora é uma luta vazia. Luto por outros, não mais por mim. Porque uma parte já está morta e o que restou se esconde.
Espero que hoje seja a última luta. Quero encontrar a paz.
***
Padre Abel e Padre Tres estão partindo para a cidade de Versovio, uma cidade perto da fronteira com o Império dominada por vampiros. Receberam do duque De Lavis, o methuselah que governa a cidade, informações de um ataque da Vontrè des Mirna, uma organização ligada a Rozen Kreuz. O ataque seria realizado por um único vampiro, Kosef von Gauss, o mesmo envolvido com o ataque à Igreja de Tejo e com a recente libertação do vampiro Alphonse Notrè. Era com certeza alguém perigoso.
Padre Abel tentava disfarçar o nervosismo. A missão seria complicada. As vidas de muitas pessoas estavam em risco, e eles não tinham nem certeza de que chegariam a tempo. Além disso Esther havia partido para a primeira missão que faria sozinha. Como será que ela se sairia? Tinha medo que alguma coisa acontecesse a ela. Padre Tres apenas aguardava o início da missão.
***
Estou chegando na mansão do Barão de Lutz. A Vontrè des Mirna me enviou para matar o barão. Ele tem sido um obstáculo para os objetivos da organização. Deve ser eliminado. Mas sei que não é isso que eles querem de verdade. Esta é na verdade uma missão suicida.
Eu matei Alphonse Notrè, pouco depois de libertá-lo do Vaticano. Eles sabem disso. Só não conseguiram provas. Não poderiam me punir perante os outros membros da organização. Mas ainda assim me deram o veredito. Me enviaram para uma missão em que devo morrer. Mas não me arrependo. Fiz isso por você, Selena...
A mansão é bem vigiada. Alguns são methuselah. A maioria é de humanos. Não conheço os pontos fracos da casa. Não sei como entrar desapercebido. Não tenho tempo para isso. Não tenho sequer vontade para isso. Farei do meu jeito então. Entrar destruindo tudo, para esquecer que o destruído sou eu.
Pego a cabeça de um dos guardas e a bato com violência no portão. O sangue esguicha. Era apenas um humano.
Os guardas que estão há uma distância média começam a atirar. Sinto a dor, mas isso não me fere de verdade. O outro guarda que estava junto com o que acabo de matar era um methuselah. É veloz. Seus golpes com essa adaga com fio de prata são vigorosos. Também tem bons reflexos. Tento golpea-lo mas ele esquiva com um mortal para trás. Ele escala rapidamente o muro e pula sobre mim. Seguro a perna dele e o jogo violentamente contra o chão. Ainda trôpego ele tenta me atacar, mas desta vez não foi veloz o suficiente. Seguro seu braço e o mato com sua própria adaga.
Ah, os outros guardas ainda tentam atirar. Rapidamente chego até eles e tiro suas vidas com facilidade. Nenhum desafio. Parece que a Vontrè de Mirna não vai atingir seu objetivo. Parece que não é nesta noite que encontrarei a paz.
Sinto outra bala atravessar a carne. Esta me fere de verdade. Parece ser uma bala especial para matar vampiros. Rapidamente vejo de onde o tiro veio. Antes de alcançar o atirador, ainda levo dois tiros. Ele tenta desviar do meu primeiro golpe, mas é atingido. Ouve-se um baque surdo no seu peito. Apesar de ser um humano ele ainda sobrevive, mas não tem sorte no segundo golpe.
Entro na casa. Está cheio de gente! Parece que está tendo uma festa aqui. Localizo rapidamente o alvo. O barão também percebeu minha chegada e sai correndo pelas escadas. Os guardas começam a entrar e as pessoas ficam assustadas. Vou passando entre as pessoas sem me importar se as estou ferindo ou mesmo matando. Desculpa Selena... foi isso o que eu me tornei.
Subo as escadas e me deparo com dois Methuselah. Um deles usa uma espécie de lança com a ponta carregada de energia. O outro está de mãos vazias, mas suas garras crescem de forma desproporcional. Tento acertar o methuselah das garras mas os dois são mais rápidos, quase sou atingido pela lança do outro. Quando tento avançar em um ele já está pronto para se defender e o outro parte para o ataque. Se não fosse por minha experiência em combate, talvez eu já teria sido derrotado. Talvez mesmo assim eu possa ser derrotado. Preciso arriscar agora.
Tento acertar o methuselah das garras. Ele esquiva e o outro tenta me acertar. Desta vez eu permito que ele acerte. A lança atravessa a carne. A dor é enorme. Mas a dor que carrego é maior e meu corpo é vazio. Não faz diferença. Pego o methuselah que ainda segura a lança e o aremesso contra o methuselah das garras. A cara de espanto deles quase me faz rir, mas eu não consigo. Quebro a lança e com a haste eu atravesso os dois. Não sei o nome deles. Não interessa. Eles são incapazes de me levar ao descanço.
Os guardas chegaram e assistiram o final da luta. Paralizados. Apenas com o olhar faço eles recuarem. Um deles até cai de joelhos. Prossigo então a minha busca.
Ao dobrar o segundo corredor me deparo com outro methuselah. Ele tem cabelos longos, roupas finas e segura uma espada. Ele se apresenta. Gurthan Briesch é seu nome. Já ouvi falar dele. É o assassino pessoal do barão de Lutz. Muito habilidoso. Talvez seja a minha chance de encontrar paz...
Ele é mais veloz do que qualquer outro methuselah aqui. Seus golpes também têm ótima precisão. Antes que eu conseguisse tentar qualquer coisa ele me acerta um golpe na perna esquerda e outro no tórax, no lado direito. Tento acertá-lo. Mas sua língua se estica para fora do corpo e se prende ao meu braço. Com incrível força ela me puxa em direção a ele e minha barriga é atravessada com sua lâmina. Sua habilidade é impressionante, tenho que usar minha habilidade de sangue.
Antes que sua lígua termine de se soltar de meu braço, eu a agarro com a outra mão. Faço crescer uma crosta sobre a língua, dura como uma rocha. Mas pedras nunca foram resistentes o bastante para mim. Parto sua língua em dois. Ele fica possesso pela raiva e começa a atacar freneticamente. Ele me acerta ainda três golpes até que eu consiga agarrar o seu braço. Começo a petrificá-lo, então ele recua. Já é tarde, seu braço já ficou inutilizável. Quando penso que já tinha dominado a luta ele me surpreende com mais um ataque. Ele passa por mim com uma velocidade impressionante e me atinge nas costas, de costas para mim. Giro o corpo para segurá-lo e a carne é rasgada. Agarro a cabeça dele. Após petrificar parte dela, a faço em pedaços no chão.
Após o esforço, caio. Mas ainda tenho forças para me levantar. Acho que os sofrimento vai se prolongar por mais tempo. Sou um methuselah. Tenho vida eterna.
Enquanto entro no quarto onde está o barão, penso no caminho que percorri até aqui. Lutava pela expansão do Império. Éramos a raça que substituiria os falhos humanos. Lutei por isso até que conheci Selena. Por mais que eu havia lutado pelos methuselah, ela era a única que me aceitava de verdade. Quem não se importava com minha aparência brutal. Que percebia que eu era alguém.Uma humana. Foi então que ela foi tomada de mim. Morri junto com ela. Só sobrou a decadência. Segui apenas obedecendo as ordens da organização. Mais tarde descobri que um membro da minha própria organização a havia matado. Mas já não importava mais. Não poderia mais trazê-la de volta. Confesso ter sentido algum prazer em matar Alphonse. Mas a dor persiste. Continuo vazio.
Entro no quarto onde está o Barão de Lutz. Está acuado, assustado, desesperado. Não sabe ele que eu também estou. Ele menciona que a AX estava para chegar, que talvez fosse melhor poupá-lo. Os agentes do Vatiano estavam vindo. Minha última esperança para esta noite. Resolvi deixá-lo viver mais um pouco. Se eles não forem fortes o bastante, o barão morre. Ficamos então à espera no quarto.
***
Padre Abel e Padre Tres chegam na mansão do Barão de Lutz. O dia já está quase amanhecendo. As pessoas já saíram da casa. Haviam chegado muito atrazados. Restavam apenas os corpos de alguns dos convidados, de guardas e de vampiros. Acharam que já não havia mais nada a ser feito, mas foram informados de que Kosef ainda estava na casa, trancado com o barão.
Padre Abel chegou à porta do quarto onde Kosef mantinha o barão com o refém. Tentou iniciar uma negociação, mas Kosef estourou a porta sem negociar nada. Padre Tres foi logo atirando, sem hesitar. Kosef é atingido, mas rapidamente consegue segurar um dos braços de Tres e começa a petrificá-lo. Ele arremessa Tres contra a parede separando o braço do corpo do andróide. Tres então entra no quarto para resgatar o barão. Padre Abel fica encarregado de Kosef.
Contra um inimigo poderoso como este, Abel é obrigado a ativar seus poderes de Kreusnik em 40%. Como um vampiro que suga vampiros, Abel parte para cima de Kosef com sua foice. Ele não é afetado pela petrificação e a luta prosegue. Na primeira oportunidade Abel Nightroad arremeça Kosef através da parede e cai junto com ele. O sol já estava nascendo. Era o fim daquele vampiro.
***
Finalmente encontrei um oponente capaz de me trazer paz. O Anjo da Morte me trouxe ao descanço desejado. A pele queima, mas não sinto dor. O sol está nascendo. Faz muito tempo que não vejo o sol nascer. É como se ele preenchesse a minha vida vazia com a esperança de ver Selena novamente. É enquanto o corpo está se desfazendo que eu encontro tudo aquilo que perdi.
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